Mogeiro

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Município de Mogeiro
Av. Pres. João Pessoa; Prefeitura Municipal de Mogeiro; e Igreja de Nossa Senhora das Dores.'

Av. Pres. João Pessoa; Prefeitura Municipal de Mogeiro; e Igreja de Nossa Senhora das Dores.'
Bandeira de Mogeiro
Brasão de Mogeiro
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 12 de dezembro
Fundação 12 de dezembro de 1961 (56 anos)
Gentílico mogeirense
Padroeiro(a) Nossa Senhora das Dores
Prefeito(a) José Alberto Ferreira (PR)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Mogeiro
Localização de Mogeiro na Paraíba
Mogeiro está localizado em: Brasil
Mogeiro
Localização de Mogeiro no Brasil
07° 17' 56" S 35° 28' 44" O07° 17' 56" S 35° 28' 44" O
Unidade federativa Paraíba
Região
intermediária

João Pessoa IBGE/2017[1]

Região
imediata

Itabaiana IBGE/2017[1]

Região metropolitana Itabaiana
Municípios limítrofes Norte: Juarez Távora e Gurinhém;
Sul: Salgado de São Félix;
Leste: São José dos Ramos e Itabaiana;
Oeste: Ingá e Itatuba
Distância até a capital 110 km
Características geográficas
Área 214,389 km² (PB:111º)[2]
População 13 300 hab. (PB: 69º) –  estimativa populacional - IBGE/2016[2]
Densidade 62,04 hab./km²
Altitude 117 m
Clima semiárido com chuvas de verão
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,574 (PB: 137º) – baixo PNUD/2010[3]
PIB R$ 90 377 mil (PB: 65º) – IBGE/2013[4]
PIB per capita R$ 6 770 mil IBGE/2013[4]
Página oficial
Prefeitura www.mogeiro.pb.gov.br

Mogeiro é um município brasileiro localizado na Região Geográfica Imediata de Itabaiana, estado da Paraíba. Sua população em 2016 foi estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 13.300 habitantes, distribuídos em 214 km² de área.[2] O município integra a Região Metropolitana de Itabaiana, criada em 2013, pela Lei Complementar Estadual nº 118, para incentivar o desenvolvimento dos municípios da região nas áreas de educação, cultura, saúde e de demais interesses comuns.[5]

Na agricultura, destaca-se por ser o principal produtor de amendoim do estado da Paraíba, com cerca de 300 ha de área média cultivada, abastece o mercado consumidor paraibano e de estados vizinhos.[6] Em 2015 foram produzidas 100 t do produto,[7] já tendo atingido 252 t e 450 ha de área plantada no ano de 2011.[8]

Topônimo[editar | editar código-fonte]

Recebeu o nome de um riacho que corta suas terras, "Riacho de Mogeiro", cuja significação ainda não foi descoberta, apenas existem hipóteses a esse respeito. A primeira diz vir do substantivo masculino "Mugeiro", que significa espécie de águia que pesca mugens; a segunda supõe vir do vocábulo indígena "mong-eir", que significa mel pegajoso. Outra versão para a origem do nome da cidade refere-se aos monges que habitavam a região. Nas suas moradias, conservadas até a metade do século passado, celebravam-se missas, realizavam-se batizados, casamentos e novenas. E os moradores diziam: "vamos para os monges", "para casa dos monges", "para o mosteiro" e, finalmente, "Mogeiro". Há quem diga que os monges residiam nas proximidades de uma pedra denominada Pedra do Convento e a origem do nome vem da junção dos nomes Monge + Lajeiro[nota 1] = Mongeiro, depois Mogeiro. Essa é a versão mais comum e conhecida pela população.[10]

História[editar | editar código-fonte]

Registro fotográfico da Igreja de N. S das Dores, datado de 24 de outubro de 1866.
Igreja Matriz da Paróquia N. S. das Dores, em Mogeiro, restaurada e ampliada em 2016.

