The Gang's All Here

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The Gang's All Here
Entre a Loira e a Morena (BR)
 Estados Unidos
1943 • cor • 103 min 
Direção Busby Berkeley
Roteiro História:
Nancy Winter
George Root Jr.
Tom Bridges
Filme:
Walter Bullock
Elenco Alice Faye
Carmen Miranda
Género comédia, musical
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

The Gang's All Here (Entre a Loura e a Morena (título no Brasil) ou Sinfonia de Estrelas (título em Portugal)), é um filme de comédia musical dirigido por Busby Berkeley e protagonizado por Alice Faye e Carmen Miranda.[1] O filme traz Carmen Miranda em um dos papéis mais marcantes de sua carreira.[2] Incluído entre as 10 maiores bilheterias daquele ano, foi o filme mais caro da Fox até então.[3]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Certa noite, o soldado Andy Mason Jr. (James Ellison) conhece a showgirl Edie Allen (Alice Faye) na casa noturna Club New Yorker. Porém, Andy precisa partir para uma missão no Pacífico durante a II Guerra Mundial. Quando Andy volta condecorado do combate, seu pai, Andrew Mason(Eugene Pallette), decide fazer uma comemoração especial para recebê-lo e chama o grupo do Club New Yorker para protagonizar um espetáculo na casa de seu amigo Peyton Potter (Edward Everett Horton). Assim, Eddie e sua exótica amiga Dorita (Carmen Miranda) descobrem que Andy tem um compromisso com a filha de Potter, Vivian (Sheila Ryan). Ao chegar, Andy se vê obrigado a desfazer o mal entendido.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

O título provisório do filme era The Girls He Left Behind. O compositor Harry Warren estava originalmente programado para trabalhar com o letrista Mack Gordon para a trilha sonora do filme, porém Leo Robin lhe substituiu. Segundo a HR news "Pickin' on Your Momma" estava na lista de músicas a serem apresentadas no filme junto com "Sleepy Moon" e "Drums and Dreams", mais ambas foram cortadas antes do lançamento final. Linda Darnell estava originalmente escalada para o papel de "Vivian Potter", durante os ensaios de dança, no entanto, Darnell torceu o tornozelo e foi substituída por Sheila Ryan.

Carmen Miranda no número "The Lady with Tutti-Frutti Hat".

Apesar de Alice Faye ter feito uma participação especial cantando no filme Quatro Moças num Jipe (1944), este filme marcou sua última aparição em musicais, até a versão de 1962 de State Fair. Faye, que estava grávida de seu segundo filho durante as filmagens de The Gang's All Here, afastou-se do cinema, ela chegou a fazer um filme adicional, o drama de 1945 Anjo ou demônio?. O filme marcou a estréia no cinema das atrizes June Haver (1926--2005), Jeanne Crain e Jo Carroll Dennison, que foi Miss América de 1942. O diretor Busby Berkeley foi emprestado da MGM para dirigir o filme, embora no momento em que as gravações foram iniciadas no final de setembro de 1943, a MGM atribuísse o seu contrato com a Warner Bros. The Gang's All Here foi primeiro filme a cores, dirigido por Berkeley e os números de produção extravagantes foram bem recebidos pela crítica. Embora algumas notícias da época indicassem a proibição do filme no Brasil, por causa das bananas gigantes, destaque no número The Lady with Tutti-Frutti Hat, arquivos do filme na MPAA/PCA Collection, na Biblioteca AMPAS, não continham nenhuma informação sobre a censura no Brasil e o filme foi aprovado para exibição nos países sul-americanos.[5] [6]

Trilha Sonora[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

O filme foi lançado nos Estados Unidos em 24 de dezembro de 1943, mas segundo a Cinemateca Brasileira só foi exibido no Brasil em 5 de novembro de 1944, no Ipiranga em São Paulo. Este foi o quinto longa-metragem de Carmen Miranda nos Estados Unidos pela Twentieth Century Fox, o qual vinha fazendo grandes investimentos nesse gênero de filmes, a comédia-musical.[8]

Lançamento em DVD e Blu-ray[editar | editar código-fonte]

O filme foi lançado em DVD pela primeira vez como parte da coleção de todos os filmes de Alice Faye em Fevereiro de 2007. Foi lançado novamente em DVD, mas como parte da coleção de todos os filmes de Carmen Miranda em 2008.[9] [10] Foi lançado também em laserdisk em 1997 pela Twentieth Century Fox Home Entertainment, mas como foi por um período limitado, hoje é considerado um objeto raro. Um Disco blu-ray foi lançado pela Eureka Entertainment em 15 de setembro de 2014. O lançamento faz parte da série Masters of Cinema.[11]

Recepção da crítica[editar | editar código-fonte]

Alice Faye, Phil Baker e Carmen Miranda, em foto promocional do filme.

