Cirilo I de Moscou

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Cirilo I de Moscou
Кирилл
Patriarca
Patriarca de Moscou e Toda Rússia
Cirilo em 2022.

Igreja

Igreja Ortodoxa Russa

Título

Sua Santidade
Hierarquia
Atividade Eclesiástica
Predecessor Aleixo II
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 7 de abril de 1969
Ordenação episcopal 14 de março de 1976
Nomeado metropolita 26 de dezembro de 1984
Patriarcado
Nomeado Patriarca 27 de janeiro de 2009
Entronizado 1 de fevereiro de 2009
Brasão patriarcal
Monogram Patriarchy Moskiewskiego i całej Rusi, Cyryla..svg
Dados pessoais
Nome secular Vladimir Mikhailovich Gundyayev
Nascimento Leningrado
20 de novembro de 1946 (76 anos)
Nacionalidade Rússia russo
Portal:Igreja Ortodoxa
Projeto Cristianismo

Cirilo (em russo: Кирилл; nome secular: Vladimir Mikhailovich Gundiaiev, em russo: Владимир Михайлович Гундяев - Leningrado, União Soviética, 20 de novembro de 1946) é um bispo ortodoxo russo e Patriarca de Moscou e Toda a Rússia (em russo: Патриарх Московский и всея Руси) e Primaz da Igreja Ortodoxa Russa desde 1 de fevereiro de 2009.

Antes de se tornar Patriarca, Cirilo foi arcebispo (mais tarde metropolita) de Esmolensco e Caliningrado desde 26 de dezembro de 1984. Cirilo era também presidente do Departamento de Relações Externas da Igreja Ortodoxa Russa e um membro permanente do Santo Sínodo Russo desde novembro de 1989.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Cirilo nasceu em Leningrado, atual São Petersburgo, então União Soviética. Seu pai, Mikhail, e seu avô Vasiliy eram padres ortodoxos russos. Em 3 de abril de 1969, ele tomou os votos monásticos e foi ordenado hierodiácono em 7 de abril e hieromonge em 1 de junho. Em 1970, Cirilo graduou-se na Academia Teológica de Leningrado, onde foi mantido como professor de teologia dogmática e assessor do inspector da academia. Tornou-se secretário pessoal do Metropolita Nikodim (Rotov) de Leningrado em 30 de agosto de 1970.

Em 12 de setembro de 1971, Cirilo tornou-se arquimandrita e foi enviado como representante da Igreja Ortodoxa Russa ao Conselho Mundial de Igrejas (CMI), em Genebra, Suíça. Em 26 de dezembro de 1974, foi nomeado reitor da Academia e Seminário de Leningrado. Desde dezembro de 1975, Cirilo foi membro do Comitê Central do CMI e do Comitê Executivo.

Carreira episcopal[editar | editar código-fonte]

Vladimir Putin, o metropolita Cirilo e Xenia Sheremetyeva-Yusupova em outubro de 2001

Em 1976, Cirilo foi consagrado Bispo de Vyborg. Em 1977, tornou-se arcebispo. Desde 1978, ele foi o administrador das paróquias patriarcais na Finlândia. Em 1984, tornou-se arcebispo de Smolensk e Vyazma. O título foi alterado para o arcebispo de Esmolensco e Caliningrado, em 1989. Em 1991, tornou-se bispo metropolita.

Entre 1974 e 1984, Cirilo foi reitor da Academia e Seminário Espiritual de Leningrado.

Em 1971, foi nomeado representante do Patriarcado de Moscou no Conselho Mundial de Igrejas e tem participado ativamente na atividade ecumênica da Igreja Ortodoxa Russa desde então.

Em 1978, Cirilo foi nomeado vice-presidente, e em novembro de 1989, presidente do Departamento das Relações Externas do Patriarcado de Moscou e membro permanente do Santo Sínodo.

