Biomedicina

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Biomédico-cientista fazendo análises com o vírus Influenza.

A Biomedicina (antes, Ciências Biológicas - Modalidade Médica) é uma nova entre as diversas ciências da saúde existentes, sendo a ciência que atua no campo de interface entre Biologia e Medicina, voltada para a pesquisa das doenças humanas, seus fatores ambientais e ecoepidemiológicos, com o objetivo de compreender as causas, efeitos, mecanismos e desenvolver e/ou aprimorar diagnósticos e tratamentos. O(A) Biomédico(a) identifica, classifica e estuda os agentes causadores de enfermidades e desenvolve ou aprimoram meios de combatê-los. Trabalham em Hospitais, Universidades, Faculdades, Centros de pesquisas, Laboratórios Públicos e Privados, Órgãos públicos de saúde entre outras gerenciando, ensinando, realizando pesquisas e testes em parceria com Bioquímicos, Biólogos, Médicos, Farmacêuticos e demais profissionais da saúde.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, com o objetivo de criar um curso de graduação com profissionais específicos para atuar, através do ingresso em programas de mestrado e doutorado, no ensino e pesquisas nas ciências básicas da saúde (ciências biomédicas), consequentemente, no desenvolvimento da saúde humana, foram implantados na UNIFESP e UERJ em 1966[1] os primeiros cursos de Biomedicina (antes denominados Ciências Biológicas - Modalidade Médica). Contudo, apenas em 1979 veio a regulamentação pela Lei Federal nº 6.684, de 03 de setembro de 1979 e Decreto Nº 88.439, de 28 de junho de 1983[2] das atividades exercidas pelos biomédicos que optavam pela carreira não universitária, sendo a principal entre elas, os serviços complementares de diagnósticos, pelo seu próprio currículo sólido no método científico e na pesquisa relacionada às doenças humanas. No tocante a formação, até então, a do biomédico era similar a do biólogo e em sua grade curricular, existiam disciplinas da área médica a mais e com isto, formava-se o especialista em ciências biomédicas, sendo então denominado Biólogo - Modalidade Médica. Como, de acordo com a legislação que as regulamenta, as duas profissões possuem atribuições diversas, o Presidente da República João Figueiredo, através da Lei Federal 7.017 - de 30 de Agosto de 1982, desmembrou o Conselho Federal de Biologia e Biomedicina, criando assim os sistemas Conselho Federal e Regionais de Biomedicina e os Conselho Federal e Regionais de Biologia e com isso os profissionais distintos: o Biomédico e o Biólogo. Atualmente o curso de graduação[3] é denominado Biomedicina.

O profissional formado em Biomedicina está apto a realizar estudos, pesquisas experimentais e ensino[4] universitário (onde, normalmente, exige-se pós-graduação: Especialização, Mestrado ou Doutorado) em disciplinas biomédicas, tais como Anatomia, Biofísica, Bioquímica, Biologia Molecular, Embriologia, Farmacologia, Fisiologia, Genética, Histologia, Imunologia, Microbiologia, Neurociências, Parasitologia, Patologia Geral, Psicobiologia, Saúde Pública e Toxicologia. No Brasil, os biomédicos dedicam-se principalmente (cerca de 80%[5] ) às análises clínicas (exames laboratoriais - desde a administração, supervisão, gerenciamento laboratoriais e analisando amostras biológicas tais como sangue, fezes, urina, escarro, líquidos corporais, entre outros). No entanto, muitos desses profissionais atuam como cientistas em centros de pesquisas (Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Butantan, Instituto Nacional de Câncer (INCA), Instituto Nacional de Neurociência Translacional (INNT), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN-ELS), Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) etc.) e universidades, analisando e pesquisando moléculas, células e organismos na busca da cura, do diagnóstico, do tratamento e da prevenção de doenças (desenvolvendo vacinas e novos medicamentos), produzindo reagentes laboratoriais, bem como atuando na pesquisa de DNA[6] e contribuindo com a solução de crimes nas ciências forenses.

