Miologia

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Músculos esqueléticos representados por Bernardino Genga (1620–1690)

Miologia é a área da anatomia que estuda os músculos e seus anexos. O termo foi cunhado a partir dos termos gregos μυς (músculo) e λογος (estudo).

De uma forma muito geral podemos definir um músculo como um órgão com propriedade contráctil, ou seja, de diminuir a sua longitude mediante um estímulo. Em miologia categorizam-se os músculos em três grandes grupos consuante a sua função fisiológica: músculos involuntários de contracção lenta, músculos involuntários de contracção rápida e músculos voluntários de contracção rápida.

Sendo a Miologia uma disciplina da Anatomia Descritiva, debruça-se sobre os músculos nesta mesma perspectiva, sendo responsável pela sua descrição e tendo ainda criado uma série de parâmetros classificativos como: Situação ou Localização, Número, Direcção, Conformação exterior, Tipo de inserção e Mecanismo de inserção.

A milogia estuda também as relções anatómicas dos músculos com outras estruturas anatómicas, a sua inrrigação e a sua inervação, sobrepondo-se nestes campos a demais disciplinas da Anatomia Humana: Anatomia Topográfica, Angiologia nqbjaaknakaaala

e Neuro-Anatomia. É ainda pretinente para a Miologia o estudo das variações anatómicas dos músculos.

Definir o Número de Músculos[editar | editar código-fonte]

O número total de músculos do corpo humano é, talvez surpreendentemente, um dado alvo de muita discussão e contestação. A realidade anatómica dos músculos humanos faz com estes tenham inúmeras variações. De facto, quando dissecados, os músculos apresentam ligações e entrcruzamentos com outros vizinhos que, consoante o anatomista a estuda-los, justificam ou não uma classificação conjunta. Desta forma, a miologia é uma ciência que aceita várias descrições alternativas para uma mesma estrutura. Por exemplo, o músculo longo do colo pode ser considerado como um músculo com três porções como o afirmam Paturet ou Testut ou ser um conjunto de três músculos distintos como o sugeriu Luschka. Anatomistas mais antigos apontam para números mais baixos: como Chaussier (368), Theile (346) ou Sapey (501). Hoje em dia a maioria sugere para números superiores, embora não haja consenso. O Professor Esperança Pina (Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa) aponta para 637 músculos voluntários.

Classificação Anátomo-fisiológica dos músculos[editar | editar código-fonte]

A maioria dos anatomistas de língua portuguesa e os demais que seguem a nomeclatura anatómica francófona adoptaram uma divisão geral dos músculos do corpo humano que se baseia nas suas características anatómicas e fisiológicas.

  • Músculos voluntários de contracção rápida: são músculos cuja contractilidade está, em situações não patológicas, associada ao exercício da vontade consciente. Constituem nos seu conjunto o sistema activo da locomoção humana.
  • Músculos involuntários de contracção lenta: são exactamente músculos controlados pelo sistema nervoso autónomo e cuja a contractilidade se exerce gradualmente e por períodos mais alargados de tempo, sendo o seu relaxamento também muito mais lento. São os músculos que, grosso modo, encontramos associados às vísceras, como nos sistemas digestivo e circulatório.
  • Músculos involuntários de contracção rápida:constitui um terceiro grupo constituido por excepções ao precedente, como o miocárdio, que sendo músculos involuntários possuem contracção rápida.

Outras classificações alternativas são usadas por diversos anatomistas mas com termos equivalentes, po exemplo, Léo Testut usava os termos músculos de la vida animal e músculos de la vida orgânica o vegetativa. Histologicamente, os músculos são classificados como músculo liso ou músculo estriado, havendo uma certa associação entre músculos de contracção involuntária e fibras musculares lisas e músculos de contracção voluntária e fibras estriadas. Contudo, a generalização desta premissa revela-se errónea, com a existência de notáveis excepções como o miocárdio. É precisamente devido a esta realidade histológica que existem músculos ditos involuntários mas de contracção rápida.

Classificação dos músculos pela Anatomia Descriptiva[editar | editar código-fonte]

Situação do músculo[editar | editar código-fonte]

O termo situação, por vezes substituído por localização, emprega-se, em miologia, para classificar os músculos em dois grandes grupos: músculos superficiais ou cutânios e músculos profundos ou aponevróticos.

  • Os músculos superficiais encontram-se imediatamente abaixo da pele, possuindo inserções na face profunda da derme. Basta uma das inserções musculares ser em tecido subcutânio para que se empregue tal epíteto, embora na maioria dos casos os músculos deste tipo apresentem apenas inserções cutânias.
  • Já os músculos profundos encontram-se abaixo de bainhas aponevróticas de revestimento e daí a sua denominação alternativa de subaponevróticos. A grande maioria destes músculos apresentam inserções ósseas, constituindo, assim, parte integrante do sistema de locomoção humana. São, mais propriamente, os órgãos de locomoção activa; por oposição aos ossos, que são órgãos de locomoção passiva. Para além dos músculos esqueléticos, podemos ainda encontrar músculos subaponevróticos ligados a órgãos dos sentidos (por exemplo: o músculo grande recto superior do olho) ou associados a órgãos dos sistemas digestivo, respiratório e reprodutivo (por exemplo: o músculo constrictor médio da faringe). Estes são, na anatomia clássica, considerados como verdadeiros anexos destes sistemas, pelo que o seu estudo é uma área de abrangência sobreponível pela miologia e pelas estesiologia (estudo dos órgãos sensoriais) e esplâncnologia (estudo das vísceras).

