Manaquiri

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Município de Manaquiri
Casa flutuante em Manaquiri

Casa flutuante em Manaquiri
Bandeira de Manaquiri
Brasão de Manaquiri
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 25 de Fevereiro
Fundação 10 de dezembro de 1981 (37 anos)
Gentílico manaquiriense
Prefeito(a) Jair Aguiar Souto (MDB)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Manaquiri
Localização de Manaquiri no Amazonas
Manaquiri está localizado em: Brasil
Manaquiri
Localização de Manaquiri no Brasil
03° 25' 41" S 60° 27' 34" O03° 25' 41" S 60° 27' 34" O
Unidade federativa Amazonas
Mesorregião Centro Amazonense IBGE/2008[1]
Microrregião Manaus IBGE/2008[1]
Região metropolitana Manaus
Distância até a capital 156 km
Características geográficas
Área 3 975,759 km² [2]
População 31 147 hab. (AM: 25º) –  estimativa populacional - IBGE/2018[3]
Densidade 7,83 hab./km²
Clima Equatorial Aw
Fuso horário UTC-4
Indicadores
IDH-M 0,596 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 249 818 mil IBGE/2016[5]
PIB per capita R$ 8 518,37 IBGE/2016[5]

Manaquiri é um município brasileiro localizado na Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas. De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2018, sua população era de 31 147 habitantes.[6]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1849, o cientista britânico Alfred Russel Wallace passou dois meses em Manaquiri, fazendo pesquisas sobre peixes, insetos, aves e mamíferos, como ele mesmo narra no seu livro Viagens pelos rios Amazonas e Negro, tradução brasileira do original inglês A Narrative of Travells on the Amazon and Rio Negro, with an Account of the Native Tribes, and Observations on the Climate, Geology, and Natural History of the Amazon Valley.

Naquele tempo, meados do século XIX, Manaquiri era apenas uma pequena fazenda do português Antônio José Brandão, que ali criava animais de grande e de pequeno portes, cultivava fumo e cana-de-açúcar, e produzia todo tipo de frutas tropicais, como goiaba, banana, laranja e muitas outras.

Ele era casado com uma mestiça, neta do chefe manau Comadri, de Mariuá, havida por uma filha desse cacique com um português da tropa ao serviço do governador do Pará, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, que fora a Mariuá estabelecer a vila que seria sede da Capitania de São José da Barra do Rio Negro.

O referido governador escolheu Mariuá, cujo nome alterou para Barcelos, atendendo às determinações do Diretório dos Índios, proposta do seu irmão Marquês de Pombal, e aprovado por alvará de 1758. Este documento legal determinava, entre outras providências, a mudança dos nomes de aldeias e vilas de língua indígena para a portuguesa.

Durante a chamada Cabanagem, revolução que se iniciou no Pará e se estendeu até o alto Amazonas, os índios vizinhos de Antônio José Brandão, com quem se davam bem, foram aliciados pelos cabanos, atacaram a fazenda, chacinaram quase todos os empregados, mataram os animais e incendiaram a casa de moradia. Sua família não foi trucidada porque logrou esconder-se na floresta, durante três dias, até que conseguiu sair para a Barra do Rio Negro, como se chamava Manaus, naquele tempo.

Antônio José Brandão reconstruiu sua fazenda, mas não refez sua casa-grande, por desgosto.

Pôr do sol em Manaquiri.

Pai de doze filhos, ele era sogro de Henrique Antony (nome de rua em Manaus), casado com Leocádia Brandão Antony, de quem descende toda a família Antony, do Amazonas; e, também, de Alexandre Paulo de Brito Amorim, português de Arcos de Valdevez, casado com Amélia Brandão de Amorim, o qual, como Vice-Cônsul, foi o primeiro representante consular do governo português em Manaus, de 1854 a 1873, e um dos fundadores da Associação Comercial do Amazonas.

Em 1866, Alexandre Paulo de Brito Amorim constitiu a Companhia de Navegação do Alto Amazonas, que obteve concessão para explorar as linhas dos rios Negro, Purus e Madeira, a partir de Manaus.

