Horário político

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Horário Eleitoral Gratuito)
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, comprometendo a sua verificabilidade (desde novembro de 2014).
Por favor, adicione mais referências inserindo-as no texto. Material sem fontes poderá ser removido.—Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Exemplo de aviso usado por emissoras de televisão brasileiras, quando não podem exibir a propaganda eleitoral de determinado partido, no horário destinado a ele.

O horário político, horário eleitoral gratuito (português brasileiro) ou direito de antena ou tempo de antena (português europeu) é um espaço reservado por lei, dentro das programações de televisão e rádio, para propaganda eleitoral dos candidatos concorrentes, a fim de cada um apresentar seus projetos de governo.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, durante o período eleitoral, o horário eleitoral gratuito é exibido simultaneamente em todas emissoras de TV aberta e de rádio AM e FM do país. Ele foi instituído pela lei Nº 4.737, de 15 de julho de 1965, que criou o Código Eleitoral Brasileiro.[1] Atualmente, o horário eleitoral é regulamentado pela Lei nº 9.504/97[2] com alterações baseadas na Lei nº 13.165/2015.

Na televisão, a propaganda eleitoral gratuita é veiculada em dois períodos: à tarde, das 13h00 às 13h10, e, à noite, das 20h30 às 20h40; no rádio, das 7h às 7h10 e das 12h às 12h10.[3] Anúncios gratuitos isolados também são veiculados ao longo do dia, como inserções na programação normal da emissora. Esse tipo de propaganda ocorre durante os 35 dias que antecedem o dia anterior à véspera da eleição.[4] As mudanças foram feitas com base na Lei 13.165/2015.

O termo "gratuito", na prática, refere-se apenas aos partidos e seus candidatos. As emissoras, embora não sejam remuneradas diretamente pelas propagandas, ganham descontos no imposto de renda por cederem espaços em sua grade para essas inserções.[4]

Tempo[editar | editar código-fonte]

Há critérios para definição do tempo de cada candidato:

  • Os candidatos a presidente da república dividem entre si seis minutos em cada dia, inclusive aos domingos.
  • Um terço do tempo do horário eleitoral gratuito é dividido igualmente entre todos os candidatos e dois terços proporcionalmente às bancadas dos partidos no Congresso.

Desde a reforma eleitoral de 2015, o horário de propaganda eleitoral, em época de eleições gerais, é dividido da seguinte forma:

  • Os candidatos a presidente tem direito a 12'30" de exposição por bloco, o mesmo aplicando-se à propaganda para deputado federal;
  • Os candidatos a governador, quando há a renovação do senado em um terço, tem 10 minutos por bloco, o mesmo aplica-se à propaganda para deputado estadual. Quando há a renovação de dois terços do senado, os candidatos a governador têm direito a 9 minutos por bloco, o mesmo aplica-se à propaganda para deputado estadual;
  • Os candidatos ao Senado Federal têm 5 minutos por bloco quando há a renovação de um terço do senado. Quando há a renovação de dois terços do senado, os candidatos têm 7 minutos por bloco.

Uma alteração reduziu o horário eleitoral gratuito: agora serão dois blocos no rádio e dois na televisão com dez minutos.

Eleições municipais[editar | editar código-fonte]

Até as eleições municipais de 2012, às segundas, quartas e sextas havia o horário para candidatos às prefeituras das cidades, com duração de 30 minutos. As propagandas para vereador aconteciam às terças, quintas e sábados, também com duração de 30 minutos.

Com a Lei nº 13.165/2015 (a chamada reforma eleitoral de 2015), a duração foi encurtada para dois blocos diários de 10 minutos e apenas o horário dos candidatos a prefeito vai ao ar diariamente (segunda a sábado).[5] Além dos blocos, os partidos terão direito a 70 minutos diários, que serão distribuídos entre os candidatos a prefeito (60%) e vereadores (40%), para divulgação de inserções. As inserções com duração de 15 segundos, que existiam até as eleições municipais de 2012, agora não serão mais permitidas, dando espaço apenas para opções entre inserções de 30 ou 60 segundos.[6]

