Tragédia do Brigue Palhaço

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A tragédia do Brigue Palhaço, também referida como massacre do Brigue Palhaço, foi um episódio da História do Pará, ocorrido na cidade de Belém em 1823, no contexto da Guerra da Independência do Brasil (1822-1825). [1]

História[editar | editar código-fonte]

Na noite do dia 16 de Outubro de 1823, um grupo de soldados do 2º Regimento de Artilharia de Belém e de desordeiros embriagados, voltou a efetuar ataques a estabelecimentos comerciais portugueses na cidade, iniciados na noite anterior. As patrulhas, compostas por praças de segunda linha, sem conseguir coibir as desordens, informaram a força naval Imperial, sob o comando de John Pascoe Grenfell. Este determinou, já alta noite, o desembarque de tropas, reforçadas por elementos dos navios mercantes surtos no porto, que detiveram e recolheram à cadeia todas as pessoas encontradas pelas ruas e casas suspeitas e denunciadas, indistintamente.[2]

No dia 17 foram sumáriamente fuzilados cinco indivíduos. Os soldados, inclusive os cidadãos detidos na noite anterior, em número de duzentos e cinqüenta e seis, foram recolhidos à cadeia pública até ao dia 20, quando foram transferidos para bordo de um brigue no porto, denominado "São José Diligente", depois "Palhaço", sob o comando do 1º Tenente Joaquim Lúcio de Araújo.[2] [3]

Confinados no porão da embarcação,tendo sido fechadas as escotilhas e mantendo-se aberta apenas uma pequena fresta para a entrada de ar, devido à superlotação e ao calor a bordo, os prisioneiros começaram a gritar reclamando por água e mais ar, alguns chegando mesmo a ameaçar a guarnição, em seu desespero.[2] [3]

Da narrativa dos sobreviventes, depreende-se que, tendo sido lançada água do rio aos prisioneiros numa tina existente no porão, agravou-se o tumulto pela disputa, renovando-se os protestos dos prisioneiros.

A guarnição decidida a acalmar os ânimos, disparou alguns tiros de fuzil para o interior do porão, em cujo interior, ato contínuo, espargiu quantidade de cal viva, cerrando a abertura do porão.[3]

No dia seguinte, às sete horas da manhã do dia 22, aberto o porão do navio na presença de seu comandante, contaram-se duzentos e cinquenta e dois corpos (com sinais de longa e penosa agonia) e quatro sobreviventes, dos quais, no dia seguinte, apenas um resistiu, de nome João Tapuia. No total pereceram 252 homens, sufocados e asfixiados:

Grenfell não assumiu a culpa pelo incidente, argumentando que o ataque não fora executado sob suas ordens.[2] [3]

Referências

  1. Raul Thadeu. Tragédia do Brigue Palhaço sai das sombras O Liberal, Editoria de Atualidades. Página visitada em 22 de setembro de 2013.
  2. a b c d Magda Ricci (16 de setembro de 2009). Dias trágicos, Massacre no Grão-Pará fez mais de 250 mortos entre os defensores da Independência Revista de História. Página visitada em 22 de setembro de 2013.
  3. a b c d Brigue São José Diligente, depois Palhaço Navios de Guerra Brasileiros. Página visitada em 22 de setembro de 2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • RAYOL, Domingos Antônio. Motins Políticos (vol. I), Belém: Universidade Federal do Pará, 1970.
  • TADHEU, Raul. Jornal O Liberal, Outubro de 2003. apud: CAMPOS, Ademar da Silva. Atos e Relatos da História do Pará. 2006.