Foi criticado por alguns por falhas da Igreja Ortodoxa Russa na Diocese de Sourozh e na Ucrânia.[1][2][3]

Em 6 de dezembro de 2008, o dia após a morte do Patriarca Aleixo II de Moscou, o Santo Sínodo elegeu-o lugar-tenente do trono patriarcal. Em 9 de dezembro, durante o funeral de Aleixo II na Catedral de Cristo Salvador de Moscou, que foi transmitido ao vivo por canais de TV estatal da Rússia, Cirilo teve, segundo relatos, um desmaio durante a decorrência do funeral.[4][5] Em 29 de dezembro, ao falar para jornalistas, Cirilo disse que se opõe a qualquer reforma de caráter litúrgico ou doutrinária da Igreja.[6]

Patriarcado[editar | editar código-fonte]

Patriarca Cirilo I em sua entronização, 2009.

Cirilo foi eleito patriarca em 27 de janeiro de 2009, no Conselho Local da Igreja Ortodoxa Russa, e empossado durante uma liturgia na Catedral de Cristo Salvador de Moscou em 1 de fevereiro de 2009. A cerimônia contou com a presença, entre outros, do presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, e do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin.[7]

No dia seguinte, o presidente russo Medvedev ofereceu uma recepção (um banquete formal[8][9]) para os bispos da Igreja Ortodoxa Russa no Grande Palácio do Kremlin, onde Cirilo expôs o conceito bizantino de sinfonia como sua visão das relações ideais entre a igreja e o estado, embora reconhecendo que não era possível atingir plenamente a isso na Rússia de hoje.[10][11]

Em 17 de agosto de 2012, Cirilo e o arcebispo da Polônia Jozef Michalik assinaram um histórico chamado à reconciliação entre poloneses e russos, depois de séculos de disputas muitas vezes sangrentas.[12]

Pontos de vista[editar | editar código-fonte]

Ecumenismo[editar | editar código-fonte]

A ala conservadora da Igreja Ortodoxa Russa criticou a prática do ecumenismo de Cirilo em toda a década de 1990. Em 2008, o bispo separatista Diomid de Anadyr e Chukotka criticou-o por associar-se com a Igreja Católica Romana.[13] No entanto, em uma declaração recente, Cirilo afirmou que não haveria compromisso doutrinário com a Igreja Católica, e que as discussões com eles não tinham o objetivo de buscar a unificação.[14]

Relações com Cuba[editar | editar código-fonte]

Em 20 de outubro de 2008, durante uma viagem pela América Latina, Cirilo teve uma reunião com o primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba, Fidel Castro. Castro elogiou o metropolita Cirilo como seu aliado na luta contra o imperialismo norte-americano .[15][16][17] Cirilo abençoou Fidel Castro e seu irmão Raúl Castro, em nome do patriarca Aleixo II no reconhecimento da sua decisão de construir a primeira Igreja Ortodoxa Russa em Havana, para servir os expatriados russos que ali vivem.[18]

Comunicações[editar | editar código-fonte]

Desde 1994, Cirilo tem um programa de televisão semanal ortodoxa no Perviy Kanal.

Operação russa na Ucrânia[editar | editar código-fonte]

Depois de Cirilo elogiar a invasão russa da Ucrânia em 2022, o clero de outras dioceses ortodoxas condenou as suas observações e Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, disse que o apoio de Cirilo a Putin e à guerra estavam "prejudicando o prestígio de toda a Ortodoxia". [19][20]

Controvérsias públicas[editar | editar código-fonte]

Ligações com a KGB[editar | editar código-fonte]

Na década de 1990, Cirilo foi acusado de ter ligações com a KGB durante boa parte do período soviético, assim como muitos membros da hierarquia da Igreja Ortodoxa Russa, e de ter os interesses do estado acima dos interesses da igreja.[21][22][23][24][25][26] Seu suposto nome secreto como agente da KGB seria "Mikhailov".

Importação de cigarros[editar | editar código-fonte]

Jornalistas dos jornais Kommersant e Moskovskij Komsomolets acusaram Cirilo de especulação econômica e abuso de privilégio pela importação franquiada de cigarros concedida pela igreja em meados da década de 1990, e Cirilo ganhou o apelido "metropolita do tabaco".[27] Segundo relatos, o Departamento de Relações Externas da igreja agiu como o maior provedor de cigarros estrangeiros na Rússia.[28] Estima-se que os bens pessoais de Cirilo totalisem 1,5 bilhão de dólares, segundo o sociologista Nikolai Miotrokhin,em 2004. Segundo o The Moscow News, o patrimônio de Cirilo poderia alcançar 4 bilhões de dólares em 2006.[26][29] No entanto, Nathaniel Davis notou que "... Não há evidências que o metropolita Cirilo tenha desviado recursos da igreja. O que é mais provável é que os lucros da importação de tabaco tenham sido usados para motivos urgentes, expressando as custas da igreja."[28] A importação franquiada de cigarros foi finalizada em 1997. Numa entrevista de 2002 para o Izvestia, o então metropolita Cirilo chamou as alegações sobre suas especulações comerciais como uma campanha política contra ele.[30]

