Lagoa Santa (Minas Gerais)

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Município de Lagoa Santa
Vista aérea de Lagoa Santa, destacando a lagoa e centro da cidade.

Vista aérea de Lagoa Santa, destacando a lagoa e centro da cidade.
Bandeira de Lagoa Santa
Brasão de Lagoa Santa
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 17 de dezembro
Fundação 17 de dezembro de 1738
Gentílico lagoassantense
Prefeito(a) Fernando Pereira Gomes Neto (PSB - Partido Socialista Brasileiro)
(2013–2016)
Localização
Localização de Lagoa Santa
Localização de Lagoa Santa em Minas Gerais
Lagoa Santa está localizado em: Brasil
Lagoa Santa
Localização de Lagoa Santa no Brasil
19° 37' 37" S 43° 53' 24" O19° 37' 37" S 43° 53' 24" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte IBGE/2008 [1]
Microrregião Belo Horizonte IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Belo Horizonte
Municípios limítrofes Jaboticatubas, Pedro Leopoldo, Confins, Vespasiano e Santa Luzia
Distância até a capital 35 km
Características geográficas
Área 231,994 km² [2]
População 52 526 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 226,41 hab./km²
Altitude 759 m
Clima tropical de altitude Cwa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,783 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 627 410,973 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 13 268,15 IBGE/2008[5]
Página oficial

Lagoa Santa é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Lagoa Santa encontra-se a 800 metros de altitude, possui 231,9 km² de área e uma população de 52.526 habitantes (IBGE/2010).[6] Está localizada a 35 km de Belo Horizonte, 776 km de Brasília, 553 km do Rio de Janeiro e 641 km de São Paulo. É uma região calcária situada na Bacia Média do Rio das Velhas. A região é formada por Planaltos com relevos pouco acentuados, clima tropical e temperatura média anual de 22º.

História[editar | editar código-fonte]

Foi fundada em 1733 por Felipe Rodrigues, tropeiro viajante que se estabeleceu no local. Era chamada de Lagoa Grande e Lagoa das Congonhas do Sabarabuçu. Seu nome atual teve origem no valor curativo da água da lagoa. O nome Lagoa Santa se deu devido ao valor curativo de suas águas. Foi Felipe Rodrigues, tropeiro viajante, quem primeiro sentiu o efeito benéfico destas águas. Ao lavar os eczemas de sua perna, sentiu-se aliviado de suas dores e obteve a cicatrização de suas feridas. A notícia da cura milagrosa logo se espalhou pelos arredores e o pequeno arraial passou a receber peregrinos em busca da cura para seus males. A perenidade da lagoa é atestada pelos relatos dos naturalistas viajantes, desde o século XVII. Sua profundidade não ultrapassa três metros, sendo que, a aproximadamente 40 metros de sua base, encontra-se um aquífero que contribui para a sua existência. E também, em grande parte, alimentada por águas pluviais. Seu formato é triangular e, no período das cheias, seu vertedouro lança suas águas no Rio das Velhas através do Córrego do Bebedouro.

Origem[editar | editar código-fonte]

Igreja Nossa Senhora da Saúde.

A origem da cidade está ligada às propriedades das águas ali encontradas. Segundo crenças locais, a lagoa que dá nome ao local possui minerais com propriedades curativas, daí a associação ao nome do município. Muitos foram os visitantes que procuravam Lagoa Santa para melhorara a saúde banhando-se na lagoa.

Peter Wilhelm Lund[editar | editar código-fonte]

Nascido em Copenhague, Lund chegou ao Brasil pela primeira vez em 1825, em busca de ares mais puros para sua saúde debilitada. Durante sua primeira estadia, que durou até 1829, ele se dedicou ao ofício de naturalista nos arredores da cidade do Rio de Janeiro, coletando e estudando espécimes de formiga, moluscos e urubus (Piló e Neves, 2002). Após passar quatro anos na Europa, mostrando aos seus pares o resultado de suas pesquisas nos trópicos, Lund retornou ao Brasil. Entretanto, na segunda visita, ele não se alojou no litoral, mas sim no interior do Estado de Minas Gerais, na região de Lagoa Santa. As riquezas geológica, paleontológica e arqueológica fascinaram-no de tal forma que se estabeleceu definitivamente na região, onde viria a morrer em 1880 (Hurt e Blasi, 1969; Piló e Auler, 2002; Luna, 2007). Entre 1835 e 1843, o naturalista dinamarquês e seu assinatente e ilustrador, P. Andreas Brandt, visitaram mais de 800 cavernas, identificando material paleontológico em pelo menos 70 delas, em seis das quais também encontraram remanescentes esqueletais humanos. A partir desses achados foram identificados mais de 100 gêneros e 149 espécies de animais, sendo 19 gêneros e 32 espécies extintas (Cartelle, 1994). Entretanto, entre as inúmeras lapas, grutas e cavernas por eles exploradas, nenhuma foi tão importante como a gruta localizada na base do maciço da Lagoa do Sumidouro (Figura 2.1). Na maior parte do tempo, essa gruta fica alagada, tornando impossível qualquer tipo de exploração do seu interior. Ainda assim, durante eventos de seca intensa que ocorrem a cada 30 anos, o nível freático fica tão baixo que é possível entrar nela. Em 1842 e 1843, durante um desses grandes períodos de seca, Lund e Brandt escavaram os depósitos subterrâneos da gruta do Sumidouro, que já desconfiavam serem muito antigos (Neves et al., 2007a). Neles, Lund e Brandt encontraram ossos humanos de muitos indivíduos, associados a ossos de animais extintos, convencendo-os da antiguidade temporal do homem americano. Foi nessa mistura de espécies extintas e ainda vivas que apareceram os restos enigmáticos do cavalo e do homem, todos no mesmo estado de decomposição, de modo a não deixar nenhuma dúvida sobre a coexistência desses seres cujos restos foram enterrados juntos. [7] Portanto, mais de três décadas antes que a comunidade norte-americana sequer começasse a cogitar a existência do Homem Glacial americano, e mais de meio século antes que as primeiras evidências nesse sentido fossem geradas, Peter Wilhelm Lund já estava convencido de que os primeiros americanos eram tão antigos que haviam convivido com os grandes animais extintos (Neves et al., 2007b).