Nas análises ambientais, realizam análises físico-químicas, microbiológicas e parasitológicas de interesse para o saneamento do meio ambiente, incluídas as análises de água, ar e esgoto. Os biomédicos também realizam testes para averiguação da qualidade bioquímica e microbiológica de alimentos.[7] O trabalho nas indústrias[8] biotecnológicas envolve a manipulação de enzimas, microrganismos e células, na produção de biofármacos, tais como enzimas, hormônios (insulina por exemplo), antibióticos, vitaminas, citocinas, vacinas, soros, além de reagentes laboratoriais e microrganismos utilizados na biorremediação do ambiente.

Nos laboratórios de Citologia Oncótica[9] (ou Citopatologia) executam os exames, incluindo citologia hormonal e imunocitoquímica, firmando os respectivos laudos e pareceres. Dentre os exames citopatológicos, o mais comum é o teste de Papanicolau, que é um exame ginecológico de citologia cervical realizado como prevenção[10] ao câncer do colo do útero. Na Reprodução Humana, realizam, entre outras atividades, a criopreservação, a manipulação e a seleção de gametas e embriões que serão implantados na futura mãe. Em Bancos de Sangue (Hemocentros) executam os testes prévios a transfusão e a doação (verificando a presença/ausência de patologias e compatibilidade sanguínea), além de manipularem e produzirem hemocomponentes e hemoderivados.

Fachada do Instituto Biomédico da Universidade Federal Fluminense.

Os biomédicos especialistas em Biofísica, Imaginologia ou Radiologia trabalham em clínicas, hospitais ou centros de diagnóstico por imagem tendo a função de preparar o paciente, elaborar o plano de irradiação, gerenciar banco de imagens, programar e operar equipamentos de Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada, Medicina Nuclear, Radioterapia, entres outros, além de poder ser o responsável pelo controle de qualidade e radioproteção (de acordo com as normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN e Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA). Desta forma, confeccionando a(s) imagem(ns) para que o médico Radiologista/Imaginologista possa, finalmente, fornecer o laudo. A indústria da tecnologia nuclear para o biomédico, inclui a preservação de alimentos através de sua irradiação. Na pesquisa em Radiobiologia e a Fotobiologia, testam estas radiações (oriundas de diferentes fontes de energia) ionizantes e não-ionizantes em aplicações clínicas (tais como a Oncologia, Neuroimagem[11] , etc) além de aplicações biotecnológicas, biomédicas e ambientais. Físicos, engenheiros e médicos são os principais profissionais que trabalham em conjunto com biomédicos nesta área. A Imaginologia é uma das áreas em que ocorre um incremento na procura pelos novos profissionais da biomedicina.

Apoio as cirurgias cardíacas também pode ser realizada por biomédicos[12] (assim como por enfermeiros, fisioterapeutas, etc.) especialistas em circulação extracorpórea (C.E.C.), quando o coração precisa parar de bater e o sangue do paciente é desviado para um aparelho que substitui este órgão durante a cirurgia. Assim, o Perfusionista (como é chamado o profissional da CEC), realiza o procedimento e monitora seus parâmetros, tais como a oxigenação, temperatura, pressão arterial, volemia e a coagulação sanguínea. O biomédico para atuar nesta área deve possuir título de especialista em Circulação Extracorpórea emitido pela Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea.

Para os que desejam observar as atividades físicas através do rigoroso olhar biomédico, existe a possibilidade de atuar como Fisiologista do Exercício. No Brasil, um dos trabalhos pioneiros realizou-se na década de 1970[13] na dissertação de mestrado de um, atualmente, renomado biomédico[14] . Aplicando conhecimentos de disciplinas biomédicas tais como anatomia, biologia molecular, fisiologia, bioquímica, hematologia, histologia, patologia, biofísica, entre outras, é possível avaliar o desempenho dos atletas[15] (e animais para experimentação) utilizando dosagens bioquímicas (lactato, por exemplo), exames hematológicos (contagem de neutrófilos, hemoglobina), testes ergoespirométricos, testes de força, etc. De fato, é comum a participação de biomédicos em equipes multidisciplinares[16] . Como não poderia ser diferente, o biomédico Fisiologista do Exercício aplica seu conhecimento em estudos para melhoria da qualidade de vida de populações em condições patológicas como diabetes, obesidade, hipertensão, cardiopatias, pneumopatias, doenças neuromusculares, etc.

