Museu de Arte Moderna da Bahia

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Detalhe do Solar do Unhão, a construção vista à frente da casa grande é a oficina de artes, e à esquerda está um jardim repleto de esculturas.

O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) está localizado no Solar do Unhão, um sítio histórico do século XVI, às margens da Baía de Todos os Santos em Salvador. Fundado no início da década de 1960, inicialmente o MAM-BA localizava-se no Teatro Castro Alves, tendo mudado para o endereço atual no ano de 1966.

O MAM-BA é um dos 12 museus estaduais que são vinculados ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), uma autarquia da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Em termos de estrutura, o MAM-BA possui um espaço técnico com serviços de conservação, restauro e museologia; oito salas de exposição; um teatro; uma biblioteca; e uma oficina de arte que oferece cursos abertos de pintura, modelagem, gravura, cerâmica, desenho, papel artesanal e escultura à toda comunidade.

Nas suas dependências podem ser encontradas pinturas, esculturas, fotografias e desenhos de artistas como Tarsila do Amaral, Portinari, Flávio de Carvalho, Di Cavalcanti, Rubem Valentim, Pancetti, Carybé, Mário Cravo e Sante Scaldaferri.

História[editar | editar código-fonte]

Casarão em reforma em 1962, durante o projeto de recuperação do Solar do Unhão por Lina Bo Bardi.

O surgimento do museu não está relacionado apenas à arquiteta italiana Lina Bo Bardi. No início de 1959, o crítico e diretor do Museu do Estado José Valadares incentivou a formação de uma comissão para tratar da criação do MAM-BA. A ideia nasceu de um encontro entre Valadares e Wilson Lins, Secretário de Educação e Cultura do Estado. Fizeram parte desse grupo, que se reunia semanalmente: Carlos Bastos, Clarival Valladares, Diógenes Rebouças, Godofredo Fo, Mário Cravo Júnior e Walter da Silveira. Em seguida, Lina foi convidada para ser a diretora da instituição. O Solar do Unhão, patrimônio do século XVII de Gabriel Soares que abriga o MAM-BA desde 1963, foi restaurado em 1959 por Lina Bo Bardi. Criado legalmente neste ano, a instituição teve sua inauguração com duas exposições no foyer do Teatro Castro Alves, sua sede provisória, em 6 de janeiro de 1960, no dia da Festa de Reis.

Para a ocasião, foi colocada uma pedra de dez toneladas em frente ao Teatro Castro Alves, por sugestão de Mario Cravo, e, na entrada, uma mostra de vegetais e minerais da Bolsa de Mercadorias da Bahia. Ao entrar, os visitantes se deparavam com cortinas delimitando as salas, que continham as 20 estatuetas de As bailarinas, de Edgar Degas, e as 31 pinturas de Antônio Bandeira.

O acervo inicial do MAM-BA contou com obras de referência, como as pinturas Casas, de Alfredo Volpi, O touro, de Tarsila do Amaral e doada por Gileno Amado, Vendedor de passarinhos, de Candido Portinari e doada por Assis Chateaubriand, Paisagem, de Rebolo Gonsales e cedida pelos Diários Associados, e a escultura em gesso Auto-retrato psicológico, de Flávio de Carvalho. As obras do acervo constituem uma diversidade enorme, seguindo os princípios de Lina Bo Bardi, contendo ainda nomes como Calasans Neto, Chico Liberato, Di Cavalcanti, Genaro de Carvalho, Jenner Augusto, Rubem Valentim e Sante Scaldaferri.

Propondo ao Governo uma reforma do Solar do Unhão, Lina consertou os telhados, praticamente destruídos, a Capela, usada como garagem, e os Galpões, que funcionavam como depósito, além de construir a famosa escada que se encontra no Casarão, composta de encaixes semelhantes ao sistema dos carros de boi. A própria arquitetura do espaço é utilizada até hoje para promover uma relação com as obras apresentadas, por meio de projetos e exposições sites specifics que estimulam o diálogo.