A região onde se situa o município era primitivamente habitada pelos índios Cariris.[11] O primeiro registro de posse foi requerido em 11 de maio de 1758, por Manoel Pereira de Carvalho ao então Governador da Província, José Henrique de Carvalho,[12] que recebeu uma porção de terras situadas em Taipu, entre o rio Paraíba e o riacho Mogeiro, onde foi iniciada a colonização. Em 1856, através da Lei Provincial n° 210, foi criado o termo "Mongeiro de Baixo" (atribuído à Fazenda São João, hoje conhecida como Mogeiro de Baixo), pertencente a Ingá. Em 1874, pela Lei Provincial n° 569, foi criado o termo "Mogeiro de Cima" (atribuído a um povoado que surgira próximo a Mogeiro de Baixo), também pertencente a Ingá, e que pela Lei Provincial n° 512, de 5 de julho do mesmo ano, o tornou na Freguesia de Nossa Senhora das Dores.[11]

Pela Lei n° 612, de 5 de julho de 1876, foi criado o distrito de Mogeiro de Cima,[11] vinculado à jurisdição de Ingá. Em 18 de maio de 1890, devido à grande influência do Conselheiro Manoel Faustino da Silva, a Lei n° 125 foi assinada pelo governador Venâncio Neiva, anexando o distrito ao município de Itabaiana, ao qual pertenceu até a sua emancipação.[13]

Até o ano de 1900, realizava-se uma feira livre em Mogeiro de Baixo, quando o subdelegado Henrique de Andrade Bezerra transferiu-a para o povoado de Mogeiro de Cima.[11] Dado o seu desenvolvimento, Mogeiro de Cima passou a sede do município, cuja emancipação se deu pela Lei n° 2.618, de 12 de dezembro de 1961, desmembrado de Itabaiana, com a denominação de Mogeiro. Quanto a Mogeiro de Baixo, como é conhecido até hoje, passou à condição de bairro da cidade.[13]

História política[editar | editar código-fonte]

Com a emancipação do município, o primeiro prefeito nomeado como interventor foi Diomendes Martins da Silva.[14] Na primeira eleição para prefeito, em 1962, foi eleito o Sr. José Benedito da Silveira,[15] José Silveira, como era conhecido. A antecipação de sua posse, antes de expirar o prazo fixado pela Justiça Eleitoral para o prefeito em exercício, Diomendes Martins da Silva, deixar o cargo, constituía-se numa atitude arbitrária, mas ainda sim ele insistiu. Colocou uma mesa numa sala anexa a uma casa residencial, convocou seus vereadores, improvisou uma seção e empossou-se no cargo. Daí em diante, houve ameaças e descomposturas, culminando no seu assassinato em 7 de novembro de 1962. Do ponto de vista político José Silveira é lembrado até hoje e considerado a maior personalidade política do município.[16]

Esta é a lista de prefeitos de Mogeiro:[15][17]

Nome Início do mandato Fim do mandato Observação
1 Diomendes Martins da Silva 1961 1962 Interventor
2 Djalma Silveira Lira 1962 1966 Vice-prefeito
3 Luiz Gonçalves de lima 1967 1969
4 Walfrido de Melo Silveira 1970 1972
5 Luiz Gonçalves de Lima 1973 1976 2° mandato
6 Walfrido de Melo Silveira 1977 1982 2° mandato
7 Luiz Gonçalves de Lima 1983 1988 3° mandato
8 José Antônio da Silva 1 de janeiro de 1989 31 de dezembro de 1992
9 Margarida Maria Silveira Gomes 1 de janeiro de 1993 31 de dezembro de 1996
10 José Paulo da Silva 1 de janeiro de 1997 31 de dezembro de 2000
11 Margarida Maria Silveira Gomes 1 de janeiro de 2001 31 de dezembro de 2004 2° mandato
12 Margarida Maria Silveira Gomes 1 de janeiro de 2005 31 de dezembro de 2008 3° mandato
13 Antônio José Ferreira 1 de janeiro de 2009 31 de dezembro de 2012
14 Antônio José Ferreira 1 de janeiro de 2013 31 de dezembro de 2016 2° mandato
15 José Alberto Ferreira 1 de janeiro de 2017 Atualidade[18]

