Vila romana
Na Roma antiga, as villae (singular: villa) eram originalmente as moradias rurais cujas edificações formavam o centro de uma propriedade agrícola. Portanto, era uma propriedade ou residência de campo de um patrício, ou de um plebeu de grandes posses, ou de uma família campestre romana, onde normalmente se centravam as explorações agrárias de maior vulto, embora haja casos de algumas dessas propriedades que não tinham exploração agrícola associada.
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Domus [editar]
A residência senhorial ou domus tinha quase sempre todos os confortos que a civilização romana denominava aos senhores com posses, como termas, jardins ou cavalariças. Algumas dessas propriedades, as pertencentes aos patrícios, tinham tal grandiosidade que incluíam um teatro e um forte para uma pequena guarnição. Eram geralmente circundadas por jardins e depois por uma área agrícola, embora haja casos de propriedades rurais sem exploração agrícola associada.
Estas propriedades agrícolas que poderiam consistir pequenas fazendas dependentes do trabalho familiar ou em grandes propriedades, essas últimas pertencentes aos patrícios, com trabalhadores escravos, ou servos, detinham as estruturas rurais que seriam necessárias para as manter, tais como um celeiro, moinho ou lagar.
As divisões da vila romana [editar]
As vilas eram constituídas por três partes:
- Na pars urbana viviam o proprietário e a sua família. Era em tudo semelhante à habitação urbana dos cidadãos abastados. As paredes eram pintadas com motivos decorativos, por vezes de uma grande beleza e complexidade. Muitas vilas possuíam água corrente, graças a um sistema de canalizações que só muitos séculos depois voltaria a ser usado no Ocidente. Por vezes eram dotadas de um hipocausto, um sistema de aquecimento central em que o ar era aquecido sob o pavimento.
- Na pars rustica viviam e trabalhavam os servos e escravos. Esta parte da habitação incluía ainda despensas e alojamentos para os animais domésticos.
- Por fim, na pars frumentaria situavam-se as instalações de uso comum como os celeiros e armazéns com produtos agrícolas da vila, como por exemplo azeite, vinho, cereais ou uvas, que seriam transportados e vendidos por vezes nas mais distantes paragens do império.
Outras divisões incluíam o escritório, o templo doméstico, quartos de dormir e a sala de jantar.
Evolução [editar]
A partir do século II a.C., as vilas, cada vez mais sofisticadas e elegantes, construídas frequentemente em torno de um pátio e localizadas de forma a tirar o máximo partido da paisagem, começaram a ser edificadas como casas de campo para os ricos, sendo cultivadas por arrendatários ou sob supervisão de um administrador (vilicus).
Em tempos pós-romanos, a casa senhorial e a propriedade rural (e seus equivalentes em outros lugares na Europa Ocidental) substituíram a villa e suas propriedades.
Área agrícola [editar]
O espaço envolvente à villa suportava o sistema de produção agro-pecuário, englobando as seguintes áreas:
- O hortus, o jardim, a horta e o pomar;
- O ager, campos de culturas arvenses, com um sistema de agricultura de sequeiro;
- O saltus, pastagem arborizada, com fins pecuários;
- A silva, a área ocupada por floresta.
Villae romanas em Portugal [editar]
Em Portugal chegaram até aos nossos dias várias villae, algumas em excelente estado de conservação. Eis as mais importantes:
- Villa Cardilo, perto de Torres Novas
- Villa da Torre de Palma, Monforte, Portalegre
- Villa de Bojigas Cadaval, região do Oeste
- Villa de Casais Velhos, Cascais
- Villa de Freiria, Cascais
- Villa de Lavra, praia de Angeiras, Matosinhos
- Villa de Milreu, Estoi, Algarve
- Villa de Pisões, Beja, Alentejo
- Villa de Rio Maior I
- Villa de São Cucufate, Vila de Frades, concelho da Vidigueira, Alentejo
- Villa do Cerro da Vila, Vilamoura, Algarve
- Villa do Rabaçal, perto de Conímbriga
- Villa Euracini, Póvoa de Varzim
- Villa Monte da Chaminé, perto de Ferreira do Alentejo