Transporte em Belo Horizonte

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Metrô em Belo Horizonte.

O Transporte em Belo Horizonte trata sobre a questão da mobilidade urbana no município brasileiro de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. Os problemas de mobilidade urbana enfrentados pela população de Belo Horizonte são considerados um dos maiores males da cidade.[1] Os problemas começaram já na concepção do projeto urbanístico do engenheiro Aarão Reis, responsável pela construção da nova capital. O traçado viário idealizado pelo engenheiro, cuja implementação se limitou à área compreendida dentro do círculo formado pela Avenida do Contorno, privilegiou a forma radioconcêntrica, ou seja, todas as ruas partiam do centro. Atualmente, essa área corresponde a 3,5% da mancha demográfica da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A configuração então assumida pela cidade através das décadas seguintes, de ter no seu centro o polo provedor, foi um dos fatores preponderantes para o atual cenário somado à ausência de obras viárias importantes.

Bicicletas[editar | editar código-fonte]

Início de ciclovia na Savassi.

A utilização de bicicletas como meio de transporte é bastante reduzida. O relevo acidentado e a falta de ciclovias inibem o crescimento do uso do transporte. Em Belo Horizonte, 24 mil viagens são feitas de bicicleta diariamente, o equivalente a apenas 0,6% dos 4,2 milhões de deslocamentos.

O uso da bicicleta pode ser uma solução para o trânsito conturbado da cidade, sendo uma das diretrizes do planejamento de transporte na capital. Mesmo sem previsão para a construção de ciclovias, há projetos para a instalação de bicicletários nas estações de metrô para que as bicicletas sejam usadas em pequenas distâncias auxiliando o transporte coletivo, fazendo a integração com o metrô e diminuindo o fluxo de veículos na região central. Há também propostas de construir ciclovias mais extensas na cidade, além de outros bicicletários (menos de 1% da população belo-horizontina usa a bicicleta como primeira opção de transporte) e incentivar os deslocamentos a pé através da revitalização dos espaços públicos com a ampliação das calçadas como as intervenções na região central dentro do Programa Centro Vivo nas ruas Rio de Janeiro, Caetés, Carijós e o Boulevard Arrudas .

Veículos particulares[editar | editar código-fonte]

Diariamente, o Detran de Minas Gerais tem emplacado cerca de 500 veículos novos. Em 2007, a frota de veículos atingiu a marca de um milhão de veículos, o que serve como um alerta de que o pior ainda pode estar por vir, já que a curto prazo não há projetos para acompanhar o desenfreado crescimento da frota de veículos na cidade. A frota de carros tem crescido a taxas que variam de 4 a 7% ao ano desde 1999 e esse crescimento só perde para o número de motos na cidade, que registra um crescimento médio de 11,5% ao ano.

Ônibus[editar | editar código-fonte]

Sistema Inteligente de Transporte Coletivo (SITBus-BH)[2] que monitora o tempo aproximado para o próximo veículo de cada linha chegar ao ponto, na avenida Álvares Cabral.

O Sistema de Transporte Coletivo por ônibus em Belo Horizonte transporta ineficientemente diariamente 1,5 milhão de passageiros e abrange 300 linhas exploradas por 50 empresas agrupadas em 4 consórcios que operam uma frota de 2.874 mil veículos com idade média de 5 anos e 8 meses.

Desde 1995 vem sendo implantado o BHBUS (Plano de Reestruturação do Sistema de Transporte Coletivo de Belo Horizonte), que busca aprimorar o sistema de ônibus no sentido de criar uma rede de transporte integrada (metrô e ônibus municipais e intermunicipais), que se divide em dois subsistemas: Tronco-alimentado e Interbairros.

Um dos grandes problemas do sistema de ônibus belo-horizontino é principalmente a falta de prioridade em relação ao tráfego comum, ou seja, com pouco conforto você gasta praticamente o mesmo tempo de alguém com automóvel particular, sendo o principal motivo de migração entre os modais. Desde dezembro de 2012, o preço das tarifas recebeu um reajuste de 5,66%[3] na qual a tarifa mais comum, que era de R$ 2,65 passou para R$ 2,80, o que indica um custo mensal, para um trabalhador regular com uma rotina de 6 dias por semana, a importância de aproximadamente R$ 134,40, ou seja, uma quantia considerável em relação ao valor do salário mínimo.

