Rebanhão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Rebanhão (banda))
Ir para: navegação, pesquisa
Rebanhão
Informação geral
Origem Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
País  Brasil
Gênero(s) Rock progressivo, new age, pop rock, hard rock, música popular brasileira
Período em atividade 1979-2000
2014-atualmente
Gravadora(s) Doce Harmonia (1981-1984)
Arca Musical Evangélica (1983)
PolyGram (1985-1988)
Gospel Records (1989-1994)
Warner Music Brasil (1994-1998)
Independente (1998-2000)
Afiliação(ões) Sinal Verde
João Alexandre
Página oficial www.rebanhao.net (inativo)
Integrantes Pedro Braconnot (teclado, piano e vocal)
Paulo Marotta (baixo e vocal)
Carlinhos Felix (guitarra, violão e vocal
Tutuca (bateria)
Ex-integrantes Janires (violão e vocal)
Pablo Chies (guitarra)
Zé Alberto (percussão)
Kandell Rocha (bateria)
Dico Parente (violão e vocal)
Wagner Carvalho (bateria)
Rogério dy Castro (baixo)
Rafael Fariña (bateria)
Ismael Maximiano (violão e vocal)
Fábio Carvalho (baixo e vocal)

Rebanhão é uma banda brasileira de rock que esteve cerca de 20 anos em atividade, originada na cidade do Rio de Janeiro. É conhecida por ser a primeira de sucesso a apresentar uma sonoridade completamente característica da música popular da época dentro do nicho cristão, principalmente popularizando o rock. Dentre as sonoridades exploradas pela banda, destacam-se o rock progressivo e o pop rock, com forte influência do tropicalismo e do Clube da Esquina.[1]

A banda foi fundada por Janires e Pedro Braconnot, porém, antes Janires tinha fundado um projeto semelhante em Sâo Paulo, no qual abandonou. Janires e Pedro, mais tarde integraram mais músicos da Igreja Presbiteriana de Copacabana, nos quais foram Paulo Marotta, Kandell Rocha, Zé Alberto e Carlinhos Felix. Alberto saiu logo no primeiro álbum, enquanto Janires e Kandell se desligaram em 1985, dando lugar ao músico Tutuca. Durante vários anos, a banda esteve estável em sua estrutura, em fase da formação clássica. Entre 1990 e 1992, Tutuca, Carlinhos e Paulo deixaram a banda, e Pedro Braconnot assumiu, absolutamente a liderança com outros músicos convidados até 2000.

Durante seus anos de carreira, o Rebanhão realizou vários feitos, nos quais é considerado o primeiro precursor de grande relevância do rock cristão, apesar de muitos o considerarem como uma banda mais próxima do pop. Também foi o primeiro grupo a se apresentar em grandes casas de shows e ter lançado o primeiro álbum cristão no formato CD, tal qual também é considerado o primeiro lançamento a partir do movimento gospel. Juntamente a outros artistas da época, durante vários anos manteve contrato com grandes gravadoras, nas quais estavam fora do círculo religioso.

Após vários de seus anos de encerramento, reuniões de alguns ex-integrantes, e outros que prosseguiram outros projetos, a banda anunciou um retorno em 2014 através de Pedro Braconnot, que visa a gravação de um DVD e uma turnê pelo Brasil. O Rebanhão foi homenageado com vários tributos, incluindo o álbum Tributo a Janires, que contém várias canções do fundador Janires lançadas pelo grupo.

História[editar | editar código-fonte]

1979-1981: Início da banda[editar | editar código-fonte]

O início da história do Rebanhão confunde-se com a trajetória musical e religiosa de Janires Magalhães Manso. Após ser preso em flagrante, parar numa casa de recuperação e tornar-se cristão protestante após frequentar os cultos na Igreja Cristo Salva, conhecida também como "igreja do Tio Cássio", o músico tinha a vontade de criar uma banda de rock cristão. Ainda, nessa época o cantor escreveu suas primeiras composições. Foi gravado um álbum em 1979, mas Janires decidiu mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro, finalizando tal projeto ali.[2]

