Cicindelinae

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Fotografia de Chaetodera regalis, um Cicindelinae das margens de áreas ribeirinhas da África subsaariana.[1][2]
Fotografia de Chaetodera regalis, um Cicindelinae das margens de áreas ribeirinhas da África subsaariana.[1][2]
Fotografia do Cicindelinae da espécie Cicindela chinensis, subespécie japonica; em Kansai, Japão; mas também encontrada na China e na Coreia.[1]
Fotografia do Cicindelinae da espécie Cicindela chinensis, subespécie japonica; em Kansai, Japão; mas também encontrada na China e na Coreia.[1]
Classificação científica
Reino: Animal
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Coleoptera
Família: Carabidae
Subfamília: Cicindelinae[3]
Latreille, 1802[4]
Tribos
ver texto
Fotografia do Cicindelinae da espécie Ellipsoptera marginata; encontrada em praias da Flórida, Estados Unidos.[5]
Ilustração do Cicindelinae Amblycheila cylindriformis, pertencente à tribo Amblycheilini[4]; uma enegrecida e robusta espécie dos Estados Unidos.[6]
Ilustração do Cicindelinae Manticora latipennis, pertencente à tribo Manticorini[4]; uma enegrecida e robusta espécie da África subsaariana, pertencente ao maior gênero desta subfamília e podendo superar os 70 milímetros de comprimento.[1][7]

Cicindelinae (denominados popularmente, em português, cicindelas -pl. - palavra proveniente de pisca-pisca[8], também a denominação dada a um gênero: Cicindela[9][10][11] - tetracas, besouros-assassinos, tigres-velozes ou besouros-tigre -pl.; tiger beetles ou assassin beetles, em inglês)[3][8][12][13] é uma subfamília de insetos predadores da ordem Coleoptera e da família Carabidae[3], proposta por Pierre André Latreille no ano de 1802.[4] Em sua antiga nomenclatura eram uma família, Cicindelidae, agora em desuso.[1][8][13][14][15] São considerados os insetos mais velozes do mundo, conseguindo correr a até 2,5 metros por segundo, ou seja, percorrer 125 vezes o comprimento do seu corpo em um segundo. São tão velozes que precisam dar pequenas pausas, entre as corridas, para fazer correções visuais e continuar a perseguição de suas presas.[16][17] Existem mais de 2.600 espécies conhecidas de Cicindelinae[12], distribuídas por todas as regiões, com exceção dos círculos polares[8]; com a mais rica diversidade na região indo-malaia, seguida pela região neotropical.[18]

Descrição do adulto[editar | editar código-fonte]

Os Cicindelinae são besouros geralmente de tamanho pequeno a médio (de 2 a 45 milímetros[8]; mas algumas espécies, como Manticora latipennis, podem exceder os 70 milímetros)[7], com olhos salientes, globosos lateralmente, que tornam suas cabeças mais largas que o protórax e tão largas quanto a base de seus élitros; dotados de pernas compridas e antenas filiformes.[8][14][15] Apresentam mandíbulas proeminentes e fortemente denteadas, adaptadas a seus hábitos de caça; geralmente finas e longas, com o ápice encurvado para dentro.[8][17][19] São comumente de cor metálica a iridescente, vistosamente coloridos[8][14][15], geralmente em tons verdes ou pardos[9]; mais raramente entre o azul e o roxo, vermelho ou violeta; também apresentando manchas em amarelo, laranja ou branco.[1][17] Alguns gêneros são uniformemente castanhos ou negros (Omus, Amblycheila, Mantica, Manticora).[7] Embora muitas espécies possuam asas bem desenvolvidas, algumas espécies possuem asas atrofiadas ou mesmo ausentes, que podem, inclusive, ter os seus élitros soldados; incluindo espécies com formatos de formigas, em um notável caso de mimetismo.[8][13][17]

Descrição da larva[editar | editar código-fonte]

Após a cópula a fêmea coloca seus ovos no substrato, de ondem surgem larvas de hábito fossorial e grandes mandíbulas ventrais, adaptadas geralmente a cavar o solo e construir pequenas tocas verticais e circulares, onde se inserem e se posicionam à espreita de suas presas; sobre as quais se projetam, de costas e de surpresa, tapando a entrada com suas vastas cabeças. Uma das características mais distintas está presente no dorso do quinto segmento abdominal, onde dois grandes ganchos, voltados para cima, têm como função fixar o animal em sua galeria, que pode chegar de 30 a 50 centímetros de profundidade. A sua transformação em ninfa e a sua eclosão ocorrem no interior destas galerias. Tais galerias, dependendo da espécie, podem estar em solo plano, barrancos, folhiço e até mesmo em madeira podre.[8][13][15][17]

Habitat e hábitos[editar | editar código-fonte]

Besouros Cicindelinae têm preferência por habitar a mesma região de suas larvas, em habitats abertos e ensolarados, como bordas de riachos, praias, estradas de terra, orlas de bosques e dunas de areia; onde os adultos perseguem suas presas com grande agilidade, as capturando com suas mandíbulas falciformes; geralmente voando como moscas e apresentando hábitos diurnos. Existem espécies que exalam um leve odor repugnante quando atacadas ou capturadas. Também podem ministrar mordidas dolorosas quando são manipulados, ou levantar voo agilmente quando são perseguidos.[3][8][15][22]

