Madsen (metralhadora)

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Metralhadora Madsen
Madsen machine gun with magazine.jpg

Metralhadora Madsen
Tipo metralhadora leve
Local de origem  Dinamarca
História operacional
Em serviço 1903
Histórico de produção
Criador Madsen
Data de criação 1903
Especificações
Peso 9 kg
Comprimento 951 mm
Comprimento 
do cano
584
Calibre vários
Ação Recuo longo
Cadência de tiro 450 tpm
Velocidade de saída 700 m/s - 870 m/s
Alcance efetivo 400 m
Sistema de suprimento carregador curvo

A Madsen foi uma metralhadora leve desenvolvida em 1903, pelo Capitão Madsen da artilharia do Exército da Dinamarca. Sendo uma das primeiras metralhadoras leves produzidas em grande quantidade, a sua acção era única e requeria uma maquinação cuidada durante a sua fabricação. O seu funcionamento baseava-se no sistema de recuo longo do cano.

A Madsen foi uma das primeiras metralhadoras leves que foram produzidas em larga escala, sendo vendido para mais de 34 diferentes nações pelo mundo, tendo participação em diversos conflitos por mais de 80 anos.[1]

Uso operacional[editar | editar código-fonte]

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Ciclo operacional da Madsen.

A Madsen foi usada pela primeira vez em combate durante a Guerra Russo-Japonesa, nas mãos do Exército Russo, que tinha comprado 1.200 exemplares da arma. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Exército Alemão usou a versão de calibre 7,92 mm para armar as suas companhias de infantaria, tropas de montanha e tropas de assalto. Era considerada uma arma cara de produzir, mas extremamente fiável. Foi vendida a 34 países em versões de cerca de doze calibres diferentes.[2]

Entre guerras[editar | editar código-fonte]

A metralhadora foi adquirida pelos paraguaios entre os anos de 1920 e 1930 onde estavam se armando para iniciar uma guerra contra as forças bolivianas para tomar a região de Gran Chaco, no que ficou conhecido como a Guerra do Chaco (1932-1935). No início da guerra cerca de 400 destas metralhadoras estavam em mãos paraguaias, sendo mais adquiridas durante o seu decorrer.[3] Nesta época foram adquiridos pelo Brasil cerca de 23 Tankettes L3/35|CV-35 da Itália nos anos de 1930, sendo a maioria destes armados com metralhadoras Madsens duplas de 7 mm.[4]

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

No início da Segunda Guerra Mundial a metralhadora Madsen ainda estava em serviço em diversos exércitos. Em 1940 o Exército da Noruega usou 3.500 da versão M/22 de calibre 6,5x55 mm na defesa do seu país contra a invasão alemã.

Nesta época foi formado o primeiro esquadrão norueguês que era equipado principalmente com as metralhadoras Madsen, sendo tempos depois incorporada em outros esquadrões.[5] [6] Foram formados vários batalhões e cada um contava com 36 Madsens, e outras nove metralhadoras pesadas M/29. Contudo não era considerada uma arma ideal pelos soldados noruegueses pelo fato de emperrar após alguns disparos, tendo assim ganhado o apelido de Jomfru Madsen (em inglês: Virgin Madsen).[7]

Madsens capturadas foram usadas por unidades de segunda linha alemãs durante toda a guerra. Também eram a metralhadora padrão do Exército das Índias Orientais Holandesas, sendo algumas capturadas e usadas pelo exército imperial japonês.

Guerra do Ultramar[editar | editar código-fonte]

A Madsen era uma das metralhadoras leves padrão do Exército Português, que adquiriu dois lotes, um em 1930 e outro em 1941. Estas armas ainda estavam em serviço no início da década de 1960, sendo usadas em combate nos primeiros anos da Guerra do Ultramar. A metralhadora tinha como principal emprego o uso como um armamento temporário em veículos de combate blindados Auto-Metralhadora-Daimler 4 × 4 Mod.F/64, sendo usada em Daimler Dingos que tinham a sua estrutura superior modificada onde era montada uma estrutura que permitia o acoplamento da metralhadora.[8]

Uso no Brasil[editar | editar código-fonte]

A Madsen calibre 7.62 é usada freqüentemente em confrontos com traficantes de drogas pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.[9] Algumas destas armas utilizadas pelas forças policiais brasileiras foram capturadas dos traficantes e colocadas em serviço para combatê-los, muitas destas são armas antigas oriundas do Exército Argentino e outras foram roubadas de museus.[10] Mas a maioria das Madsens usadas pela polícia brasileira é proveniente do Exército Brasileiro. Estas são armas .30 cal convertidas para 7.62 mm NATO.

As fontes oficiais do Exército Brasileiro brasileiras dão conta de que as metralhadoras Madsen foram retiradas de serviço em 1996. Já nas forças policiais, as armas foram sendo substituídas gradativamente a partir do início de 2008 por armas mais modernas e com maior poder de fogo,[11] sendo as últimas Madsens retiradas de serviço em abril de 2008.[12] Contudo existem fotografias tiradas no dia 19 de outubro de 2009 dos combates entre a polícia e os traficantes que mostram que a metralhadora continua sendo utilizada.[13]

Países utilizadores[editar | editar código-fonte]

Vista em corte do sistema de disparo.

Referências

  1. a b Kokalis, Peter. Weapons Tests And Evaluations: The Best Of Soldier Of Fortune. Paladin Press. 2001. pp15–16.
  2. deactivated-guns.co.uk: Madsen machine gun
  3. An Outline History of the Paraguayan Army
  4. Kirk Jr., William A. (2003-03-12). Brazil Tanks! Armoured Warfare Prior to 1946 Florida State University. Visitado em 21 de maio de 2010.
  5. Holm, Terje H.. 1940 – igjen? (em norueguês). Oslo: Norwegian Armed Forces Museum, 1987. p. 26. ISBN 82-991167-2-4
  6. View from the trenches ASL journal ed. 31 - maio-junho de 2000
  7. Jaklin, Asbjørn. Nordfronten - Hitlers skjebneområde (em Norwegian). Oslo: Gyldendal, 2006. p. 32. ISBN 978-82-05-34537-9
  8. Abbott, Peter. Modern African Wars (2): Angola and Mozambique 1961–1974. OxfordOsprey Publishing, 2005. p. 7. ISBN 978-0-85045-843-5
  9. Madsen Light Machine Gun website
  10. News article about Argentine guns found with drug dealers (português)
  11. Brazilian Air Force news about Madsen guns Brasil
  12. Strategy Page on Madsen guns.
  13. Photo slideshow on clash between Brazilian police and drug traffickers.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]