João Santana

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Disambig grey.svg Nota: Para o político brasileiro, veja João Santana (político). Para o político brasileiro ex-ministro dos Transportes e das Comunicações, veja João Eduardo Cerdeira de Santana.
João Santana
Nome completo João Cerqueira de Santana Filho
Nascimento 5 de janeiro de 1953 (69 anos)
Tucano, Bahia
Nacionalidade brasileiro
Cônjuge Mônica Moura
Ocupação Jornalista, escritor e publicitário

João Cerqueira de Santana Filho (Tucano, 5 de janeiro de 1953)[1] é um jornalista, músico, escritor e publicitário brasileiro.

Com trajetória profissional que passa pelas redações de grandes jornais e revistas, pela música e literatura, João Santana acabou se destacando no marketing político, onde é considerado o profissional de sua geração que mais elegeu presidentes (dentre os brasileiros, o de maior projeção internacional) e um dos estrategistas políticos de maior prestígio do mundo.

Comandou diretamente o marketing vitorioso de oito eleições presidenciais, o que lhe confere um local destacado no ranking mundial de sua atividade. Foi o coordenador do marketing vitorioso das campanhas de Lula (2006) e Dilma Roussef (2010 e 2014), no Brasil; Hugo Chávez (2012), na Venezuela; Mauricio Funes, em El Salvador; Danilo Medina, na República Dominicana; e José Eduardo Santos, em Angola. Três destas vitórias foram conseguidas em um mesmo ano (2012), um feito inédito no marketing político internacional.[2]

Além destes pleitos presidenciais, comandou dezenas de campanhas para governador, prefeito, senador e deputados no Brasil e na Argentina.[2] Em 2020, foi colocado, pela revista Campaigns and Elections em nono lugar na lista dos dez melhores consultores políticos do mundo.[3]

Preso pela Operação Lava Jato em fevereiro de 2016, foi solto em agosto do mesmo ano, passando a cumprir medida cautelar, após pagamento de fiança e assinatura de acordo de colaboração premiada com a Justiça – homologado pelo Supremo Tribunal Federal,[4] em 2017. Foi absolvido das acusações de corrupção e organização criminosa, e condenado por lavagem de dinheiro pelo recebimento de pagamentos em caixa dois nas campanhas do PT.[5]

Carreira e Atuação[editar | editar código-fonte]

No Jornalismo[editar | editar código-fonte]

Formado em Comunicação Social pela Faculdade de Comunicação da UFBA, no começo da sua carreira João Santana foi repórter do Jornal da Bahia e Tribuna da Bahia, além de criador e diretor dos tabloides alternativos Boca do Inferno e Invasão, em 1976.

Os principais postos que ocupou nesta área foi como Chefe da Sucursal Bahia-Sergipe do jornal O Globo (1978-1982), Chefe da Sucursal Bahia da revista Veja (1982-1984), Chefe de Redação em Brasília do Jornal do Brasil (1985-1986) e Diretor da Sucursal Brasília da revista IstoÉ, onde ganhou o Prêmio Esso de Reportagem de 1992, com a matéria "Eriberto - Testemunha Chave", decisiva para o impeachment do Presidente Fernando Collor.

Na Comunicação Social[editar | editar código-fonte]

Na gestão de Mário Kertész na prefeitura de Salvador (1986-1989), João Santana teve a sua experiência direta na vida pública, como Secretário de Comunicação Social, fazendo parte de uma equipe que contava com artistas e intelectuais como Gilberto Gil, Waly Salomão, Rogério Duarte, Márcio Meirelles, entre outros, e onde estavam também o arquiteto e urbanista João Filgueiras Lima (Lelé) e o filósofo Roberto Pinho – com os quais seguiu em outros projetos, como a implantação das novas unidades hospitalares da rede Sarah Kubitschek em Brasília, São Luís e Salvador.

No marketing político-eleitoral[editar | editar código-fonte]

João Santana começou sua atuação no marketing político com Duda Mendonça, de quem viria se tornar sócio em 1997. Quando a sociedade acabou em 2002, ele criou a Polis Comunicação e Marketing, com sua esposa Mônica Moura.

Comandou diretamente o marketing de dez campanhas presidenciais: Duhalde (Argentina, 1999), Lula (Brasil, 2006), Maurício Funes (El Salvador, 2009), Dilma (Brasil, 2010), Danilo Medina (República Dominicana, 2012), Hugo Chávez (Venezuela, 2012), Jose Eduardo (Angola, 2012), Jose Domingos Árias (Panamá, 2014), Dilma (Brasil, 2014) e Danilo Medina (República Dominicana, 2016) – somando oito vitórias em sete países diferentes, sendo três em um mesmo ano, um feito inédito no marketing político internacional que lhe conferiu um lugar destacado no ranking mundial de sua atividade.