A maioria dos comentários foram positivos, com exceção do que aparece no The New York Times, que observou uma inclinação freudiana de bananas gigantes: "O principal, em The Gang's All Here é uma série de números de produção longos e luxuosos tudo arranjado por Busby Berkeley (...) Sr. Berkeley esconde ideias maliciosas por trás dessas cenas, um ou dois de seus espetáculos de dança parecem provir diretamente de Freud."[12] Don Druker do Chicago Reader ressaltou: "O filme mais audacioso de Busby Berkeley, uma exploração de possibilidades de movimento e cor que se move para o reino da pura abstração. O simbolismo sexual está no seu mais alto flagrante, o que você pode dizer sobre um filme que apresenta 60 meninas acenando bananas gigantes?"[13]

Philip French escreveu no The Guardian: (...) O filme oferece uma fuga dos anseios do tempo de guerra em um mundo fantástico, extravagante e espetacular que James Agee chamou de "números de produção paroxísticos" de Berkeley envolvendo Carmen Miranda (...)[14]

O blog britânico CineVue em seu revisão sobre o lançamento em Blu-ray de The Gang's All Here escreveu: "(...) Uma obra-prima deslumbrante; (...) O filme é o ápice do êxtase cinematográfico."[15]

Em sua crítica, a revista Time Out disse que o filme era: "Uma espécie de apoteose na vulgaridade com Carmen Miranda em Lady in the Hat Tutti Frutti, acompanhada por um desfile de coristas manipulando bananas tamanhos gigantes."[16] Eric Spilker para o New York Post: "É um filme muito incomum, não há nada parecido com ele. É um musical de rotina da década de 1940 com o tempo de guerra como enredo romântico brega, mas tem esses, os números de produção surrealistas surpreendentes por Busby Berkeley. Pessoas foram esmagadas para vê-lo em cor nos anos 70."[17] Richard Brody, também da revista New York Post, escreveu que: "Em uma época em que Fred Astaire insistia em ser filmado de frente, da forma mais tediosamente teatral, Berkeley, um mestre do movimento e da abstração, entendida como fazer a dança distintamente cinematográfica, e ele prova isso aqui, em seu uso de luz, sombra, e ângulo nas danças (...) Ele faz o mesmo com a música, transformando performances de Benny Goodman em espetáculos visuais.[18]

A revista Variety comentou que: "O script é um pouco fraco, relegado pelo bando de números musicais melodiosos que freqüentemente pontuam o filme (...) Miranda é excelente, e (...) Faye sempre minimiza como de costume."[19]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Oscar (EUA) (1944)

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Estúdio: Twentieth Century Fox
  • Distribuição: Twentieth Century Fox
  • Direção: Busby Berkeley
  • Roteiro: Walter Bullock (baseado na história de Nancy Wintner, George Root Jr. e Tom Bridges)
  • Produção: William Goetz e William LeBaron
  • Música: Leo Robin e Harry Warren
  • Fotografia: Edward Cronjager
  • Figurino: Yvonne Wood
  • Edição: Ray Curtiss

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • O filme integrou um conjunto de nove longas-metragens produzidos pela Twentieth Century Fox entre 1940 e 1945, realizados dentro das propostas da Política de boa vizinhança.[20]
  • A atriz Linda Darnell foi originalmente escalada para o personagem Vivian. Mas como seu casamento com o fotógrafo J. Peverell Marley estava prejudicando muito o ritmo do processo da produção do filme, Darryl F. Zanuck a suspendeu. A atriz Sheila Ryan acabou tomando o seu lugar.
  • Alice Faye estava grávida de seu segundo filho no período das filmagens.
  • Foi o último filme musical de Alice Faye.
  • O filme é muito conhecido pelo número de Carmen Miranda The lady and tutti frutti hat onde aparecem dançarinas (seminuas para a época) segurando e dançando bananas de meio metro que na visão dos críticos invocavam vários pênis em ereção (o que fez o número ser quase censurado na época) e no fim com o grande painel de bananas que Carmen Miranda parecia equilibrar sobre a cabeça.[21]
  • O filme foi uma das maiores bilheterias do cinema no ano de 1943.
  • É um dos maiores trabalhos de Busby Berkeley até hoje e um dos mais conhecidos.[22]
  • Carmen Miranda estava com uma pequena falha no nariz (resultado de uma plástica) durante as filmagens o que conseguiu ser escondido pela maquiagem e depois do término das filmagens fez outra cirurgia (que quase lhe tira a vida por uma infecção no fígado).
  • O filme conta com as participação especial de Nestor Amaral que canta Aquarela do Brasil no começo do filme.
  • A figurinista Yvoone Wood era até agora assistente de figurino, mas com ajuda de Carmen Miranda que insistiu com o produtor William le Baron conseguiu o cargo de figurinista principal para o filme, Carmen voltaria a usar Yvoone em seus outro quatro filmes na Fox e também utiliza-la como figurinista pessoal.
  • Em 25 de setembro de 2005 o filme foi exibido no Festival do Rio em uma versão restaurada na sessão de Grandes Clássicos do Cinema Mundial em homenagem ao 50 anos da morte de Carmen Miranda.[23] Foi também apresentando em 2 de abril de 2006 no Wisconsin Film Festival na cidade de Madison.