O museu de Lina Bo Bardi[editar | editar código-fonte]

Lina Bo Bardi, à esquerda. Foto: Acervo do MAM-BA

A italiana Lina Bo Bardi idealizou a criação do MAMB, como se referia ao Museu de Arte Moderna da Bahia, juntamente com o Museu de Arte Popular (MAP). O objetivo era articular a indústria artística com a arte popular baiana e brasileira. Com a perspectiva de um museu-escola, os Galpões foram preservados e sediam as Oficinas do MAM-BA há mais de 30 anos.

Os trilhos do chão, úteis para o deslocamento da produção da antiga fábrica de rapé, foram mantidos, enquanto as janelas e as divisórias foram feitas em treliças e muxarabis. A concepção era de que o espaço se tornasse um museu-escola para crianças e jovens, além de uma referência cultural do Nordeste, especialmente com sua força na cultura popular.

O espaço devia integrar-se à comunidade, por meio de cursos de formação, não apenas pelas crianças, mas também adultos e artistas. As distinções entre arte popular e erudita, antiga e moderna não deviam existir. Lina desejava implementar no Brasil algo que aconteceu na Itália, onde o governo reuniu criadores e artesãos para a feitura de um novo produto exportável. Na Bahia, em parceria com Mário Cravo, desenvolveu o Centro de Estudo e Trabalho Artesanal (CETA).

A inauguração do MAM-BA no Solar do Unhão aconteceu em 1963 com duas exposições: Artistas do Nordeste e Civilização do Nordeste, com esta trazendo objetos cotidianos, itens de cozinha, roupas, brinquedos, armas e arte indígena. Em pouco tempo, foram realizadas 27 exposições, desde mostras coletivas estrangeiras até individuais e coletivas dos principais artistas locais.

O MAM-BA se tornou um ponto de encontro de intelectuais, artistas, críticos e estudiosos do Brasil e do exterior. Não apenas Lina, mas também Mário Cravo Júnior, Sante Scaldaferri, Juarez Paraíso e Chico Liberato, além do argentino Carybé, do francês Pierre Verger, e do alemão Karl Heinz Hansen (Bahia), contribuíram para a notoriedade do museu e da Bahia.

Em 1964, com o Golpe Militar, Lina, a primeira diretora dos dois museus, foi demitida. Neste mesmo ano, as instituições foram unificadas sob a manutenção do nome Museu de Arte Moderna da Bahia.

Museu de Arte Moderna da Bahia[editar | editar código-fonte]

Solar do Unhão - Foto por Luciano Oliveira

Após a saída de Lina, Renato Ferraz assume interinamente, deixando em seguida a direção para Mário Cravo Júnior, que mantém as diversas atividades já iniciadas. O seu contato com os artistas do Brasil resultaram em mais doações para a coleção do museu. Após obter pouca relevância durante o Regime Militar, com pouca representatividade artística nos anos de 1970 e 1980 e com a degradação do Solar do Unhão, o MAM-BA começou uma revitalização através da ampliação do seu acervo, especialmente com programas de residências artísticas que resultaram em cessão das peças. Embora com obras expressivas de artistas nacionais, o acervo advinha, principalmente, daqueles das décadas de 1950 e 1960.

Nesse período conturbado, Silvo Robatto esteve à frente do museu até que, no final da década de 1970, Chico Liberato assume a direção do MAM-BA e inicia as Oficinas do MAM em 1980, que promove até hoje cursos de formação em diversas expressões artísticas: cerâmica, desenho, escultura, gravura, pintura, entre outras. Em 1988, Liberato promove o Salão Baiano de Artes Plásticas. Com algumas edições, o Salão contribuiu para a reestruturação do circuito das artes visuais no Estado e permitiu que o museu obtivesse um dos mais completos acervos de arte no Brasil, com as obras dos vencedores.

Em 1991, Heitor Reis substitui Liberato e realiza várias mudanças, como a restauração do Solar do Unhão, a instalação do sistema de climatização na Reserva Técnica, a ampliação do núcleo de Museologia e a criação dos setores Restauração, Biblioteca e Teatro.