Direção de um músculo[editar | editar código-fonte]

A grande maioria dos músculos é paralela ao eixo do corpo ou ao eixo do membro, sendo por isso chamados de rectilíneos. Conforme se inclinam mais ou menos sobre esse eixo serão descritos como oblíquos e transversos. À laia de exemplo, refiram-se os músculos do membro superior, onde encontramos músculos rectilíneos - como o bicípete braquial -, músculos oblíquos - como o redondo pronador - e músculos transversos - como o quadrado pronador.
Nos casos precedentes - músculos de direcção rectilínea, oblíqua e transversa - as fibras musculares descrevem uma linha (mais ou menos) recta entre as suas duas inserções. Contudo, casos há em que um músculo segue primeiro numa direcção e sofre uma mudança brusca para se continuar numa outra. Estes músculos são, então, constituidos por duas porções, cada uma com uma direcção distinta, que se unem num ângulo mais ou menos acentuado e que se denominam de músculos reflexos. Exemplos de músculos reflexos são o músculo oblíquo superior do olho, os músculos flexores do , o músculo omo-hioideu ou o músculo obturador interno.

Conformação exterior de um músculo[editar | editar código-fonte]

Os músculos apresentam-se numa miríade de diferentes formas que são classificadas consoante a relação entre as suas dimensões.

  • Músculos longos são aqueles em que a longitude do músculo, vulgo comprimento, predomina sobre as demais. Este género de músculo é típico das membros, onde se dispõem como que em camadas. Regra geral, os mais superficiais são mais longos que os profundo, recobrindo mais do que uma articulação. Veja-se o exemplo do bicípete braquial que cobre as articulações do ombro e cotovelo, enquanto o músculo coracobraquial, que lhe é mais profundo ou posterior apenas se relaciona com a primeira.
  • Músculos largos são aqueles em que há predomínio de dois diâmetros complanares, ou seja, do comprimento e da largura. Normalmente são bastante achatados e delgados. Estes músculos encotram-se, na maioria dos casos, a revestir as cavidades torácica, abdominal e pélvica. De notar que estes músculos apresentam uma elevada variadade quanto à forma: triângulares como o peitoral maior, quadriláteros como o recto maior do abdómen, rombóides como o rombóide maior, entre outros; quanto à disposição: planos como o peitoral maior, encurvados como o transverso do abdómen e, ainda, quanto aos bordos, que se podem apresentar: rectilíneos, curvos ou dentados (como o dentado anterior.
  • Músculos curtos é a denominação dos músculos que apresentam uma certa harmonia entre as três dimensões. São, por norma, músculos pequenos que se destinam a movimentos de pouca extensão e muita força. Encontram-se mormente nas regiões articulares, a rodear a coluna vertebral. Quanto à forma destes órgãos, apresenta-se tão variada quanto a dos precedentes: músculos triângulares como os supracostais, quadriláteros como o quadrado crural ou acintados como os intertransversos.
  • Músculos anulares ou orbiculares - que alguns autores consideram como um subtipo dos músculos curtos,[1] enquanto outros os abordam como um tipo independente [2] - são aqueles que redeiam um orifício, como o bocal ou o anal. Note-se que a entidade muscular é semi-orbiculare, formando, em conjunto com o músculo análogo, o tal músculo anular, apelidado em Anatomia e Fisiologia com esfíncter (do grego σφιγγειω, apertar). Como exemplos podemos apontar o músculo orbicular das pálpebras ou o músculo orbicular dos labios.
  • Músculos mistos são aqueles que apresentam características dúbias ou ambíguas, uma vez que as definições dos tipos precedentes não são precisas. Dentro deste grupo de músculos difíceis de classificar podemos incluir os músculos infra-hioideus, os músculos motores do olho, o músculo recto maior do abdómen ou o músculo piramidal do abdómen,[1]

Lista dos músculos humanos[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. a b 1978. Testut, Léo. Tratado de Anatomia Humana. 739p. volume 1: Osteologia, Artrologia e Miologia.
  2. 2001. Esperança Pina, J.A. Anatomia Geral e Dissecção Humana.25p.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Testut, Léo; Latarjet, M.. Tratado de Anatomia Humana (em espanhol). 1ª ed. Barcelona: Salvat Editores, S.A., 1978. 736-763 p. 4 vol. vol. 1 (Osteologia, Artrologia, Miologia). ISBN 84-345-1144-2
  • Esperança Pina, J.A.. Anatomia Humana da Locomoção: Anatomia Humana Passiva (Osteologia e Artrologia) e Activa (Miologia) (em português). 3ª ed. Lisboa: Lidel., 1999. 269-274 p. ISBN 978-972-9018-99-2
  • Esperança Pina, J.A.. Anatomia Geral e Dissecção Humana (em português). 3ª ed. Lisboa: Lidel., 2001. 24-26 p. ISBN 978-972-757-000-3

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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