Maria João Avillez
| Maria João Avillez | |
|---|---|
| Nome completo | Maria João Pinto da Cunha de Avilez van Zeller |
| Nascimento | 4 de fevereiro de 1945 (80 anos) |
| Nacionalidade | |
| Cônjuge | Francisco van Zeller (1966-presente, 5 filhos) |
| Ocupação | Jornalista, Cronista, Analista de Assuntos Políticos |
Maria João Pinto da Cunha de Avilez van Zeller GOIH (Lisboa, Campo Grande, 4 de fevereiro de 1945), jornalista, cronista e analista política portuguesa[1][2].
Biografia
[editar | editar código]Infância e juventude
[editar | editar código]Maria Joao Avillez nasceu em Lisboa, no seio de uma família de origem aristocrática - nomeadamente, a família do avo paterno (Melo e Castro) detinha o titulo de Conde das Galveias, atribuido por D. Pedro II, e a da avo paterna (Avilez) o de Conde de Avilez, atribuido por D. Maria II[3].
Cresceu na casa familiar, com mais duas irmas - uma das quais seria a futura jurista e dirigente politica Maria José Nogueira Pinto -, o Palácio do Conde de Vimioso (por vezes também referido como Palácio Valença-Vimioso), situado ao cimo do Campo Grande (edifício classificado como Imóvel de Interesse Público, hoje utilizado por um estabelecimento de ensino superior privado)[3].
Refira-se que na mesma casa chegou a viver, na sua juventude, a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, parente da família materna[4].
Maria João Avillez teve a sua primeira experiência na comunicação social era ainda adolescente, com um programa chamado Olá Companheiros, transmitido na Rádio Renascença[5].
Pouco depois, com 17 anos, surgia na RTP, como elemento do Programa Juvenil - os outros elementos viriam a ser figuras destacadas das artes e da comunicação - Lídia Franco e Júlio Isidro - e ainda o futuro médico e professor universitário João Lobo Antunes[2][6][5].
Entrara nesse programa na sequência de uma intervenção de Yvette Centeno, que era sua professora e, igualmente, uma colaboradora da RTP[5].
Em seguida fundava com um grupo de amigos o Companheiros e o AZ, dois jornais que acabaram por falta de financiamento[2][1].
Voltou à Rádio Renascença como locutora em programas juvenis e de leitura de poesia, passando depois a apresentar, na Emissora Nacional, o Programa Feminino[2][1].
Carreira profissional no jornalismo
[editar | editar código]Aos 28 anos, já casada com Francisco van Zeller, Maria João Avillez confirmou a sua carreira no jornalismo ao ser admitida como redatora estagiária em A Capital[2][1].
É ainda ao serviço desse título que obtém, no período imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974 uma das primeiras entrevistas do então Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves.
Sairia desse matutino no mesmo ano, já efetiva, para iniciar uma colaboração free-lance com o Expresso[2][1].
Pouco depois, acabaria por ingressar como redatora principal[7] do semanário dirigido por Francisco Pinto Balsemão e, a seguir, por Marcelo Rebelo de Sousa[8][1].
No Expresso começou por realizar uma reportagem sobre a manifestação de apoio ao General António de Spínola, de 28 de setembro de 1974, conhecida como iniciativa da Maioria Silenciosa[8].
Assim, ao mesmo tempo que figuras próximas de si (por razões familiares ou sociais) deixavam Portugal rumo à Europa ou ao Brasil, procurando escapar-se das contingências da revolução, Maria João Avillez consolidava o seu percurso no jornalismo político em Democracia, domínio em que acabaria por desenvolver uma longa carreira[8].
Em 1981 a sua reportagem Sá Carneiro - o último retrato, publicada no semanário após a morte do então Primeiro-Ministro na Tragédia de Camarate, em dezembro de 1980[1], valeu-lhe o Prémio EFE (agência nacional noticiosa de Espanha), entre 350 candidaturas, para a Melhor Reportagem do Ano[7].