Peter Wilhelm Lund tinha como ilustrador oficial o norueguês Peter Andreas Brandt.

Brandt nasceu em Trondheim. Chegou ao Brasil em 1835 onde assumiu o posto de ilustrador e assistente para o trabalho de Lund. Ele foi o primeiro a retratar a cidade de Lagoa Santa. Suas pinturas, desenhos e gravuras revelam um talento extraordinário e o colocam entre os melhores ilustradores de seu tempo. Ele ilustrou, redigiu e encadernou as teses de Peter W. Lund, além de organizar e catalogar o material encontrado por eles nos sítios arqueológicos no entorno da cidade. Peter Andreas Brandt fundou a primeira revista ilustrada na Noruega. Era professor de desenho e tem obras inéditas pintadas na região de Ringerike, obras estas que se encontram no Riksarkviet em Oslo. Ele nunca voltou a Noruega. Morreu em Lagoa Santa em 1864 deixando uma obra pequena mas de grande importância artística e científica para a cidade, bem como para a Dinarmarca e a Noruega.

Localização[editar | editar código-fonte]

Mapa.

Distâncias quilométricas de Lagoa Santa a:

  • Belo Horizonte - 41 km
  • Brasília - 713 km
  • Contagem - 52 km
  • Ouro Preto - 136 km
  • Rio de Janeiro - 471 km
  • Salvador - 1498 km
  • São Paulo - 638 km
  • Sete Lagoas - 60 km
  • Serra do Cipó - 54 km
  • Tiradentes - 204 km
  • Vitória - 569 km

Gruta da Lapinha[editar | editar código-fonte]

Formação rochosa de Lagoa Santa.

A Gruta da Lapinha é uma atração turística da cidade, fica a 48 km da praça 7, em Belo Horizonte e possui linha de ônibus que faz o percurso, Belo Horizonte-Lapinha, diariamente. Está localizada no Parque Estadual do Sumidouro. Compreende um bloco de pedra calcária formado há 600 milhões de anos. Tem 40 metros de profundidade e 511 de extensão. A composição é de barros e resíduos endurecidos do fundo do mar que foram acumúlados em camadas sobrepostas. Seu interior apresenta ornamentações formadas de cálcitas cristalizada, e que em suas várias formas dão nomes aos salões: Salão de Entrada, Sala da Catarata, Sala da Couve-flor, Salão da Catedral, Sala das Pirâmides, Canto do Abajur, Sala dos Carneiros E Galeria do Presépio. Além disso a Gruta possui uma grande área verde à sua volta.

Paleontologia[editar | editar código-fonte]

A excelência da região calcária considerando o ambiente e o clima permitem a ocupação da região por uma fauna quaternária por volta de 25000 BP. Os animais da megafauna que habitaram a região foram o Megatério ou preguiça gigante, mastodontes, o tigre-dente-de-sabre, o gliptodonte e o toxodonte, entre outros.

O aparecimento desses fósseis atraiu o paleontólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund para desenvolver pesquisas nas grutas calcárias do vale do Rio das Velhas.

Esses achados fósseis descobertos por Lund contribuíram significativamente para os estudos de Charles Darwin sobre a teoria da evolução. A excelência do ambiente cársico para conservação dos fósseis permitiu encontrá-los em boas condições milhares de anos depois do desaparecimento dos animais.

O Homem de Lagoa Santa[editar | editar código-fonte]

Ossada encontrada em Lagoa Santa, MG, Brasil.

Ossadas humanas descobertas na região de Lagoa Santa estão desafiando as teorias a respeito da ocupação humana do continente americano por dois motivos. Primeiro porque os fósseis encontrados são bem mais antigos do que as datas estabelecidas por essas teorias para a ocupação da América. Segundo porque o biólogo Walter Alves Neves, da USP, os humanos que habitavam essa região possuíam traços negróides, e não mongolóides do modo como são todos os povos índígenas americanos até então conhecidos.

