Catedral de Olinda

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Catedral Sé de Olinda
Fachada atual da Sé de Olinda, recuperada através de grande projeto de pesquisa arqueológica iniciado em 1967, que retomou traços do que possivelmente foi o templo no século XVI
Estilo dominante maneirista
Início da construção 1537
Fim da construção século XVIII
Reconstrução
Inauguração 1540
Religião Católica
Diocese Arquidiocese de Olinda e Recife
Sacerdote Antônio Fernando Saburido
Website www.arquidioceseolindarecife.org
Geografia
País  Brasil
Cidade Olinda

A Catedral de São Salvador do Mundo ou Catedral Sé de Olinda é um templo católico localizado em Olinda, no estado de Pernambuco, da Arquidiocese de Olinda e Recife.[1]

Trata-se da maior igreja quinhentista do Brasil, e a mais antiga de Olinda, fundada em 1540.[2] Em Pernambuco, foi precedida apenas pela Igreja dos Santos Cosme e Damião de Igarassu, a mais antiga igreja brasileira de acordo com o IPHAN.[3]

No seu entorno ficava o Castelo de Duarte Coelho, demolido.[4]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Igreja da Sé em ruínas após o grande incêndio provocado pelos neerlandeses em 1631 no contexto da Invasão Holandesa, pelo pintor Frans Post
Altar lateral (Capela de São Salvador do Sacramento), o único que ainda preserva sua decoração barroca em boas condições

A primeira edificação destinada ao culto erguida no local da Sé atual era uma capela simples, construída na técnica da taipa de mão. Foi levantada entre 1537 e 1540, sendo dedicada a Jesus Cristo como Salvador do Mundo. Uma vez que a taipa é material de pouca resistência, a capela logo começou a decair, e foi substituída por outro templo em 1584, maior, de alvenaria e com várias capelas secundárias, erguido por iniciativa do Frei Antônio Barreiro, terceiro Bispo do Brasil.

Em 1591 foi acrescentada uma abóbada na capela-mor, obra de Braz da Mata, um português de Lisboa, e em 1599 a nave foi amplidada. Em 1616 foram construídas a sacristia e dependências anexas por Cristóvão Álvares, e pouco mais tarde foi elevada a Matriz de São Salvador do Mundo.

Com a invasão holandesa a igreja foi profanada e usada mesmo como estrebaria, e sua decadência se completou no incêndio que consumiu parte da cidade em 1631, da Matriz não restando quase nada. Depois da expulsão dos holandeses a cidade reergueu a igreja com grandes esforços, e as obras se prolongaram até o século XVIII. Neste ínterim, em 1676, com a criação do Bispado de Olinda, a antiga matriz foi elevada à condição de catedral.

Mais tarde o prédio teve a fachada substituída e sofreu diversas outras intervenções também no interior, que foram levadas a cabo pelo Arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde em 1919, e descaracterizaram largamente o estilo original. Contudo, entre 1974 e 1976 a edificação foi restaurada, readquirindo até onde foi possível suas feições originais de transição entre a renascença e o barroco (período maneirista), dentro do Programa de Restauração das Cidades Históricas do Governo Federal em conjunto com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

Características[editar | editar código-fonte]

Catedral de Olinda com o Convento de São Francisco ao fundo.

A fachada se divide em três blocos principais, com o corpo da catedral ladeado por duas torres sineiras iguais. As torres, com pilastras em relevo nos cantos, são de secção quadrada e mostram somente duas estreitas aberturas retangulares sobrepostas até o nível do coruchéu, que tem aberturas em arco redondo para os sinos e um arremate superior prismático, com pequenos pináculos nos cantos. O corpo da igreja tem no nível térreo três portas, sendo a central maior e em arco, e encerrada em um frontispício com dois pares de colunas jônicas. Sobre as portas laterais, janelas quadradas que se ligam à cornija que delimita o nível do frontão de empenas retas, com óculo inscrito, cruz no topo e pináculos laterais.

O interior é dividido em três naves, separadas por arcadas com colunas toscanas de pedra. A decoração original desapareceu em grande parte, mas especialmente nas capelas laterais ainda existem remanescentes da decoração com azulejos, alguns painéis pintados, elementos de talha dourada e estatuária antiga.

A nave central possui um clerestório, sinal de influência romano-gótica, e um teto forrado de vinte e quatro painéis com ilustrações do Evangelho, como a partida do Egito e o desterro de Nossa Senhora. Na capela-mor permanecem o trono episcopal e outras cadeiras com fina lavra em jacarandá, e as tumbas dos bispos Dom Mathias de Figueiredo e Mello (em sepultura rasa), Dom Francisco Xavier Aranha e Dom João da Purificação Marques Perdigão (em jazigos nas paredes).

Na sacristia, à direita do templo, se preservam ainda uma grande bancada entalhada em jacarandá, pinturas e objetos de culto.

Vista Panorâmica do Alto da Sé, a partir do mirante do Elevador de Olinda, com a Igreja da Sé em destaque.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. «Catedral de Olinda». VIAF (em inglês). Consultado em 1 de dezembro de 2019 
  2. «Igreja da Sé - Olinda» (PDF). IPHAN. Consultado em 17 de dezembro de 2019 
  3. «Igarassu (PE)». IPHAN. Consultado em 17 de dezembro de 2019 
  4. «Arqueologia do Forte Duarte Coelho». Brasil Arqueológico. Consultado em 17 de dezembro de 2019 
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