Pessegueiro

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PrunusPersica4.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Género: Prunus
Subgénero: Amygdalus
Espécie
Prunus persica

O pessegueiro (Prunus persica) é uma árvore decídua, nativa da China e Sul da Ásia, de folhas alternas e serreadas, flores roxas e drupas pubescentes, comestíveis e com propriedades aperitivas e digestivas. Possui inúmeras variedades hortícolas. A infusão das folhas e sementes é calmante e as flores são usualmente utilizadas como laxante suave.[1] .

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome científico da espécie, Prunus persica, relaciona-se com as palavras em português "pessegueiro" (árvore) e "pêssego" (o fruto). O nome é uma referência ao largo cultivo da espécie no Irã (antiga Pérsia) durante a Antiguidade, de onde foi transplantada para a Europa. Os romanos referiam-se ao pêssego como malus persicum ou "maçã da Pérsia", sendo portanto essa denominação em latim a origem tanto às palavras em português quanto a outras cognatas em diversas línguas europeias (pêche em francês, peach em inglês, pesca em italiano).[2]

Documentos registram que história do pessegueiro é quase tão antiga quanto a da agricultura. E se o inicio da agricultura está perdido na antiguidade, também não podemos determinar a quanto o pessegueiro é cultivado estima-se que por volata de (4) quatro mil anos.[3]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

A história do pessegueiro é mais recente. Sendo introduzido em 1532 por Martin Afonso de Souza. que trouxe mudas da ilha da Madeira e as plantou na capitânia de São Vicente; atual estado de São Paulo.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Pêssego.

Apesar de seu nome botânico, Prunus persica, fazer menção à Pérsia (atual Irã) a partir de onde a espécie teria sido introduzida na Europa, estudos genéticos sugerem que o pêssego originou-se na China,[5] onde a espécie tem sido cultivada desde cerca de 2000 anos antes de cristo.[6] [7] É mencionado em documentos chineses desde o século 10 A.C. e era uma fruta apreciada por reis e imperadores. Mais recentemente, a história do seu cultivo na China tem sido extensivamente revisada em citações de numerosos manuscritos originais datados de 1.100 A.C.[8]

O pêssego foi trazido da Índia e do Oriente Médio na Antiguidade.[9] O cultivo do pessegueiro também veio da China, passando pela Pérsia (Irã), e alcançou a Grécia por volta do ano 300 A.C.[7] Alexandre, O Grande, introduziu a fruta na Europa após conquistar os persas.[9] Os pêssegos já eram bem conhecidos pelos romanos no primeiro século antes de Cristo,[7] sendo largamente cultivados na região da Emilia-Romagna. O pessegueiro é retratado nos afrescos das casas (domus) das cidades destruídas pela erupção do Monte Vesúvio em 79 D.C., sendo a mais antiga representação artística de pêssegos, até agora descoberta, encontrada em dois fragmentos de afrescos datados do primeiro século depois de Cristo, da cidade de Herculaneum, atualmente preservados no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.[10]

A espécie foi trazida para as Américas por exploradores espanhóis no século 16, e eventualmente chegou à Inglaterra e à França no século 17, quando era considerada uma fruta cara e apreciada. O horticultor George Minifie supostamente teria levado pessegueiros da Inglaterra para as colônias norte-americanas no início do século 17.[11]

Em abril de 2010, um consórcio científico internacional, The International Peach Genome Initiative (IPGI), que inclui pesquisadores dos EUA, Itália, Chile, Espanha e França, anunciou o sequenciamento de três genomas do pêssego (doubled haploid Lovell).[12] [13] [14]

Cultivo[editar | editar código-fonte]

Prunus persica - etapas do desenvolvimento da fruta (4 ½ meses).
Flor de pessegueiro sendo polinizada por uma abelha

Os pessegueiros crescem bem em uma extensão bastante limitada de lugares, já que exigem temperaturas bem frias (chilling requirement), que em geral não ocorrem em áreas tropicais de baixas altitudes. Em países de latitudes tropicais e equatoriais, tais como Equador, Colômbia, Etiópia, Índia e Nepal, só crescem em locais de maior altitude, onde existem condições de maior frio em alguma época do ano.[15] Os pessegueiros podem tolerar temperaturas negativas em torno de -26 a -30°C, ainda que a florada seja perdida a essas temperaturas, inviabilizando a colheita de frutas no verão. A perda da florada começa em temperaturas entre -15 a -25°C, dependendo da variedade cultivada (cultivar) (algumas são mais tolerantes ao frio que outras) e do tempo de exposição ao frio intenso.[16]