A jornalista regressaria à televisão, desta vez em programas de entrevistas - fê-lo na RTP2, com o programa Interiores (1992-1993), e, posteriormente, na SIC Notícias, canal de cabo que integrou desde a respetiva fundação, aí apresentando dois programas de entrevistas aos domingos à noite, sob os títulos de Conversa Afiada (2001-2003) e de Outras Conversas (2004-2006). Em todos eles conversou com diversas personalidades, desde logo diversos dirigentes políticos, mas também jornalistas, escritores, artistas plásticos, cineastas, etc.[9]
Nos anos seguintes a sua colaboração com a televisão seria essencialmente dedicada à análise política, porém no universo da TVI - entre 2012 e 2021, na TVI 24 e, entre 2021 e 2023, na CNN Portugal[7].
Em 2023 regressaria à SIC Notícias, na mesma atividade de comentário de assuntos políticos e, pontualmente, de entrevistadora, de líderes políticos[7].
Paralelamente foi ainda cronista dos diários Público e i, bem como da revista semanal Sábado e, ainda na imprensa escrita, responsável de entrevistas do Diário Económico[10].
Também foi cronista de assuntos políticos na Rádio Renascença e na Rádio Clube Português[10].
Em 2014 iniciou uma colaboração com o jornal on-line Observador, fundado por David Dinis, bem como na Rádio Observador, órgãos nos quais tem colaborado como entrevistadora, cronista e analista política[11].
Publicação de livros
[editar | editar código]Maria João Avillez publicou vários livros, fruto da sua experiências jornalísticas, a partir das suas entrevistas políticas e não só.
Em 1982 o desenvolvimento de sua investigação biográfica de Francisco Sá Carneiro deu origem ao seu primeiro livro, Francisco Sá Carneiro - Solidão e Poder[1][2].
Em seguida, a jornalista dedicaria vários trabalhos a outros líderes partidários dos primeiros anos da Democracia[1][2]: publicou quatro livros dedicados a Mário Soares, de que consta uma biografia autorizada, intitulada Soares - o Presidente, em 1996[1]; sobre Álvaro Cunhal assinou Conversas com Álvaro Cunhal e outras lembranças de Maria João Avillez, de 2004[7].
Em Entre Palavras, em 1984, reuniu uma série de entrevistas realizadas por si ao longo de uma década, entre 1974 e 1984.
Em Portugal - as sete partidas do mundo, publicado em 2000, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, abordou a presença histórica e cultural de Portugal pelo mundo através de relatos jornalísticos de viagens a locais marcados pela influência portuguesa (como Goa, Malaca, Brasil e África), com fotografias do seu colega do Expresso Rui Ochôa, e prefácio de João Lobo Antunes[2][7].
Em Vítor Gaspar por Maria João Avillez, de 2014, voltaria a dedicar uma livro a um protagonista da cena politica; este seguiu, de novo, a formula de reunião de um conjunto de entrevistas conduzidos pela jornalista com o economista, sobre o seu período enquanto ministro das Finanças, coincidindo com o delicado período da assistência da Troika a Portugal[12].
Polémicas
[editar | editar código]Em 2024 - após ter realizado, para a SIC generalista, uma entrevista ao Primeiro-Ministro Luís Montenegro, foi notificado que, desde 2008, Maria João Avillez deixaria de ser detentora de Carteira Profissional de Jornalista[13].
Família, casamento e descendência
[editar | editar código]Filha de Luís de Avilez de Almeida Melo e Castro (Amadora, Oeiras, 27 de Março de 1917 — Lisboa, Campo Grande, 23 de Outubro de 2007)[14], bisneto do 8.º Conde das Galveias e trineto do 1.º Visconde do Reguengo e 1.º Conde de Avillez, e de sua mulher (Lisboa, Campo Grande, 25 de Julho de 1943)[14] Maria José de Melo Breyner Pinto da Cunha (Lisboa, Campo Grande, 10 de Abril de 1920 — 11 de novembro de 2013). Esta é prima de Sophia de Mello Breyner[15].
