Patologia clínica

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Patologia clínica é uma especialidade médica, biológica, biomédica, bioquímica e farmacêutica que tem por objetivo auxiliar médicos de diversas especialidades no diagnóstico e acompanhamento clínico de estados de saúde e doença, através da análise de sangue, urina, fezes e outros fluidos orgânicos (como líquor, líquido sinovial, líquido ascítico, fluido seminal, etc).[1]

No Brasil a especialidade é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) e com o nome de patologia clínica ou análises clínicas"[2][3]. Deve ser diferenciada de patologia cirúrgica ou anatomia patológica, especialidade que tem por objeto de análise os tecidos sólidos do corpo humano, geralmente obtidos por meio de biópsia.

Subespecialidades[editar | editar código-fonte]

A patologia clínica apresenta as subespecialidades:

  • Química clínica --- Ocupa-se em analisar os componentes químicos do sangue, urina e fluidos orgânicos.
  • Hematologia --- Analisa os componentes celulares do sangue, e eventualmente de outros fluidos orgânicos.
    • Imunohematologia --- Avalia as reações imunes dentro do sangue, especializando-se na análise dos antígenos eritrocitários e suas interações com os respectivos anticorpos. Reveste-se de importância particular na Hemoterapia ou medicina transfusional.
  • Imunologia (sorologia) --- Avalia o sangue (e eventualmente outros fluidos orgânicos) e componentes, através de suas interações imunológicas, ou seja, das reações antígeno - anticorpo.
  • Microbiologia --- Estuda a flora microbiológica humana normal e patológica, detectando a presença de vírus, bactérias e fungos em amostras de procedência humana. Este estudo pode se estender também à análise dos microorganismos presentes nos ambientes ocupados pelo ser humano e objetos por ele utilizados.
    • Bacteriologia --- Subespecialidade da microbiologia cujo objeto de estudo são as bactérias, incluindo sua identificação, caracterização e avaliação de susceptibilidade a antimicrobianos.
    • Micologia --- Subespecialidade da microbiologia que estuda os fungos e micotoxinas.
    • Virologia --- Subespecialidade da microbiologia que se ocupa da a análise dos vírus.
  • Parasitologia --- É a subespecialidade da Patologia Clínica que analisa as características dos parasitas externos (ectoparasitas) e internos (endoparasitas) do homem. Inclui o estudo dos protozoários parasitas sistêmicos --- como os plasmódios (causadores da malária), através de métodos de detecção direta e indireta, o estudo dos artrópodes parasitas e a coprologia ou estudo macroscópico, microscópico e químico das fezes com o objetivo de se determinar o diagnóstico e prognóstico de doenças e parasitoses do sistema gastrointestinal.
  • Uranálise --- Analisa a urina e, eventualmente, outros fluidos orgânicos.
  • Biologia molecular --- Compreende o estudo especializado de biomoléculas, tais como o DNA e RNA.
  • Genética médica --- Ocupa-se do estudo da genética humana, em especial as' cromossomopatias.
  • Genética Bioquímica --- Estuda, através de análises bioquímicas, as anomalias genéticas caracterizadas como erros inatos do metabolismo.

As modernas exigências de qualidade dos resultados em análises clínicas fizeram surgir o que hoje já é por alguns considerada uma nova subespecialidade, a garantia de qualidade. Esta opera sobre todas as demais, visando a manter a excelência das análises, incluindo a sua precisão e exatidão, e o melhoramento continuado em todos os seus aspectos. Usa como instrumentos principais a estatística e a criação e análise de indicadores de qualidade.

Profissionais envolvidos[editar | editar código-fonte]

No Brasil e em Portugal, podem atuar como responsáveis técnicos por laboratórios de análises clínicas:

  1. Médico patologista clínico;
  2. Biólogo com formação superior, habilitado em análises clínicas através da comprovação de um currículo direcionado efetivamente realizado;
  3. Biomédico patologista clínico (análises clínicas);
  4. Bioquímico[4] com formação superior e especialização em análises clínicas ou  química clínica e diagnóstico molecular conforme Decreto-lei 85877/81 e regulamentações do CRQ.
  5. Farmacêutico com formação superior enfatizando a área de patologia/análises clínicas ou com especialização em análises clínicas

No seu trabalho, estes profissionais poderão interagir com outros , dentre eles:

  • Nível médio:
    • Auxiliar técnico de laboratório.
    • Técnico de laboratório de análises clínicas.
    • Biotécnico.

