Metilfenidato

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Metilfenidato
Alerta sobre risco à saúde
Methylphenidate-2D-skeletal.svg Methylphenidate-enantiomers-3D-balls.png
Ritalina.JPG
Nome IUPAC methyl phenyl(piperidin-2-yl)acetate
Identificadores
Número CAS 113-45-1
PubChem 4158
DrugBank APRD00657
ChemSpider 4015
Código ATC N06BA04
DCB n° 05805
Primeiro nome comercial ou de referência Ritalina (10 mg)
Ritalina LA (20, 30 e 40 mg)
Concerta (18, 36, e 54 mg)
Propriedades
Fórmula química C14H19NO2
Massa molar 233.3 g mol-1
Farmacologia
Biodisponibilidade (+) 22 ± 8
(-) 5 ± 3.2 1
Via(s) de administração oral, transdérmico, I.V e nasal
Metabolismo hepático
Meia-vida biológica 2–4 horas
Ligação plasmática ± 15 - 16% 1
Excreção renal
(+) 1,3 ± 0,5%
(-) 0,6 ± 0,3%1
Classificação legal

A3 - Substância psicotrópica (Sujeita a Notificação de Receita A) (BR)



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Alerta sobre risco à saúde.

Metilfenidato (conhecido por suas denominações comerciais Ritalina® , do laboratório Novartis Biociências, e Concerta®, do laboratório Janssen Cilag, uma subsidiária da Johnson & Johnson) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central, com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas.3 É usada no tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersonia idiopática do sistema nervoso central (SNC).

O TDAH é um transtorno metabólico neural, que resulta em comportamentos mal adaptados (os mais comuns: impulsividade, agitação, dificuldade em manter-se quieto ou parar de falar; dificuldades para manter atenção em atividades muito longas, repetitivas ou que não sejam interessantes para o indivíduo; facilidade de distração por estímulos externos ou pensamentos "internos", dando a impressão de estar "ausente"). Os portadores da síndrome frequentemente ganham apelidos e ficam estigmatizados; o metilfenidato pode favorecer a quebra do "círculo vicioso" criado pela hiperatividade em especial.

O metilfenidato só pode ser usado sob supervisão médica especializada neste tipo de transtorno. Por ser uma medicação psicoestimulante, seu uso provocaria uma maior produção e reaproveitamento de neurotransmissores, a exemplo da dopamina e da serotonina. Entretanto, há controvérsia sobre a produção e reaproveitamento da serotonina pelo cérebro das pessoas portadoras do TDAH. Especialistas no transtorno, atualmente, não creem que haja prejuízo no controle desse neurotransmissor, ao contrário do que ocorre com a noradrenalina.

Índice

História [editar]

O primeiro estudo clínico de que se tem registro, avaliando a eficácia de um estimulante para o tratamento da síndrome de hiperatividade, data do ano de 1937. Charles Bradley dirigiu, então um estudo em que se administrava anfetamina (benzedrina) a um grupo de crianças hiperativas.4 As conclusões do relatório foram entusiasmadas: haviam sido observados progressos significativos.5

Anos mais tarde, em 1944, sintetizou-se pela primeira vez o metilfenidato. Durante a Segunda Guerra Mundial, experimentaram-se inumeros variantes químicos da anfetamina, em busca de moléculas análogas, mas com efeitos colaterais menos severos.

Em 1954,6 o novo composto foi patenteado. A ação do metilfenidato sobre o organismo humano revelou, comparado às classes farmacêuticas conhecidas até o momento, surtir menos efeitos colaterais neurovegetativos (sobretudo, vasoconstritores e broncodilatadores). Reações adversas como a redução do apetite e a insônia mostraram-se menos frequentes e mais bem toleradas.