Casou em Lisboa, Campo Grande, a 7 de Junho de 1966 com Francisco van Zeller, sendo mãe de uma filha e quatro filhos:[16]
- Verónica Avilez van Zeller (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 7 de Outubro de 1967), Licenciada em Economia; a 22 de Junho de 2001 professou como Irmã Verónica da Misericórdia de Deus, na Ordem Carmelita em Fátima
- Luís de Avilez van Zeller (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 7 de Março de 1969 - Lisboa, 18 de Dezembro de 1974)
- Pedro de Avilez van Zeller (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 28 de Março de 1972), licenciado em Arquitectura pela Universidade de Barcelona, solteiro e sem geração
- Francisco de Avilez van Zeller (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 4 de Junho de 1977), licenciado em Economia, casado em Lisboa, São Vicente de Fora, 15 de Maio de 2004 com Maria de Andrade e Sousa de Noronha e Andrade (9 de Novembro de 1978), e tem um filho:
- Luís Maria de Noronha e Andrade de Avilez van Zeller (7 de Setembro de 2005)
- Vasco Avilez van Zeller (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 22 de Junho de 1984)
É irmã da jurista e antiga política centrista Maria José Nogueira Pinto, cunhada de Jaime Nogueira Pinto, e prima-irmã da mãe do jornalista Martim Avillez Figueiredo.
Condecorações, prémios e reconhecimentos
[editar | editar código]- Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (9 de Junho de 2014).[17]
- 2022 - Prémio Carreira no âmbito dos Prémios ACTIVA Mulheres Inspiradoras.[18]
- 2022 - Prémio Consagração de Carreira Dona Antónia Adelaide Ferreira.[19]
Obras publicadas
[editar | editar código]- Portugal : the four corners of the earth (2000);
- Vítor Gaspar por Maria João Avillez (2014);
- Francisco Sá Carneiro: Solidão e Poder (2025)[20]
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j «Maria João Avillez». www.almedina.net. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e f g h i Biografia de Maria João Avillez, in Infopedia
- ↑ a b «Maria João Avillez». anabelamotaribeiro.pt. Consultado em 14 de dezembro de 2025
- ↑ «Maria João Avillez». anabelamotaribeiro.pt. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ a b c «"Deem-me uma pessoa e eu faço uma grande viagem." Entrevista de vida a Maria João Avillez». Expresso. 23 de janeiro de 2022. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ «Maria João Avillez». www.almedina.net. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ a b c d e f Observador. «Maria João Avillez». Observador. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ a b c Observador, Rui Ramos, Pedro Jorge Castro, Rádio. «Maria João Avillez: "Arranjei bigodes e cabeleiras para disfarçar o Grupo dos 9"». Observador. Consultado em 6 de agosto de 2025
- ↑ SIC
- ↑ a b «Maria João Avillez | Wook». www.wook.pt. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ Observador, Rádio. «Maria João Avillez faz 16 entrevistas sobre o que aconteceu a Portugal desde a revolução». Observador. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Vítor Gaspar de Maria João Avillez - Livro - WOOK». www.wook.pt. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ PÚBLICO (9 de outubro de 2024). «Comissão da Carteira do Jornalista pondera queixa contra Maria João Avillez por entrevista a Montenegro». PÚBLICO. Consultado em 10 de outubro de 2024
- ↑ a b «Livro de registos de casamento da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1943-05-22 - 1943-08-01)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 598 e 598v, assento 598
- ↑ Revista E N.º 2429 (18 de Maio de 2019). O princípio de Sophia, pág. 30.
- ↑ "Livro Genealógico das Famílias desta Cidade de Portalegre", Manuel da Costa Juzarte de Brito, Nuno Gonçalo Pereira Borrego e Gonçalo Manuel de Mello Gonçalves Guimarães, 1ª Edição, Lisboa, 2002, p. 121-122
- ↑ «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Maria João Pintod a Cunha de Avilez van Zeller". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 5 de julho de 2014
- ↑ «Prémios ACTIVA reconhecem o trabalho de 7 mulheres que nos inspiram todos os dias | Activa |». Activa. 19 de abril de 2023. Consultado em 30 de outubro de 2023
- ↑ «Dona Antónia :: Prémio Dona Antónia». www.premiodonaantonia.pt (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2023
- ↑ «Francisco Sá Carneiro: Solidão e Poder». Kobo. Consultado em 21 de dezembro de 2025