Rebanhão

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Rebanhão
Informação geral
Origem Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
País  Brasil
Gênero(s) Rock progressivo, MPB, rock experimental, new age, pop rock, hard rock
Período em atividade 1979-2000
Gravadora(s) Doce Harmonia (1981-1984)
Arca Musical Evangélica (1983)
PolyGram (1985-1988)
Gospel Records (1989-1994)
Warner Music Brasil (1994-1998)
Independente (1998-2000)
Afiliação(ões) Sinal Verde, João Alexandre
Integrantes
Janires (violão e vocal)
Carlinhos Felix (guitarra, violão e vocal
Pedro Braconnot (teclado e vocal)
Paulo Marotta (baixo e vocal)
Tutuca (bateria)
Pablo Chies (guitarra)
Zé Alberto (percussão)
Kandell Rocha (bateria)
Dico Parente (violão e vocal)
Wagner Carvalho (bateria)
Rogério dy Castro (baixo)
Rafael Fariña (bateria)
Ismael Maximiano (violão e vocal)
Fábio Carvalho (baixo e vocal)

Rebanhão foi uma banda brasileira de rock que esteve cerca de 20 anos em atividade, originada na cidade do Rio de Janeiro. Uma das primeiras no meio cristão, é considerado o primeiro grupo a lançar um álbum de rock cristão e popularizar tal vertente pelo país (Mais Doce que o Mel), através do vocalista Janires. Dentre as sonoridades exploradas pela banda, destacam-se o rock progressivo, new age e o rock experimental, com forte influência do tropicalismo e do Clube da Esquina.[1]

Com a saída de Janires em 1985, Carlinhos Felix, Pedro Braconnot e Paulo Marotta, juntamente com outros músicos, como Tutuca ficaram à frente do grupo, tanto como vocalistas e compositores, criando a fase conhecida como a da "formação clássica" do Rebanhão. Os álbuns Novo Dia e Princípio são as obras mais notáveis desta época, com influência do pop rock em várias canções, mesclando ao rock progressivo.

Entre 1990 e 1992, Tutuca, Carlinhos e Paulo deixaram a banda, e Pedro Braconnot assumiu, absolutamente a liderança com outros músicos convidados. Após Enquanto É Dia..., o lançamento de dois trabalhos posteriores com forte mudança nas letras e na formação do grupo levou o grupo a uma fase de instabilidade, além da concentração de Pedro em outras produções musicais. Por sua vida pessoal, encerrou as atividades do Rebanhão oficialmente em 2000.

Desde então, o grupo tem sido homenageado por sua forte contribuição a música cristã brasileira, com canções regravadas e homenagens de músicos cristãos. Reuniões posteriores da chamada "formação clássica" não aconteceram.

História[editar | editar código-fonte]

1979-1981: Início da banda[editar | editar código-fonte]

O início da história do Rebanhão confunde-se com a trajetória musical e religiosa de Janires Magalhães Manso. Após ser preso em flagrante, parar numa casa de recuperação e tornar-se cristão protestante após frequentar os cultos na Igreja Cristo Salva, conhecida também como "igreja do Tio Cássio", o músico tinha a vontade de criar uma banda de rock cristão. Ainda, nessa época o cantor escreveu suas primeiras composições. Foi gravado um álbum em 1979, mas Janires decidiu mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro, finalizando tal projeto ali.[2]

Assim que chegou no Rio de Janeiro, Janires tornou-se membro da Igreja Presbiteriana de Copacabana. Atuando no louvor da igreja, conheceu os integrantes de uma banda de rock existente ali, chamada Sinal Verde. Membros deste grupo afirmavam que Janires sempre manifestava interesse em fundar o Rebanhão ali, porém não tinha recrutado músicos.[3]

Durante um acampamento em Juiz de Fora, um jovem convertia-se ao protestantismo. Ainda dependente químico, Pedro Braconnot foi o primeiro convidado a ingressar no Rebanhão, tendo aceitado prontamente. O tecladista, ainda afirmou numa entrevista que, durante esta época passou por uma fase pessoal de altos e baixos, mas Janires o ajudou.[4]

Num dia, Janires e Pedro assistiram um ensaio de vários músicos cristãos e os convidaram para integrarem ao Rebanhão, aos quais eram Paulo Marotta, Kandell Rocha e André Marien. Todavia, Marien não permaneceu no conjunto, fazendo com que a banda precisasse de um guitarrista. Janires, então convidou Carlinhos Felix, na época baixista da Sinal Verde para que integrasse ao grupo.[5]

Carlinhos Felix era engenheiro na Petrobras, e por conta da flexibilidade de seu emprego, tinha liberdade para viajar com o grupo. Durante um tempo, o mesmo permaneceu também na Sinal Verde, gravando o primeiro e único álbum do grupo, Sinal Verde.[3]

