G20 (países em desenvolvimento)

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O G-20 (ou Grupo dos 20) é um grupo de países em desenvolvimento criado em 20 de agosto de 2003 na cidade de Genebra, capital suíça, durante a fase final da preparação para a 5ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada em Cancun, entre 10 e 14 de setembro de 2003.[1] O grupo concentra sua atuação em agricultura, o tema central da Agenda de Desenvolvimento de Doha.[2]

Em Cancún, os interesses principais estavam em defender resultados nas negociações agrícolas, que refletissem o nível de ambição do mandato das negociações provindas da Rodada de Doha,[3] além dos interesses dos países em desenvolvimento.[4]

História[editar | editar código-fonte]

O G-20 tem uma vasta e equilibrada representação geográfica, sendo atualmente integrado por vinte e quatro membros: cinco da África (África do Sul, Egito, Nigéria, Tanzânia e Zimbabwe), seis da Ásia (China, Filipinas, Índia, Indonésia, Paquistão e Tailândia), três da Europa (Hungria, República Checa e Turquia) e dez da América Latina (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Guatemala, México, Paraguai, Uruguai e Venezuela).

Desde a sua constituição, o G-20 gerou grande interesse, criou expectativas e recebeu também críticas vindas diferentes direções.[5]

O Grupo nasceu com o objetivo de tentar, como de fato o fez, impedir um resultado predeterminado em Cancún e de abrir espaço para as negociações em agricultura. Naquela ocasião, o principal objetivo do Grupo foi defender resultados nas negociações agrícolas que refletissem o nível de ambição do mandato de Doha e os interesses dos países em desenvolvimento. Para tanto, o Grupo adotou uma posição comum, circulada como documento oficial da OMC, antes e durante Cancún (WT/MIN(03)/W/6). Essa posição permanece como a sua plataforma central.[6]

Após a falta de resultados concretos no encontro de Cancún, o G-20 dedicou-se a intensas consultas técnicas e políticas, visando a injetar dinamismo nas negociações. Foram realizadas diversas Reuniões Ministeriais do Grupo (Cancún, setembro de 2003; Brasília, dezembro de 2003; São Paulo, junho de 2004; Nova Délhi, março de 2005; Bhurban, setembro de 2005; e Genebra, outubro e novembro de 2005), além de freqüentes reuniões entre Chefes de Delegação e Altos Funcionários, em Genebra. O grupo promoveu, ainda, reuniões técnicas com vistas a discutir propostas específicas no contexto das negociações sobre a agricultura da OMC e a preparar documentos técnicos, em apoio à posição comum adotada pelos seus integrantes.[7]

O G-20 consolidou-se como interlocutor essencial e reconhecido nas negociações agrícolas. A legitimidade do Grupo deve-se às seguintes razões:[8]

  • importância do seu membros na produção e comércio agrícolas, representando quase 60% da população mundial, 70% da população rural em todo o mundo e 26% das exportações agrícolas mundiais;
  • sua capacidade de traduzir os interesses dos países em desenvolvimento em propostas concretas e consistentes;
  • sua habilidade em coordenar seus membros e interagir com outros grupos na OMC.

O poder de influência do G-20 foi confirmado na fase final das negociações que levaram ao acordo-quadro, então firmado em julho de 2008. Graças aos esforços do G-20, o acordo-quadro adotado reflete todos os objetivos negociadores do Grupo na fase inicial de negociações da Rodada de Doha:[9][10]

  • respeita o mandato de Doha e seu nível de ambição;
  • aponta para resultados positivos das negociações de modalidades;
  • representa uma melhoria substantiva em relação ao texto submetido em Cancún, em todos os aspectos da negociação agrícola.

Durante as próximas negociações de modalidades, a meta é que o G-20 mantenha-se engajado nas negociações, intensificando sua coordenação interna e seus esforços de interação com outros grupos,[11] visando a promoção dos interesses dos países em desenvolvimento nas negociações agrícolas.[12]

Membros[editar | editar código-fonte]

Estados membros do G20 (países em desenvolvimento).

O G-20 possui, atualmente, vinte e quatro nações inseridas (este número pode variar). Sendo elas:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Kerdna. «G-20 - Países Emergentes». paises-emergentes.info. Consultado em 9 de julho de 2018 
  2. AFP (30 de julho de 2008). «Países em desenvolvimento saem enfraquecidos das negociações da OMC - Home - iG». Economia. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  3. Lynn, Jonathan (29 de setembro de 2010). «OMC pede que EUA demonstrem liderança na Rodada de Doha». O Globo. Consultado em 9 de julho de 2018 
  4. «G-20 pode integrar América Latina e Ásia, diz professor». www.bbc.com. BBC Brasil. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  5. Campolina Soares, Adriano (18 de junho de 2004). «G20: Oportunidades para agricultura familiar e segurança alimentar | International Centre for Trade and Sustainable Development». www.ictsd.org (em inglês). Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  6. «G20 comercial enfatiza necessidade de liberar comércio agrícola mundial». VEJA.com. 14 de dezembro de 2011. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  7. «Impacto do G20 nas negociações da OMC. Brasil aposta na união comercial entre países em desenvolvimento». PÚBLICO. 13 de junho de 2004. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  8. «Países em desenvolvimento se organizam para reunião da OMC». Estadão. Consultado em 25 de fevereiro de 2018 
  9. «Rodada de Doha». www.mdic.gov.br. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil. Consultado em 9 de julho de 2018 
  10. «O Brasil e a Rodada Doha - Economia - Estadão». Estadão. 16 de março de 2011. Consultado em 9 de julho de 2018 
  11. «Trump e Putin tiveram reunião secreta durante o G20». VEJA.com. 19 de julho de 2017. Consultado em 9 de julho de 2018 
  12. Sola, Lourdes (6 de julho de 2016). «Rodada de Doha está longe de ser concluída». SWI swissinfo.ch. Consultado em 9 de julho de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]