Depois de anos conturbados por causa do Regime Militar, o MAM-BA inicia uma nova fase na década de 1990. O Solar do Unhão passou por uma nova restauração, adequando e redimensionando seus espaços expositivos. Após a resolução dos problemas estruturais, o próximo passo foi reinserir o MAM-BA na comunidade local com um evento de reabertura, em 1992.

No Casarão, houve uma climatização seguindo as normas internacionais, com o primeiro piso destinado às mostras temporárias e o segundo dedicado a uma exposição permanente do acervo. O Galpão Norte contava com duas salas expositivas, a biblioteca, a sala de vídeo e o teatro/auditório, enquanto o Galpão Sul possuía a reserva técnica e os setores de Conservação e Restauração. A Capela recebia exposições temporárias de caráter experimental. Ao final da década, em 1998, o MAM-BA inaugurou o Parque das Esculturas, uma galeria ao ar livre, e a Sala Rubem Valentim, que reúne as obras do artista baiano. A Galeria Subsolo foi ocupada pela primeira vez em 2007, com o 14º Salão da Bahia.

O museu hoje[editar | editar código-fonte]

O MAM-BA consegue manter até hoje suas propostas iniciais, definidas pela arquiteta Lina Bo Bardi como um museu-escola que não distinguiria as diversas formas de artes e não realizaria uma valorização diferenciada. Tornou-se um grande difusor da arte nacional e internacional, além de ter um papel essencial na divulgação das obras baianas e nordestinas para o Brasil e o mundo.

Além disso, é uma referência nas atividades que realiza, seja com suas oficinas e cursos, com suas mediações artístico-culturais ou com seus projetos de cunho social, todos desenvolvidos pelo seu Núcleo Educativo, com vistas ao apoio e à valorização dos artistas baianos e nordestinos, tanto os consagrados como os emergentes.

Acervo[editar | editar código-fonte]

O acervo atual do MAM-BA é composto por mais de 1200 peças, de diversas linguagens, suportes, tradições e lugares do mundo. A coleção foi se formando por transferências do Museu do Estado da Bahia, atual Museu de Arte da Bahia (MAB), e por doações ao longo dos anos.

A coleção conta com obras de artistas como: Alfredo Volpi, Aloísio Magalhães, Ayrson Heráclito, Burle Mar, Caetano Dias, Caio Reisewitz, Calasans Neto, Candido Portinari, Carlos Bastos, Carlos Thiré, Carybé, Chico Liberato, Christian Cravo, Clóvis Graciano, Cristiano Mascaro, Daniel Katz, Darel Valença, Di Calvacanti, Efrain Almeida, Emanoel Araújo, Fayga Ostrower, Flávio de Carvalho, Genaro de Carvalho, Gil Vicente, Hansen Bahia, Janaina Tschäpe, Jenner Augusto, José Bechara, José Pancetti, Marcelo Grassmann, Márcio Lima, Marepe, Mário Cravo Júnior, Mário Cravo Neto, Nino Cais, Oswaldo Goeldi, Pazé, Pierre Verger, Rebolo Gonsales, Renina Katz, Rubem Valentim, Samson Flexor, Sante Scaldaferri, Tarsila do Amaral, Tomie Ohtake e Tunga.

Programação[editar | editar código-fonte]

Além de uma programação específica para cada exposição, que, normalmente, conta com encontros com artistas, ciclos de conversa sobre arte, oficinas associadas às mostras, palestras e expedições, o MAM possui as seguintes atividades periódicas:

MAM Lado B

A mediadora cultural do MAM Ítala Herta realiza essa atividade, que deve ser agendada, com o objetivo de expandir os projetos do museu, possibilitando a realização de eventos em seus espaços externos. Por meio de parcerias com comunidades, associações, ONG’s e projetos não institucionais, o MAM busca o desenvolvimento de ações artísticas e alternativas, em Salvador, na Bahia, no Brasil ou em outros países.