A Campaigns and Elections, uma das mais respeitadas publicações do gênero, o coloca ao lado de David Axelrod (Obama), Brad Parscale (Trump), Gerald Butts (Trudeau), Robby Mooks (Hillary), e Ismael Emelien (Macron), entre outros, como os melhores profissionais desta área no mundo. Além dos pleitos presidenciais, João Santana comandou dezenas de campanhas para governador, prefeito, senador e deputados, no Brasil e na Argentina.

Em abril de 2021, João Santana foi contratado para trabalhar na comunicação do PDT.[6]

Na Operação Lava Jato[editar | editar código-fonte]

Foi preso em fevereiro de 2016, na 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Operação Acarajé, e solto em agosto do mesmo ano após acordo de colaboração premiada, pagamento de fiança e outras condições exigidas pela justiça. Em julho de 2016, admitiu em juízo caixa dois no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato, e em abril de 2017 teve sua colaboração premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal. Em 2 de fevereiro de 2017 foi condenado a 8 anos e quatro meses de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. Sua esposa, Monica Moura também foi condenada e teve a mesma pena. Após ambos passarem 160 dias preso em regime fechado, usaram tornozeleira eletrônica até 2019.[7]

Em entrevista de grande repercussão[8] no programa Roda Viva, da TV Cultura, em outubro de 2020, João Santana fez autocríticas por ter concordado em receber pagamentos não contabilizados, mas denunciou que o Caixa Dois era uma pratica generalizada no Brasil, afirmando que a prática “foi sempre a alma do sistema eleitoral.”[9]

Para ele, a operação Lava Jato perdeu a oportunidade de resolver o problema. E perguntou: “Não seria muito mais importante para a purificação do sistema se a Lava Jato, quando descobrisse um caso de caixa dois da magnitude do nosso, tivesse mandado para a Procuradoria-Geral da República e pedisse que ela, junto com TSE, fizesse uma grande força tarefa no Brasil para examinar tudo?” Para Santana, a operação ficou só no caso do então governo, sem ampliar seu escopo.

Nas artes[editar | editar código-fonte]

Como escritor, em 2002, publicou Aquele Sol Negro Azulado – “(…) um romance povoado por fantasmas e demônios do medo brasileiro - a relação com os Estados Unidos, a internacionalização da Amazônia, a integridade territorial, a complexa trama étnica, a pobreza, a biopirataria, o artificialismo das instituições.” Editado no Brasil e Argentina.

E foi através da música que ele começou a se expressar publicamente, como compositor e letrista principal do grupo Bendegó.[10]

Foi também parceiro de Moraes Moreira e teve canções gravadas por Diana Pequeno, Amelinha e outro cantores de sucesso na década de 80.

Em novembro de 2020, em parceria com Jorge Alfredo, lançou o álbum Suave Distopia.[11]

Referências

  1. Rodrigues, Fernando (26 de novembro de 2012). «Marqueteiro do PT, João Santana venceu 6 das 7 campanhas presidenciais que fez». Folha de S. Paulo. Consultado em 23 de fevereiro de 2016 
  2. a b Carvalho, Luiz Maklouf (4 de outubro de 2013). «João Santana, o homem que elegeu seis presidentes». Época. Consultado em 22 de fevereiro de 2016 
  3. «Los 10 Mejores Consultores Politicos del Mundo» (em espanhol). Campaigns and Elections. 1 de abril de 2020. Consultado em 21 de outubro de 2020 
  4. Ramalho, Renan (4 de abril de 2017). «Ministro do STF homologa delações de João Santana e de Mônica Moura». Portal G1 
  5. «Monica Moura e João Santana são absolvidos do crime de corrupção e cumprirão 1 ano e meio de recolhimento domiciliar». METRO1. 6 de junho de 2017. Consultado em 26 de junho de 2017 
  6. «Ex-marqueteiro de Lula, João Santana passa a trabalhar na comunicação do PDT, revela Ciro». Sonar - A Escuta das Redes - O Globo. Consultado em 24 de abril de 2021 
  7. «João Santana e Mônica vão usar tornozeleira até 2019»Subscrição paga é requerida. ESTADÃO. 6 de outubro de 2017. Consultado em 12 de outubro de 2021 
  8. «"Political Midas" João Santana, forgotten casualty of the coup...». Brasil Wire. 27 de outubro de 2020. Consultado em 30 de outubro de 2020 
  9. «'Caixa 2 foi sempre a alma do sistema eleitoral brasileiro', diz João Santana». Poder360. 26 de outubro de 2020. Consultado em 12 de outubro de 2021 
  10. Martins, Sergio (7 de março de 2016). «Patinhas: de compositor promissor a réu da Operação Lava Jato». Veja 
  11. «João Santana e Jorge Alfredo retomam parceria em 'Suave Distopia'». METRO1. 6 de novembro de 2020. Consultado em 12 de outubro de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]