Tribos de Cicindelinae[editar | editar código-fonte]

A subfamília Cicindelinae contém seis tribos:

  • Tribo Amblycheilini Csiki, 1903
  • Tribo Cicindelini Latreille, 1802
  • Tribo Collyridini Brullé, 1834
  • Tribo Ctenostomatini Laporte, 1834
  • Tribo Manticorini Laporte, 1834
  • Tribo Megacephalini Laporte, 1834[4]

Referências

  1. a b c d e STANEK, V. J. (1985). Encyclopédie des Insectes. Coléoptères (em francês) 2ª ed. Praga: Gründ. p. 24-32. 352 páginas. ISBN 2-7000-1319-0 
  2. Mawdsley, Jonathan R.; Sithole, Hendrik (24 de julho de 2009). «Natural history of the African riverine tiger beetle Chaetodera regalis (Dejean) (Coleoptera: Cicindelidae)» (em ingles). Journal of Natural History; Volume 43 - Issue 31-32 (Taylor & Francis Online). 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020. During the dry season, small numbers of adult beetles are found on sand bars along perennial rivers. In the rainy season, adults are found in large numbers on a broad spectrum of substrates (including clays, coarse and fine sands and gravels, and black organic soils) and geomorphological features (sand flats, mud flats, sand bars, beaches, riverbanks, and dry and wet sandy streambeds) in riverine areas. 
  3. a b c d «Subfamily Cicindelinae - Tiger Beetles» (em inglês). BugGuide. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020 
  4. a b c d e Bouchard, Patrice; Bousquet, Yves; Davies, Anthony E.; Alonso-Zarazaga, Miguel A.; Lawrence, John F.; Lyal, Chris H. C.; Newton, Alfred F.; Reid, Chris A. M.; Schmitt, Michael; Ślipiński, S. Adam; Smith, Andrew B. T. «Family-group names in Coleoptera (Insecta)» (em inglês). ZooKeys 88. pp. 1–972. Consultado em 25 de maio de 2020 
  5. «Tiger Beatle - Cicindela marginata - Ellipsoptera marginata - Male Female» (em inglês). BugGuide. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020 
  6. Brust, Mathew (18 de dezembro de 2009). «Amblycheila cylindriformis» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020 
  7. a b c CAPINERA, John L. (2008). Encyclopedia of Entomology (em inglês) 2 ed. Leipzig: Springer Science & Business Media - Google Books. p. 3808. 4346 páginas. ISBN 978-1-4020-6242-1. Consultado em 25 de maio de 2020 
  8. a b c d e f g h i j k GODINHO JR., Celso L. (2011). Besouros e Seu Mundo. Com 1400 ilustrações em cores desenhadas pelo autor 1ª ed. Rio de Janeiro, Brasil: Technical Books. p. 161-162. 478 páginas. ISBN 978-85-61368-16-6 
  9. a b FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 402. 1838 páginas 
  10. HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello (2001). Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva. p. 712. 2922 páginas. ISBN 85-7302-383-X 
  11. a b Kavaliauskas, Eugenijus (7 de julho de 2019). «Cicindela campestris» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020. Šilinė, Tauragė County, Lithuania. 
  12. a b «Tiger beetle» (em inglês). Encyclopædia Britannica. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020 
  13. a b c d SANTOS, Eurico (1985). Zoologia Brasílica, vol. 10. Os Insetos 2ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia. p. 119-120. 244 páginas 
  14. a b c CARRERA, Messias (1980). Entomologia Para Você 5ª ed. São Paulo, Brasil: Nobel. p. 90. 186 páginas. ISBN 85-213-0028-X 
  15. a b c d e BORROR, Donald J.; DELONG, Dwight M. (1969). Introdução ao Estudo dos Insetos. São Paulo: Editora Edgard Blücher/Editora da Universidade de São Paulo. p. 224. 654 páginas 
  16. Friedlander, Blaine (16 de janeiro de 1998). «When tiger beetles chase prey at high speeds they go blind temporarily, Cornell entomologists learn» (em inglês). Cornell Chronicle. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020. There is an Australian species, Cicindela hudsoni, which is 20 millimeters long and can run 2.5 meters per second. This translates into a relative speed of 125 body lengths per second. 
  17. a b c d e «Os Carabidae - Cicindelinae». Google Sites. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020 
  18. Rafael (14 de janeiro de 2020). «Besouro-Tigre: Características, Nome Cientifico e Fotos». Mundo Ecologia. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020 
  19. Katona, Patrik (21 de novembro de 2011). «Cicindela sp. (Tiger beetle) - mandíbulas» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020 
  20. Davies, Lloyd (22 de junho de 2019). «Cylindera germanica» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020. Šilinė, Tauragė County, Lithuania. 
  21. Jacobs, Ian (26 de julho de 2012). «A tiger beetle pair - Calochroa flavomaculata. A fast agile predator» (em inglês). Flickr. 1 páginas. Consultado em 25 de maio de 2020. Nan, Thailand. 
  22. MARINONI, Renato C.; GANHO, Norma G.; MONNÉ, Marcela L.; MERMUDES, José Ricardo M. (2003). Hábitos Alimentares Em Coleoptera (Insecta). Compilação, organização de dados e novas informações sobre alimentação nas famílias de coleópteros. Ribeirão Preto: Holos Editora. p. 10. 64 páginas. ISBN 85-86699-25-X 
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