Assim que chegou no Rio de Janeiro, Janires tornou-se membro da Igreja Presbiteriana de Copacabana. Atuando no louvor da igreja, conheceu os integrantes de uma banda de rock existente ali, chamada Sinal Verde. Membros deste grupo afirmavam que Janires sempre manifestava interesse em fundar o Rebanhão ali, porém não tinha recrutado músicos.[3]

Durante um acampamento em Juiz de Fora, um jovem convertia-se ao protestantismo. Ainda dependente químico, Pedro Braconnot conheceu Janires e aceitou participar do Rebanhão. O tecladista, ainda afirmou numa entrevista que, durante esta época passou por uma fase pessoal de altos e baixos, mas Janires o ajudou.[4]

Num dia, Janires e Pedro assistiram um ensaio de vários músicos cristãos e os convidaram para integrarem ao Rebanhão, aos quais eram Paulo Marotta, Kandell Rocha e André Marien. Todavia, Marien não permaneceu no conjunto, fazendo com que a banda precisasse de um guitarrista. Janires, então convidou Carlinhos Felix, na época baixista da Sinal Verde para que integrasse ao grupo.[5]

Carlinhos Felix era engenheiro na Petrobras, e por conta da flexibilidade de seu emprego, tinha liberdade para viajar com o grupo. Durante um tempo, o mesmo permaneceu também na Sinal Verde, gravando o primeiro e único álbum do grupo, Sinal Verde.[3] Na mesma época, Janires convidou Elmar Gueiros para a banda para os solos, mas o músico não pode permanecer por conta de seu trabalho.

A banda começou suas atividades executando suas canções em vários locais da cidade, como nas praças e praias, em alguns momentos junto à Paulo César Graça e Paz. Pela sua sonoridade e letras, o grupo não foi bem recepcionado por grande parte dos religiosos da época. Porém, o grupo prosseguiu.[6] A banda também passou a apresentar em teatros, juntamente com a atriz Darlene Glória, apresentando-se para outros artistas e músicos da época.[7]

Cquote1.svg Nós queríamos entrar na igreja com bateria e guitarra com som distorcido. No início houve um certo preconceito, depois eles aceitaram. Cquote2.svg
Carlinhos Felix comentando à Folha de São Paulo sobre o início do Rebanhão.[6]

1981-1985: Fase Janires[editar | editar código-fonte]

Apesar das dificuldades, a banda preparava-se para gravar o primeiro e um dos mais bem-sucedidos trabalhos do grupo, o álbum Mais Doce que o Mel. Na gravação deste, a banda já tinha o músico Zé Alberto como percussionista. Na obra, Janires e Carlinhos comporam grande parte do repertório, além de dividirem os vocais, embora Pedro Braconnot tenha contribuído como compositor em uma das faixas. Em 1981 a obra foi lançada pela gravadora Doce Harmonia. A repercussão do trabalho superou as expectativas do grupo e do próprio selo, chegando a vender mais de cento e cinquenta mil cópias. Porém, houve também pontos negativos, como as especulações de que o disco teria mensagens subliminares em seu conteúdo, o que foi fortemente negado pela banda.[8] [9] [10] [11] O destaque do projeto veio com a canção "Baião", na qual Janires tece várias críticas sociais e analisa a condição atual da sociedade. "Casinha", outra música bastante executada pelo grupo já foi alvo de estudos teológicos, principalmente pela reflexão que o compositor apresenta sobre a história.[12] Além destas, as canções "Refúgio", de Braconnot e "Mel", de Janires estiveram durante muitos anos no repertório dos shows da banda.

Após a repercussão do disco anterior, a banda preparou-se para gravar Luz do Mundo, disco que refletiu o amadurecimento musical e técnico da banda. Com a saída de Zé Alberto, o grupo optou por Edinho atuar como músico convidado na percussão. Gravado nos Estúdios Transamérica, a maior parte de composições desta vez vieram de Janires, que regravou as canções "Taças de Cristais" e "Casa no Céu" com novos arranjos, obras anteriormente gravadas em seu demo Rebanhão. Pedro Braconnot, além de um piano de cauda trabalhou com sintetizadores Phophet-5, e Paulo Marotta estreia nos vocais em "Hoje sou Feliz", duetando com Janires, canção dedicada à Alex Dias Ribeiro.[13] O álbum foi lançado pela gravadora Arca Musical Evangélica, e algumas de suas faixas chegaram a ser executadas em rádios não-cristãs do Rio de Janeiro.[10]

