Obra Consumada

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Pentecostalismo
Pentecostalismo

A Obra Consumada é uma doutrina do cristianismo pentecostal que coloca a santificação no mesmo momento que a conversão, após ser convertido o cristão progressivamente cresce na graça. Isto é contrário à doutrina da perfeição cristã que coloca toda a santificação numa definitiva "segunda obra" da graça a qual é um pré-requisito necessário para receber o batismo no Espírito Santo.[1] O termo obra consumada surge do aforismo "Essa é uma obra consumada no Calvário", referente tanto a salvação quanto a santificação.

A doutrina surgiu como uma das "novas questões" nos primeiros avivamentos pentecostais nos Estados Unidos. A disputa em torno dela foi chamada "A Controvérsia da Obra Consumada" que dividiu o movimento pentecostal em orientações doutrinárias wesleyana e não wesleyana.[2]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Contexto[editar | editar código-fonte]

John Wesley defendeu a perfeição cristã que entendia que a santificação era de fato uma obra definitiva posterior a conversão, mas não afirmava uma perfeição sem pecado. Wesley contou com a ideia da theosis para sugerir que a santificação causaria uma mudança na motivação que se nutrida levaria a um aperfeiçoamento gradual do crente. Assim, mesmo se fosse fisicamente possível para um crente santificado pecar, ele ou ela estaria capacitado para escolher evitar o pecado.[3]

Resultado[editar | editar código-fonte]

O efeito da controvérsia foi que o jovem movimento pentecostal dividiu-se entre evangélicos de santidade wesleyana e evangélicos reformados não wesleyanos. A obra consumada ganhou o maior apoio de igrejas e missões urbanas independentes e desorganizadas. As denominações pentecostais centradas no sul dos Estados Unidos foram as mais resistentes à nova doutrina. Hoje, essas denominações (Igreja de Deus (Cleveland), Igreja de Deus em Cristo e Igreja Pentecostal de Santidade) retem a compreensão que a segunda obra da graça é a santificação.[4]

Apesar da resistência dos pentecostais wesleyanos, no entanto, os aderentes da obra consumada foram bem-sucedidas em persuadir muitos pentecostais para a validade da sua visão. Como resultado, a maioria das denominações pentecostais fundadas depois de 1911 aderiu a doutrina da obra consumada.[5] Esta herança reformada pode ser visto nas Assembléias de Deus[6] e na Igreja Internacional do Evangelho Quadrangular.[7]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Synan, Vinson. The Holiness–Pentecostal Tradition: Charismatic Movements in the Twentieth Century. Grand Rapids, Michigan: William B. Eerdmans Publishing Company, 1997. ISBN 978-0-8028-4103-2. Pages 149-150.
  2. Blumhofer, Edith (1989). Pentecost in My Soul: Explorations in the Meaning of Pentecostal Experience in the Early Assemblies of God. Springfield,MO 65802-1894: Gospel Publishing House. 92 páginas. ISBN 0-88243-646-5 
  3. Three comparatively recent works which explain Wesley's theological positions are Randy Maddox's 1994 book Responsible Grace: John Wesley's Practical Theology, Kenneth J. Collins' 2007 book The Theology of John Wesley: Holy Love and the Shape of Grace, and Thomas Oden's 1994 book John Wesley's Scriptural Christianity: A Plain Exposition of His Teaching on Christian Doctrine.
  4. Synan, The Holiness–Pentecostal Tradition: Charismatic Movements in the Twentieth Century, 152.
  5. Synan, The Holiness–Pentecostal Tradition: Charismatic Movements in the Twentieth Century, 151-152.
  6. Waldvogel, Edith L. (1979), «The "Overcoming" Life: A Study in the Reformed Evangelical Contribution to Pentecostalism», Pneuma: The Journal of the Society for Pentecostal Studies, 1 (1): 8 
  7. Clayton, 35
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