Para exercer suas atividades o biomédico deverá, além de estar inscrito em seu respectivo Conselho Regional de Biomedicina, atuar dentro de sua habilitação ou especialidade, a qual deverá ser reconhecida pelo Conselho Federal de Biomedicina. Desta forma, a habilitação será obtida através de:

  • estágio (mínimo de 500 horas) durante a graduação ou;
  • pós - graduação (Lato ou Stricto Sensu) ou;
  • Título de Especialista[17] ou;
  • Residência Biomédica[18] [19] ; e
  • atendendo a Normativa nº 01/2012, para algumas especialidades[20] .

Detalhes e descrição das atividades da profissão pode ser encontrado na Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego.

Disciplinas curriculares[editar | editar código-fonte]

O conteúdo curricular é composto de disciplinas como Química Orgânica, Química Analítica, Bioestatística, Biossegurança, Genética, Microbiologia, Biofísica, Radiobiologia, Biologia Celular e Molecular, Bioquímica, Biotecnologia, Análises Ambientais, Patologia Geral, Administração em Saúde, Ecologia, Epidemiologia, Imunologia, Farmacologia, Hematologia, Citologia Clínica, etc.

Atuação do biomédico[editar | editar código-fonte]

Biomedica em atuação em um laboratório.

As principais áreas de atuação[21] de um biomédico são:

  • Análise clínica - realizar análises, assumir a responsabilidade técnica e firmar os respectivos laudos; tem competência legal para assumir e executar o processamento de sangue, suas sorologias e exames pré-transfusionais e é capacitado legalmente para assumir chefias técnicas, assessorias e direção dessas atividades;
  • Banco de sangue - realizar todas as tarefas, com exclusão, apenas, de transfusão; tem competência legal para assumir e executar o processamento de sangue, suas sorologias e exames pré-transfusionais e é capacitado legalmente para assumir chefias técnicas, assessorias e direção dessas atividades;
  • Análises ambientais - realizar análises físico-químicas e microbiológicas para o saneamento do meio ambiente;
  • Indústrias - Indústrias químicas e biológicas: soros, vacinas, reagentes etc.;
  • Análises bromatológicas - realizar análises para aferição de qualidade dos alimentos;
  • Imagenologia - atua na área de raio-X, ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética, Medicina Nuclear, excluída a interpretação de laudos;
  • Acupuntura - aplicar completamente os princípios, os métodos e as técnicas de Acupuntura;
  • Biologia Molecular - coleta de materiais, análise, interpretação, emissão e assinatura de laudos e de pareceres técnicos;
  • Genética - Participar de pesquisas em todas as áreas da genética, como coordenador ou membro da equipe; Realizar exames de Citogenética Humana e Genética Humana Molecular (DNA), realizando as culturas, preparações citológicas e análises; Assumir a responsabilidade técnica, elaborando e firmando os respectivos laudos e transmitindo os resultados dos exames laboratoriais a outros profissionais, como consultor, ou diretamente aos pacientes, como aconselhador genético.;
  • Coleta de materiais - realizar toda e qualquer coleta de amostras biológicas para realização dos mais diversos exames, como também supervisionar os respectivos setores de coleta de materiais biológicos de qualquer estabelecimento que a isso se destine. Excetuam-se as biópsias, coleta de líquido céfalo-raquidiano (liquor) e punção para obtenção de líquidos cavitários em qualquer situação;
  • Pesquisa básica e aplicada - realizar pesquisa na área de saúde e biologia, sendo o responsável científico, no intuito de contribuir para a elucidação de fenômenos de natureza biológica e desenvolver tecnologias ligadas à área.
  • Docência - ministrar aulas para alunos de nível superior nas diversas instituições de ensino do país, gerando assim, mais profissionais capacitados na área.
Outras atuações

Prémio Nobel da Medicina 2008 no Parlamento Europeu[editar | editar código-fonte]

