O Mundo Sem Nós

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O Mundo sem Nós
The World Without Us
O Mundo sem Nós
Capa do livro.
Autor(es) Alan Weisman
Gênero Não-ficção, ensaio e gênero didático.
Editora St. Martin's Thomas Dunne Books
Lançamento 10 de julho de 2007
Páginas 320
ISBN 978-0-312-34729-1
Edição portuguesa
Editora Estrela Polar
Lançamento 2007
Páginas 360
ISBN 9789728929770
Edição brasileira
Editora Planeta do Brasil
Lançamento 2007
Páginas 384
ISBN 9788576653028

O Mundo Sem Nós (título original: The World Without Us) é um livro de caráter científico que aborda os acontecimentos que ocorreriam se os seres humanos desaparecessem da Terra. O livro é de autoria do jornalista estadunidense Alan Weisman e foi publicado pela St. Martin's Thomas Dunne Books em 2007.[1]

A obra é uma versão estendida do artigo Terra Sem Gente (Earth Without People), escrito pelo mesmo autor e publicado na revista Discover em fevereiro de 2005.[2] Desenvolvido primordialmente por meio de experimento mental, O Mundo Sem Nós aborda, por exemplo, como as cidades e os demais lugares se deteriorariam, quanto tempo os artefatos criados pelo homem durariam e como as demais formas de vida evoluiriam. Weisman concluiu que bairros residenciais se tornariam florestas em um período inferior a 500 anos e que os vestígios mais duradores da presença humana no planeta seriam: resíduos radioativos, as estátuas de bronze, os plásticos e o Monte Rushmore.

Após escrever previamente quatro livros e inúmeros artigos para revistas, Weisman viajou para vários lugares para entrevistar acadêmicos, cientistas e outras autoridades. Uma vez feito isto, ele usou citações desses diálogos para explicar os efeitos resultantes sobre a natureza e, por sua vez, comprovar as previsões feitas até agora sobre o assunto. A obra foi traduzida e publicada em vários países.

Nos Estados Unidos, o livro alcançou a sexta posição na lista dos best-sellers do The New York Times[3] e o primeiro lugar no San Francisco Chronicle em setembro de 2007.[4] Ele também ocupou o primeiro lugar nas listas de livros mais vendidos produzidas pela Time e Entertainment Weekly.[5][6] Quanto à crítica, os aspectos mais elogiados foram o estilo de escrita e como lidar com questões científicas, embora alguns jornalistas, incluindo um escritor do The Washington Post, discordaram em relação à ausência de uma análise antropomórfica.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes de O Mundo Sem Nós, o autor, Alan Weisman, havia escrito quatro livros, entre os quais estão: Gaviotas: Uma vila para reinventar o mundo (1998) sobre uma ecovila na Colômbia e An Echo In My Blood (1999) sobre a história da imigração de sua família da Ucrânia para os Estados Unidos. Por outro lado, ele tinha trabalhado como jornalista para revistas e jornais nacionais e professor de jornalismo e de estudos latino-americanos associado à Universidade do Arizona, na época em que escreveu os livros mencionados anteriormente. Essa profissão exigia apenas uma classe a cada semestre, na primavera, de modo que o resto do ano, ele estava livre para viajar e realizar pesquisas.[7]

Para escrever O Mundo Sem Nós, Weisman utilizou alguns artigos que ele mesmo havia escrito anteriormente. Entre estes se encontravam «The Real Indiana Jones», cujo conteúdo trata sobre a cultura maia. Além disso, a entrevista do autor com o antropólogo Arthur Demarest forneceu detalhes sobre o apogeu da civilização maia.[8]