Relação com Vladimir Putin[editar | editar código-fonte]

Um aliado próximo do líder russo Vladimir Putin, Cirilo descreveu o governo de Putin como "um milagre de Deus". [31] Durante seu mandato como Patriarca de Moscou, Cirilo aproximou a Igreja Ortodoxa Russa do Estado russo. [32]

Amizade de Putin e Patriarca Cirilo

Por ocasião do do 70° aniversário do Presidente russo, o Patriarca de Moscou teceu comentário interessantes sobre Putin nas felicitações, para Cirilo, "Deus colocou Putin no comando da Rússia por um motivo, para transformá-la".[33][34] Especificamente, o Patriarca saudou as seguintes mudanças: aumento da soberania da Rússia, capacidade de se defender militarmente, proteção de seus interesses nacionais e melhoria do bem-estar dos cidadãos russos. O Patriarca elogiou ainda como o Estado russo trabalha em estreita colaboração com a Igreja para promover o cristianismo na Rússia.[34]

Relação com Bartolomeu I de Constantinopla[editar | editar código-fonte]

A relação de Cirilo com Bartolomeu I de Constantinopla, Patriarca Ecuménico e líder espiritual de aproximadamente 300 milhões de cristãos ortodoxos em todo o mundo, tem sido tensa.[35] A situação se agravou após a criação, por parte de Bartolomeu, da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, considerada cismática pelo Patriarcado de Moscou, bem como com as reivindicações de um "status especial" vindas do Patriarcado de Constantinopla, o que causou uma crise na Ortodoxia mundial.[36][37][38][39][40]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Patriarca Cirilo I de Moscou