Na capital amazonense, existe, em sua homenagem, a Rua Alexandre Amorim. Ele foi o pai de Antônio Brandão de Amorim, tupinólogo, autor do livro Lendas em Nheengatu e em Português, publicado originalmente pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1928, e, depois, em 1987, pela Associação Comercial do Amazonas.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

O município possuía, em 2009, 3 estabelecimentos de saúde, sendo todos estes públicos municipais ou estaduais, entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos. Neles havia 12 leitos para internação.[7] Em 2014, 85,97% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia. O índice de mortalidade infantil entre crianças menores de 5 anos, em 2016, foi de 15,81 indicando uma redução em comparação a 2000, quando o índice foi de 44,72 óbitos a cada mil nascidos vivos. Entre crianças menores de 1 ano de idade, a taxa de mortalidade reduziu de 28,46 (2000) para 15,81 a cada mil nascidos vivos, totalizando, em números absolutos, 57 óbitos nesta faixa etária entre 2000 e 2016. No mesmo ano, 18,58% das crianças que nasceram no município eram de mães adolescentes, a menor incidência entre os municípios amazonenses. Conforme dados do Sistema Único de Saúde (SUS), órgão do Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade devido a acidentes de transportes terrestres registrou 6,82 óbitos em 2016, revelando um aumento comparando-se com o resultado de anos anteriores, quando não se registrou nenhum óbito neste indicador. Ainda conforme o SUS, baseado em pesquisa promovida pelo Sistema de Informações Hospitalares do DATASUS, não houveram internações hospitalares relacionadas ao uso abusivo de bebidas alcoólicas e outras drogas, entre 2008 e 2017.[8]

A taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 25,75 para 1.000 nascidos vivos. Em 2016, 75% das mortes de crianças com menos de um ano de idade foram em bebês com menos de sete dias de vida. Óbitos ocorridos em crianças entre 7 e 27 dias de vida não foram registrados. Outros 25% dos óbitos foram em crianças entre 28 dias e um ano de vida. No referido período, houveram 2 registros de mortalidade materna, que é quando a gestante entra em óbito por complicações decorrentes da gravidez. O Ministério da Saúde estima que 100% das mortes que ocorreram em 2016, entre menores de um ano de idade, poderiam ter sido evitadas, especialmente pela adequada atenção à saúde da gestante, bem como pela adequada atenção à mulher durante o parto. Cerca de 82,5% das crianças menores de 2 anos de idade foram pesadas pelo Programa Saúde da Família em 2014, sendo que 0,1% delas estavam desnutridas.[8][9][10]

Manaquiri possuía, até 2009, estabelecimentos de saúde especializados em clínica médica, obstetrícia, traumato-ortopedia, psiquiatria, pediatria e outras especialidades médicas, e nenhum estabelecimento de saúde com especialização em cirurgia bucomaxilofacial ou neurocirurgia. Dos estabelecimentos de saúde, apenas 1 deles era com internação.[7] Até 2016, havia 17 registros de casos de HIV/AIDS, tendo uma taxa de incidência, em 2016, era de 3,41 casos a cada 100 mil habitantes, e a mortalidade, em 2016, de 0 óbitos a cada 100 mil habitantes.[8] Entre 2001 e 2012 houveram 52 casos de doenças transmitidas por mosquitos e insetos, sendo as principais delas a dengue e a leishmaniose.[11]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Estimativa populacional 2018» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 29 de agosto de 2018 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 9 de setembro de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - Manaquiri». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 15 de fevereiro de 2019 
  6. «Manaquiri». cidades.ibge.gov.br. IBGE. Consultado em 15 de fevereiro de 2019 
  7. a b Cidades@ - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Serviços de saúde - 2009». Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  8. a b c Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) (2014). «ODS 03: Saúde e bem-estar». Relatórios Dinâmicos. Consultado em 21 de dezembro de 2018 
  9. Portal ODM (2015). «1 - acabar com a fome e a miséria». Consultado em 20 de dezembro de 2018 
  10. @Cidades. «Saúde». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 20 de dezembro de 2018 
  11. Portal ODM (2012). «6 - combater a Aids, a malária e outras doenças». Consultado em 21 de dezembro de 2018