Janires comemorava em 1984 dez anos de conversão ao protestantismo. E em razão disso o Rebanhão realizou a gravação do primeiro álbum de música cristã do Brasil ao vivo, o trabalho Janires e Amigos, gravado no auditório da Rádio Boas Novas em 14 de dezembro daquele ano. Durante o evento, a banda cantou as canções "Baião" e "Casinha", presentes no disco Mais Doce que o Mel além de inéditas que eram homenagens à vários amigos de Janires. João Alexandre, Alex Dias Ribeiro e outros fizeram participações especiais.[2]

1985-1988: Pós-Janires e formação clássica[editar | editar código-fonte]

Após a gravação de Janires e Amigos, a banda sofreu a primeira saída de grande impacto em sua estrutura. O fundador e vocalista Janires anunciava sua saída do grupo, que segundo ele era uma direção de Deus. O músico se mudara para Belo Horizonte, onde fundaria mais tarde a Banda Azul.[14] Apesar de sua saída, o cantor continuou a ter contato com os integrantes do Rebanhão, dando conselhos e ajuda.[2] Ao mesmo tempo, o baterista Kandell também saía. Carlinhos Felix indicou Tutuca em seu lugar.

Com a popularidade do Rebanhão, o conjunto foi contratado pela gravadora PolyGram, na qual gravou e distribuiu o disco Semeador. As mudanças de integrantes mudaram musicalmente a sonoridade do Rebanhão, mais próximo ao pop do que antes. Pedro participa pela primeira vez como vocalista e compõe grande parte das canções, e usando também mais sintetizadores. Pela primeira vez o Rebanhão gravou composições externas, com "Viajar", de Sérgio Pimenta, "Paz do Senhor", de Lucas Ribeiro. O restante foram algumas das composições de Carlinhos, algumas em parceria com Lucas. A parceria com a nova gravadora rendia mais divulgação, e ao mesmo tempo novas apresentações em locais pouco convencionais para artistas oriundos do meio cristão. O evento de lançamento da obra foi realizado no Canecão lotado, e era a primeira vez em que uma banda cristã atuava em grandes casas de show.[15]

Dois anos depois, a banda produziu Novo Dia, produzido pelo músico Paulo Debétio. O compositor Paulinho Rezende versionou a única música estrangeira já gravada pela banda, "Jesus é Amor", escrita por Lionel Richie, com características do gospel norte-americano. A canção também foi gravada em videoclipe, com a banda a performando em ar livre. Os sintetizadores, assim como no anterior fazem-se mais presentes, e as composições e vocais de Pedro Braconnot também, como em "Razão", a canção autoral de maior notoriedade do álbum. De composições externas, o grupo apresentou "Primeiro Amor", de Aurélio Rocha e "Firme os Pés", de Lucas Ribeiro. Paulo Marotta diminiu sua função como vocalista, interpretando exclusivamente em "Entre eu e Você". Nesta época, as apresentações do grupo chegavam a lugares maiores.[16]

Ainda em 1987, foi lançada uma música inédita do Rebanhão para a coletânea Ponto de Encontro, intitulada "Paz pra Cidade", composta e cantada por Janires. Foi a última parceria lançada da banda juntamente com o cantor em vida, que faleceria em 1988 por conta de um acidente automobilístico.[17]

No ano seguinte, a Continental reuniu oito canções dos dois últimos álbuns e lançou Grandes Momentos, que mais tarde seria relançado digitalmente pela Warner Music Brasil em CD no ano de 1994.[18]

1988-1992: Fim da formação clássica[editar | editar código-fonte]

Em 1989, a banda fechava um contrato com a Gospel Records, gravadora pertencente a uma pequena igreja que mais tarde se tornaria precursora do chamado Movimento gospel: a Renascer em Cristo. Ao mesmo tempo em que emergia o movimento gospel no país, era lançado o primeiro título do selo, Princípio, no qual é o primeiro disco da música cristã brasileira a ser lançado no formato CD, e também o primeira obra lançada após o início do movimento gospel. A obra retorna ao lado crítico parcialmente abandonado após a saída de Janires, e Pedro Braconnot, pela primeira vez é o compositor da maioria das canções. De sua autoria, veio "Palácios", que juntamente a "Selo do Perdão", de Carlinhos e "Princípio", escrita por Lucas Ribeiro estiveram dentre as músicas cristãs mais executadas nas rádios em 1990.[19] Paulo Marotta pela primeira vez compôs uma canção para o grupo, na qual foi "Muro de Pedra".[20]