Além disso, foram alteradas as regras relativas à propaganda eleitoral antecipada, ou seja, aquela que ocorre antes do prazo final para registro de candidatura. A propaganda eleitoral, que podia ser iniciada a partir de 5 de julho, agora só terá início no dia 15 de agosto. Porém, com essa nova regra, a participação de um pré-candidato em entrevistas, programas, encontros ou debates no rádio, na televisão e na internet, passa a não ser mais classificada como propaganda eleitoral antecipada.[7]

Em Brasília[editar | editar código-fonte]

Durante as eleições municipais, todas as cidades brasileiras elegem seus representantes para o cargo de vereador e de prefeito. Todas, no caso, dos 26 Estados da federação brasileira. No Distrito Federal é diferente. Quem mora na capital federal, Brasília, ou em suas cidades-satélite, só vota em eleições para presidente, governador, senadores e deputados. Ao eleger um governador, a população do Distrito Federal elege, também, seu "prefeito". O governador eleito é quem dirige o Distrito Federal. O Distrito Federal é dividido em Regiões Administrativas, cujos administradores são indicados pelo governador. Dessa maneira, na época de eleições municipais no país, não há o Horário Eleitoral Gratuito em Brasília.

Propaganda dos partidos[editar | editar código-fonte]

Quando não há eleição, os partidos se revezam para exibir inserções próprias e obrigatórias nos intervalos das grandes redes de rádio e TV, sempre nas faixas entre 19h (nas rádios, 20h) e 22h, e todas as quintas-feiras e algumas terças-feiras, no horário das 20h (rádio) e 20h30 (TV), com tempo entre 5 e 10 minutos na televisão e 10 e 15 minutos no rádio (varia com o tamanho de filiação e bancada dos partidos). Essas propagandas podem ser nacionais ou regionais, isso varia de acordo com a decisão dos partidos.

Crime na internet[editar | editar código-fonte]

A partir das eleições de 2016, segundo o artigo 57-A da Lei n° 9.504/1997, será considerado crime contratar direta ou indiretamente um grupo de pessoas especificamente para emitir mensagens ou comentários na internet com a intenção de difamar algum candidato, partido ou coligação. A pena é a detenção de 2 a 4 anos e multa de R$15 mil à R$50 mil, e poderá ser aplicada tanto para o contratante quanto para o contratado.[4]

No mundo[editar | editar código-fonte]

Alguns países dividem igualmente entre os partidos o tempo disponível de Horário Político, como França, Grã-Bretanha e Dinamarca. Outros, como a África do Sul e Namíbia, dividem uma parte igualmente, e o resto por critérios de popularidade, de acordo com o desempenho do partido em eleições anteriores, tamanho de bancadas, desempenho nas pesquisas e número de candidatos. No México, 30% do tempo de TV é distribuído igualmente, independentemente do tamanho de cada legenda ou desempenho na eleição anterior. Os 70% restantes são alocados conforme o desempenho na última eleição. Na Espanha, o tempo é distribuído de acordo com o desempenho na eleição anterior. Na França, a fórmula é dividir o tempo de TV igualmente entre todos os presidenciáveis. Na Dinamarca, o tempo também é dividido por igual, mas um partido precisa ter ultrapassado certo número de votos na eleição anterior para participar do horário gratuito. Na maior parte dos países da África, apenas as TVs estatais veiculam o horário gratuito. Países como Nigéria, Libéria e Botswana obrigam as TVs estatais a veicularem propaganda política. Em Barbados, Canadá e Montenegro, o sistema é misto - os partidos ganham tempo gratuito e, além disso, podem comprar espaço adicional em TV ou rádio.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lei n° 4.737, de 15 de julho de 1965. Institui o Código Eleitoral.
  2. Lei n° 9.504, de 30 de setembro de 1997. Estabelece normas para as eleições.
  3. Programa eleitoral gratuito no rádio e na TV começa amanhã. Agência Brasil, 20 de agosto de 2012.
  4. a b Gasparian, Taís (2015). «O rádio e a TV sob pressão». ESPM. Revista de Jornalismo ESPM (11): 60-63. ISSN 2238-2305 
  5. [1]
  6. [2]
  7. [3]
  8. Países têm propaganda eleitoral gratuita e paga. Estadão, 15 de agosto de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]