Geografia[editar | editar código-fonte]

A cidade vista da Serra da Guararema
Gráfico climático para Mogeiro
JFMAMJJASOND
 
 
49
 
31
20
 
 
69
 
29
20
 
 
126
 
29
20
 
 
161
 
29
20
 
 
196
 
27
20
 
 
220
 
26
18
 
 
153
 
26
18
 
 
106
 
26
18
 
 
53
 
28
18
 
 
23
 
30
19
 
 
28
 
30
20
 
 
32
 
30
20
Temperaturas em °CPrecipitações em mm
Fonte: Jornal do Tempo[nota 2]

O município está localizado na zona fisiográfica da caatinga, na Mesorregião do Agreste Paraibano e na microrregião de Itabaiana, significando que o mesmo encontra-se inserido no semi-árido nordestino e na região chamada de polígono das secas. Sua área é de 219 km², representando 0,42% do território do estado da Paraíba.[20]

Relevo e Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Mogeiro situa-se na depressão sublitorânea, tendo uma superfície colinosa. Seu relevo é suavemente ondulado e drenado por riachos e alguns rios, de vales abertos e pouco profundos. Em sua porção centro-norte ocorre uma área cristalina elevada de maciços residuais com formação de serra, onde o relevo é fortemente ondulado e montanhoso.[20]

Situado na Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba, é cortado pelo rio Ingá (ou Camurim, como também é conhecido) e pelos riachos de Mogeiro e Poço Verde e, servindo como divisor dos municípios limítrofes, os rios Paraíba, Cantagalo e Gurinhém.[20]

O rio Paraíba propicia grande potencial de irrigação para beneficiamento e diversificação de culturas no município, favorecendo, ainda, a prática da piscicultura.[20]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

No município predomina como cobertura nativa a vegetação de floresta caducifólia com porte arbóreo de 8 a 10 metros de altura, clara, pouco densa, com árvores muito ramificadas e um estrato arbustivo. Na estação seca esta vegetação perde totalmente as folhas, com exceção de poucas espécies.[20]

Em menor parte do território encontra-se a floresta subcaducifólia, com porte arbóreo em torno de 20 metros de altura, densa e pouco clara, com caules geralmente retilíneos, engalhamento alto e predominando as folhas miúdas. Na estação seca parte das árvores perde suas folhagens. Ocorre também, em algumas áreas, a presença da caatinga hipoxerófita, apresentando-se com porte arbóreo, com menos frequência arbóreo-arbustivo e normalmente densa, sendo a presença de cactáceas baixas e bromeliáceas restrita às áreas mais pedregosas.[20]

Contudo, a maior parte da sua vegetação nativa já foi devastada, dando lugar à agricultura, principalmente de subsistência, e a pastagens para a pecuária, além da produção de lenha e carvão, e restam apenas cerca de 10% da reserva florestal nativa do município.[20]

As espécies nativas mais encontradas são: Braúna, Aroeira, Angico, Marmeleiro, Mulungu, Pau-d’arco amarelo,Juazeiro, Timbaúba e Catolé.[20]

Clima[editar | editar código-fonte]

De acordo com a classificação de Köppen, o município apresenta um clima tropical do tipo quente e úmido; sua temperatura média anual varia de 23º C a 26° C, sendo registrada temperatura mínima mensal de 19º C e máxima mensal de 32º.[20]

