Transplante renal

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O transplante renal é uma das terapias de substituição renal em indivíduos portadores de doença renal crônica terminal por proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes, [1] assim como uma redução do risco de mortalidade quando comparados a pacientes em terapia renal substitutiva, sendo hemodiálise e diálise peritoneal. [2] [3] [4]

Tipos de doadores:

Na prática do transplante renal, os rins podem ser provenientes de dois tipos de doadores: - Doador vivo: indivíduo sem comorbidades no qual concede a doação do rim para um familiar até quarto grau (pai, mãe, irmãos, filhos, avós, netos, tios e sobrinhos) ou cônjuge (esposa ou esposo). A doação renal também pode ser realizada entre pessoas não relacionadas porém para que está ocorra é necessária autorização judicial. [5]

- Doador falecido: indivíduos com diagnóstico de morte encefálica através da realização de 02 exames clínicos e 01 exame de imagem e autorização familiar.

Testes Imunológicos:

Para realização de transplante de renal é necessário a compatibilidade ABO e outros exames imunológicos, como tipificação HLA e prova cruzada.

Os transplantes de rim de doadores vivos com compatibilidade HLA são mais bem-sucedidos do que aqueles de doadores falecidos.

O rim transplantado é colocado na fossa ilíaca do paciente e o ureter é fixado à bexiga e anastomose ao ureter do receptor. A artéria e a veia renais são unidas à artéria e à veia ilíacas externas, respectivamente.

Dados epidemiológicos:

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que pessoas doam um dos rins vivem tanto quanto aquelas que possuem os dois rins [6] .
Segundo estudo publicado na Nature, cerca de 27 mil transplantes renais são feitos anualmente no mundo, sendo 39% do total de transplantes. Estados Unidos, Brasil, Irã, México e Japão de um grupo 69 países registram o maior volume desse tipo de transplante [7] .
Conforme dados ABTO, o Brasil ocupa a segunda posição em número de transplantes renais no mundo. Em 2013, foram realizados no Brasil 5447 transplantes renais, sendo 1382 provenientes de doadores vivos e 4065 doadores falecidos.

A OMS estima que cerca de 10% dos transplantes realizados no mundo sejam ilegais .[7] .

Imunossupressão

A terapia imunossupressora pode ser dividida em regime de indução e manutenção. A terapia de indução é iniciada no pré ou intra-operatório e incluem anticorpos monoclonais e anticorpos policlonais.

A terapia de manutenção é composta pelos inibidores de calcineurina, agentes antimetabólicos e antiproliferativos, e corticoesteróides.

Os agentes anti-metabólicos são compostos por: azatioprina, micofenolato mofetil e micofenolato sódico.

Os inibidores de calcineurina são compostos por: ciclosporina e tacrolimo.

Toxicidade associada aos regimes imunossupressores:

- Inibidores da calcineurina: hirsutismo, alopécia, distúrbios neurológicos, insônia, hipertensão arterial sistêmica, disfunção renal aguda, disfunção renal crônica, distúrbios hidroeletrolíticos, diabetes mellitus pós-transplante, dislipidemia, anemia e neoplasias.

- Micofenolato: distúrbios gastrointestinais.

- Sirolimo/Everolimo: edema pulmonar, hipertensão arterial sistêmica, edema em extremidades, acne, hipertrigliceridemia.

- Azatioprina: leucopenia, hepatite e anemia.

Cuidados após o transplante renal:

Apesar de proporcionar uma melhor qualidade de vida aos portadores de doença renal crônica terminal, após o transplante renal é necessário um plano de cuidados devem ser adotados pelos pacientes transplantados renais. Dentre os cuidados a serem adotados podemos listar:

- Imunossupressão: todos os pacientes submetidos a transplante renal será necessária a administração de imunossupressores que consistem em medicamentos que possuem o objetivo de diminuir a possibilidade de rejeição do enxerto. Estes medicamentos deverão ser administrados corretamente, conforme a prescrição médica e não é recomendado serem descontinuados.

- Alimentação: após o transplante renal é recomendado evitar a ingestão de alimentos com alto teor de sódio, como embutidos e enlatados, alimentos gordurosos como as frituras. Recomenda-se uma alimentação baseada da ingestão de frutas, verduras, legumes e alimentos cozidos, assados e grelhados.

- Cuidados com raios solares: orienta-se evitar o sol das 10 horas da manhã até 16 horas, período no qual ocorre a maior incidência de raios solares.

- Vacinação: é recomendado a administração das seguintes vacinas: influenza tipo A e B, dupla adulto, pneumocócica, hepatite B, memingocócica e hepatite A. As vacinas de varicela zoster, influenza intranasal, BCG ,febre amarela e rubéola não são recomendadas para esta população.

- Animais de estimação: é possível a presença de animais de estimação como cães e gatos porém os mesmos devem ser vacinados e vermifugados periodicamente.

Referências

  1. Suthanthiran M, Strom TB. Renal transplantation. N Engl J Med 1994; 331:365.
  2. Schnuelle P, Lorenz D, Trede M, Van Der Woude FJ. Impact of renal cadaveric transplantation on survival in end-stage renal failure: evidence for reduced mortality risk compared with hemodialysis during long-term follow-up. J Am Soc Nephrol 1998; 9:2135.
  3. Port FK, Wolfe RA, Mauger EA, et al. Comparison of survival probabilities for dialysis patients vs cadaveric renal transplant recipients. JAMA 1993; 270:1339.
  4. Ojo AO, Port FK, Wolfe RA, et al. Comparative mortality risks of chronic dialysis and cadaveric transplantation in black end-stage renal disease patients. Am J Kidney Dis 1994; 24:59.
  5. Lei 9434 - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9434.htm
  6. Doar rim não reduz expectativa de vida, mostra estudo - O Estado de S.Paulo, 11 de março de 2010 (visitado em 11-3-2010)
  7. a b Estudo salienta necessidade de mais doações de rins no mundo - O Estado de S.Paulo, 18 de fevereiro de 2009 (visitado em 11-3-2010)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]