Thema
Os themata (em grego: θέματα; singular: thema; θέμα) do Império Bizantino eram unidades administrativas estabelecidas a partir de uma reforma promulgada pelo imperador Heráclio no século VII.
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Descrição dos themata [editar]
Um thema era um terreno dado aos soldados do exército bizantino para cultivar. Os soldados eram ainda tecnicamente uma unidade militar, sob o comando de um estratego, uma autoridade civil e militar. Eles não eram proprietários da terra, trabalhavam-na e esta era controlada pelo Estado. Portanto, o seu uso pelos soldados tinha um pagamento que era reduzido. Ao aceitarem estas proposições, os participantes acediam a que os seus descendentes também trabalhassem no exército e numa thema. Assim, o Estado reduzia a necessidade de levas[necessário esclarecer] impopulares, ao mesmo tempo que engrandecia e fortalecia o exército com um baixo custo. Este sistema foi de grande ajuda ao povoar territórios recentemente conquistados; além disso, os themas podiam ser erigidos depressa como unidades militares.
Razões para as reformas de Heráclio [editar]
No fim do século VI e a princípios do século VII, o Império Romano do Oriente era ameaçado por toda a parte. O Império Sassânida pressionava ao sul e a leste , assaltando as províncias romanas da Síria, e do Egito, e também a Anatólia. Os Ávaros e os Eslavos assaltavam a Grécia e disputavam os territórios balcânicos do império, enquanto os Lombardos saqueavam livremente o norte da Itália sem nenhuma oposição.
Com tantas campanhas e frentes por assumir, as despesas aumentaram e o tesouro imperial esgotou-se, por outro lado da questionável gestão do imperador Focas fazia prever uma rebelião dos seus generais, o qual finalmente ocorreu. Sob estas circunstâncias, Heráclio ascendeu ao trono e instituiu as reformas que serviriam de coluna vertebral do Império e das gerações vindouras.
As reorganizações de Heráclio eram bem necessárias. Fazendo a guerra simultaneamente a leste e oeste, o tesouro público ficara vazio. O problema cresceu com o acréscimo das expedições militares, o que significava o abandono das terras pelo campesinato devido às invasões ou a acréscimos nos impostos. A população agrícola diminuíra muito na Ásia Menor, a base do poder imperial. A maioria das grandes cidades foram diminuindo progressivamente a sua vida urbana, cuja população voltava para a agricultura no meio de um panorama de extrema necessidade. Além disso, as filas do exército imperial eram formados sobretudo por mercenários, um claro signo de debilidade. O objetivo básico das alterações era o regresso para o sistema militar republicano, cuja base era o cidadão camponês armado, que tão bem serviu durante a formação do antigo Império Romano universal. Para isso, Heráclio começou distribuindo a terra aos exércitos e soldados em troca de um dever militar hereditário, reduzindo a despesa do Estado em matéria militar.
Resultado das reformas [editar]
Este sistema de transplante das unidades militares às terras sem colonizar e a criação de uma legalidade inerente do Estado com cada governo ao que os soldados serviam, resultou no fortalecimento do império. Nas décadas seguintes, os Sassânidas retiraram-se, os Eslavos e Avaros foram reduzidos e as rebeliões dentro do império deixaram de ser comuns. A estrutura dos themata militares salvou o Império Romano do Oriente da sua destruição, e proporcionou-lhe estabilidade durante vários séculos. O preço pago pela sobrevivência foi a militarização geral da sociedade e do declínio das instituições e da cultura civil. Por esta razão, a introdução dos themata considerou-se como o fim da antiguidade e o começo da Idade Média no império. Contudo, os camponeses, granjeiros e produtores agrícolas nunca foram reduzidos ao status de servos, como ocorreu no Oeste Europeu.
Com o tempo, o sistema de themas gerou famílias aristocráticas como os Focas, profundamente afiançados dentro do império, com os seus exércitos privados. Estas famílias eram praticamente autônomas, e legalmente tinham tropas para eles em lugar de para o imperador, pelo qual com frequência desafiavam ou até mesmo usurpavam a autoridade imperial.
Organização dos themata [editar]
Heráclio originariamente dividiu os territórios existentes do império em cinco themata: o Armeníaco (em 667), o Anatólico (em 669), o Opsiciano, o Carabisiano e o Tracesiano (estes três em 680).
Origens dos themata [editar]
Cada um dos cinco themata originais foram formados pelos primeiros exércitos movíveis do império. Como o império ficara reduzido, a maioria dos exércitos retiraram-se para os novos territórios no interior. Heráclio assinou a cada exército móvel uma parte da Anatólia. Já que a língua do império estava mudando do latim para o grego, os themata adquiriram nomes helenizados.
O thema de Opsikión era formado pelos exércitos do imperador, o qual foi posteriormente conhecido como o Obsequium. O exército do imperador assentou-se ao sul de Trácia e noroeste da Anatólia, perto da capital, Constantinopla e isto deu origem ao thema de Opsikion.
O exército armênio converteu-se no thema dos Armênios, estabelecendo-se na maior parte do seu território original a leste da Anatólia, a oeste do protetorado armênio. O exército do leste, que formalmente defendia as províncias romanas da Síria e da Palestina, retirara-se daquelas áreas quando foram perdidas primeiro ante os persas (614) e depois ante os árabes (638). Eles foram colocados no centro da Anatólia e tornaram-se no Thema da Anatólia. O exército trácio deu origem ao thema dos Tracésios, e ocuparam o oeste da Anatólia quando Heráclio abdicou (641). O imperador Constante II também criou um corpo de marinhos, o que deu origem ao thema de Kibirras (de karabis, barco em grego), e teve como base naval as ilhas do mar Egeu e a costa sul da Anatólia. Este thema parece que se formou com os restos do exército da Ilíria, cujo território incluía a Grécia.
Ver também [editar]
Referências
Bibliografia [editar]
- Warren Treadgold, A History of the Byzantine State and society