Indicações originais [editar]

A companhia farmacêutica Ciba-Geiby (precursora da Novartis) lançou o produto no mercado em 1955, com o nome de Ritalina. Foi utilizado em uma série de indicações. Não tardaram a chegar as primeiras informações sobre sua função nos tratamentos de narcolepsia.7 O Physician's Desk Reference de 1957 afirmava "que estava indicado em casos de fadiga crônica e estados de letargia e depressivos, incluindo aqueles associados com agentes tranquilizantes e outras drogas, conduta senil perturbada, psiconeuroses e psicoses associadas com depressão."8

No começo dos anos 1960, a droga popularizou-se no tratamento de crianças com TDAH. Ao mesmo tempo, a Ritalina ganhou grande atenção da imprensa, pois era usada por celebridades do mundo político9 e científico, tais como o astronauta Buzz Aldrin, e o matemático Paul Erdős.10

Indicações [editar]

   Sintomas/doenças Ação terapêutica Indicação Categoría evidência
   Depressão secundária Psicoanaléptico Pacientes de idade avançada11 , incluíndo os casos de AVC12 B
   Sedação e dor
  
Psicoestimulante No câncer, para reduzir o torpor induzido por opióides e potenciar a analgesia13 14 15 B
   Astenia Antiasténico Quando a fadiga está associado ao câncer,13 HIV ou síndrome da fadiga crônica16 B
   Depressão refratária Psicoanaléptico Pacientes que não respondem a terapia com antidepressivos17 C
   Depressão atípica Psicoanaléptico Quando se tem histórico de resposta à psicoestimulantes C
   Obesidade Anorexígeno Em pacientes com intolerância a outras aminas simpaticomiméticas18 C
   Dislexia Nootrópico Crianças maiores de 6 anos e adultos C
   Traumatismo cerebral Nootrópìco Alívio das sequelas neurológicas19 C
   Disfunção sexual Psicoestimulante Quando é causada pelo uso de antidepressivos inibidores da recaptacão de serotonina C
   Terror noturno Psicoestimulante Crianças maiores de 6 anos e adultos20 C

Mecanismo de ação [editar]

Sinapsis.png

É um potente inibidor da recaptação da dopamina e da noradrenalina. Bloqueia a captura das catecolaminas pelas terminações das células nervosas pré-ganglionares; impede que sejam removidas do espaço sináptico. Deste modo a dopa e a nora extracelulares permanecem ativas por mais tempo, aumentando significativamente a densidade destes transmissores nas sinapses. O metilfenidato possui potentes efeitos agonistas sobre os receptores alfa e beta adrenérgico.

O fármaco eleva o nível de alerta do sistema nervoso central. Incrementa os mecanismos excitatórios do cérebro. Isto resulta numa melhor concentração, coordenação motora e controle dos impulsos.

Efeitos colaterais [editar]

O uso do Metilfenidato pode causar efeitos colaterais, tais como:

O uso de metilfenidato pode também ocasionar, em casos extremos hepatoblastoma, anemia, perda de peso, leucopenia, hipersensibilidade, visão embaçada e convulsões. Pacientes que realizaram o tratamento com metilfenidato e fizeram abuso de bebidas alcoólicas relatam moderada resistência aos efeitos do álcool, porém os efeitos malignos causados por tal abuso resultaram em grande desconforto psiquico e físico.

Também foi relatado que, devido à potencialização da euforia, causada pelo aumento de serotonina, e da concentração, decorrente do aumento de dopamina, muitos pacientes fizeram uso de superdoses do fármaco. No caso de um dos pacientes em questão, foram usadas cerca de 50 mg - o equivalente a cinco vezes a dosagem prescrita pelo médico. Após três horas da superdosagem, o paciente iniciou o quadro de desconforto, apresentando náuseas, tontura, hipertermia, cefaléia, agressividade, agitação, taquicardia, midríase e secura das mucosas (associada à perda de água, pela inibição do hormônio antidiurético (ADH), em decorrência da ingestão de bebida alcoólica.

Conclui-se que o uso de metilfenidato como potencializador do sistema nervoso central em pacientes na adolescência ou pacientes que tenham qualquer histórico de alcoolismo deve ser revisado, evitando casos como o citado acima.

