Metilfenidato
| Metilfenidato Alerta sobre risco à saúde |
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|---|---|
| Nome IUPAC | methyl phenyl(piperidin-2-yl)acetate |
| Identificadores | |
| Número CAS | |
| PubChem | |
| DrugBank | APRD00657 |
| ChemSpider | |
| Código ATC | N06 |
| DCB n° | 05805 |
| Medicamento de referência | Ritalina (10 mg) Ritalina LA (20, 30 e 40 mg) Concerta (18, 36, e 54 mg) - ® do Brasil |
| Propriedades | |
| Fórmula química | C14H19NO2 |
| Massa molar | 233.3 g mol-1 |
| Farmacologia | |
| Biodisponibilidade | (+) 22 ± 8 (-) 5 ± 3.[2][1] |
| Via(s) de administração | oral, transdérmico, I.V e nasal |
| Metabolismo | hepático |
| Meia-vida biológica | 2–4 horas |
| Ligação plasmática | ± 15 - 16% [1] |
| Excreção | renal (+) 1,3 ± 0,5% (-) 0,6 ± 0,3%[1] |
| Classificação legal |
A3 - Substância psicotrópica (Sujeita a Notificação de Receita A) (BR) |
| Excepto onde denotado, os dados referem-se a materiais sob condições PTN Referências e avisos gerais sobre esta caixa. Alerta sobre risco à saúde. |
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Metilfenidato (nome comercial Ritalina do laboratório Novartis Biociências e CONCERTA do laboratório Janssen Cilag) é uma substância química utilizada como fármaco, estimulante leve do sistema nervoso central com mecanismo de ação ainda não bem elucidado, estruturalmente relacionado com as anfetaminas.[3] É usada para tratamento medicamentoso dos casos de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), narcolepsia e hipersonia idiopática do sistema nervoso central (SNC).
O TDAH é um transtorno metabólico neural, que resulta em comportamentos mal adaptados (o mais comum: bola fora); o metilfenidato pode favorecer a quebra do "círculo vicioso" criado pela hiperatividade em especial.
Como toda medicação, o metilfenidato deve ser usado e dosado por profissional médico especializado neste tipo de transtorno. Por ser uma medicação psicoestimulante, seu uso provocaria uma maior produção e reaproveitamento de neurotransmissores, a exemplo: dopamina e serotonina.
Entretanto, há controvérsia sobre a produção e reaproveitamento da serotonina pelo cérebro das pessoas portadoras do TDAH. Especialistas no transtorno, atualmente, não creem que haja prejuízo no controle deste neurotransmissor, ao contrário do que ocorre com a noradrenalina.
Índice |
[editar] História
O primeiro estudo clínico de que se tem registro, avaliando a eficácia de um estimulante para o tratamento da síndrome de hiperatividade, data do ano de 1937. Charles Bradley dirigiu, então um estudo em que se administrava anfetamina (benzedrina) a um grupo de crianças hiperativas.[4] entusiasmantes: observaram-se progressos significativos.[5]
Anos mais tarde, em 1944, sintetizou-se pela primeira vez o metilfenidato. Durante a Segunda Guerra Mundial experimentaram-se inumeros variantes químicos da anfetamina, em busca de moléculas análogas, mas com efeitos colaterais menos severos.
Em 1954,[6] o novo composto foi patenteado. A ação do metilfenidato sobre o organismo humano revelou, comparado às classes farmacêuticas conhecidas até o momento, surtir menos efeitos colaterais neurovegetativos (sobretudo, vasoconstritores e broncodilatadores). Reações adversas como a redução do apetite e a insônia mostraram-se menos frequentes e melhor toleradas.