As variedades mais comuns de pêssego começam a frutificar no terceiro ano após o plantio, e tem uma longevidade aproximada de 12 anos. Muitas variedades requerem aproximadamente 600 a mil horas de temperaturas mais frias; variedades com exigência de 250 horas (10 dias) de frio ou menos tem sido desenvolvidas, possibilitando a produção da espécie em climas mais quentes. Durante o inverno, reações químicas essenciais ocorrem antes de a planta começar a crescer novamente. Terminada a estação mais fria, a planta inicia o período de quiescência, o segundo tipo de dormência. Durante a quiescência, os botões florescem e crescem, à medida em que calor suficiente se acumula, favorecendo o crescimento. A quiescência é a fase de dormência entre a satisfação das necessidades de friagem e o começo do crescimento dos pêssegos.[17]

Certas variedades são mais delicadas, e outras podem tolerar temperaturas mais baixas. Ademais, calor intenso de verão é necessário para maturar a colheita, com temperaturas médias do mês mais quente entre 20 e 30°C. Outra questão problemática em muitas áreas de cultivo da espécie é a geada de primavera. Os pessegueiros tendem a florescer no início da primavera. Os botões frequentemente podem ser danificados ou eliminados por geadas; tipicamente, se as temperaturas caem abaixo de -4°C, muitas flores são perdidas. Entretanto, se as flores não estiverem totalmente abertas, podem tolerar até alguns graus a menos.[18] [19]

Estocagem[editar | editar código-fonte]

Pêssegos e nectarinas são melhor estocadas à temperatura de 0°C e em condições de alta umidade.[20] São altamente perecíveis, e geralmente consumidos ou enlatados em até duas semanas de colheita.

Pêssegos são climatéricos,[21] [22] [23] ou seja, continuam a amadurecer mesmo após colhidos das árvores.[24]

Significado cultural[editar | editar código-fonte]

Pintura de um pássaro com flores e botões de pessegueiro, do Imperador Huizong de Song (Dinastia Song), datado do Século 11.
Riverbank of Peach Blossoms por Shi Tao, 1642-1707, Metropolitan Museum of Art.

Pêssegos não são somente uma fruta popular, mas também uma fruta simbólica em muitas tradições culturais, estando presentes na arte em geral, em pinturas e em contos tradicionais, como na história mítica chinesa "Pessegueiros da Imortalidade" [25] .

China[editar | editar código-fonte]

Botões das flores são altamente apreciados na cultura chinesa. Os chineses antigos acreditavam que o pêssego possuía mais vitalidade que qualquer outra árvore pois suas flores surgem previamente à rebrotagem das folhas. Quando os antigos governantes chineses visitavam seus territórios, eram precedidos por feiticeiras munidas com hastes de pessegueiros que os protegeriam de espíritos malignos. Na véspera de Ano Novo, magistrados cortavam galhos de pessegueiros e colocavam-nos em suas portas para protegê-los de influências nefastas.[26] Sementes de pêssego (桃仁 táo rén) são um ingrediente comum usado na medicina tradicional chinese para combater trombose e isquemia (Traditional chinese blood stasis medicine, Xue Yu)[27] , conter inflamações e reduzir alergias.[28]

Japão[editar | editar código-fonte]

Momotaro, um herói semi-histórico dos mais nobres do Japão, nasceu de um enorme pêssego flutuando por um córrego. Momotaro, nascido do pêssego, surgiu para combater o mal (Oni, folclore japonês), e enfrentar muitas adversidades.

De Caravaggio, Rapaz com cesta de frutas (1592); pêssegos perfeitamente maduros, folhas com manchas.