Aclamado pelo público, o show de lançamento da obra foi realizado no Rio Sampa. No mesmo ano, a banda excursionou por vários locais do Brasil, mas logo Tutuca deixou o grupo. Os integrantes remanescentes do Rebanhão decidiram não incluir um membro, e optaram tocar com músicos convidados. Durante essa época, a banda trabalhou com Sérgio Batera, no qual gravaria a bateria e percussão do álbum seguinte. Sem Tutuca, Carlinhos Felix, Paulo Marotta e Pedro Braconnot gravaram dois videoclipes para promoverem o projeto, das canções "Ele Te Ouve" e "Selo do Perdão".[21]

Paralelamente ao Rebanhão, Braconnot atuava há alguns anos como tecladista convidado, e estreava como produtor. Gravou com Cristina Mel, Sérgio Lopes, João Alexandre, Ozéias de Paula e vários outros. Ao mesmo tempo, Carlinhos Felix manifestou o desejo de lançar um projeto solo, lançando em 1991 Coisas da Vida. Pedro colaborou como tecladista, e a maior parte das canções são autorais, com colaborações de Lucas Ribeiro, Ed Wilson e outros. Paulinho Guitarra também atuou como guitarrista, e o projeto foi lançado e recebido positivamente pela gravadora Continental em 1991.[22]

No mesmo ano, durante a primavera a banda gravou Pé na Estrada no estúdio Mega. Com a banda reduzida, Sérgio Batera participou como baterista e percussionista. Paulo Marotta compôs a música que deu título ao álbum, consequentemente a primeira executada nas rádios.[19] Pedro Braconnot atuou como técnico de gravação, e, novamente a maior parte das composições são de Carlinhos e Pedro. "Elo Perdido", "Fé", "Pé na Estrada" e "Ovelha Ferida" mais tarde seriam incluídas na versão em CD do álbum seguinte, já que Pé na Estrada foi lançado exclusivamente em LP. Outras músicas do álbum, como "Criação" (de Elmar Gueiros), "Existe um Lugar" e "Nzile Nzulu", foram remasterizadas digitalmente e incluídas em O Melhor do Rebanhão, lançado em 1998.[15]

A partir do lançamento solo de Carlinhos Felix, o cantor passou a receber convites para apresentações individuais e a partir disso o músico resolveu deixar o grupo, decisão aceita pacificamente por Paulo Marotta e Pedro Braconnot. Ambos continuaram a se apresentar com músicos convidados. Porém, em 1992 Marotta também resolveu sair. Segundo o próprio em uma entrevista em 2000 cedida à MPC, deixou por dedicação exagerada ao grupo, não tendo tempo suficiente para Deus e sua família.[23]

Cquote1.svg Saí por causa de um conflito vocacional íntimo: descobri que estava valorizando mais o trabalho que o próprio Jesus. Abri mão da fama e do prestígio que normalmente acompanham quem se torna muito conhecido porque isso estava atrapalhando meu relacionamento com Jesus. Eu trabalhava demais, e não tinha tempo para Ele, nem para minha esposa, nem para mim mesmo. A obra havia se tornado mais importante que o Senhor da obra. Assim, após 12 anos, deixei o Rebanhão, mudei-me com minha esposa para BH a fim de reestruturar nossas vidas. Cquote2.svg
Paulo Marotta sobre sua saída do Rebanhão.[23]

1992-1997: Fase Pedro Braconnot[editar | editar código-fonte]