Em 2004, Josie Glausiusz, uma editora da revista Discover, sugeriu o conceito de O Mundo Sem Nós.[9] Ela tinha ponderado a ideia há vários anos e pediu a Weissman para escrever uma reportagem sobre o assunto depois que releu "Journey through a Doomed Land", um artigo publicado por ele na revista Harper's em 1994, cujo foco se concentra no estado de Chernobil que havia sido abandonada há oito anos.[9] Seu artigo para a Discover, "Earth Without People", foi publicado no exemplar de fevereiro de 2005, sendo reimpresso na antologia The Best American Science Writing 2006.[10] Ele descreve como o ambiente natural tem prosperado na abandonada Zona Desmilitarizada da Coreia e como a própria natureza iria cobrir o espaço urbano da cidade de Nova Iorque.[2] Usando entrevistas com paleoecologistas, o artigo especula que a megafauna regressaria e a cobertura florestal, como a Floresta Bialowieza na Europa, iria se espalhar por todo o continente europeu e o leste dos Estados Unidos.[10]

Para expandir este conteúdo em um livro, o seu agente se encontrou com um editor do St. Martin's Press; entre vinte páginas de bibliografia havia dois artigos que ele escreveu para a revista Los Angeles Times, sendo "Naked Planet", sobre poluentes orgânicos persistentes, e "The Real Indiana Jones" sobre a cultura maia. Assim como o ensaio publicado no Condé Nast Traveler, intitulado "Diamond in the Wild", que aborda a extração de diamantes, juntamente com "Earth Without People" publicado na revista Discover.[11] A fim de expandir sua pesquisa original, realizou uma visita adicional na Inglaterra, Chipre, Turquia, Panamá e no Quênia, onde entrevistou acadêmicos, como o biólogo Edward Osborne Wilson para obter informações sobre a zona desmilitarizada da Coreia.[12] Ele também recorreu aos especialistas, como o arqueólogo William Rathje, sobre o assunto dos plásticos como resíduos;[13] o botânico florestal Oliver Rackham, que falou sobre a cobertura vegetal na região britânica;[14] o antropólogo Arthur Demarest, para discutir o fim da civilização maia;[8] o paleólogo e biólogo Douglas Erwin, para discutir questões relacionadas com o processo de evolução;[15] e o filósofo Nick Bostrom, para obter detalhes sobre o movimento transumanismo.[16]

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

As plantas seguramente ansiariam pela música de Beethoven, e muitas espécies não deixariam de apreciar pontes e outras maravilhas criadas pelo homem. Agora, a Terra é um conjunto de um todo, faríamos alguma falta? Ela teria que pesar a destruição da criação artificial [...] Eu prefiro deixar essa questão no ar.

Alan Weisman, autor de O Mundo Sem Nós.[17]

O livro é dividido em dezenove capítulos com um prefácio, um epílogo, uma bibliografia e um índice. Cada capítulo enfoca um tema diferente, como os potenciais destinos dos plásticos, a infraestrutura petroleira, as instalações nucleares e as obras de arte. Ele é escrito do ponto de vista de um jornalista de ciência, com explicações e provas para apoiar suas reivindicações. Nota-se que não existe uma valorização global da narrativa tratada em um único capítulo para unificá-lo ou torná-lo coeso para que o conteúdo vire uma tese.[18][19]

O experimento mental de Weisman centra-se em duas questões principais: como a natureza reagiria ao desaparecimento da humanidade e o legado que deixaram para trás os seres humanos em sua ausência. Para prever como a vida poderia continuar sem a presença humana, o autor examinou áreas onde existe o ambiente natural com o mínimo de intervenção humana, tais como a floresta de Bialowieza, o Recife Kingman e o Atol Palmyra. Além disso, entrevistou o biólogo Edward Osborne Wilson e visitou membros da Federação Coreana do Movimento Ambiental, na zona desmilitarizada da Coreia, onde apenas um pequeno número de pessoas ingressou desde 1953.[20] Ele também tentou imaginar como a vida teria evoluído baseado nas evoluções de plantas e animais pré-históricos, embora Douglas Erwin advertiu que: "Nós não podemos prever do que será do mundo dentro de cinco milhões de anos apenas estudando os sobreviventes."[21] Vários capítulos são dedicados à megafauna, a qual o autor previu que iria proliferar.[22] Na sua análise, examinou amostras de solo dos dois últimos séculos e extrapolou as concentrações de metais pesados e substâncias estranhas já que no futuro não haverá nenhum indício de atividades industriais.[23] Ele também examinou os níveis de dióxido de carbono na atmosfera e suas implicações para as alterações climáticas.[24]

A cidade fantasma de Pripyat, na Ucrânia, localizada aos redores de Chernobil.