Europa[editar | editar código-fonte]

Muitos artistas famosos pintaram pêssegos em destaque. Caravaggio, Vicenzo Campi, Pierre Auguste Renoir, Claude Monet, Edouard Manet, Henri Jean Fantin-Latour, George Forster, James Peale, Severin Roesen, Peter Paul Rubens e Van Gogh, estão entre muitos artistas influentes que pintaram pêssegos e pessegueiros em vários cenários.[29] [30] Estudiosos acadêmicos sugerem que muitas composições são simbólicas, algumas um esforço para introduzir realismo.[31] Por exemplo, Tresidder defende[32] que artistas da Renascença simbolicamente usaram o pêssego para representar o coração, e a folha presa ao fruto como símbolo para a língua, numa alegoria à verdade mais profunda ao coração (ou à alma); um pêssego maduro também seria símbolo da vitalidade da boa saúde. As pinturas de Caravaggio introduziram realismo ao pintar folhas de pêssego diferentes, sem cor ou até mesmo com buracos de larvas - condições comuns em campos de cultivo modernos de pêssegos.[30]

Dados Nutricionais[editar | editar código-fonte]

pêssegos (edible portion)
Valor nutricional por 100 g (3,53 oz)
Energia 165 kJ (40 kcal)
Carboidratos
Carboidratos totais 9.5 g
 • Açúcares 8.4 g
 • Fibra dietética 1.5 g
Vitaminas
Vitamina A equiv. 16 µg (2%)
Ácido fólico (vit. B9) 4 µg (1%)
Vitamina C 6.6 mg (8%)
Minerais
Ferro 0.25 mg (2%)
Potássio 190 mg (4%)
Percentuais são relativos ao nível de ingestão diária recomendada para adultos.
Fonte: USDA Nutrient Database

Um pêssego médio pesa 75g, e de maneira geral contém 30 Cal, 7 g de carboidratos (6 g de açúcares e 1 g de fibras), 1 g de proteínas, 140 mg de potássio, e 8% das necessidades diárias de vitamina C.[33] Nectarinas fornecem o dobro de vitamina A, e ligeiramente mais vitamina C, que os pêssegos, além de serem uma fonte mais rica de potássio.[20]

Assim como muitos outros membros da família das rosáceas, as sementes do pêssego contêm glicosídeos cianogênicos, incluindo amigdalina (designação de subgênero: Amygdalus). Essas substâncias são suscetíveis à decomposição de moléculas de açúcar e gás de hidrogênio cianido. As sementes de pêssego não são as mais tóxicas da família das rosáceas--essa honra duvidosa é das amêndoas amargas--grandes doses dessas substâncias químicos, independente da fonte, são perigosas à saúde humana.

