Rosaceae

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Como ler uma caixa taxonómicaRosaceae
Prunus serrulata

Prunus serrulata
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae
Subfamilias
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Rosaceae é uma família botânica com grande número de espécies. O grupo inclui quase 100 gêneros e mais de 2 000 espécies[1] que abrangem plantas ornamentais, como a rosas (Rosa sp.), e frutíferas, como a maçã (Malus sp.).

O nome da família é derivado do gênero tipo Rosa. Alguns dos gêneros com maior número de espécies são Alchemilla (270), Sorbus (260), Crataegus (260), Cotoneaster (260) e Rubus (250)[1]  e Prunus (ameixas, cerejas, pêssegos , damascos e amêndoas ) com cerca de 200 espécies.[2]  Porém todos esses números podem ser estimativas, pois muito trabalho taxonômico ainda precisa ser feito.

A família inclui desde espécies herbáceas (Fragaria), arbustivas até arbóreas (Prunus). A maioria das espécies é decídua, pois ocorre em climas com elevada sazonalidade, mas também há espécies sempre-verdes. A maior parte das espécies é perene, inclusive entre as formas herbáceas, mas também há especies anuais[3] .

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

A família Rosaceae tem distribuição cosmopolita, sendo encontrada em todos os continentes, exceto na Antártida e outras áreas de geleiras permanentes, sendo maior a sua diversidade no hemisfério Norte na maioria dos ecossistemas que não são desérticos ou florestas tropicais úmidas.[1]

Características Botânicas[editar | editar código-fonte]

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são generalmente arranjadas de forma espiral ao longo do caule, mas em algumas espécies observa-se folhas opostas. As folhas podem ser simples ou compostas do tipo pinadas, com folíolo terminal ímpar ou pareado. Folhas compostas ocorrem em cerca de 30 gêneros. A marge foliar é geralmente serrada. Estípulas pareadas estão generalmente presentes e essa característica é considerada primitiva na família e foi independentemente perdida em muitos grupos de Amygdaloideae (previamente chamada Spiraeoideae)[4] . As estípulas às vezes são adnatas (aderidas)[5]  à base do pecíolo foliar, como por exemplo em Rosa.

Glândulas secretoras ou nectários extraflorais podem estar presentes na margem das folhas ou pecíolos. Acúleos podem estar presentes na nervura principal dos folíolos e na raque das folhas compostas.

Flores[editar | editar código-fonte]

As flores são isoladas, axilares dispostas em tipos variados de inflorescências (racemos,espigas, cimeiras etc), fores isoladas são raras. As flores geralmente são hermafroditas, mas podem ocorrer formas andróginas ou unissexuadas (Fragaria). São actinomorfas, ou seja radialmente simétricas e geralmente tem cinco sépalas, cinco pétalas e números múltiplos de cinco em estames arranjados de modo espiral. O número de ovários pode variar de um a mais de uma centena dependendo do gênero. Geralmente há um ou dois óvulos por ovário.

Característica muito importante da família é a estrutura do receptáculo, que consiste, na maioria dos casos, de um eixo plano ou levemente côncavo, em cujos bordos estão inseridas as sépalas, pétalas e os estames. A base das sépalas, pétalas e estames pode estar fundidas e formar uma estrutura em forma de copo denominada hipanto (Rosa), com variado grau de soldadura com o ovário.

Frutos[editar | editar código-fonte]

Podem ser dos mais diversos tipos, podendo ser simples ou compostos, havendo casos de participarem de sua formação não só os carpelos, mas todo o receptáculo. Alguns dos tipos de fritos que ocorre são folículos, cápsulas, nozes, aquênios ou agregados de aquênios (Fragaria) , drupas (Prunus) e pseudofrutos (Malus).

O desenvolvimento da semente pode ocorrer por apomixia, ou seja formação de embrião a partir de tecido do óvulo com bagagem genética materna, sem fecundação. Alguns gêneros em que esse fenômeno é comum: Cotoneaster, Rosa, SorbusCrataegusAlchemilla, Potentilla e Rubus. Essa característica dificulta a análise taxonômica e a subdivisão dos gêneros em espécies.

Diversas das frutas utilizadas na alimentação humana são frutos de rosáceas. Nas sementes de diversas espécies ocorre amidalina que pode liberar cianeto durante a digestão, que causa envenenamento

Sistemática[editar | editar código-fonte]

Ref: Watson and Dallwitz 29 de janeiro de 2005.

Subfamílias[editar | editar código-fonte]

A família Rosaceae abrange uma grande diversidade de espécies e a tentativa de agrupá-las em subfamílias não é consenso entre os autores.

Algumas das subfamílias parecem ser monofiléticas e as pesquisas filogenéticas tem avançado em busca de uma subdivisão mais natural. pode se citar três subfamílias com algum apoio das pesquisas:

  • Subfamília Rosoideae[6] : consiste de mais de 850 espécies. Tradicionalmente formada pelos gêneros com frutos agregados que são constituídos por pequenos aquênios e drúpulas e às vezes alguma parte carnosa derivada do receptáculo que sustenta os carpelos (por exemplo: morango). A circunscrição da subfamília está mais limitada (excluiu por examplo, Dryadoideae), mais ainda permanece um táxon bastante diversos com várias tribos e mais de 20 gêneros, incluindo rosa , amora, framboesa, morango, Potentilla, e Geum.
  • Subfamília Amygdaloideae[7] : Neste grupo permanecem as espécies com fruto do tipo drupa e pomo, tradicionalmente conhecida por autores mais antigos como subfamília Maloideae (ou Pyroideae), a qual inclui os gêneros da maça (Malus), marmelo (Cydonia), CotoneasterCrataegus, etc. Para separar esse grupo em nível de subfamília tornaria o restante dos gêneros um grupo parafilético, então a subfamília foi expandida para incluir Spiraeoideae and Amygdaloideae.[6] A subfamília, às vezes, é denominada "Spiraeoideae", mas este nome não é aceito pelo Código internacional de Nomenclatura para algas, fungos e plantas[8] .
  • Subfamília Dryadoideae[9] : Os fruitos são aquênio com um par de estiletes e inclui cinco gêneros (Dryas, Cercocarpus, Chamaebatia, Cowania, e Purshia), a maioria das espécies desta subfamília apresenta nódulos radiculares com bactérias fixadoras de nitrogênio (Frankia spp).