Com a saída de todos os integrantes, Pedro decidiu reformular a banda com novos integrantes, embora Paulo Marotta tenha colaborado na reestruturação. Os escolhidos foram Rogério dy Castro (baixo), Pablo Chies (guitarra), Wagner Carvalho (bateria) e Dico Parente (vocal). Com esta formação, Pedro Braconnot produziu Enquanto É Dia..., disco que conteve uma homenagem a Janires, com a regravação de "Baião". O cantor também fez agradecimentos a vários músicos no encarte do álbum, incluindo o ex-baterista Kandell. A maior parte das composições são de Braconnot, algumas em parceria com Dico Parente e Paulo Chies. A faixa-título, "Enquanto é Dia" foi escrita juntamente com o cantor Marquinhos Gomes. A obra também marca uma mudança na sonoridade, com maior uso de piano e algumas canções de hard rock principalmente pelos vocais agudos de Dico. Zé Canuto colabora nos arranjos de metais.[15]

Nesta época, com nova formação a banda participou da terceira edição do SOS da Vida, na qual também participaram várias bandas de rock, algumas em início de carreira, como Bride, Oficina G3, Resgate, Katsbarnea e Fruto Sagrado. No repertório, além da inédita "Mistério", na qual foi a primeira canção de notoriedade do álbum[19] a banda executava "Baião", "Elo Perdido", "Palácios" e outras, maior parte nos vocais de Dico Parente. Entretanto, o novo vocalista deixou o grupo poucos meses após o lançamento do álbum.

Pedro Braconnot assumiu por completo os vocais e não incluiu nenhum vocalista. Como um quarteto, o Rebanhão prosseguiu suas atividades. Ocasionalmente Pedro assumia o violão enquanto Pablo executava exclusivamente a guitarra. Em 1994, mais músicas do álbum figuravam dentre as mais executadas em rádios cristãs, como "Comando de Cristo" e "Como as Ondas do Mar".[19] Nesta mesma época, vários títulos do Rebanhão foram remasterizados e lançados em formato CD, como a coletânea Grandes Momentos e os álbuns Mais Doce que o Mel e Janires e Amigos.

O oitavo trabalho de estúdio do Rebanhão foi lançado em 1996, e mais uma vez foi produzido musicalmente por Pedro Braconnot, que novamente foi compositor de quase todas as músicas. Lançado pela gravadora multinacional Warner Music Brasil, Por Cima dos Montes é o único disco de estúdio da banda com regravações, com "Salas de Jantar", "Contemplar", "Razão" e "Flor do Campo" com novos arranjos. Pablo Chies é co-autor de "Ligado na Videira", enquanto, de composições externas a banda gravou apenas "Louvor" e "Eu Voltarei". Por Cima dos Montes é considerado o disco mais intimista do Rebanhão, e possui maior uso de sintetizadores que no anterior. Por outro lado, nenhuma canção teve grande relevância. O disco foi relançado com novo projeto gráfico pela Warner em 2002.[24] [25]

Na mesma época, Pedro continuava a trabalhar como produtor musical. Nesta época, Braconnot duetou ao lado de sua esposa no segundo álbum da coletânea Amo Você, lançada pela MK Music em 1996 numa canção intitulada "Aliança de Amor".[26]

1997-2000: Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1997, Rogério dy Castro e Wagner Carvalho deixaram o Rebanhão para fundarem uma nova banda junto à Wagner Derek e Davi Fernandes, chamada Primeira Essência.[27] Pablo Chies continuou a trabalhar com Pedro em algumas produções, como em dois álbuns de Marina de Oliveira.

Em 1998, a gravadora Gospel Records reuniu os álbuns da banda lançados pela gravadora e escolheu dezessete músicas, lançadas em uma coletânea intitulada O Melhor do Rebanhão. O repertório foi escolhido pelo músico Paulinho Makuko, e as canções foram remasterizadas digitalmente.[28]

No ano seguinte, embora com um futuro incerto, Pedro resolveu investir na independência, com a existência de seu estúdio, fundando o selo Dunamis, no qual, além de distribuição de álbuns do Rebanhão também lançaria novos artistas. Com site da banda também lançado e nova formação, o Rebanhão lançou em 1999 Vamos Viver o Amor. O disco, apesar de ter uma recepção maior que o anterior é considerado pouco a ver com o estilo da banda. As canções "Mais que um Amigo" e "Vamos Viver o Amor" tiveram um destaque relativo, sendo esta última registro de um videoclipe gravado em estúdio.[15]

Durante 1999 e 2000, a banda, com nova formação continuou se apresentando. Pedro Braconnot forneceu uma entrevista à uma revista de música. O tecladista não fez um comunicado oficial a respeito do fim da banda, mas desde este período não houve nenhum show do Rebanhão.[15]