Doses usuais [editar]

A dose utilizada por crianças até 6 anos ainda não foi estabelecida. Para crianças com idade superior aos 6 anos, portadoras de déficit de atenção, a dose oral é de 5 mg, duas vezes ao dia. A dose pode ser aumentada semanalmente, entre 5 e 10 mg, até o máximo de 60 mg. Em adultos a dose usual é de 5 a 20 mg, duas a três vezes ao dia.21

Considerações importantes [editar]

Não deve ser usado em pacientes em uso de tranilcipromina ou equivalente, em pacientes com arritmias cardíacas, com a síndrome de Tourette, em pacientes psicóticos, com distúrbios de movimentos e com problemas na produção de células sanguíneas. É preferível evitar durante o primeiro trimestre da gestação, apesar de nunca ter sido comunicado efeito deletério no feto.

Ver também [editar]

Referências

  1. a b c Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. [tradução da 10. ed. original, Carla de Melo Vorsatz. et al] Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2005.
  2. Administrado como racemato
  3. [Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. Tradução da 10ª ed. original, por Carla de Melo Vorsatz et al. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2005.]
  4. Ver Charles Bradley, M.D., 1902–1979 Am J Psychiatry 155:968, julho de 1998.
  5. Bradley C: "Behavior of children receiving Benzedrine". Am J Psychiatry. Nov 1937;94:577-85. Resumo (em inglês)
  6. Morton WA, Stockton, G. "Methylphenidate abuse and psychiatric side effects." Prim Care Companion J Clin Psychiatry. 2000 oct;2(5):159-64. PMID 15014637 Texto completo (PDF)
  7. Daly DD, Yoss RE. "The treatment of narcolepsy with methylphenylpiperidylacetate: a preliminary report." Mayo Clinic Proc 1956;31:620-26.
  8. "Ritalin (methylphenidate)", em Physician´s Desk Reference, 11.a ed., Oradell, NJ; Medical Economics; 1956: 441-42.
  9. Ver, neste sentido, as alusões da imprensa a John F. Kennedy.
  10. Hoffman, Paul. El hombre que solo amaba los números. México: Granica, 2000. 296 páginas. ISBN 84-7577-831-3. Resenha (em inglês).
  11. Wallace AE, Kofoed LL, West AN. "Double-blind, placebo-controlled trial of methylphenidate in older, depressed, medically ill patients." Am J Psychiatry. 1995 jun;152(6):929-31. PMID 7755127
  12. Grade C, Redford B, Chrostowski J, Toussaint L, Blackwell B. "Methylphenidate in early poststroke recovery: a double-blind, placebo-controlled study." Arch Phys Med Rehabil. 1998 sep;79(9):1047-50. PMID 9749682
  13. a b Department of Medicine, Mayo Clinic: Sood A, et al. "Use of methylphenidate in patients with cancer." Am J Hosp Palliat Care. 2006 en-feb;23(1):35-40. PMID 16450661
  14. Dalal S, Melzack R. "Psychostimulant drugs potentiate morphine analgesia in the formalin test." J Pain Symptom Manage. 1998 oct;16(4):230-9. PMID 9803050
  15. Yee JD, Berde CB. "Dextroamphetamine or methylphenidate as adjuvants to opioid analgesia for adolescents with cancer." J Pain Symptom Manage. 1994;9:122-25.
  16. Hanna A, et al. "A phase II study of methylphenidate for the treatment of fatigue." Support Care Cancer. 2006 mar;14(3):210-5. PMID 16096772
  17. Stoll AL, et al. "Methylphenidate augmentation of serotonin selective reuptake inhibitors: a case series." J Clin Psychiatry. 1996 feb;57(2):72-6. PMID 8591972
  18. Leddy JJ, et al. "Influence of methylphenidate on eating in obese men." Obes Res. 2004 feb;12(2):224-32. PMID 14981214 Texto completo
  19. Siddall OM. "Use of methylphenidate in traumatic brain injury." Ann Pharmacother. 2005 jul-ag;39(7-8):1309-13. PMID 15914519
  20. Etchepareborda, MC. "Abordaje neurocognitivo y farmacológico de los trastornos específicos del aprendizaje." Rev Neurol. 1999 feb;28 supl 2:S81-93. PMID 10778495
  21. Novartis. Bula da Ritalina. Página visitada em 04/12/2009.

Ligações externas [editar]