Referências

  1. Lusa (26 de Janeiro de 2009). Cinema: Cinemateca dedica ciclo a Carmen Miranda nos cem anos do seu nascimento Expresso. Visitado em 7 de Março de 2013.
  2. 20th Century Fox. Entre a Loura e a Morena. Visitado em 07 de Março de 2013.
  3. Heloisa de Freitas Valle & Marcia Camargos. Yes, nós temos bananas: histórias e receitas com biomassa de banana verde. Visitado em 11 de setembro de 2014.
  4. Entre a Loura e a Morena - Elenco Cineplayers. Visitado em 7 de Março de 2013.
  5. Detail View: The Gang's All Here (1943) American Film Institute. Visitado em 15 de maio de 2014.
  6. Jennifer Garlen (12 de Setembro de 2011). Classic films in focus: 'The Gang's All Here' (1943) Examiner. Visitado em 7 de Março de 2013.
  7. The Gang's All Here (Original Sound Track - 1943) iTunes. Visitado em 05 de Março de 2014.
  8. Os musicais com temáticas latino-americanas. Visitado em 11 de março de 2014.
  9. DAVE KEHR (17 de Junho de 2008). New DVDs: Carmen Miranda - THE CARMEN MIRANDA COLLECTION The New York Times. Visitado em 05 de Março de 2014.
  10. Ricardo Lombardi (17 de Junho de 2008). Fox homenageia Carmen Miranda O Estado de S. Paulo. Visitado em 05 de Março de 2014.
  11. James Marsh (9 de julho de 2014). THE GANG'S ALL HERE! Busby Berkeley Joins The Masters Of Cinema Twitch.
  12. The Gang s All Here (1943) At the Roxy The New York Times (23 de Dezembro de 1943). Visitado em 05 de Março de 2014.
  13. Don Druker. Film Search: The Gang's All Here Chicago Reader. Visitado em 10 de Março de 2014.
  14. Philip French (21 de setembro de 2014). The Gang’s All Here review – Philip French on Busby Berkeley at his most delirious The Guardian. Visitado em 22 de setembro de 2014.
  15. Philip French (22 de setembro de 2014). Blu-ray Review: 'The Gang's All Here' CineVue. Visitado em 15 de outubro de 2014.
  16. The Gang's All Here Time Out. Visitado em 10 de Março de 2014.
  17. Lou Lumenick. "CARMEN MIRANDA’S RIPE FOR FILM FORUM FUN" New York Post. Visitado em 12 de abril de 2014.
  18. Richard Brody (DECEMBER 31, 1943). The Gang's All Here - The New Yorker The New Yorker. Visitado em 17 de setembro de 2014.
  19. Review: ‘The Gang’s All Here’ Variety (DECEMBER 31, 1943). Visitado em 10 de Março de 2014.
  20. Política e identidade na performance de Carmen Miranda em “Entre a loura e a morena” (1943) Dia a Dia Educação. Visitado em 05 de Março de 2014.
  21. Carmen Miranda - FILMOGRAFIA: ENTRE A LOURA E A MORENA Collector's. Visitado em 5 de Março de 2013.
  22. RICHARD BRODY (2 de Fevereiro de 2010). THE GANG’S ALL HERE The New Yorker. Visitado em 05 de Março de 2014.
  23. Confira os destaques do Festival do Rio - 2005 A Tarde (22 de Setembro de 2005). Visitado em 05 de Março de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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