São compartilhadas com estes profissionais, até o limite de responsabilidade de cada um, as diversas atividades e competências necessárias ao bom desempenho do ofício. As atribuições de cada profissional, bem como os limites de sua atuação, podem ser consultadas na CBO - Classificação Brasileira de Ocupações, no site do Ministério do Trabalho e Emprego.

Mediante a modernidade tecnológica que significa, hoje em dia, a automação e a informatização da maioria dos processos de análise, deve também o profissional possuir conhecimentos básicos nas áreas de engenharia e informática, que viabilizem sua interação freqüente com os respectivos profissionais, também comumente envolvidos como auxiliares valiosos em todos os processos de análise.

Ambiguidades e Comentários[editar | editar código-fonte]

Existem certas ambiguidades envolvendo a patologia clínica que devem ser comentadas:

  1. O especialista médico em hematologia e hemoterapia, habilitado a efetuar alguns procedimentos especializados como biópsia de medula óssea, é o profissional médico que realiza diagnóstico e acompanhamento clínico em patologias envolvendo oncologia hematológica, hemoterapia e coagulação/hemostasia. Este especialista normalmente não está habilitado em patologia clínica (a menos que também dotado de formação específica nesta área), fazendo portanto uso de seus serviços como cliente médico.
  2. A análise da celularidade de certos fluidos orgânicos, como o líquido sinovial, o líquido cérebro-espinhal ou líquor, o líquido ascítico ou peritoneal, o fluido pleural e o fluido seminal podem ser compreendidos como escopo tanto da subespecialidade de hematologia como da urinálise. Estas análises incluem também a caracterização bioquímica desses fluidos, que recorre a técnicas próprias da bioquímica. Fala-se portanto em hematologia e análise de fluidos orgânicos ou urinálise e análise de fluidos orgânicos.
  3. A patologia cirúrgica, também conhecida como anatomia patológica, é uma especialidade médica que interage com a patologia clínica, e compreende caracteristicamente a análise de matériais sólidos de origem humana, obtidos por meio de biópsia ou necrópsia. O patologista cirúrgico usualmente não é habilitado em patologia clínica, a não ser que também tenha desenvolvido formação específica na área, embora eventualmente uma especialidade possa emprestar técnicas características da outra.
  4. A especialidade de química clínica encontrada nos Estados Unidos corresponde grosseiramente à bioquímica no Brasil. Entretanto não temos no Brasil uma Associação exclusiva como a American Association of Clinical Chemistry.
  5. No Brasil, o médico patologista clínico passa por uma formação que inclui, além dos 6 anos regulamentares do curso superior em medicina, mais três anos de residência médica, sendo 1 ano em clínica médica e 2 anos em laboratório de análises clínicas. Lei nº 7.135, de 26 de outubro de 1983, Lei nº 6.686, de 11 de setembro de 1979, Representação nº 1.256-5/DF, Resolução nº 86, de 24 de junho de 1986 do Senado. Por sua vez, o biomédico patologista clínico o realiza análises e emiti laudos nas áreas de Análises Bromatológicas, Banco de Sangue, Biologia Molecular, Bioquímica, Genética, Hematologia, Imunologia, Microbiologia, Microbiologia de Alimentos, Parasitologia, Saúde Pública e Virologia. Estando apto a atuar na coleta, armazenamento e transporte de amostras biológicas para a realização dos mais diversos exames, bem como supervisionar setores responsáveis por tais procedimentos. Exceções: É vedado ao biomédico atuar na coleta de materiais para biópsia, coleta de líquido céfalo-raquidiano (líquor), punção para obtenção de líquidos cavitários. A habilitação em Patologia Clínica (Análises Clínicas) ainda permite ao biomédico: Análises microbiológicas de água - Resolução CFBm nº 175, de 14 de junho de 2009. • realizar exames e análises físicoquímicas e microbiológicas de água de interesse para o saneamento do meio ambiente, emitindo os respectivos laudos, ficando sob sua responsabilidade técnica o controle de qualidade e tratamento; • controlar o monitoramento e análise de água a começar pela captação de efluentes, bem como, de todos os segmentos que dela utiliza (indústrias, domiciliares, hotéis, clubes, balneários etc.), passando pelo processo de tratamento até distribuição final, tanto humano como ambiental. Fonte: Conselho Regional de Biomedicina - 1ª Região

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]