Macadamia

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Macadamia integrifolia

Macadamia integrifolia
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Proteales
Família: Proteaceae
Género: Macadamia
Espécies
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Macadamia é um género botânico pertencente à família Proteaceae e à subfamília das grevileóideas.

ORIGEM[editar | editar código-fonte]

A macadâmia é um fruto extraído de uma árvore com o mesmo nome. Esta árvore é originária da Austrália. Existem mais de dez espécies, porém, duas são exploradas comercialmente: a Macadamia integrifolia, que é originária de Queensland, onde cresce em florestas muito úmidas, e a M. tetraphyll originária da Nova Gales do Sul. O nome foi dado pelo botânico Ferdinand von Mueller, o seu descobridor, em honra de um seu colega o naturalista e político australiano de origem escocesa John Macadam (não confundir com o também engenheiro escocês John Loudon McAdam).

DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO[editar | editar código-fonte]

A macadâmia foi introduzida no Havai por volta de 1881, onde foi usada como planta ornamental e na reflorestação do arquipélago.

O desenvolvimento tecnológico dessa cultura ocorreu no Hawaii Agricultural Experiment Station (HAES), onde foram selecionadas as principais cultivares plantadas no mundo. No Brasil, os trabalhos de adaptação e melhoramento da espécie foram iniciados com o plantio de nogueiras-macadâmia provenientes do HAES, na década de 1940, pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) que, na década de 1970, lançou dezessete cultivares adaptadas às condições climáticas brasileiras. Hoje, estes dois centros são responsáveis por produzir as cultivares mais utilizadas em nosso país: HAES 344, HAES 660, HAES 741, HAES 816 e IAC 121, IAC 4-12B, IAC Campinas B, IAC 9-20 e IAC 4-20. Nota-se que nos últimos anos as cultivares nacionais têm conquistado a preferência dos produtores pela maior produtividade (Perdoná et al., 2013).

CARACTERÍSTICAS DA PLANTA[editar | editar código-fonte]

A árvore é de porte alto e bem encopada, chegando a atingir 20 metros de altura e de diâmetro de copa e as variedades HAES e IAC apresentam características de conformação de copa bastante diferentes. As nacionais apresentam maior crescimento lateral, formando uma copa arredondada e as cultivares havaianas têm maior crescimento vertical, com formato cônico. Essas características devem ser bem observadas quando se deseja utilizar as nogueiras em cultivos consorciados, pois a conformação da copa influencia na escolha do arranjo espacial, ou seja, no espaçamento das plantas (Perdoná et al., 2013).

CULTIVO NO BRASIL[editar | editar código-fonte]

Por suas condições climáticas, o Brasil se apresenta entre os países com maior potencial para produção de noz macadâmia no mundo. O zoneamento agrícola da cultura indica áreas com condições favoráveis ao cultivo em São Paulo, Rio de Janeiro, Espí­rito Santo, sul de Minas Gerais, leste do Mato Grosso do Sul e oeste do Paraná (Schneider et al., 2012).

Atualmente no Brasil, o cultivo da macadâmia está concentrado em regiões que tradicionalmente são produtoras de café. Nos Estados de São Paulo, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro estão as maiores indústrias de processamento da noz, que exportam a maior parte de suas produções. Porém, no Estado de São Paulo, existem pelo menos outras vinte pequenas indústrias que atendem ao mercado interno, assim, a macadâmia é a principal nogueira cultivada no Estado, ocupando uma área de aproximadamente 3.000 ha (Perdoná et al., 2013).

CULTIVO CONSORCIADO[editar | editar código-fonte]

O cultivo do café arborizado ou consorciado com árvores macadâmia (Figura 1) ocorre desde a década de 1970 no Brasil. A consorciação é utilizada pelos produtores com diversos objetivos: 1) a implantação de um consórcio permanente, com a produção de ambas as culturas se mantendo ao longo dos anos; 2) um consórcio temporário, para viabilização econômica da implantação de um pomar de nogueira-macadâmia; 3) a maximização da produtividade do café, pela atenuação de condições climáticas adversas, por meio da arborização. Entretanto, em todas as situações, a intenção final é proporcionar rendimento financeiro superior ao do cultivo solteiro (Perdoná et al., 2013).

Trabalhos científicos verificaram que no consórcio macadâmia-café, há redução de 72% na incidência do vento e em 2,2 ºC na Temperatura média, em relação ao cultivo solteiro de café. Assim, plantas de nogueira-macadâmia produtivas e que ofereçam pouca concorrência aos cafeeiros, têm potencial para aumentar a rentabilidade dos cafeicultores e oferecer uma alternativa de medida mitigadora às condições climáticas adversas à produção cafeeira. Essas condições são encontradas em diversas regiões, como por exemplo, no oeste do Estado de São Paulo, ou ainda que poderão ocorrer, em breve, nas regiões consideradas mais favoráveis, em virtude do anunciado aquecimento global. Estudos recentes, desenvolvidos por pesquisadores da APTA, mostraram que o cultivo do café com macadâmia apresenta rentabilidade superior ao cultivo solteiro dessas culturas. Os resultados são ainda melhores quando o consórcio é irrigado (Perdoná et al., 2013).

CONSUMO[editar | editar código-fonte]

As macadâmias são comercialmente um produto muito importante na Austrália, África do Sul e América Central. Os seus frutos em forma de noz (nozes de macadâmia) são muito utilizados na culinária, em especial em produtos de doçaria (como sorvetes). Os especialistas extraem do fruto essência para perfumaria.

Sua amêndoa é muito valorizada, e pode ser consumida crua ou torrada, sendo muito utilizada em confeitaria e sorvetes. O quilo da noz em casca varia entre R$ 3,50 a 4,50 ao produtor e confere bom retorno econômico quando as produtividades são superiores a três toneladas por hectare. Sua amêndoa é rica em óleos monoinsaturados, contendo os ômegas 6, 7 e 9 (Perdoná et al., 2013).

Bibliografias Consultadas[editar | editar código-fonte]

Perdoná, Marcos José; Cruz; Juliana Cristina Sodário; Fischer, Ivan Herman. Cultivo Consorciado de Café e Macadâmia. 'Pesquisa &Tecnologia', vol. 10, n. 2, Jul-Dez 2013. disponível em: http://www.apta.sp.gov.br/artigos_apta_all.php

SCHNEIDER, L.M.; ROLIM, G.deS.; SOBIERAJSKI, G.daR.; PRELA-PANTANO, A.; PERDONÁ, M.J. Zoneamento agroclimático de nogueira-macadamia para o Brasil. 'Revista Brasileira de Fruticultura', v.34, n.2, p.515-524, 2012.

Links:[editar | editar código-fonte]

http://www.pg.fca.unesp.br/Teses/PDFs/Arq0934.pdf

http://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/view/12759/8250

http://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/view/14157/11350

http://www.aptaregional.sp.gov.br/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=1470&Itemid=284

http://www.scielo.br/pdf/pab/v47n11/47n11a08.pdf

http://www.revistas.ufg.br/index.php/pat/article/view/24021/15613

http://economia.uol.com.br/agronegocio/noticias/redacao/2014/01/17/macadamia-cultivada-com-cafe-produz-mais-cedo.htm

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,pesquisadores-fazem-testes-de-nutricao,431729,0.htm

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