Referências

  1. Игрок глобального масштаба. 60-летие митрополита Кирилла через призму украинских церковных проблем
  2. Митрополит Кирилл после Украины. В минуты «триумфа» не грех вспомнить и о неудачах нынешнего председателя ОВЦС МП Oleg Vladimirov, 1 August 2008
  3. Первые киевские итоги: методы церковной внешней политики РПЦ МП и роль одной личности в одной истории portal-credo.ru July 24, 2008
  4. «Russians bid farewell to Patriarch at grand funeral» (em inglês). Moscow: Reuters. 9 de dezembro de 2008. Consultado em 9 de dezembro de 2008 
  5. «Упокоился с миром» (em russo). Moscow: Gazeta.ru. 9 de dezembro de 2008. Consultado em 9 de dezembro de 2008 
  6. Russia’s prospective church leader says opposed to reforms RIA Novosti December 29, 2008.
  7. «Orthodox Church enthrones leader» (em inglês). BBC. 31 de janeiro de 2009. Consultado em 31 de janeiro de 2009 
  8. Патриарх Кирилл призвал Церковь и государство к взаимодействию NEWSru February 2, 2009.
  9. Miedwiediew: Państwo będzie wspierało Cerkiew[ligação inativa] Gazeta Wyborcza February 2, 2009.
  10. Архипастыри — участники Поместного Собора присутствовали на приеме в Георгиевском зале Большого кремлевского дворца patriarchi.ru February 2, 2009.
  11. Приём от имени Президента России в честь архиереев – участников Поместного собора Русской православной церкви kremlin.ru February 2, 2009.
  12. «Ortodoxos russos e católicos poloneses assinam reconciliação histórica». Uol Notícias. Consultado em 17 de agosto de 2012 
  13. «Cópia arquivada». Consultado em 14 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 11 de dezembro de 2008 
  14. Russian Church against compromise on belief-preaching with Catholics — Metropolitan Kirill Interfax, January 21, 2009.
  15. Fidel Castro considers Metropolitan Kirill his ally in opposing American imperialism Arquivado em 13 de março de 2012, no Wayback Machine. Interfax October 23, 2008.
  16. Митрополит Кирилл встретился с Фиделем Кастро ROC official web site, October 21, 2008
  17. Фидель Кастро считает митрополита Кирилла своим союзником в противостоянии американскому империализму ROC official web site, October 21, 2008
  18. The Russian Orthodox Church awards the Castro brothers Arquivado em 13 de março de 2012, no Wayback Machine. Interfax October 20, 2008.
  19. Blackwell, Evelyn (18 de abril de 2022). «Ukraine War Divides Orthodox Faithful -». World News Era (em inglês) 
  20. «Ukraine War Divides Orthodox Faithful | Religion & Politics». Religion and Politics (em inglês). 19 de abril de 2022 
  21. Tony Halpin, "Russian Orthodox Church choses between 'ex-KGB candidates' as Patriarch". The Times (of London) online, January 26, 2009.
  22. (em russo)Митрополит Кирилл попал в поле зрения американской газеты The Washington Times January 26, 2005.
  23. (em russo)Разведка России использует Эстонскую Православную Церковь Arquivado em 3 de fevereiro de 2016, no Wayback Machine. Simon Araloff, AIA European section, May 17, 2006.
  24. (em russo) Американская газета назвала митрополита Кирилла возможным преемником Алексия II
  25. (em russo)Священник Георгий Эдельштейн опасается, что патриархом станет «офицер КГБ, атеист и порочный человек» www.grani.ru May 27, 2003.
  26. a b (em russo)Божественные голоса Arquivado em 30 de janeiro de 2009, no Wayback Machine. The New Times № 50, December 15, 2008.
  27. Митрополит Смоленский и Калининградский Кирилл portal-credo.ru
  28. a b Nathaniel Davis (2000). Tribulations, trials and Troubles for the Russian Orthodox Church. Religion in Eastern Europe 20 (6): 39-50.
  29. (em russo)Уходящий год ознаменовался историческим событием: две разделенные части Православной Церкви — Русская Православная Церковь (РПЦ) и Русская Православная Церковь Заграницей (РПЦЗ) — подписали Акт о каноническом общении Arquivado em 16 de junho de 2007, no Wayback Machine. The New Times № 46, December 24, 2007
  30. Митрополит Кирилл: «Пусть благословенье Божье пребывает со всеми нами» Izvestia, December 24, 2002.
  31. Netburn, Deborah (29 de março de 2022). «A spiritual defense of the war in Ukraine? Putin's patriarch is trying». Los Angeles Times (em inglês) 
  32. Cichowlas, Ola (14 de abril de 2017). «Patriarch Kirill: From Ambitious Reformer to State Hardliner : Russia's top Orthodox cleric has led the church into the heart of the state». The Moscow Times (em inglês) 
  33. «Поздравление Святейшего Патриарха Кирилла Президенту России В.В. Путину с 70-летием со дня рождения / Патриарх / Патриархия.ru». Патриархия.ru (em russo). Consultado em 11 de outubro de 2022 
  34. a b «God Put Putin at Russia's Helm for a Reason, to Transform Her - Head of Russian Church (Kirill)». gorthodox.com (em inglês). Consultado em 11 de outubro de 2022 
  35. «Patriarca – ECCLESIA Brasil». Consultado em 10 de outubro de 2022 
  36. «Igreja Ortodoxa Russa rompe com Patriarcado de Constantinopla». G1. Consultado em 11 de outubro de 2022 
  37. Guerini, Cristina. «O cisma ortodoxo, fala Moscou. Hilarion:». www.ihu.unisinos.br. Consultado em 11 de outubro de 2022 
  38. «Schismatic So-called "Orthodox Church of Ukraine" Desires Union with Greek Catholics, Wants Rome and Constantinople to Decide». gorthodox.com (em inglês). Consultado em 11 de outubro de 2022 
  39. «Kiev: Constantinople's Special Status Unfounded, Caused Crisis in World Orthodoxy». gorthodox.com (em inglês). Consultado em 11 de outubro de 2022 
  40. «Determined to Dominate, Constantinople Creates Roadblocks for Pan-Orthodox Council Summit». gorthodox.com (em inglês). Consultado em 11 de outubro de 2022 

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Aleixo II
Patriarca de Moscou e Toda a Rússia
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]