Diferentes autores geraram cladogramas na tentativa de estabelecer o parentesco entre as subfamílias e os diversos gêneros a partir de análises dados morfológicos e moleculares[10]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Sinapomorfias[editar | editar código-fonte]

A monofilia do grupo é sustentada por pela presença de numerosos estames, sequências de DNA de cloroplastos e do gene GBSSI[11] .

O número cromossômico tem sido avaliado como caractere para separar as subfamílias, em Dryadoideae o número haplóide é 9, enquanto em Rosoideae é de sete com variado grau de poliploidia[12] .

Fisiologia e bioquímica[editar | editar código-fonte]

Sua fotossíntese é do tipo C3[13]

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

A família Rosaceae está entre as seis de maior importância econômica de cultivo e inclui plantas frutíferas como por exemplo maçãs, peras, marmelos, nêsperas , loquats , amêndoas , pêssegos, damascos, ameixas, cerejas, morangos e framboesas, e ornamentais geralmente com hábito arburtivo, tais como  CotoneasterCrataegusKerriaPhotiniaPotentillaPrunusPyracanthaRhodotyposRosaSorbus,Spiraea, e outras.[14]

Por outro lado diversas espécies foram introduzidas como plantas daninhas em diferentes partes do mundo e o custo de seu controle é elevado. Essas espécies invasoras podem ter impacto negativo sobre oso ecossitemas onde se estabelecem. Várias dessas espécies pertencem aos gêneros AcaenaCotoneasterCrataegusPyracantha, and Rosa.[14] [3

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c Stevens, P. F. (07/12/2012). Angiosperm Phylogeny Website Version 9, June 2008. Angiosperm Phylogeny Website. Visitado em 12/25/2014.
  2. Bortiri, E.; Oh, S.-H.; Jiang, J.; Baggett, S.; Granger, A.; Weeks, C.; Buckingham, M.; Potter, D.; Parfitt, D.E. (2001). "Phylogeny and Systematics of Prunus (Rosaceae) as Determined by Sequence Analysis of ITS and the Chloroplast trnL-trnF Spacer DNA". Systematic Botany 26 (4): 797–807. doi:10.2307/3093861.
  3. Watson, L. (1998). FloraBase The Western Australian Flora - Rosaceae. http://florabase.calm.wa.gov.au/browse/profile/22834
  4. Potter, D., et al. (2007). Phylogeny and classification of Rosaceae. Plant Systematics and Evolution. 266(1–2): 5–43.
  5. Beentje, H. (2010). The Kew plant glossary, an illustrated dictionary of plant terms. Kew, London, U.K.: Kew publishing. ISBN 9781842464229.
  6. Rosoideae wikipedia (12/10/2013). Visitado em 12/25/2014.
  7. Amygdaloideae Wikipedia (03/12/2014). Visitado em 12/25/2014.
  8. McNeill, J.; Barrie, F.R.; Buck, W.R.; Demoulin, V.; Greuter, W.; Hawksworth, D.L.; Herendeen, P.S.; Knapp, S.; Marhold, K.; Prado, J.; Reine, W.F.P.h.V.; Smith, G.F.; Wiersema, J.H.; Turland, N.J. (2012). International Code of Nomenclature for algae, fungi, and plants (Melbourne Code) adopted by the Eighteenth International Botanical Congress Melbourne, Australia, July 2011. Regnum Vegetabile 154. A.R.G. Gantner Verlag KG. ISBN 978-3-87429-425-6. Article 19.5, ex. 5
  9. Dryadoideae Wikipedia (11/29/2013). Visitado em 12/25/2014.
  10. Potter et al (12/25/2014). Rosaceae. Visitado em 12/25/2014.
  11. Judd, S. et al. Sistemática vegetal.2009. Ed. Artmed.
  12. Sara Longhi, Lara Giongo, Matteo Buti, Nada Surbanovski, Roberto Viola, Riccardo Velasco, Judson A Ward & Daniel J Sargent Molecular genetics and genomics of the Rosoideae: state of the art and future perspectives HORTICULTURE RESEARCH,doi:10.1038/hortres.2014.1
  13. Florabase Department of Parks and Wildlife. Visitado em 12/25/2014.
  14. a b Watson, L., and Dallwitz, M.J. (1992 onwards). The families of flowering plants: descriptions, illustrations, identification, and information retrieval. Version: 21st March 2010.http://delta-intkey.com/angio/www/rosaceae.htm

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Rosaceae


  • Angiosperm Phylogeny Website
  • Rosaceae at the Encyclopedia of Life
  • Rosaceae at the DELTA Online Families of Flowering Plants
  • Rosaceae at Chileflora Online
  • Rosaceae at the Online Flora of Western Australia
  • Genome Database for Rosaceae at Washington State University
  • Rosaceae at the University of Illinois.
  • Rosaceae Flowers in Israel
  • Rosaceae — Diagnostic photos of many different species at the Morton Arboretum.
  • Welcome to the Genome Database for Rosaceae | GDR