2000-2014: Hiato[editar | editar código-fonte]

Desde sua saída do Rebanhão, o cantor Carlinhos Felix regravou várias músicas da banda, como "Palácios", "Baião", "Primeiro Amor", "Comando de Cristo" e outras. Ao lado de Paulo Marotta duetou a canção "Muro de Pedra" em seu álbum Nada a Perder. Após o fim do Rebanhão, continuou a prestar tributos a banda, e afirmou em várias entrevistas a importância da banda em sua carreira.[29]

Paulo Marotta, por sua vez mudou-se para Belo Horizonte, e ligou-se à MPC. Em entrevista à banda em 2000, quando questionado a respeito de seus projetos musicais fora da banda, deixou seu descontentamento a respeito do que a música gospel brasileira tinha se tornado, dizendo: "Infelizmente (ou felizmente, não sei), não tenho grandes projetos com relação à música gospel. Acho que o movimento perdeu o fio da meada e se envolveu numa profusão de bandas, reuniões sem propósito, gente oportunista e falta de visão do Reino de Deus. A centralidade dos cultos e eventos gospel está nas bandas, nos artistas, nos pastores que tem que se desdobrar para se manterem atrativos nesse mercado popular pós-moderno. É preciso tirar Jesus do rótulo e trazê-lo de volta para o centro".[23] Carlinhos Felix, em sua volta ao Brasil em meados de 2003 também manifestou sua opinião, dizendo: "Por aqui tenho ouvido muita coisa sem identidade. Estamos atravessando um momento de cópia. Acho que a coisa está indo muito para o lado comercial e o medo de fazer um projeto e não vender faz as pessoas copiarem o que está vendendo. Acho que isso tem empobrecido a nossa rica música gospel e relaxado os talentos. Acredito que Deus tem dado muitas músicas e letras lindas para os compositores, mas estas pérolas estão sendo engavetadas e muitas indo para o lixo por causa do sistema que tem invadido o nosso ambiente".[29]

Em 2003, a MPC, juntamente com vários artistas gravaram um álbum ao vivo em homenagem ao fundador do Rebanhão, Janires. Carlinhos Veiga, Banda Azul, Baixo e Voz e vários outros. Paulo Marotta foi o único a representar a banda no evento, e além de dar alguns depoimentos interpretou a canção "Casinha" ao lado do ex-vocalista da Banda Azul, Guilherme Praxedes.[30]

Pedro Braconnot, em 2002 foi consagrado pastor, e embora durante um tempo tenha continuado a trabalhar como músico produtor viajou para os Estados Unidos da América em 2004, país no qual permaneceu durante quatro anos. Em sua volta ao Brasil, além de vários outros projetos, mudou-se para Caratinga, onde passou a pastorear uma igreja.[4] Sobre o fim da banda, o músico afirmou, em um depoimento:

Cquote1.svg Muitos tem perguntado por que o Rebanhão parou. A Palavra diz que tudo tem o seu tempo debaixo do sol. As coisas mais duradouras são fé, esperança e amor. E dessas três apenas o amor é eterno porque vai nos acompanhar mesmo no céu... Dito isto, quero lembrar que o Rebanhão teve uma importância muito grande na minha vida e ministério e já ouvi isso de muitos outros também. Mas não posso fazer disto um ídolo em minha vida. Jesus nos tornou livres para movermos no vento do Espírito. Somos nascidos de novo e adotados como filhos de seu Reino. E tudo que fazemos aqui na terra deve ter um propósito. Quantas vezes Deus dirigiu minha vida em direções diversas, quantas vezes eu quero estar preparado para mudar de rumo. Uma música do Sérgio Pimenta que o Paulo Marotta cantou tão bem no Rebanhão diz: "Toda estrada leva a algum lugar, mesmo que não seja aonde se quer ir". O mais importante é que estejamos cuidando dos negócios do nosso Pai. Como filhos e herdeiros, temos muito a fazer e não devemos parar. Se o Rebanhão precisou parar, eu não. [...] Nenhum monumento feito por homens vai subir ao céu. Somente os frutos de amor permanecem. Cquote2.svg