A banda começou suas atividades executando suas canções em vários locais da cidade, como nas praças e praias, em alguns momentos junto à Paulo César Graça e Paz. Pela sua sonoridade e letras, o grupo não foi bem recepcionado por grande parte dos religiosos da época. Porém, o grupo prosseguiu.[6] A banda também passou a apresentar em teatros, juntamente com a atriz Darlene Glória, apresentando-se para outros artistas e músicos da época.[7]

Cquote1.svg Nós queríamos entrar na igreja com bateria e guitarra com som distorcido. No início houve um certo preconceito, depois eles aceitaram. Cquote2.svg
Carlinhos Félix comentando à Folha de São Paulo sobre o início do Rebanhão.[6]

1981-1985: Fase Janires[editar | editar código-fonte]

Apesar das dificuldades, a banda preparava-se para gravar o primeiro e um dos mais bem-sucedidos trabalhos do grupo, o álbum Mais Doce que o Mel. Na gravação deste, a banda já tinha o músico Zé Alberto como percussionista. Na obra, Janires e Carlinhos comporam grande parte do repertório, além de dividirem os vocais. Em 1981 a obra foi lançada, pela gravadora Doce Harmonia. A repercussão do trabalho superou as expectativas do grupo e do próprio selo, chegando a vender mais de cento e cinquenta mil cópias. Porém, houve também pontos negativos, como as especulações de que o disco teria mensagens subliminares em seu conteúdo, o que foi fortemente negado pela banda.[8] [9] [10] [11]

Dois anos depois, em 1983 o grupo preparava para lançar seu segundo trabalho. Com a saída do baterista Kandell, Tutuca entrou em seu lugar. O estilo da obra seguiu a mesma linha do anterior. Assim foi lançado Luz do Mundo.[12] Algumas das canções de tal disco chegaram a serem executadas em rádios não-cristãs do Rio de Janeiro.[10]

Janires comemorava em 1984 dez anos de conversão ao protestantismo. E em razão disso o Rebanhão realizou a gravação do primeiro álbum de música cristã do Brasil ao vivo, o trabalho Janires e Amigos, gravado no auditório da Rádio Boas Novas em 14 de dezembro daquele ano. Durante o evento, a banda cantou as canções "Baião" e "Casinha", presentes no disco Mais Doce que o Mel além de inéditas que eram homenagens à vários amigos de Janires.[2]

Pós-Janires e PolyGram (1985-1988)[editar | editar código-fonte]

Após a gravação de Janires e Amigos, a banda sofreu a primeira saída de grande impacto em sua estrutura. O fundador e vocalista Janires anunciava sua saída do grupo, que segundo ele era uma direção de Deus. O músico se mudara para Belo Horizonte, onde fundaria mais tarde a Banda Azul.[13] Apesar de sua saída, o cantor continuou a ter contato com os integrantes do Rebanhão, dando conselhos e ajuda.[2]

Com a popularidade do Rebanhão, o conjunto foi contratado pela gravadora PolyGram, onde gravou o disco Semeador. Carlinhos Félix assumiu a posição de líder do grupo e Pedro Braconnot passou a atuar como o segundo vocalista da banda. Mais tarde, o grupo gravou Novo dia em 1987.[14] O evento de lançamento da obra foi realizado no Canecão lotado, e era a primeira vez em que uma banda cristã fazia um evento no local.[15]

Princípio e início dos anos 90 (1989-1995)[editar | editar código-fonte]

Em 1989, a banda fechava um contrato com a Gospel Records e lançava o disco Princípio, o primeiro da música cristã brasileira a ser lançado em formato CD.[16] Aclamado pelo público, o show de lançamento da obra foi realizado no Rio Sampa. Com uma maturidade musical completa, na obra o Rebanhão assumiu uma sonoridade guiada pelo pop rock se destacando pelas canções "Palácios" e "Selo do Perdão". Esta última e "Ele Te Ouve" receberam versões em vídeo.[17]

Em 1991, o grupo lançava Pé na Estrada, sendo o primeiro da banda sem Tutuca, tendo o músico Serginho Batera atuando nas gravações. Após seu lançamento, Carlinhos Félix decidiu seguir uma carreira a solo e deixou o grupo, além de Paulo Marotta em 1992, que mudara para Belo Horizonte, onde passou a trabalhar na engenheiraria civil.[15]

Tendo apenas Pedro Braconnot da formação inicial, o Rebanhão com novos integrantes lançava o último trabalho pela Gospel Records, Enquanto É Dia. O disco contou com uma homenagem à Janires, que havia falecido anos antes em um acidente automobilístico, além de faixas congregacionais, até então uma vertente que o grupo não explorava.[15]

Últimos trabalhos e declínio (1995-2000)[editar | editar código-fonte]

Com a mesma formação anterior, a banda lançou Por Cima dos Montes em 1996 pela gravadora Warner Bros. Records. Apesar de ser lançado por um grande selo, o trabalho não foi tão bem sucedido como o anterior, não tendo nenhuma canção de grande relevância.[15]

