Peter Wilhelm Lund

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Peter Wilhelm Lund
P. W. Lund
Nome completo Peter Wilhelm Lund
Nascimento 14 de Junho de 1801
Copenhague, Capital
 Dinamarca
Morte 25 de maio de 1880 (78 anos)
Lagoa Santa, MG
 Brasil
Ocupação naturalista

Peter Wilhelm Lund (Copenhague, 14 de Junho de 1801Lagoa Santa, 25 de Maio de 1880) foi um naturalista dinamarquês.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Diplomou-se em Medicina pela Universidade de Copenhague em 1821, doutorando-se posteriormente pela Universidade de Kiel. Grande estudioso de Botânica e Zoologia, viajou em 1825 para o Brasil, onde percorreu as províncias do Rio de Janeiro e São Paulo. Nestas excursões, coletou grande quantidade de material, que enviava, em parte, para o Museu de História Natural da Dinamarca.

Em 1829 retornou à Europa e visitou as universidades de Berlim, Dresden, Praga, Viena, Roma e o Museu de História Natural de Paris, onde freqüentou cursos de Georges Cuvier, ministrados no Collège de France, aderindo, profundamente, ao Catastrofismo daquele naturalista francês .[1]

Três anos depois, voltou definitivamente ao Brasil. Ao lado do botânico Ludwig Riedel, viajou pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. O resultado dos estudos botânicos promovidos nesta expedição foram publicados em Observações a respeito da vegetação dos campos no interior do Brasil, especialmente fito-históricas, de 1835.

Em Minas Gerais estudou uma enormidade de fósseis encontrados nas cavernas próximas a Curvelo. Dedicou-se também às pesquisas arqueológicas. Estudou as montanhas da Serra do Espinhaço, recolheu material e remeteu-os para a Sociedade Real de Antiquários do Norte, em Copenhague, junto com um memorial sobre o assunto.

Em 1842, segundo um relato seu, já tinha explorado mais de 200 cavernas na região e descrito 115 espécies de animais - entre os quais o célebre tigre de dentes de sabre (Smilodon populator). Em 1843 encontrou na região vestígios de homens pré-históricos, cujos estudos definiram as características daquele que ficaria conhecido posteriormente como o Homem de Lagoa Santa. Esta cidade, aliás, foi adotada como base de operações por Lund por ser o centro de uma área repleta de cavernas.

As descobertas de fósseis humanos levaram Lund, em 1842, a escrever uma carta ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, publicada naquele mesmo ano e intitulada “Sobre a antiguidade do homem de Lagoa Santa”, onde ele discutiu se aquelas ossadas fósseis, uma vez que se encontravam em estratos geológicos que também continham fósseis da fauna extinta. Esta constatação contrariava a premissa do Catastrofismo de Georges Cuvier, de que as faunas extintas por catástrofes ocorridas em diferentes momentos, não poderiam estar contidas no mesmo estrato geológico. Esta anomalia na teoria catastrofista levou-o a um questionamento desta teoria, que pode ter contribuído para a súbita interrupção dos trabalhos de Lund (Faria, 2008).

Publicou várias memórias em dinamarquês, ricamente ilustradas com pinturas do norueguês Peter Andreas Brandt (1791-1862), que foram organizadas e traduzidas para o português em 1950 pelo paleontólogo Carlos de Paula Couto (1910-1982), sob o título Memórias sobre a Paleontologia Brasileira.

Em 1845, alegando falta de recursos, Lund terminou repentinamente o trabalho nas cavernas. Ele empacotou e doou a sua vasta coleção, com cerca de 20 mil itens, para o rei Cristiano VIII da Dinamarca. Um único exemplar de crânio humano encontrado por ele permanece no Brasil, no IHGB. Permaneceu em Lagoa Santa pelo resto da vida.

Ao longo desses anos, a sua maior preocupação foi com a curadoria de sua coleção, a cargo do zoólogo Johannes Theodor Reinhardt (18161882). Ele também recebeu a visita de jovens naturalistas europeus, com destaque para o botânico Eugenius Warming (1841-1924). Além das visitas do Impérador Pedro II e do Duque de Saxe filho da Rainha Vitória. O estudo completo de sua coleção, E Museo Lundii, só seria publicado pelos curadores desta na Dinamarca, em 1888.

Obras[editar | editar código-fonte]

Entre seus trabalhos, Lund escreveu a história do Pleistoceno brasileiro. Entre sua vasta obra, pode-se destacar:

  • Vista da fauna do Brasil anterior à última revolução geológica;
  • Cavernas calcáreas existentes no interior do Brasil, contendo algumas delas ossadas humanas;
  • Relatório sobre vertebrados do Brasil;
  • Sobre os animais carbonizados no Brasil na época geológica atual e anterior;
  • Anotações sobre os últimos exames e descobertas em cavernas do Brasil.

Referências

  1. Faria, Felipe. Georges Cuvier: do estudo dos fósseis à paleontologia, 2012. [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 978-85-7326-487-6

Faria, F.Felipe de A.. Georges Cuvier: do estudo dos fósseis à paleontologia, 2012, Editora 34 & Scientiae Studia, p. 201-209. [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 978-85-7326-487-6

Faria, F.Felipe de A.. Peter Lund (1801-1880) e o questionamento do Catastrofismo(in)Filosofia e História da Biologia Volume 3, 2008 - Seleção de Trabalhos do VI Encontro de Filosofia e História da Biologia, pp:139-156 (disponível em http://www.abfhib.org/FHB/FHB-03/FHB-v03-08-Frederico-Felipe-Faria.pdf). [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 1983-053X

O mais completo trabalho biográfico sobre Lund escrito nos últimos 60 anos é Peter Wilhelm Lund: o auge das suas investigações científicas e a razão para o término das suas pesquisas[1], de Pedro Ernesto de Luna Filho (Peter Moon), tese de doutorado em história da ciência defendida na Universidade de São Paulo em 2007.

O trabalho, baseado na imensa coleção de cartas de Lund depositada na Biblioteca Real de Copenhagen, conclui que Lund encerrou suas pesquisas de campo abruptamente devido à falência de uma lavra de ouro em Sabará (MG), da qual era um dos sócios.

Outro trabalho recente é Peter Wilhelm Lund (1801-1880): O naturalista, sua rede de relações e sua obra, no seu tempo, dissertação de mestrado defendida por Ana Paula Almeida Marchesotti na Universidade Federal de Minas Gerais em 2005.

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