Uma reunião posterior da banda sempre foi comentada, porém nunca executada. Em 2012, em entrevista a uma revista, Pedro afirmou que ainda não tinha conseguido reunir a banda, embora a proposta não fosse inédita. O cantor também afirmou que estava tocando com Pablo Chies nos eventos aos quais estava participando.[4]

Em janeiro de 2013, no aniversário de Carlinhos Felix, e ao mesmo tempo comemoração dos 40 anos de uma vigília que ocorre na Igreja Evangélica Congregacional de Bento Ribeiro, no Rio de Janeiro, o músico foi surpreendido pela presença de Pedro Braconnot e Pablo Chies. No evento, os três executaram músicas da banda.[31]

Em 2013, Pedro Braconnot lançou sua primeira música inédita como cantor desde o fim do Rebanhão, o single "Mais que Palavras", lançado no iTunes. No ano seguinte, continuou a divulgar canções, como "Nada Mais" e "Amado da Minha Alma", todas autorais.[32]

2014-atualmente: Reunião dos 35 anos[editar | editar código-fonte]

Em abril de 2014, Pedro Braconnot anunciou a gravação de um DVD comemorando os 35 anos de surgimento do Rebanhão, abrindo uma enquete para os fãs escolherem a cidade. Rapidamente, Carlinhos Felix manifestou apoio e confirmou participação.[33] A cidade mais votada foi o Rio de Janeiro.[34]

Mais tarde, o grupo confirmou que a gravação será realizada no Rio de Janeiro, em local a definir em novembro. Segundo notícias, a banda divulgará o DVD em uma turnê pelo Brasil em 2015.[34]

Integrantes[editar | editar código-fonte]

  • Janires — vocal, violão, ovation, produção musical (1979—1985)
  • Pedro Braconnot — vocal, piano, sintetizadores, violão, produção musical, técnico de gravação, programação (1980-2000; 2014-atualmente)
  • Paulo Marotta — vocal, baixo (1980-1992; 2014-atualmente)
  • Carlinhos Felix — vocal, guitarra, violão (1980-1991; 2014-atualmente)
  • Kandell Rocha — bateria (1980-1985)
  • Zé Alberto — percussão (1980-1982)
  • Fernando Augusto (Tutuca) — bateria, vocal de apoio (1985-1990; 2014-atualmente)
  • Pablo Chies — guitarra, violão (1993-1998)
  • Rogério dy Castro — baixo, vocal de apoio (1993-1997)
  • Wagner Carvalho — bateria, percussão (1993-1997)
  • Dico Parente — vocal (1993)
  • Ismael Maximiano — vocal, violão, guitarra (1998-2000)
  • Fábio Carvalho — vocal, baixo (1998-2000)
  • Rafael Fariña — bateria (1998-2000)

Cronologia[editar | editar código-fonte]


Músicos convidados[editar | editar código-fonte]

Em sua existência, o Rebanhão contou com vários músicos convidados para apresentações e gravações. Destacam-se: Lucas Ribeiro, Zé Canuto, Toney Fontes, Hélio Delmiro, Silas, Ermínio, Barney, Marcos Góes, Natan, Bonés, Jota Costa e Edinho.

Estilos musicais[editar | editar código-fonte]

Diferente da maioria das músicas cristãs do inicio dos anos 70 e 80, as canções do Rebanhão eram próximas do que era apresentado na música popular. Principalmente a começar por Janires, as composições das bandas fugiam dos clichês religiosos, abordando outros temas, como os problemas da sociedade, as desilusões da vida e o estilo de vida cristão num mundo dinâmico e complexo. Com a saída de Janires, muito da sonoridade da banda mudou para influências mais pop. Durante este período, Pedro Braconnot foi o principal responsável pelas letras mais sociais da banda. Paulo Marotta cita que a banda tinha The Beatles, Pink Floyd, Genesis, Os Mutantes e outros grupos como influência.[35]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio
Álbuns ao vivo
Coletâneas