Além da falta de prioridade, podemos citar a insegurança em chegar ao seu trabalho no horário correto, o alto custo das tarifas existentes, além de outros fatores igualmente relevantes que devem ser destacados no momento em que o belo-horizontino realiza sua escolha entre usar o veículo pessoal ou o ônibus, que são a falta de conforto dos coletivos e a falta de frequências adequadas para determinados horários do dia.

Desde o ano de 2008, ocorre a implantação de um novo projeto de mobilidade urbana com conclusão prevista até 2020. Dentre as várias medidas, o plano prevê mais investimento na criação de faixas e pistas exclusivas ao tráfego dos coletivos na cidade, além da adoção das chamadas estações de transferência, inspiradas nas existentes estações-tubo em Curitiba, que se trata de pontos de ônibus com calçadas elevadas ao nível dos ônibus que agilizam o embarque dos passageiros. Apesar dessas medidas serem de bom grado para a população, especialistas no assunto afirmam que o trânsito da capital não sofrerá melhoras significativas, a tendência real é a de que o trânsito não piore, ou seja, a previsão é de que o trânsito se mantenha ruim uma vez que as pessoas que já possuem carro, continuem utilizando seus veículos e as pessoas que utilizam o transporte coletivo, mantenham-se utilizando o transporte coletivo. A grande crítica ao sistema de ônibus em Belo Horizonte é a de que não existe um esforço efetivo dos poderes municipais e estaduais em busca da construção de um sistema eficiente de metrô na capital, o que acarretaria em um desafogamento verídico do trânsito.

Tipo de Linha Subsistema Tronco-Alimentado (circulação nas áreas mais distantes do centro através de ônibus integrado ao metrô) Subsistema Interbairros (circulação na região central da cidade e complementa o sistema tronco-alimentado)
Alimentadoras (cor amarela) Fazem a ligação bairro-estações-bairro e integração com o metrô.
Troncais e Semi-Expressas

(cor verde)

Realizam viagens que interligam as estações com o centro, com outras estações outros polos, além de circularem nos principiais corredores de transporte. Podem ser Expressas, ou seja, sem pontos de parada no itinerário e nos corredores, ou Paradoras, que vão ao centro da cidade, parando nos pontos. No caso das Semi-Expressas ligam um bairro distante à região central de Belo Horizonte passando pelos principais corredores
Interbairros

(cor laranja)

Fazem o percurso bairro a bairro sem passar pela área central. Fazem o percurso bairro a bairro sem passar pela área central.
Circulares

(cor amarela)

Atendem à área central.
Diametrais e Radiais

(cor azul)

Fazem a ligação entre regiões e corredores passando pelo Hipercentro (diametrais) ou ligam as regiões e corredores com o hipercentro (radiais).
Fonte: BHTRANS[4]

Metrô[editar | editar código-fonte]

O Metrô de Belo Horizonte é operado pela CBTU/Metro BH, possui atualmente 19 estações e 28,2 km de extensão e transporta cerca de 215 mil usuários/dia.

A Linha 1 do Metrô de Belo Horizonte é conhecida pelo chargão "não leva nada a lugar nenhum", essa fama veio da concepção equivocada do projeto idealizado pelos poderes públicos, uma vez que as estações são de difícil acesso e nenhuma delas deixa o usuário em um local próximo de bairros, ruas ou avenidas importantes da cidade, não fugindo dessa regra se encontram as estações Lagoinha e Central, que deixam o passageiro às margens da região central, lhe restando ainda muito tempo de caminhada ou até mesmo que tenha que tomar um ônibus após o Metrô para que consiga chegar no coração da capital.

Táxis[editar | editar código-fonte]

O sistema de táxi é considerado o melhor da América Latina e serve de referência para outros estados brasileiros, sendo fiscalizado pela BHTrans, órgão da administração indireta da Prefeitura de Belo Horizonte. Possui uma frota de 6034 táxis padronizados na cor branca, operada por 11.352 taxistas (6034 permissionários e 5318 condutores auxiliares).

Existem também os chamados "Taxi Lotação" que seguem duas principais avenidas: Av. do Contorno e Avenida Afonso Pena.

Vans[editar | editar código-fonte]

O transporte coletivo de passageiros em vans ou peruas é proibido em Belo Horizonte. Desde 5 de julho de 2001, a Prefeitura tem o aval da Justiça para barrar os veículos que praticam o transporte não-regulamentado de passageiros na capital mineira, que chegou a ter três mil perueiros nas ruas em 2001.