Luc Montagnier esteve no Parlamento Europeu, no dia 1 de Abril de 2009, no âmbito da Conferência dedicada ao "Futuro da investigação biomédica no séc. XXI". Em entrevista exclusiva ao sítio oficial do Parlamento Europeu, o médico francês referiu que "o principal objetivo [da investigação científica do VIH] deve ser a criação de uma vacina terapêutica, não nos devemos centrar na vacina preventiva".[22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Conselho Regional de Biomedicina - 1ª Região (04/2006). A Trajetória do Curso de Biomedicina no Brasil: Origem e Situação Atual. Revista do Biomédico, nº 70. Página visitada em 14/01/2010.
  2. Presidência da República Federativa do Brasil (28/06/1983). Regulamentação do exercício da profissão de Biomédico de acordo com a Lei nº 6.684, de 03 de setembro de 1979. Página visitada em 11/01/2010.
  3. Ministério da Educação (13/03/2002). Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Biomedicina. Página visitada em 16/01/2010.
  4. ABDALA, I. G.(org) (2005). Capítulo 8 - O Professor de Bioquímica no Ensino Superior em Saúde. 355 páginas. Ensino em saúde: visitando conceitos e práticas. Página visitada em 11/01/2010.
  5. CFBM e CRBM´s (2009). Biomedicina – um painel sobre o profissional e a profissão. Página visitada em 16/01/2010.
  6. LUZ, Amanda (28/03/2011). Prossiões em Alta: Biomédicos atuam em empresas e pesquisas genéticas. Exame.com. Página visitada em 19/03/2012.
  7. FIGUEIREDO, R. M. (2005). Biomédico especialista em Saúde Pública e Engenharia da Qualidade. Higiene dos Alimentos (Seçao: Conheça o autor). Página visitada em 11/01/2010.
  8. Universia (23/03/2006). Biomédicos: dos laboratórios às indústrias. Página visitada em 12/01/2010.
  9. Thuler et al (04/2007). Perfil dos laboratórios de citopatologia do Sistema Único de Saúde. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial. Página visitada em 19/03/2012.
  10. ZAPARTE, Aline; COSER, Janaína (10/2011). O Papel do Biomédico no Rasteamento do Câncer de Colo Uterino. XVI Seminário Interinstitucional de Ensino, Pesquisa e Extensão da UDR. Página visitada em 19/03/2012.
  11. HIAE (2009). Equipe de pesquisadores em Neuroimagem. Página visitada em 19/03/2012.
  12. SIBIESP (18/02/2009). Primeiro Biomédico a presidir a SBCEC. Página visitada em 26/01/2010.
  13. LIRA, C. A. B.; SILVA, A. C. (05/03/2005). Fisiologia do Exercício: disciplina curricular ou profissão?. CEFE (seção: Artigos). Página visitada em 26/01/2010.
  14. BARROS NETO, T. L. (18/04/2009). Currículo Lattes (Biomédico Fisiologista do Exercício). Plataforma Lattes. Página visitada em 26/01/2010.
  15. GONÇALVES, R. B.; MARIANO, A. B. (30/06/2011). Biomédico, Nutrição e Esporte. Combina?. Ciência, Inovação e Tecnologia. Página visitada em 07/06/2012.
  16. Centro de Estudos de Fisiologia do Exercício - CEFE/UNIFESP (2009). Corpo Docente e Professores Convidados. Página visitada em 26/01/2010.
  17. Associação Brasileira de Biomedicina. Título de Especialista. Página visitada em 31/03/2012.
  18. Ministério da Educação (12/01/2007). Residência Multiprofissional em Saúde. Portaria Interministerial nº45, de 12 de janeiro de 2007. Página visitada em 31/01/2010.
  19. Ministério da Educação (24/02/2012). Residências em Saúde. Residência Multiprofissional. Página visitada em 31/03/2012.
  20. Conselho Federal de Biomedicina (10/04/2012). Normativa nº 01/2012 (pág. 9). Legislação. Página visitada em 26/07/2012.
  21. Conselho Regional de Biomedicina - 1ª Região. Atuação do Biomédico. Página visitada em 11/01/2010.
  22. Luc Montagnier: Entrevista exclusiva LA UNE.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Nacionais:

Internacionais: