Reino de Pagan

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ပုဂံခေတ်
Reino de Pagan (Bagan)

Reino

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Localização de Dinastia de Pagan
Reino de Pagan aproximadamente em 1210.
Reino de Pagan durante o reinado de Sithu II. As crônicas birmanesas também incluem Kengtung e Chiang Mai. As áreas centrais mostradas em amarelo mais escuro. As áreas periféricas em amarelo claro. Pagan incorporou os principais portos da Baixa Birmânia em sua administração central no século XIII.
Continente Ásia
Região Sudeste Asiático
País Myanmar
Capital Pagan (Bagan) (849 – 1287)
Língua oficial birmanês, mon, pyu
Religião Teravada, Maaiana, animismo
Governo Monarquia
Rei
 • 1044–1077 Anawrahta
 • 1084–1113 Kyansittha
 • 1113–1167 Alaungsithu
 • 1173–1210 Narapatisithu
 • 1254–1287 Narathihapate
Legislatura Pyidaungsu Hluttaw
História
 • Dezembro de 849 Fundação da dinastia
 • 1044–1057 Unificação da Birmânia
 • 1058 Criação da escrita birmanesa
 • 1277–1301 Invasões mongóis
 • Dezembro de 1298 Fim do reino
Uma estátua de Buda do período do Reino de Pagan, Galeria Nacional para Arte Estrangeira.

O Reino de Pagan ou Dinastia Pagan (birmanês: ပုဂံခေတ်, literalmente: "Era de Pagan"; 849–1298) foi o primeiro reino a unificar as regiões que mais tarde constituiriam a atual Birmânia (Mianmar). O governo de 250 anos de Pagan sobre a região da bacia do rio Irauádi e sua periferia lançou as bases para a ascensão da língua e cultura birmanesa, a propagação da etnia birmanesa na Alta Birmânia, e o crescimento do budismo teravada na Birmânia e no Sudeste Asiático. O reino entrou em colapso em 1287 devido às invasões mongóis. O colapso foi seguido por outros 250 anos de fragmentação política que durou até meados do século XVI.

História[editar | editar código-fonte]

O reino surgiu a partir de um pequeno povoado fortificado de Pagan fundado em 849 pelos birmaneses, que recentemente entraram nas planícies centrais do rio Irauádi a partir do Reino de Nanzhao na atual Yunnan.[1] [2] Durante os próximos duzentos anos, o Reino de Pagan cresceu gradualmente para incluir seus arredores imediatos. Em 1057, o rei Anawrahta conquistou o Reino de Thaton na Baixa Birmânia. Os sucessores de Anawrahta no final do século XII haviam estendido sua influência mais ao sul até a parte superior da península da Malásia, pelo menos até o rio Salween a leste, abaixo da atual fronteira da China mais ao norte, e a oeste, ao norte de Arracão e das Chin Hills.[1] [3] (As Crônicas birmanesas também alegam a suserania de Pagan ao longo de todo o vale do rio Chao Phraya e a parte inferior da península da Malásia até o estreito de Malaca.)[2] Em meados do século XII, a maior parte continental do Sudeste Asiático estava sob algum grau de controle do Reino de Pagan ou do Império Khmer.

A língua e cultura birmanesa gradualmente tornaram-se dominante na região superior do vale do Irauádi, superando as normas mon, pyu e páli do final do século XII. O budismo teravada começou a se espalhar para o nível das aldeias, embora as práticas tântricas, maaianas, brâmanes e animistas permaneceram fortemente enraizadas em todos os estratos sociais.[4] Os governantes de Pagan construíram mais de 10.000 templos budistas na zona da capital de Pagan entre os séculos XI e XIII (dos quais 3.000 permanecem até os dias atuais). Os ricos doaram terras para as autoridades religiosas.

O reino entrou em declínio no século XIII como o crescimento contínuo da riqueza dos religiosos isentas de impostos. Na década de 1280, dois terços da terra cultivável da Alta Birmânia haviam sido alienados pelos religiosos afetando a capacidade da coroa para manter a lealdade dos cortesãos e recrutas militares. Isso deu início a um círculo vicioso de distúrbios internos e desafios externos promovidos pelos mons, mongóis e shans.[5]

Começando no início do século XIII, os shans se aproximaram do Império de Pagan pelo norte e leste. Os mongóis, que haviam conquistado Yunnan, a antiga pátria dos birmaneses em 1253, começaram a invasão da Birmânia em 1277, e em 1287 saquearam Pagan, encerrando com o governo de Pagan de 250 anos sobre o vale do rio Irauádi e sua periferia. O reino foi dividido em várias regiões, com cada uma reivindicando um rei. Levaria mais de 250 anos até que a Birmânia fosse unificada novamente.