Em 1998, a Gospel Records lançava uma coletânea da banda, onde o repertório era composto por canções dos três trabalhos, intitulado O Melhor do Rebanhão.[15]

Apesar da baixa popularidade, o Rebanhão continuava e gravava de forma independente mais um disco, intitulado Vamos Viver o Amor, lançado em 1999 distribuído pela Dunamy's . Na obra, a sonoridade do Rebanhão era bastante distinta dos discos anteriores, adotando totalmente o estilo congregacional, também conhecido como louvor e adoração, como gênero musical do grupo. O trabalho, assim como o anterior passou desapercebido pelo público, não obtendo notoriedade alguma. O grupo então realizou o show de lançamento da obra e encerrou suas atividades.[15]

Depois disto, o grupo continuou a receber convites para voltar à atividade, porém nada foi decidido a partir de então.[15]

Cronologia[editar | editar código-fonte]


Estilos musicais[editar | editar código-fonte]

Diferente da maioria das músicas cristãs do inicio dos anos 70 e 80, as canções do Rebanhão eram modernas e revolucionárias com letras bem elaboradas e que transmitiam a mensagem de Cristo de uma maneira diferente até então. O repertório do grupo era composto de ritmos como o rock and roll, country, jazz, além da musicalidade brasileira: samba, baião, etc. Nos primeiros álbuns, a maior parte das composições eram de Janires. O engenheiro Paulo Marotta, ex- integrante da banda, descreve de maneira bem clara a proposta da música de Janires Magalhães Manso:

"Ironizava os políticos corruptos, os comerciais da TV, parodiava filmes e novelas, falava das realidades, de sonhos, fracassos e frustrações, do pecado e da miséria resultante, para apresentar, em fulgurante contraste, a estonteante luz, a estupenda graça e a infinita paz de Jesus Cristo".

Após a saída de Janires, o Rebanhão se tendeu mais para o estilo pop e pop rock, mas sem abandonar totalmente suas raízes.

Músicos convidados[editar | editar código-fonte]

Em sua existência, o Rebanhão contou com vários músicos convidados para apresentações e gravações. Destacam-se: Lucas Ribeiro, Zé Canuto, Toney Fontes, Hélio Delmiro, Silas, Ermínio, Barney, Marcos Góes, Natan, Bonés, Joca Costa e Edinho.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio
Álbuns ao vivo
Coletâneas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Souza, Zilmar Rodrigues de. A musica evangelica e a industria fonografica no Brasil : anos 70 e 80: (Dissertação, Mestrado em Artes). Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Artes, 2002. p. 58.
  2. a b c Um cidadão da Jerusalém Celestial. Valter Júnior. Arquivado do original em 24 de agosto de 2012. Página visitada em 24 de agosto de 2012.
  3. a b Trazendo à memória - Sinal Verde. Gospel Músikas. Página visitada em 12 de dezembro de 2013.
  4. Pedro Braconnot: Uma história de dedicação ao ministério!. Revista Marca Cristã. Página visitada em 15 de dezembro de 2013.
  5. Do Nascimento Cunha, Magali. A Explosão Gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico. Rio de Janeiro: Mauad, 2007. ISBN 978-85-7478-228-7 Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  6. a b Mariano, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (em português). [S.l.]: Edições Loyola, 1999. ISBN 978-85-1501-910-6 Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  7. Vende-se um cantor gospel. Marcos Góes. Página visitada em 15 de dezembro de 2013.
  8. Márcia Leitão Pinheiro (2006). Na 'pista' da fé: música, festa e outros encontros culturais entre os evangélicos do Rio de Janeiro. Domínio Público. Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  9. Marialva Bomilcar, Nelson. O melhor da espiritualidade brasileira. [S.l.]: Mundo Cristão, 2005. ISBN 978-85-7325-394-8 Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  10. a b José Roberto Zan (2002). A música evangélica e a indústria fonográfica no Brasil: anos 70 e 80. Unicamp. Página visitada em 14 de agosto de 2012.
  11. Como nasceu a música gospel. Gospel Sete. Arquivado do original em 18 de agosto de 2012. Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  12. Luz do Mundo. Arquivo Gospel. Página visitada em 30 de agosto de 2012.
  13. Leonardo Rodrigues. As Melhores Bandas do Rock Cristão Nacional. De Olho na Real. Página visitada em 13 de setembro de 2012.
  14. Tiago Abreu. Análise: CD "Novo Dia" (Rebanhão). Portal Super Gospel. Página visitada em 8 de abril de 2014.
  15. a b c d e f g História. Rebanhão. Página visitada em 20 de setembro de 2012.
  16. Tiago Abreu. Análise: CD "Princípio" (Rebanhão). Super Gospel. Página visitada em 8 de abril de 2014.
  17. Portal Super Gospel. Análise do cd "Princípio". Portal Guia-me. Página visitada em 13 de setembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]