Teoria dos Mundos

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre o conceito político ocidental. Para o conceito político maoista, veja Teoria dos três mundos.
Os países foram separados em "três mundos" durante a Guerra Fria, quando eram classificados de acordo com seus aliados.
  Primeiro Mundo: Bloco capitalista, compreendido pelos EUA, Japão, Reino Unido e seus aliados.
  Segundo Mundo: Bloco socialista, compreendido pela União Soviética, China e seus aliados.
  Terceiro Mundo: países não-alinhados e neutros (estes últimos liderados pela Índia e Iugoslávia).
Mapa-múndi indicando o Índice de Desenvolvimento Humano (2013):[1]
  Muito alto
  Alto
  Médio
  Baixo
  Sem dados

A Teoria dos Mundos foi uma designação dada às subdivisões do mundo por grandeza econômica entre os anos de 1945 até a Queda do Muro de Berlim, em 1990.

Segundo essa classificação, as nações desenvolvidas constituiriam o Primeiro Mundo (exemplo: a Itália, EUA). As nações do antigo Bloco socialista constituiriam o Segundo Mundo (exemplo: a antiga União Soviética e a China). As demais nações não-alinhadas e neutras constituiriam o Terceiro Mundo (exemplo: Brasil, Etiópia, Índia). Haviam algumas discrepâncias nesta divisão, porém. Países largamente subdesenvolvidos como a Somália eram classificadas como de Segundo Mundo (por estarem alinhadas à URSS), enquanto a Iugoslávia, socialista porém não alinhada à URSS, era enquadrada no Terceiro Mundo. Além da Iugoslávia, Irlanda, Suécia, Finlândia, Áustria e Suíça, nações capitalistas ricas, porém não alinhadas aos EUA, também eram enquadradas no Terceiro Mundo.

Com o colapso econômico e ideológico do Segundo Mundo, o termo entrou em total desuso. Com o fim da Guerra Fria, as diferenças entre os mundos se combinam em vários aspectos, sendo usado atualmente países desenvolvidos e países subdesenvolvidos, que também recebe críticas sobre sua abrangência. O mais aceito atualmente é a divisão do mundo em países desenvolvidos, Países recentemente industrializados e países subdesenvolvidos.

Histórico[editar | editar código-fonte]

No início da era da Guerra Fria, a OTAN e o Pacto de Varsóvia foram criados pelos Estados Unidos e pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, respectivamente. Eles também foram referidos como Bloco Ocidental e Bloco Oriental. As circunstâncias desses dois blocos eram tão diferentes que eram essencialmente dois mundos, no entanto, não foram chamados de primeiro e segundo mundos[2][3][4]. O início da Guerra Fria é marcado pelo famoso discurso "Cortina de Ferro" de Winston Churchill[5]. Neste discurso, Churchill descreve a divisão do Ocidente e do Oriente como tão sólida que poderia ser chamada de cortina de ferro[5].

Em 1952, o demógrafo francês Alfred Sauvy cunhou o termo Terceiro Mundo em referência aos três estados na França pré-revolucionária[6] . Os dois primeiros estados são a nobreza e o clero e todos os outros que compõem o terceiro estado[6]. Ele comparou o mundo capitalista (ou seja, o Primeiro Mundo) à nobreza e o mundo socialista (ou seja, o Segundo Mundo) ao clero. Assim como o terceiro estado compreendia todos os outros, Sauvy chamou de Terceiro Mundo todos os países que não estavam nessa divisão da Guerra Fria, ou seja, os estados não alinhados e não envolvidos no "conflito Leste-Oeste"[6][4]. Com a cunhagem direta do termo Terceiro Mundo, os dois primeiros grupos passaram a ser conhecidos como "Primeiro Mundo" e "Segundo Mundo", respectivamente. Aqui surgiu o sistema de três mundos[4].

No entanto, o chefe da Shuswap, George Manuel, acreditava que o modelo de três mundos estava desatualizado. Em seu livro de 1974, "The Fourth World: An Indian Reality", ele descreve o surgimento do Quarto Mundo ao cunhar o termo. O quarto mundo refere-se a "nações", por exemplo, entidades culturais e grupos étnicos, de povos indígenas que não compõem estados no sentido tradicional[7]. Em vez disso, eles vivem dentro ou além das fronteiras do Estado. Um exemplo são os nativos americanos da América do Norte, América Central e Caribe.