Oficina para Crianças

Aos domingos, das 10h às 11h30, os pais podem levar seus filhos ao MAM para uma atividade que procura ampliar ludicamente a percepção das crianças por meio de técnicas básicas das artes. Com distribuição de senhas 30 minutos antes, a ação já foi comandada por Ana Rachel Schimiti e Bianca Portugal.

A arte-educadora Ana Rachel Schimiti já realizou diversas oficinas de arte e possui experiência em arte-educação no exterior e em arte-terapia, sendo pós-graduada em Arte-Educação pelas Faculdades Integradas Olga Mettig. A artista Bianca Portugal é fotógrafa, graduada em Artes Visuais pela UFBA, e trabalha especialmente com fotografia analógica e seus processos experimentais e históricos, investigando a relação entre fotógrafo, câmera e imagem captada.

Histórias do Solar

O MAM está localizado desde 1963 no Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico histórico à beira da Baía de Todos os Santos. A arquitetura do século XVII remonta aos antigos engenhos coloniais, tendo servido mais recentemente como entreposto comercial do Estado. A partir de um programa de educação patrimonial, o conjunto do Unhão e suas histórias são apresentados de forma lúdica, propondo despertar o sentido de pertencimento dos seus visitantes, especialmente das crianças, numa viagem pela história da Bahia e da consciência da preservação desses símbolos. A atividade, promovida pela arte-educadora e mediadora cultural do MAM Roseli Costa, destina-se às crianças de 8 a 12 anos e aos demais interessados, acontecendo quinzenalmente aos domingos, a partir das 15h.

Pinte no MAM

Coordenado pelo artista plástico Maninho Abreu, a atividade acontece sempre aos domingos, das 15h às 18h, na rampa do Pátio das Mangueiras do MAM. A intenção é aproximar o público infanto-juvenil das atividades artísticas e do ambiente museológico, proporcionando às crianças e aos seus familiares um momento lúdico. Os participantes podem pintar livremente ou serem guiados pelo artista através de temas que surgem a partir do acervo do museu e das exposições em cartaz. A atividade promove uma educação dos sentidos às crianças, fortalecendo a maneira de relacionar-se com o espaço, a obra de arte e os elementos das artes visuais. De forma lúdica, o artista incentiva adultos e crianças a liberarem a imaginação através das cores e dos pincéis nos tapumes necessários à reforma do museu, transformando-se em uma grande tela.

Linha do Abraço

A arte-educadora, artista visual e professora Roseli Amado é a coordenadora dessa ação com a comunidade do Unhão, que ocorre sempre por meio de agendamentos. O objetivo é proporcionar ao público infanto-juvenil uma maior aproximação com a produção contemporânea de artes visuais por meio de uma educação artística, estética e patrimonial.

Jam no MAM

O Museu de Arte Moderna da Bahia promove desde 2007, com direção artística do músico Ivan Huol, a Jam no MAM, uma continuação das jam sessions realizadas entre 1993 e 2001 no Solar do Unhão. O encontro, que possui uma media de público de mais de 1500 espectadores, acontece todos os sábados na área externa do MAM, a partir das 18h, com ingressos vendidos a R$ 3,00 (meia-entrada). Na primeira passagem pelo museu, o evento ocorria em frente à Capela do MAM e era conhecido como Jazz MAM. Uma das peculiaridades musicais da Jam no MAM é a sua tradição percussiva advinda da música baiana, oferecendo ainda um mistura de baião, samba, frevo, salsa, blues e swing, todos em uma ambiência de improvisação.

Solar Café

O MAM é conhecido não apenas por suas obras, mas também por ser um belo espaço de lazer, com seu Parque das Esculturas, e por possuir uma das mais belas vistas da cidade. A Baía de Todos os Santos pode ser observada de qualquer parte do Solar do Unhão, sendo um espetáculo a ser guardado na memória. Outra opção de lazer é o Solar Café, inaugurado em 2008, que integra o complexo arquitetônico por meio de uma unificação da gastronomia contemporânea e dos espaços artísticos. O cardápio é assinado pela chef Andréa Nascimento, podendo ser saboreado com vistas à Baía.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]