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Souza, Zilmar Rodrigues de. A musica evangelica e a industria fonografica no Brasil : anos 70 e 80: (Dissertação, Mestrado em Artes). Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas. Instituto de Artes, 2002. p. 58.
  2. a b c Um cidadão da Jerusalém Celestial. Valter Júnior. Página visitada em 24 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2012.
  3. a b Trazendo à memória - Sinal Verde. Gospel Músikas. Página visitada em 12 de dezembro de 2013.
  4. a b c Pedro Braconnot: Uma história de dedicação ao ministério!. Revista Marca Cristã. Página visitada em 15 de dezembro de 2013.
  5. Do Nascimento Cunha, Magali. A Explosão Gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico. Rio de Janeiro: Mauad, 2007. ISBN 978-85-7478-228-7 Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  6. a b Mariano, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (em português). [S.l.]: Edições Loyola, 1999. ISBN 978-85-1501-910-6 Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  7. Vende-se um cantor gospel. Marcos Góes. Página visitada em 15 de dezembro de 2013.
  8. Márcia Leitão Pinheiro (2006). Na 'pista' da fé: música, festa e outros encontros culturais entre os evangélicos do Rio de Janeiro. Domínio Público. Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  9. Marialva Bomilcar, Nelson. O melhor da espiritualidade brasileira. [S.l.]: Mundo Cristão, 2005. ISBN 978-85-7325-394-8 Página visitada em 27 de agosto de 2012.
  10. a b José Roberto Zan (2002). A música evangélica e a indústria fonográfica no Brasil: anos 70 e 80. Unicamp. Página visitada em 14 de agosto de 2012.
  11. Como nasceu a música gospel. Gospel Sete. Página visitada em 18 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 18 de agosto de 2012.
  12. Tear Online. São Leopoldo. v.2 n.2. p. 109-121. jul.-dez. 2013
  13. Luz do Mundo. Arquivo Gospel. Página visitada em 30 de agosto de 2012.
  14. Leonardo Rodrigues. As Melhores Bandas do Rock Cristão Nacional. De Olho na Real. Página visitada em 13 de setembro de 2012.
  15. a b c d e História. Rebanhão. Página visitada em 20 de setembro de 2012.
  16. CD Novo Dia (Rebanhão) - Análise. Super Gospel. Página visitada em 8 de abril de 2014.
  17. Amigo é Coisa pra se guardar!... Janires. Moisés di Souza. Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  18. Grandes Momentos. Arquivo Gospel. Página visitada em 14 de setembro de 2012.
  19. a b c d Flash-Back Gospel - As mais tocadas nos anos 90. Portal Nova Vida. Página visitada em 16 de março de 2014.
  20. CD Princípio (Rebanhão) - Análise. Super Gospel. Página visitada em 8 de abril de 2014.
  21. Trazendo a memória - Rebanhão. Gospel Músikas. Página visitada em 4 de maio de 2014.
  22. Conversamos com Carlinhos Félix que falou sobre Rebanhão, Sony Music e o novo CD - Lindo Senhor. Super Gospel. Página visitada em 11 de dezembro de 2013.
  23. a b c 2000. Menos perfumaria e mais conteúdo. Revista MPC
  24. Por Cima dos Montes - Rebanhão. allmusic. Página visitada em 23 de fevereiro de 2014.
  25. Rebanhão - Por Cima dos Montes. CD Universe. Página visitada em 23 de fevereiro de 2014.
  26. Amo Você - vol. 2 - CD. MK Shopping. Página visitada em 4 de maio de 2014.
  27. Dados artísticos. Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Página visitada em 8 de dezembro de 2013.
  28. O Melhor do Rebanhão. Arquivo Gospel. Página visitada em 14 de setembro de 2012.
  29. a b Entrevista: Carlinhos Felix. Super Gospel. Página visitada em 5 de outubro de 2012.
  30. Tributo a Janires. Arquivo Gospel. Página visitada em 18 de agosto de 2012.
  31. Carlinhos Felix tem encontro histórico com Rebanhão. Comunhão. Página visitada em 3 de maio de 2014.
  32. Rebanhão: ex-tecladista e vocalista retorna às gravações. Whiplash.net. Página visitada em 3 de maio de 2014.
  33. Rebanhão se reunirá para gravação de DVD. O Propagador. Página visitada em 4 de maio de 2014.
  34. a b Rebanhão: além de gravação, banda fará turnê pelo Brasil em 2015. Whiplash.net. Página visitada em 16 de julho de 2014.
  35. Um cidadão da Jerusalém Celestial. Valter Júnior. Página visitada em 24 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 24 de agosto de 2012.