A capital encontra-se praticamente livre do transporte clandestino desde 19 de julho de 2001, quando mais de mil perueiros invadiram as ruas do centro de Belo Horizonte protestando contra a fiscalização da BHTrans em conjunto com a Polícia Militar, criando uma praça de guerra com bombas de gás, explosões, fumaça, pancadaria, agressões e correrias culminando na prisão de 65 pessoas e um saldo de 35 feridos, entre manifestantes, policiais e populares.

Atualmente, estima-se que há apenas 3% de clandestinos circulando de madrugada e nos fins de semana, nas horas em que a fiscalização não atua e, geralmente, em carros de passeio.

Transporte aéreo[editar | editar código-fonte]

Aeroporto Internacional de Confins

Aeroporto Internacional de Belo Horizonte - Confins[editar | editar código-fonte]

Construído na década de 80, o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (também conhecido como Aeroporto de Confins) (IATA: CNF, ICAO: SBCF) encontra-se na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no município de Confins. Um dos mais modernos do Brasil e capaz de receber cinco milhões de passageiros por ano com conforto e comodidade, o aeroporto vinha sendo subutilizado devido à maior dificuldade de acesso (é distante cerca de 38 quilômetros do centro da capital) se comparado ao Aeroporto da Pampulha. Contudo, devido à superlotação do Aeroporto da Pampulha, acanhado para a demanda de passageiros, a Infraero transferiu mais de 120 voos do Aeroporto da Pampulha para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves no decorrer de 2005[5] .

O governo de Minas iniciou a maior obra viária já projetada para Belo Horizonte: chamada de Linha Verde, trata-se de uma adequação das vias que ligam o centro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, transformando-as em uma via rápida. A previsão é de que, após terminadas as obras, o trajeto do centro de Belo Horizonte até Confins seja efetuado em 35 minutos. Antes, este percurso era realizado em aproximadamente 60 minutos.

Existe uma previsão de adequações no terminal atual de passageiros (orçado em R$7 milhões) que ampliaria a capacidade do aeroporto de 5 para 7 milhões de passageiros/ano. Além disso, há o projeto da criação de um Aeroporto Industrial, servindo de piloto para o desenvolvimento de outros do tipo no Rio de Janeiro, em São José dos Campos e em Petrolina.

Aeroporto da Pampulha[editar | editar código-fonte]

Entrada do Conexão Aeroporto, transporte por coletivo que leva os passageiros da avenida Álvares Cabral aos aeroportos da região metropolitana.

O Aeroporto de Belo Horizonte - Pampulha - Carlos Drummond de Andrade (código IATA: PLU, código ICAO: SBBH) iniciou suas atividades para atender aos voos do Correio Aéreo Militar, em 1933, sendo sua denominação oficial na época de "Destacamento da Aviação". Instalado em uma área de dois milhões de metros quadrados na região da Pampulha, localiza-se distante oito quilômetros do centro da cidade. Desde de 2005, o Aeroporto da Pampulha voltou à sua vocação original e opera apenas voos regionais para o interior do Estado. Operam neste terminal as companhias aéreas Passaredo [1] e Trip [2].

Aeroporto Carlos Prates[editar | editar código-fonte]

O Aeroporto Carlos Prates (ICAO - SBPR) iniciou suas atividades em janeiro de 1944, a fim de atender ao Aeroclube do Estado de Minas Gerais, fundado em 6 de novembro de 1936 no Aeroporto da Pampulha. A finalidade do aeroclube sempre foi formar quadros para a aviação civil e militar.

A partir de 1995, a Infraero intensificou suas ações para a consolidação do aeroporto. O Aeroporto de Carlos Prates é vocacionado para a aviação aerodesportiva, aviação geral de pequeno porte e a aviação de asa rotativa (helicópteros) além de ser um polo formador de profissionais da aviação. As pistas e pátios foram recapeados e foi criada uma nova área para a construção de hangares, com via de acesso exclusiva.

Referências

  1. Terra. Não há solução para trânsito a curtíssimo prazo, diz Lacerda. Visitado em 29 de janeiro de 2009.
  2. Preparando Belo Horizonte para a Copa 2014, acessado em 29 de agosto de 2011
  3. João Henrique do Vale (Dezembro 2012). Tarifas de ônibus em BH vão aumentar a partir de sábado Jornal Estado de Minas. Visitado em 31 de dezembro de 2012.
  4. BHTRANS. Transporte Coletivo. Visitado em 3 de fevereiro de 2008.
  5. INFRAERO. Aeroporto Internacional Tancredo Neves. Visitado em 3 de fevereiro de 2008.