A ossada de uma mulher encontrada na gruta de Lapa Vermelha IV, em Lagoa Santa, ganhou o apelido de Luzia, dado por Walter Neves numa alusão ao fóssil Lucy, fêmea da espécie Australopithecus afarensis achada na Etiópia em 1974 (que tem 3,5 milhões de anos).

Luzia é o mais antigo esqueleto humano já encontrado nas Américas. Ela viveu a 11 500 anos atrás, sendo uma legítima representante do Homem de Lagoa Santa, como ficaram conhecidos pela ciência os humanos que habitaram a região no passado (Neves et al., 2007b).

O maior projeto de pesquisa do Brasil acontece em Pedro Leopoldo e é defendido por Walter Neves. Lagoa Santa por sua vez faz parte deste contexto sendo uma das cidades que se engloba neste projeto, ficando com o mérito da divulgação.

Aeroporto Internacional Tancredo Neves[editar | editar código-fonte]

Aeroporto.

Construído na década de 1980, com área em torno de 15 milhões de m², tem capacidade para atender 5 milhões de passageiros por ano. Tem uma das mais modernas infra-estrutura do país, comparado aos melhores aeroportos do mundo, oferecendo excelentes espaços para realização de eventos. Na área do aeroporto também opera o centro de manutenção de aeronaves da Gol Linhas Aéreas. Fica a 38 km de Belo Horizonte, com acesso pela Linha Verde. O Aeroporto Tancredo Neves foi o primeiro a ser homologado pela Receita para operar como aeroporto industrial. Empresas instaladas na área do aeroporto internacional terão suspensão de impostos federais sobre importações e exportações e também do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de insumos no mercado interno. O objetivo do empreendimento é incentivar o crescimento do comércio exterior brasileiro e de Minas Gerais, aumentando a competitividade no mercado internacional e, consequentemente, as exportações.Hoje ele também faz parte do município de Confins.

Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa[editar | editar código-fonte]

No município está localizado o Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa (PAMA-LS), responsável pela manutenção da frota da Força Aérea Brasileira. Todos os anos a Aeronáutica promove em Lagoa Santa eventos abertos à população, em comemoração ao Dia do Aviador e Dia da Força Aérea.[8]

Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa[editar | editar código-fonte]

Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa.

Criada através do Decreto Federal de Nº 98881/90, a Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa é uma Unidade de Conservação de uso sustentável. Tem o objetivo de garantir a conservação do conjunto paisagístico e da cultura regional, proteger as cavernas e demais formações cársticas, sítios arqueológicos e paleontológicos, a vegetação e a fauna. A criação da APA possibilitou a elaboração do Plano de Manejo visando o ordenamento para o uso racional dos recursos naturais nesta região. Dentro dos limites desta área todo empreeendimento de significativo impacto ambiental, estará sujeito a licenciamento, obedecendo ao Plano de Manejo, cujo zoneamento estabelece os tipos de uso permitidos e não permitidos e ainda à legislação específica que trata sobre essas áreas. Portanto o desenvolvimento deverá acontecer de forma planejada, dentro dos princípios da sustentabilidade ambiental.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Lagoa Santa

O município integra o circuito turístico das Grutas.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 de dezembro de 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  6. IBGE. População residente por municípios em Minas Gerais em 1° de abril de 2007 (PDF). Ibge.gov.br. Página visitada em 13 de janeiro de 2008.
  7. {{cite book|author=Faria, Felipe |title=Peter Lund (1801-1880) e o questionamento do Catastrofismo(in)Filosofia e História da Biologia Volume 3, 2008 - Seleção de Trabalhos do VI Encontro de Filosofia e História da Biologia, pp:139-156 (disponível em http://www.abfhib.org/FHB/FHB-03/FHB-v03-08-Frederico-Felipe-Faria.pdf)%7Cdate=2008%7CABFHIB%7Cisbn=1983-053X
  8. Histórico. pamals.aer.mil.br (2008 (última atualização)). Página visitada em 25 de junho de 2012.
  9. Listagem dos Circuitos Turísticos (PDF). Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais. Página visitada em 24 de fevereiro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Lagoa Santa (Minas Gerais)

Faria, F.Felipe de A.. Georges Cuvier: do estudo dos fósseis à paleontologia, 2012, Editora 34 & Scientiae Studia, p. 201-209. [S.l.: s.n.], 2012. ISBN 978-85-7326-487-6

Faria, F.Felipe de A.. Peter Lund (1801-1880) e o questionamento do Catastrofismo(in)Filosofia e História da Biologia Volume 3, 2008 - Seleção de Trabalhos do VI Encontro de Filosofia e História da Biologia, pp:139-156 (disponível em http://www.abfhib.org/FHB/FHB-03/FHB-v03-08-Frederico-Felipe-Faria.pdf). [S.l.: s.n.], 2008. ISBN 1983-053X

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