[editar] Indicações originais
A companhia farmacêutica Ciba (precursora da Novartis) lançou o produto no mercado em 1955, com o nome de Ritalina. Foi utilizado em uma série de indicações. Não tardaram a chegar as primeiras informações sobre sua função nos tratamentos de narcolepsia.[7] O Physician's Desk Reference de 1957 afirmava que estava indicado em casos de fadiga crônica e estados de letargia e depressivos, incluindo aqueles associados com agentes tranquilizantes e outras drogas, conduta senil perturbada, psiconeuroses e psicoses associadas com depressão.[8]
No começo dos anos 1960, popularizou-se no tratamento de crianças com TDAH. Neste tempo a Ritalina ganhava grande atenção devido a reportagens sobre o uso corrente entre celebridades do mundo político[9] e da ciência, como o astronauta Buzz Aldrin, e o matemático Paul Erdős.[10]
[editar] Indicações
| Sintomas/doenças | Ação terapêutica | Indicação | Categoría evidência |
|---|---|---|---|
| Depressão secundária | Psicoanaléptico | Pacientes de idade avançada[11], incluíndo os casos de AVC[12] | B |
| Sedação e dor |
Psicoestimulante | No câncer, para reduzir o torpor induzido por opióides e potenciar a analgesia[13][14][15] | B |
| Astenia | Antiasténico | Quando a fadiga está associado ao câncer,[13] HIV ou síndrome da fadiga crônica[16] | B |
| Depressão refratária | Psicoanaléptico | Pacientes que não respondem a terapia com antidepressivos[17] | C |
| Depressão atípica | Psicoanaléptico | Quando se tem histórico de resposta à psicoestimulantes | C |
| Obesidade | Anorexígeno | Em pacientes com intolerância a outras aminas simpaticomiméticas[18] | C |
| Dislexia | Nootrópico | Crianças maiores de 6 anos e adultos | C |
| Traumatismo cerebral | Nootrópìco | Alívio das sequelas neurológicas[19] | C |
| Disfunção sexual | Psicoestimulante | Quando é causada pelo uso de antidepressivos inibidores da recaptacão de serotonina | C |
| Terror noturno | Psicoestimulante | Crianças maiores de 6 anos e adultos[20] | C |
[editar] Mecanismo de ação
É um potente inibidor da recaptação da dopamina e da noradrenalina. Bloqueia a captura das catecolaminas pelas terminações das células nervosas pré-ganglionares; impede que sejam removidas do espaço sináptico. Deste modo a dopa e a nora extracelulares permanecem ativas por mais tempo, aumentando significativamente a densidade destes transmissores nas sinapses. O metilfenidato possui potentes efeitos agonistas sobre os receptores alfa e beta adrenérgico. O fármaco eleva o nível de alerta do sistema nervoso central. Incrementa os mecanismos excitatórios do cérebro. Isto resulta numa melhor concentração, coordenação motora e controle dos impulsos.
[editar] Efeitos colaterais
O uso do Metilfenidato pode causar efeitos colaterais como:
- Akathisia
- Alopecia (Quedas de cabelos)
- Alteração da pressão e dos batimentos cardíacos (aumento ou redução)
- Alteração do humor
- Angina (dor no coração devida a isquemia miocardíaca resultante da falta de sangue que aumenta a falta de suprimento de oxigênio nos músculos cardíacos)
- Arritimia cardíaca
- Ataques de ansiedade e/ou pânico
- Dilatação das pupilas
- Dores de cabeça
- Dores no estômago
- Dyskinesia (presente em pacientes com mal de Parkinson)
- Enjôos
- Hipersensibilidade (incluindo coceiras na pele, urticária,
- Insônia
- Interrupção do crescimento
- Letargia
- Perda de apetite
- Perda de sono
- Palpitações
- Perda de peso temporária
- Ressecamento dos lábios (Xerostomia)
- Sonolência
- Sudoração excessiva
- Taquicardia
- Tonturas
O uso de metilfenidato pode ocasionar efeitos cefaléicos, taquicárdicos, palpitações, hipertensão arterial, febre, erupções cutâneas, queda de cabelo, agressividade, em casos extremos hepatoblastoma, anemia, perda de peso, leucopenia, hipersensibilidade, visão embaçada e convulsões. Pacientes que realizaram o tratamento com metilfenidato e fizeram abuso de bebidas alcoolicas relatam moderada resistência aos efeitos do álcool, porém os efeitos malignos causados por tal abuso resultaram em grande desconforto psiquico e físico. Foi relatado também por estes pacientes que devido a potencialização de felicidade causada pelo aumento de serotonina e de concentração pelo aumento de dopamina estes fizeram uso de superdose do fármaco, cerca de 50 mg, que no caso do paciente é um número cinco vezes maior do que a dosagem prescrita pelo médico. Após três horas da superdosagem o paciente iniciou o quadro de desconforto, tal quadro possuia os seguintes sintomas: nauseas, tontura, hipertermia, cefaléia, agressividade, agitação, taquicardia, midríase e secura das mucosas( associadas a perda de água pela inibição do hormônio ADH em decorrência do uso de àlcool. Conclui-se que o uso de metilfenidato como potencializador do SNC em pacientes na adolescência ou pacientes que tenham qualquer histórico de alcoolismo deve ser revisado evitando casos como o citado a cima.