Lista de monarcas[editar | editar código-fonte]

Monarca Reinado Parentesco Notas
Thamudarit 107-152 Fundador de Bagan, a primeira cidade-Estado de Bagan formada livremente com cerca de 19 aldeias na área de Yon-Lutt-Kyon área.
Yathekyaung 152-167 Preceptor de Pyusawhti
Pyusawhti 167-242 Genro de Thamudarit Renomeou a cidade para "Ar-Yee-Ma-Da-Na".
Htiminyin 242-299 Filho
Yinminpaik 299-324 Filho
Paikthinli 324-344 Filho
Thinlikyang 344-387 Filho O fundador da segunda cidade-Estado de Bagan e a renomeou de "Thiripyatsaya".
Kyaungdurit 387-412 Filho
Thihtan 412-439 Filho
Thuyai 439-494 Usurpador Três usurpadores sem sangue real (Rakhaman, Mookhaman e Thuyai) tomaram o trono. Mookhaman reinou por três meses e depois Thuyai venceu a luta pelo poder.
Tharamunhpya 494-516 Filho de Thihtan
Thaiktaing 516-523 Filho O fundador da terceira cidade-Estado de Bagan e a renomeou de "Tanpawadi"
Thilikyaungnge 523-532 Filho
Thinlipaik 532-547 Irmão
Hkanlaung 547-557 Irmão
Hkanlat 557-569 Irmão
Htuntaik 569-582 Filho
Htunpyit 582-598 Filho
Htunchit 598-613 Filho
Popa Sawrahan 613-640 Sacerdote usurpador Reinou como usurpador
Shwe Onthi 640-652 Genro Reinou
Peitthon 652-660 Irmão
Peittaung 660-710 Filho
Ngahkwe 710-716 Irmão
Myinkywe 716-726 Genro usurpador Não tinha sangue real, descendia de escravos
Theinkha 726-734 Eleito pela corte, tinha sangue real
Theinsun 734-744 Filho
Shwelaung 744-753 Filho
Htuntwin 753-762 Filho
Shwemauk 762-785 Filho
Tun Lat 785-802 Irmão
Sawkhinhnit 802-829 Filho
Hkelu 829-846 Filho
Pyinbya 846-878 Filho de Sawkhinhnit Transferiu a capital de Tampawadi (atual Pwasaw) para a atual localização de Bagan no terceiro ano de seu reinado. A quarta cidade de Bagan.
Tannet 878-906 Filho
Sale Ngahkwe 906-915 Usurpador do sangue real
Theinhko 915-931 Filho
Nyaung-u Sawrahan (Taungthugyi) 931-964 Usurpador
Kunhsaw Kyaunghpyu 964-986 Filho de Tannet Casou com todas as três rainhas de Nyaung-u Sawrahan
Kyiso 986-992 Filho de Nyaung-u Sawrahan
Sokkate 992-1044 Irmão
Anawrahta 1044–1077 Filho de Kunhsaw Kyaunghpyu Fundador do Império de Pagan
Sawlu 1077–1084 Filho
Kyanzittha 1084–1113 Eleito
Alaungsithu 1113–1160 Neto
Narathu 1160–1165 Filho
Naratheinkha 1165–1174 Filho
Narapatisithu 1174–1211 Irmão
Htilominlo/Nanntaungmyarmin 1211–1230 Filho
Nayatheinkha-Usana/minyin 1231–1235 Filho
Kyaswa 1234–1250 Irmão
Uzana 1250–1256 Filho
Minyin 1256 Filho Reinou apenas por dois meses
Narathihapate 1256–1287 Irmão Último rei soberano de Pagan
Kyawswa 1287–1298 Filho de Narathihapate Vassalo mongol
Sawhnit 1298–1325 Filho Vice-rei de Pagan para Myinsaing
Sawmonhnit/Uzana II 1325–1369 Filho Vice-rei de Pagan

Notas

  1. a b Lieberman, pp. 88–112
  2. a b Myint-U, p. 56
  3. Harvey, p. 21
  4. Lieberman, pp. 112–119
  5. Lieberman, pp. 119–123

Referências

  • D.G.E. Hall. Burma. 3ª ed. [S.l.]: Hutchinson University Library, 1960. isbn 978-1406735031
  • G. E. Harvey. History of Burma: From the Earliest Times to 10 March 1824. Londres: Frank Cass & Co. Ltd, 1925.
  • Maung Htin Aung. A History of Burma. Nova York e Londres: Cambridge University Press, 1967.
  • Victor B. Lieberman. Strange Parallels: Southeast Asia in Global Context, c. 800–1830, volume 1, Integration on the Mainland. [S.l.]: Cambridge University Press, 2003. isbn 978-0-521-80496-7
  • Thant Myint-U. The River of Lost Footsteps--Histories of Burma. [S.l.]: Farrar, Straus and Giroux, 2006. isbn 978-0-374-16342-6, 0-374-16342-1
  • Lt. Gen. Sir Arthur P. Phayre. History of Burma. 1967 ed. Londres: Susil Gupta, 1883.