Anésia Pinheiro Machado

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Anésia Pinheiro Machado
Nascimento 1904
Itaí
Morte 10 de maio de 1999 (95 anos)
Brasília
Cidadania Brasil
Ocupação aviador, jornalista
Anésia diante do avião em que realizou o voo entre São Paulo e Rio de Janeiro, em setembro de 1922

Anésia Pinheiro Machado (Itapetininga, 5 de junho de 1904[1] — São Paulo, 10 de maio de 1999) foi a primeira mulher a conseguir o brevet de aviadora no Brasil. Iniciou seus estudos em 1921 e já no ano seguinte recebia seu brevet internacional pelo Aéro Club do Brasil. Ainda no mesmo ano, realizou seu primeiro voo interestadual de São Paulo ao Rio de Janeiro, como parte das comemorações do centenário da Independência do Brasil, e participou de uma apresentação de acrobacias aéreas. Ninguém sabe se ela foi de fato pilotando tais voos pois nunca estava desacompanhada. De toda forma, por estes, foi homenageada por Santos Dumont. Entre 1927 e 1928, manteve uma coluna dominical sobre aviação no jornal carioca "O Paiz". Em 1943, fez curso nos Estados Unidos, onde também se licenciou como piloto e instrutora de voo. Entre os feitos pioneiros, destacam-se uma travessia da Cordilheira dos Andes e uma viagem transcontinental pelas três Américas, ambos em 1951 ?. Em 1954, foi proclamada pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI), durante a Conferência de Istambul, Decana Mundial da Aviação Feminina. Recebeu dezenas de condecorações civis e militares, nacionais e estrangeiras. A urna com as cinzas está depositada no Museu de Cabangu, na cidade de Santos Dumont (MG).

O primeiro voo interestadual[editar | editar código-fonte]

Com apenas vinte anos de idade e cinco meses após obter seu brevet, Anésia decidiu fazer o voo entre São Paulo e Rio de Janeiro como forma de participar das comemorações do centenário da Independência e não imaginava que causaria tanta sensação, conforme afirmou em entrevista concedida em 1961 ao jornal The Evening Star , de Washington. A viagem foi realizada no monomotor Caudron G.3, batizado de "Bandeirante", o mesmo em que aprendeu a voar. A duração foi de quatro dias, de 5 a 8 de setembro. Anésia voava, no máximo, uma hora e meia por dia, quando tinha que pousar para reabastecimento e revisão da aeronave. Foi recepcionada no aeroporto do Rio de Janeiro por autoridades do governo e populares, dos quais recebeu flores e outros presentes. Na ocasião, Santos Dumont presenteou Anésia com uma medalha de ouro, réplica de uma que ele próprio havia recebido da Princesa Isabel, e que Anésia levou sempre consigo ao longo de toda a vida, por considerá-la um amuleto de boa sorte.

Pioneirismo contestado[editar | editar código-fonte]

A filial brasileira da International Organization of Women Pilots atribui a Teresa De Marzo a primazia de ter sido a primeira mulher brasileira a pilotar um avião. Teresa e Anésia são contemporâneas e colegas da mesma escola de aviação, em São Paulo. Tiveram o mesmo instrutor, Fritz Roesler, com quem Teresa viria a casar. Teresa iniciou os estudos em março de 1921, Anésia, em dezembro do mesmo ano. O voo solo (sem a companhia do instrutor) de ambas aconteceu na mesma data, 17 de março de 1922. Teresa recebeu o brevet de nº 76 da FAI, em 8 de abril de 1922, Anésia, o de nº 77, no dia seguinte. Teresa abandonou a carreira de aviadora em 1926, ao casar, enquanto Anésia permaneceu em atividade por mais três décadas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ada – Mulher, pioneira, aviadora. Lucita Briza.

Referências

  1. [1] FAB

Ligações externas[editar | editar código-fonte]