Alergia ou intolerância são formas relativamente comuns de hipersensibilidade às proteínas contidas nos pêssegos. Os sintomas vão desde reações locais (por exemplo, síndrome alérgica oral e urticária de contato) a sintomas sistêmicos, incluindo anafilaxia (por exemplo, urticária, angioedema, sintomas gastrointestinais e respiratórios).[34]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 320
  2. Lyle Campbell, Historical Linguistics: An Introduction, 2nd ed. (Cambridge, Mass: MIT Press, 2004): 274.
  3. PBMH & PIF - PROGRAMA BRASILEIRO PARAA MODERNIZAÇÃO DA HORTICULTURA & PRODUÇÃO INTEGRADA DE FRUTAS. Normas de classificação de pêssego e nectarina. São Paulo: CEAGESP, 2008. (Documentos, 31). DOENÇAS DAS FRUTAS DE CAROÇO Podridão Bacteriana www.gs1brasil.org.br MANEJO PÓSCOLHEITA, LOGÍSTICA E SEGURANÇA ALIMENTAR NA PRODUÇÃO INTEGRADA DE FRUTAS NO BRASIL Processo CNPq 501025/05-7 IMPLEMENTAÇÃO DA PRODUÇÃO INTEGRADA DE PÊSSEGO NO PARANÁ Processo CNPq 500830/2005-3
  4. PBMH & PIF - PROGRAMA BRASILEIRO PARA A MODERNIZAÇÃO DA HORTICULTURA & PRODUÇÃO INTEGRADA DE FRUTAS. Normas de classificação de pêssego e nectarina. São Paulo: CEAGESP, 2008. (Documentos, 31). DOENÇAS DAS FRUTAS DE CAROÇO Podridão Bacteriana www.gs1brasil.org.br MANEJO PÓSCOLHEITA, LOGÍSTICA E SEGURANÇA ALIMENTAR NA PRODUÇÃO INTEGRADA DE FRUTAS NO BRASIL Processo CNPq 501025/05-7 IMPLEMENTAÇÃO DA PRODUÇÃO INTEGRADA DE PÊSSEGO NO PARANÁ Processo CNPq 500830/2005-3
  5. Thacker, Christopher. The history of gardens. Berkeley: University of California Press, 1985. p. 57. ISBN 978-0-520-05629-9
  6. Singh, Akath; Patel, R.K.; Babu, K.D.; De, L.C.. Underutilized and underexploited horticultural crops. New Delhi: New India Publishing, 2007. p. 90. ISBN 978-81-89422-69-1
  7. a b c Geissler, John. The New Oxford Book of Food Plants. Oxford: Oxford University Press, 2009. p. 82. ISBN 978-0-19-160949-7
  8. Layne, Desmond R.; Bassi, Daniele. In: Desmond R.. The Peach: Botany, Production and Uses. [S.l.]: CAB International, 2008. ISBN 978-1-84593-386-9
  9. a b Ensminger, Audrey H.. Foods & nutrition encyclopedia. [S.l.]: CRC Press, 1994. ISBN 0-8493-8980-1
  10. Laura Sadori et al.. (2009). "The introduction and diffusion of peach in ancient Italy". Edipuglia.
  11. George Minifie. Genforum.genealogy.com (1999-03-21). Página visitada em 2012-09-24.
  12. IPGI Publishes Draft of Peach Genome.
  13. Peach genome completed United Press International, April 2, 2010, Retrieved August 30, 2010
  14. Sosinski, Byron et al (2010) Peach Genome Genome Database for Rosacea, Retrieved August 30, 2010
  15. Deciduous Fruit Production - India (see Peach section), FAO United Nations. Fao.org. Página visitada em 2012-09-24.
  16. Szalay, L., Papp, J., and Szaóbo, Z. (2000). Evaluation of frost tolerance of peach varieties in artificial freezing tests. In: Geibel, M., Fischer, M., and Fischer, C. (eds.). Eucarpia symposium on Fruit Breeding and Genetics. Acta Horticulturae 538. Abstract.
  17. Peach tree physiology. University of Georgia (2007).
  18. Bayers, R.E. & Marini, R.P. 1994. Influence of Blossom and Fruit Thinning on Peach Flower Bud Tolerance to an Early Spring Freeze. HORTSCIENCE 29(3):146-148. March, 1994
  19. Szalay, L., Papp, J. and Szaóbo, Z. 2000. EVALUATION OF FROST TOLERANCE OF PEACH VARIETIES IN ARTIFICIAL FREEZING TESTS. Acta Hort. (ISHS) 538:407-410 http://www.actahort.org/books/538/538_71.htm
  20. a b Peach and Nectarine Culture. University of Rhode Island (2000).
  21. Livio Trainotti, Alice Tadiello and Giorgio Casadoro* (2007-10-08). The involvement of auxin in the ripening of climacteric fruits comes of age: the hormone plays a role of its own and has an intense interplay with ethylene in ripening peaches. Jxb.oxfordjournals.org. Página visitada em 2012-09-24.
  22. http://www.springerlink.com/content/m4301j1756468666/
  23. Prunus persica, peach, nectarine: taxonomy, facts, life cycle, fruit anatomy at GeoChemBio. Geochembio.com. Página visitada em 2012-09-24.
  24. Healthy and Sustainable Food | The Center for Health and the Global Environment. Chge.med.harvard.edu (2011-11-16). Página visitada em 2012-09-24.
  25. http://en.wikipedia.org/wiki/Peaches_of_Immortality
  26. Doré S.J., Henry; Kennelly, S.J. (Translator), M.. In: Henry. Researches into Chinese Superstitions. [S.l.]: Tusewei Press, Shanghai, 1914. Vol V p. 505
  27. Dan Bensky and Andrew Gamble, Chinese Herbal Medicine Materia Medica, Rev Ed, p. 265-266
  28. TCM: Peach kernels (em chinese). Página visitada em November 1, 2010.
  29. Janet M. Torpy. (2010). "Still Life With Peaches". JAMA 303: 203-203.
  30. a b Caravaggio’s Fruit: A Mirror on Baroque Horticulture - Jules Janick (PDF). Página visitada em 2012-09-24.
  31. Aaron H. de Groft (2006). Caravaggio - Still Life with Fruit on a Stone Ledge (Book: Papers of the Muscarelle Museum of Art, Volume 1).
  32. Jack Tresidder. 1,001 Symbols: An Illustrated Guide to Imagery and Its Meaning. [S.l.: s.n.], 2004. ISBN 978-0811842822
  33. USDA Handbook No. 8
  34. Article on Peach allergy, M. Besler et al. Food-allergens.de. Página visitada em 2012-09-24.


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