O autor utilizou o fim da civilização maia para ilustrar a possibilidade de uma sociedade desaparecer e como a natureza iria naturalmente e rapidamente cobrir os vestígios de sua existência.[25] Para demonstrar como a vegetação poderia comprometer a infraestrutura criada pelo homem, entrevistou vários hidrólogos e funcionários do Canal do Panamá, onde é necessária uma manutenção constante para impedir o avanço da vegetação florestal e remover presas.[26] Para ilustrar cidades que seriam abandonadas e sucumbir aos efeitos do ambiente natural, usa Chernobyl (Ucrânia, abandonada em 1986) e Varosha (Chipre, abandonada em 1974). Sobre o assunto, acredita que as estruturas começariam a se corroer quando o tempo começar a provocar danos que não serão reparados e outras formas de vida começarem a criar novos habitats nesses lugares. Na Turquia, constatou práticas de construção equivocadas para acelerar o crescimento da cidade de Istambul, o que ele considera típico das grandes cidades em países menos desenvolvidos. Devido à alta demanda por habitação em Istambul, grande parte da cidade tem se desenvolvido rapidamente com qualquer material disponível e este motivo a torna vulnerável para se corroer diante de um grande terremoto ou outro desastre natural.[27] Por outro lado, as regiões subterrâneas da Capadócia foram construídas há milhares de anos em regiões onde há presença de tufos, por isso é mais provável que sobrevivem por vários séculos.[28]

O autor também usou a cidade de Nova York como exemplo para dar uma ideia geral do caminho que levaria as áreas urbanas sem os humanos; em seu trabalho ele cita que os esgotos entupiriam, rios subterrâneos inundariam os corredores do metrô e o solo sob as estradas corroeria e eventualmente iria desmoronar. Baseado em entrevistas com membros da Wildlife Conservation Society[29] e do Jardim Botânico de Nova Iorque[30] prediz o regresso da vegetação nativa, espalhando a partir dos parques e superando as espécies invasoras. Sem seres humanos fornecendo alimento e calor, os ratos e as baratas seriam extintos.[29]

Fotografia de uma casa abandonada a ponto de desmoronar.

Ele também explica que uma típica casa começaria a se deteriorar logo que a água se infiltrasse através do telhado ou em torno dos rufos, causando a erosão da madeira e a oxidação dos pregos, uma situação que conduziria à queda das paredes e um possível colapso da integridade estrutural. Cinco séculos depois, tudo o que restaria do lugar seria as peças de alumínio da máquina de lavar louça, utensílios de cozinha de aço inoxidável e alças de plásticos.[31] Utensílios artificiais de maior duração na Terra serão aqueles feitos por materiais radioativos, cerâmicos, estátuas de bronze e o Monte Rushmore. No espaço sideral, as placas Pioneer, os Discos de Ouro da Voyager e as ondas radiofônicas teriam um tempo de duração maior que a própria Terra.[32]

Deixando de lado a questão do meio ambiente e da sua evolução, já que deixou de existir vida, analisou o que poderia levar ao desaparecimento repentino e completo da humanidade sem que esse fator provoque sérios danos ao meio ambiente natural e espaço urbano, concluindo que este cenário é improvável. Para isso, considerou três aspectos primordiais: Transumanismo, Movimento da extinção humana voluntária e a obra O fim do mundo: a ciência e a ética da extinção humana de John A. Leslie.[33] O livro termina com uma proposta de uma nova versão da política do filho único; depois de admitir que é uma medida draconiana,[34] declarou que: "O fundo de todo o assunto é que qualquer espécie que excedem os recursos disponíveis sofre uma queda no número de sua população. Limitar nossa reprodução seria difícil, mas limitar nossos instintos pode ser ainda mais difícil."[35] Weisman respondeu às críticas provenientes dessas alegações afirmando que sabia de antemão que acabaria gerando descontentamento de algumas pessoas ao abordar o problema da população, mas ele fez porque sabia que havia perdido muito tempo na discussão de como a humanidade deveria abordar a situação do crescimento econômico e populacional que recentemente vem nos abalando.[35]