A precipitação pluviométrica média anual atual é de 431 mm, segundo o CPRM,[21] e de 450 mm, de acordo com o IDEME, com período médio de seis meses secos, tendo umidade relativa do ar em torno de 80%. Assim, o regime anual de seu clima é caracterizado unicamente pelo regime sazonal de chuvas, que compreende o período dos meses de fevereiro a agosto, com maior intensidade entre os meses de maio, junho e os mais secos de outubro e novembro.[20]

Distrito e comunidades[editar | editar código-fonte]

O território municipal é composto pelo distrito de Gameleira e suas principais comunidades são: Areal; Gavião; Pintado; Chã de Areia; Cabral; Granjeiro; Benta Hora; Tamanduá; Cumatí; Gaspar; Boa Vista; Estação; Juá; e Camurim.[20]

Notas

  1. Lajeiro, na linguagem regionalista brasileira, é o termo que define um afloramento de rochas à superfície do solo, de extensão variada; lajedo ou lajeado.[9]
  2. Os dados climatológicos representam uma média do período entre 1961 e 1990.[19]

Referências

  1. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 17 de agosto de 2017.. Cópia arquivada em 17 de agosto de 2017 
  2. a b c IBGE. «Informações completas: Mogeiro-PB». IBGE Cidades. Consultado em 2 de Julho de 2017. 
  3. PNUD. «Perfil do Município de Mogeiro, PB». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Consultado em 4 de Agosto de 2013. 
  4. a b IBGE. «Produto Interno Bruto dos Municípios 2010-2013» (XLS). Consultado em 2 de julho de 2017.. Cópia arquivada em 2013 
  5. ALPB. «Lei Complementar 118/2013» (PDF). Consultado em 2 de Julho de 2017.. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2013 
  6. Portal Correio (21 de julho de 2016). «Produção de amendoim na PB espera safra de 698 t, com renda de até R$ 2,7 mi». Consultado em 2 de Julho de 2017. 
  7. IBGE (2016). «Produção Agrícola Municipal - Lavoura Temporária - 2015». Amendoim (em casca) - Quantidade produzida » Comparação entre os Municípios: Paraíba. Consultado em 2 de Julho de 2017. 
  8. IBGE (2012). «Produção Agrícola Municipal - Lavoura Temporária - 2011». Amendoim (em casca) - Quantidade produzida » Comparação entre os Municípios: Paraíba. Consultado em 2 de Julho de 2017. 
  9. Dicionário 10. «Lajeiro significado». Consultado em 11 de setembro de 2012. 
  10. Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 20-1
  11. a b c d IBGE. «Histórico - Mogeiro(PB)». Consultado em 10 de setembro de 2012. 
  12. Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 20
  13. a b Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 21
  14. Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 25
  15. a b Tribunal Superior Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). «Histórico de Municípios - Mogeiro». Sistema de Histórico de Eleições. Consultado em 13 de setembro de 2012. 
  16. Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 26-7
  17. Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 25-6
  18. Portal Eleições 2016. «Resultado das Eleições: Mogeiro-PB». Consultado em 8 de dezembro de 2016. 
  19. Somar Meteorologia. «CLIMATOLOGIA PARA MOGEIRO-PB». Jornal do Tempo. Consultado em 22 de dezembro de 2012. 
  20. a b c d e f g h i j k Maria Leonilda da Silva. «Agricultura Familiar: Setor Estratégico para o Desenvolvimento Local no Município de Mogeiro» (PDF). UFPB: Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Departamento de Economia. Consultado em 12 de dezembro de 2012. 
  21. Serviço Geológico do Brasil (CPRM) (outubro de 2005). «Aspectos Fisiográficos» (PDF). Diagnóstico do município de Mogeiro. Ministério de Minas e Energia. Consultado em 12 de setembro de 2012. 
Bibliografia
  • Alves, Barbosa, Lucena Filho, José Antonio; João Batista Micena; Severino Alves (2008). Prefeitura Municipal de Mogeiro: ações de cultura e turismo como estratégias de relações públicas. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB. 131 páginas. ISBN 978-85-7745-302-3 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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