Relação entre os três Mundos[editar | editar código-fonte]

Durante a era da Guerra Fria, as relações entre o Primeiro Mundo, o Segundo Mundo e o Terceiro Mundo eram muito rígidas. O Primeiro Mundo e o Segundo Mundo estavam em constante conflito um com o outro através das tensões entre seus dois núcleos, os Estados Unidos e a União Soviética, respectivamente.

Como os países do Terceiro Mundo eram neutros e/ou não-alinhados com o Primeiro e o Segundo Mundo, eles eram alvos de recrutamento. Na busca por expandir sua esfera de influência, os Estados Unidos (núcleo do Primeiro Mundo) tentaram estabelecer regimes pró-EUA no Terceiro Mundo. Além disso, como a União Soviética (núcleo do Segundo Mundo) também queria se expandir, o Terceiro Mundo muitas vezes se tornou um local de conflito.

Alguns exemplos incluem Vietnã e a Península da Coreia. O sucesso estava com o Primeiro Mundo se ao final da guerra o país se tornasse capitalista e democrático, e com o Segundo Mundo se o país se aderisse ao comunismo. Enquanto o Vietnã como um todo acabou sendo comunizado, apenas a metade norte da Coreia permaneceu comunista[8][9]. A Teoria do Dominó governou amplamente a política dos Estados Unidos em relação ao Terceiro Mundo e sua rivalidade com o Segundo Mundo[10]. À luz da Teoria do Dominó, os EUA viam a vitória nas guerras por procuração no Terceiro Mundo como uma medida da "credibilidade dos compromissos dos EUA em todo o mundo"[11] .

Classificação pós fim da URSS[editar | editar código-fonte]

Com a queda da União Soviética e o fim do regime socialista na maior parte do mundo, é mais comum classificar as nações em:

Segundo alguns teóricos, existiriam ainda mais dois tipos:

  • As nações internacionalmente reconhecidas, mas não independentes, constituiriam o Quarto Mundo (exemplos: a Palestina e o Tibete).
  • As fantasias nacionais (como as micronações) constituiriam o Quinto Mundo.

Referências

  1. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ed. (24 de julho de 2014). «Human Development Report 2014» (PDF) (em inglês). Consultado em 25 de julho de 2014 
  2. Melkote, Srinivas R.; Steeves, H. Leslie (2001). Communication for development in the Third World: theory and practice for empowerment. [S.l.]: Sage Publications. p. 21. ISBN 0-7619-9476-9 
  3. Provizer, Norman W. (1978). Analyzing the Third World: essays from Comparative politics. [S.l.]: Transaction Publishers. p. 3. ISBN 0-87073-943-3 
  4. a b c Leonard, Thomas M. (2006). «Third World». Encyclopedia of the Developing World. 3. Taylor & Francis. pp. 1542–3. ISBN 0-87073-943-3. Consultado em 1 de novembro de 2009 
  5. a b «Winston Churchill "Iron Curtain"». The History Place. Consultado em 11 de janeiro de 2018 
  6. a b c «Three Worlds Model». University of Wisconsin Eau Claire. Consultado em 11 de janeiro de 2018. Cópia arquivada em 12 May 2015  Verifique data em: |arquivodata= (ajuda)
  7. «First, Second and Third World». One World – Nations Online. July 2009. Consultado em 11 de janeiro de 2018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  8. «THE COLD WAR (1945-1990)». U.S. Department of Energy - Office of History and Heritage Resources. 2003. Consultado em 27 May 2017. Cópia arquivada em 4 March 2016  Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda); Verifique data em: |acessodata=, |arquivodata= (ajuda)
  9. «The Cold War». Pocantico Hills School. 2007. Consultado em 27 May 2017. Cópia arquivada em 21 February 2016  Parâmetro desconhecido |url-status= ignorado (ajuda); Verifique data em: |acessodata=, |arquivodata= (ajuda)
  10. Ambrose, Stephen (1998). Rise to Globalism. New York: Longman. p. 215. ISBN 0-14-026831-6 
  11. Painter, David (1999). The Cold War: An International History. London: Routledge. p. 66. ISBN 0-415-19446-6