Gênero[editar | editar código-fonte]

Como outros livros ambientais, O Mundo Sem Nós discute o impacto que os seres humanos têm causado sobre o planeta causado ao longo dos anos. Segundo o autor: "Eu realmente queria escrever algo que as pessoas gostariam de ler ... sem minimizar a importância do que está acontecendo, ou trivializando ou simplificando-o demais."[36]

Embora o gênero do livro é anunciado como não ficção, alguns analistas sublinham que seria melhor ter descrito como "ficção especulativa".[37] O Mundo Sem Nós também se encontra nas categorias de jornalismo científico e ambiental. Como outros livros ambientais, discute o impacto que os seres humanos têm causado no planeta.[38] O experimento mental de Weisman remove os julgamentos e sofrimentos dos seres humanos para se concentrar em um mundo hipotético pós-humano. Esta abordagem de gênero, que "centra-se na própria Terra",[39] foi considerada criativa e objetiva.[18] Houve outras publicações que abordaram questões semelhantes, como o livro de 2001, Deep Time: How Humanity Communicates Across Millennia de Gregory Benford.[40] Alguns autores de ficção científica como H. G. Wells (A Guerra dos Mundos, 1897) e John Wyndham (The Day of the Triffids, 1951) já haviam escrito sobre o possível destino das cidades e de outras estruturas criadas pelos seres humanos após o súbito desaparecimento de seus criadores.[41][42] Detalhes semelhantes sobre o declínio da civilização também são incorporados no romance de ficção científica pós-apocalíptico de 1949, Earth Abides do professor George R. Stewart.[43]

Na abordagem ambiental, o escritor menciona que erradicando o elemento humano se remove o "fator medo" e que os atos das pessoas estão afetando a Terra, assim de acordo com o autor o livro pode se tratar de uma fantasia com possibilidades de ocorrer.[36] Josie Appleton do Spike relaciona o livro com a "idealização contemporânea da natureza" no sentido que se liga a "decadência e desprendimento de uma moderna sociedade de consumo" com uma óbvia ignorância dos esforços necessários para gerar produtos.[19] Appleton também percebeu que o trabalho vai contra a noção de que "a natureza é sábia" para enfatizar a aleatoriedade da forças naturais.[19]

O estilo de jornalismo científico também usa entrevistas com autoridades acadêmicas e profissionais para apoiar as conclusões, mantendo um tom frio de um observador em vez de um ativista.[18] Weisman disse que tinha evitado, a propósito, o conteúdo do rótulo ativista: "Alguns de nossos melhores escritores cientistas e ambientalistas só são lidos por pessoas que concordam com suas percepções. É bom ter alguma reivindicação a qualquer coisa que você considere como verdadeira, mesmo que o assunto seja preocupante, mas eu realmente queria escrever algo que as pessoas querem ler [...] sem minimizar a importância do que está acontecendo, não trivializando, ou simplificando-o demais."[36] Richard Fortey comparou o livro com a obra de Jared Diamond, Tim Flannery e E. O. Wilson, observando a este respeito que O Mundo Sem Nós "evita concepção de tristeza, repulsa e ódio que tende a abranger o leitor pobre depois de ler um catálogo de rapacidade humana."[44] Mark Lynas, em New Statesman, afirmou: "Considerando que a maioria dos livros ambientais tem um tom pesado por causa de suas más notícias, O Mundo Sem Nós parece refrescante e positivo.[38] Para demonstrar o otimismo sobre a questão mais difícil, Appleton citou um ditado de um livro ambientalista: "Se o planeta foi salvo do Permiano, então ele também pode se recuperar dos humanos."[19]

Publicação[editar | editar código-fonte]

Artes de capa das versões estadunidense, canadense, britânica, francesa e japonesa.

O livro foi lançado em 10 de julho de 2007, junto com uma edição de capa dura que chegou às prateleiras estadunidenses pela editora St. Martin Thomas Dunne Books. O Mundo Sem Nós foi traduzido e publicado em Portugal pela editora Estrela Polar,[45] e no Brasil pela editora Planeta do Brasil.[46]

Na França o livro foi traduzido e publicado pela editora Groupe Flammarion com o nome de Homo disparitus,[47] na Alemanha pela Piper e nomeado de Die Welt ohne uns,[48] na Itália pela Einaudi como Il mondo senza di noi,[49] na Polônia pela CKA e nomeado de Świat bez nas[50] e no Japão pela Hayakawa Publishing com o título de Jinrui ga kieta sekai.[51]

Pete Garceau desenhou a capa da publicação lançada nos Estados Unidos; um crítico considerou que o resultado foi uma espessa camada de açúcar, revestida com um tom de doçura em um esforço para não alarmar os potenciais leitores. "Sim, eu sou um livro sobre o meio ambiente. Mas eu sou inofensivo! [...] Bem, eu não sou!".[52] A versão canadense, projetada por Ellen Cipriano, traz uma capa muito semelhante à americana, mas incorpora uma fotografia em vez de uma ilustração. A projeção do lançamento internacional constou o contraste do ambiente natural com um ambiente urbano em decomposição. Adam Grupper comprometeu-se a narrar o audiolivro em inglês, que tem uma duração total de dez horas; Macmillan Audio e a BBC Audiobooks distribuíram a versão gravada, em lançamento simultâneo com a versão em capa dura.[53][54] A revista AudioFile distribui o prêmio Earphones para a apresentação de som, escrevendo que: "Sem entrar sensacionalismo, consegue manter a objetividade fleumática, Grupper leva o que poderia ser um tema deprimente para um livro que você simplesmente não consegue parar de ouvir."[55]

Recepção[editar | editar código-fonte]

No momento em que o livro foi publicado, Weisman realizou uma turnê com várias paradas nos Estados Unidos e Canadá, além de cidades como Lisboa e Bruxelas.[56] Ao mesmo tempo, ele concordou em dar entrevistas nos programas de televisão The Daily Show e The Today Show, bem como os programas de rádio Weekend Edition, Talk of the Nation, The Diane Rehm Show, Living on Earth, Marketplace e As It Happens.[57] Enquanto isso, em 29 de julho de 2007, O Mundo Sem Nós estreou na lista dos mais vendidos do The New York Times, entrando na décima colocação na categoria de edições de capa dura de gênero não ficção.[58] Posteriormente, permaneceu por nove semanas entre os dez primeiros,[59] atingindo o sexto lugar em 12 de agosto e 9 de setembro.[3][60] No mercado canadense, vigorou durante dez semanas na lista dos livros mais vendidos do The Globe and Mail, obtendo a terceira colocação em agosto.[61][62] O livro também liderou o catálogo de San Francisco Chronicle em 21 de setembro,[4] permanecendo por onze semanas no ranking dos 150 livros mais comercializados da semana do USA Today, onde ele começou no posto 48.[63] Críticos do Library Journal recomendaram o livro, dizendo que este deveria estar presente em coleções que abordam conteúdos sobre o meio ambiente, ao mesmo tempo que sugeriu que as bibliotecas públicas ou acadêmicas do país deveriam adquirir exemplares dos audiolivros.[64][65] Ademais, a obra alcançou o primeiro lugar do "top ten" de 2007, da revista Time[5] e na Entertainment Weekly, e também vigorou na lista das "melhores publicações em 2007" da Hudson Booksellers.[66][67][68] Na categoria "Melhores Livros de 2007", publicada pelo site Amazon.com, o livro apareceu em quarto lugar em nível geral nacional (Estados Unidos), enquanto no Canadá vigorou no primeiro posto de livros não ficticiosos.[69][70]

Alan Weisman, autor de O Mundo Sem Nós.

O estilo de redação também teve uma recepção positiva, sendo descrito como intenso, bom e às vezes triste, mas com um uso adequado de linguagem.[39] Mesmo em um comentário negativo, Michael Grunwald, do The Washington Post, observou que a redação do livro é "sempre lúcida e às vezes elegante"[71] No The New York Times Book Review, Jennifer Schuessler disse que Weisman tem um "flerte com a linguagem religiosa, enquanto sua impassibilidade ocasionalmente portentosa dá lugar a uma retórica visão do inferno ecológico."[72] Janet Maslin do The New York Times mostrou que a escrita tem um "estilo árido e simples", sendo "estranhamente uniforme no tom."[73] Nas técnicas utilizadas para o relato, Kamiya descreveu o relato científico de Weisman como "um momento lúcido e cheio de maravilhas [...] é o coração e a alma deste livro", acrescentando: "está escrito como se o autor fosse um observador curioso e compassivo em outro planeta."[39] Por sua vez, a editora Karen Long do The Plain Dealer, disse que Weisman "usa linguagem precisa e paciente de um bom escritor científico, mostrando também a capacidade de descobrir fontes e fatos provocativos."[74]

No entanto, vários críticos observaram que a falta de um ponto de vista antropomórfico de alguma forma prejudicou a relevância do seu conteúdo.[74] Robert Braile, do The Boston Globe, escreveu que "o livro não tem um contexto real [...] não há razão para provar esta fantasia além da sua premissa não comprovada de que as pessoas a consideram fascinante".[75] Michael Grunwald, do The Washington Post, também questionou a premissa: "Imaginar os vestígios da humanidade em um mundo pós-humano deve ser divertido para os ignorantes que, de fato, já resolveram as dúvidas sobre a existência de Deus e da atratividade de Fergie, mas não está claro por que o resto de nós precisa desse nível de provas documentais."[71] Por outro lado, Alanna Mitchell, em sua revisão para o Globe and Mail, encontrou relevância no contexto da passividade das pessoas diante do esgotamento dos recursos naturais, combinado com uma vaidade percepção antropomórfica: "O livro é projetado para nos ajudar a encontrar uma maneira de sobreviver, tirando-nos da nossa dança passiva com a morte."[76]

O foco ambiental do livro também foi criticado por alguns analistas, como o caso de Christopher Orlet, escritor do The American Spectator, que escreveu: "Ele é um excelente exemplo de pontos de vista extremistas e equivocados de ambientalistas."[77] Braile concordou que o livro poderia ser "um pesadelo para os ambientalistas, que possivelmente alimenta os golpes baixos adotados pelo movimento verde [...] por críticos que dizem que os ambientalistas se preocupam mais com a natureza do que com as pessoa."[75] O ambientalista Alex Steffen notou que o livro não contém material novo, exceto o desaparecimento súbito e completo da humanidade, embora isso seja extremamente improvável e insensível.[78] Curiosamente, apesar de duas críticas terem catalogado a obra como uma "lamúria", elas fizeram uma avaliação positiva.[39][79] O jornal britânico The Guardian disse: "Nós aprendemos no curso deste livro a sentirmos bem sobre o desaparecimento dos seres humanos na Terra."[80]

Outros críticos saudaram o ponto de vista ambiental; Chauncey Mabe, escrevendo para o South Florida Sun-Sentinel, referiu-se ao livro como: "um dos livros ambientais mais satisfatórios dos últimos tempos, desprovido de auto-justiça, alarmismo ou previsões chatas."[81] Tom Spears, do CanWest News Service, concluiu: "É mais como um retrato de nós mesmos, através de uma lente estranha [...] às vezes um obituário é a melhor biografia".[82]

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Movimento da extinção humana voluntária (VHEMT)
  • After Man: A Zoology of the Future: livro que mostra, segundo critérios científicos como a evolução das espécies e a movimentação dos continentes, como serão os animais que existirão no planeta Terra em 50 milhões de anos no futuro.
  • Foundation and Earth: novela escrita por Isaac Asimov, que mostra o planeta Aurora, um lugar habitável que foi abandonado pelos seres humanos há milhares de anos. No entanto, uma vez que foi povoada por pessoas que mantiveram o seu equilíbrio ecológico limitado. Na ausência de seres humanos, o planeta começa a deteriorar-se inevitavelmente.

Existem também alguns especiais de televisão relacionadas ao mesmo tema abordado pelo livro O Mundo Sem Nós. Estes são:[83]

Referências

  1. Weisman, Alan (10 de julho de 2007). The World Without Us. Nova York: Thomas Dunne Books/St. Martin's Press. ISBN 0312347294. OCLC 122261590 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]