[editar] Doses usuais
A dose utilizada por crianças até 6 anos ainda não foi estabelecida. Crianças em idade superior aos 6 anos, com déficit de atenção, a dose oral é de 5 mg duas vezes ao dia. A dose pode ser aumentada semanalmente entre 5 e 10 mg, até o máximo de 60 mg. Em adultos a dose usual é de 5 a 20 mg, duas a três vezes ao dia.[21]
[editar] Considerações importantes
Não deve ser usado em pacientes em uso de tranilcipromina ou equivalente, em pacientes com arritmias cardíacas, com a síndrome de Tourette, em pacientes psicóticos, com distúrbios de movimentos e com problemas na produção de células sanguíneas. É preferível evitar durante o primeiro trimestre da gestação, apesar de nunca ter sido comunicado efeito deletério no feto.
[editar] Ver também
Referências
- ↑ a b c Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. [tradução da 10. ed. original, Carla de Melo Vorsatz. et al] Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2005.
- ↑ Administrado como racemato
- ↑ [Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. [tradução da 10. ed. original, Carla de Melo Vorsatz. et al] Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2005.]
- ↑ Ver Charles Bradley, M.D., 1902–1979 Am J Psychiatry 155:968, julio 1998.
- ↑ Bradley C. "Behavior of children receiving Benzedrine." Am J Psychiatry. 1937 nov;94:577-85. Resumen (en inglés)
- ↑ Morton WA, Stockton, G. "Methylphenidate abuse and psychiatric side effects." Prim Care Companion J Clin Psychiatry. 2000 oct;2(5):159-64. PMID 15014637 Texto completo (PDF)
- ↑ Daly DD, Yoss RE. "The treatment of narcolepsy with methylphenylpiperidylacetate: a preliminary report." Mayo Clinic Proc 1956;31:620-26.
- ↑ "Ritalin (methylphenidate)", en Physician´s Desk Reference, 11.a ed., Oradell, NJ; Medical Economics; 1956: 441-42.
- ↑ Ver, neste sentido, las alusiones de la prensa a John F. Kennedy
- ↑ Hoffman, Paul. El hombre que solo amaba los números. México: Granica, 2000. 296 páginas. ISBN 8475778313. Reseña (en inglés)
- ↑ Wallace AE, Kofoed LL, West AN. "Double-blind, placebo-controlled trial of methylphenidate in older, depressed, medically ill patients." Am J Psychiatry. 1995 jun;152(6):929-31. PMID 7755127
- ↑ Grade C, Redford B, Chrostowski J, Toussaint L, Blackwell B. "Methylphenidate in early poststroke recovery: a double-blind, placebo-controlled study." Arch Phys Med Rehabil. 1998 sep;79(9):1047-50. PMID 9749682
- ↑ a b Department of Medicine, Mayo Clinic: Sood A, et al. "Use of methylphenidate in patients with cancer." Am J Hosp Palliat Care. 2006 en-feb;23(1):35-40. PMID 16450661
- ↑ Dalal S, Melzack R. "Psychostimulant drugs potentiate morphine analgesia in the formalin test." J Pain Symptom Manage. 1998 oct;16(4):230-9. PMID 9803050
- ↑ Yee JD, Berde CB. "Dextroamphetamine or methylphenidate as adjuvants to opioid analgesia for adolescents with cancer." J Pain Symptom Manage. 1994;9:122-25.
- ↑ Hanna A, et al. "A phase II study of methylphenidate for the treatment of fatigue." Support Care Cancer. 2006 mar;14(3):210-5. PMID 16096772
- ↑ Stoll AL, et al. "Methylphenidate augmentation of serotonin selective reuptake inhibitors: a case series." J Clin Psychiatry. 1996 feb;57(2):72-6. PMID 8591972
- ↑ Leddy JJ, et al. "Influence of methylphenidate on eating in obese men." Obes Res. 2004 feb;12(2):224-32. PMID 14981214 Texto completo
- ↑ Siddall OM. "Use of methylphenidate in traumatic brain injury." Ann Pharmacother. 2005 jul-ag;39(7-8):1309-13. PMID 15914519
- ↑ Etchepareborda, MC. "Abordaje neurocognitivo y farmacológico de los trastornos específicos del aprendizaje." Rev Neurol. 1999 feb;28 supl 2:S81-93. PMID 10778495
- ↑ Novartis. Bula da Ritalina. Página visitada em 04/12/2009.