Gabriel Boric

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Gabriel Boric
38.º Presidente do Chile
Período 11 de março de 2022
até a atualidade
Antecessor(a) Sebastián Piñera
Membro da Câmara dos Deputados do Chile por Magallanes
Período 11 de março de 2014
até 11 de março de 2022
Presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile
Período 19 de dezembro de de 2011
até 28 de novembro de 2012
Antecessor(a) Camila Vallejo
Sucessor(a) Andrés Fielbaum
Dados pessoais
Nascimento 11 de fevereiro de 1986 (36 anos)
Punta Arenas, Chile
Nacionalidade chileno
Progenitores Mãe: María Soledad Font
Pai: Luis Javier Boric
Alma mater Universidade do Chile
Companheira Irina Karamanos
Partido Convergência Social
Ocupação político
Residência Punta Arenas
Assinatura Assinatura de Gabriel Boric

Gabriel Borić Font (Punta Arenas, 11 de fevereiro de 1986)[1] é um político chileno e ex-líder estudantil. É o atual presidente do Chile desde 11 de março de 2022, o qual foi eleito nas presidenciais de 2021.[2], foi membro da Câmara dos Deputados de 11 de março de 2014 a 11 de março de 2022, representando Magalhães e Antártica Chilena. Ele foi eleito deputado nas eleições gerais de 2013 como candidato independente e foi reeleito em 2017, recebendo o maior número de votos entre todos os candidatos da Região de Magalhães em ambas as eleições. Ele ganhou a indicação do Apruebo Dignidad para as eleições gerais chilenas em 18 de julho de 2021 com 60% dos votos, tornando-se um candidato presidencial para a coligação eleitoral esquerdista.[3]

Boric estudou na Faculdade de Direito da Universidade do Chile e foi presidente da federação de estudantes da universidade em 2012.[4] Ele fez parte do movimento estudantil Izquierda Autónoma (Esquerda Autônoma) e foi diretor da ONG Nodo XXI.[5]

Em 19 de dezembro de 2021, Boric foi eleito Presidente do Chile com 55,86% dos votos, derrotando o candidato de extrema-direita José Antonio Kast,[6][7][8] que obteve 44,14% dos votos.[9]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Gabriel Boric nasceu em Punta Arenas em 1986, filho de Luis Boric, de ascendência croata, engenheiro químico e funcionário público da Empresa Nacional del Petróleo há mais de quatro décadas;[10] e de María Font, de ascendência catalã-espanhola.[11] Possui dois irmãos, Simón e Tomás.[12]

Boric estudou na The British School em sua cidade natal.[13] Ele então se mudou para Santiago junto da mãe para estudar na Faculdade de Direito da Universidade do Chile, em 2004, e acompanhar o tratamento de câncer de Tomás.[12][14]

Política estudantil

Boric em ato político em 2012

Em 1999 e 2000, Boric participou do restabelecimento da Federação de Estudantes do Ensino Médio de Punta Arenas.[15] Enquanto estava na universidade, ele se juntou ao coletivo político Izquierda Autónoma, inicialmente conhecido como Estudiantes Autónomos (Estudantes Autônomos). Foi assessor do Sindicato dos Estudantes do Departamento de Direito em 2008 e assumiu a presidência em 2009, quando liderou um protesto durante 44 dias contra o reitor Roberto Nahum.[16] Ele também representou estudantes como um senador universitário.

Boric foi candidato à liderança da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FECH) como parte da lista Creando Izquierda nas eleições de 5 a 6 de dezembro de 2011. Foi eleito presidente com 30,52% dos votos, derrotando Camila Vallejo, que foi a então presidente da federação concorrendo à reeleição como parte da lista da Juventudes Comunista do Chile.[17]

Durante sua gestão como presidente da FECH, Boric teve que enfrentar a segunda parte dos protestos estudantis que começaram em 2011, tornando-se um dos principais porta-vozes da Federação de Estudantes Chilenos.[18] Em 2012, foi incluído na lista dos 100 jovens dirigentes do Chile, publicada pela revista de sábado do jornal El Mercurio, em colaboração com a Universidade Adolfo Ibáñez.[19] Não chegou a concluir os estudos para seguir a carreira política.[20]

Membro da Câmara dos Deputados (2014-2022)[editar | editar código-fonte]

Em 2013, Boric concorreu às eleições parlamentares como candidato independente para representar o Distrito 60 (atualmente Distrito 28), que abrange a Região de Magalhães e a Antártica Chilena. Foi eleito com 15 418 votos (26,18%), o maior número recebido por qualquer candidato da região.[21] A mídia destacou o fato de que Boric foi eleito fora de uma coalizão eleitoral, assim rompendo com sucesso o sistema eleitoral binominal chileno.[22][23]

Boric tomou posse como membro da Câmara dos Deputados em 11 de março de 2014. Durante seu primeiro mandato, Boric fez parte das Comissões de Direitos Humanos e Povos Indígenas; Zonas Extrema e Antártica Chilena; e Trabalho e Previdência Social.[carece de fontes?]

Em 2017, Boric foi reeleito membro da Câmara dos Deputados da Região de Magalhães por maioria aumentada. Ele obteve 15 417 votos (24,62%), o que novamente foi o maior número de votos para qualquer candidato da região.[carece de fontes?]

Presidente do Chile[editar | editar código-fonte]

Identidade visual da campanha de Boric em 2021

Boric foi candidato às eleições presidenciais chilenas de 2021, vencendo-as. Mais jovem presidente chileno, Boric só conseguiu registrar sua candidatura em 11 de fevereiro de 2021, após completar os 35 anos exigidos por lei.[12]

Retrato de Gabriel Boric durante seu discurso de vitória em 2021

Em 18 de julho de 2021, Boric venceu as eleições primárias de Apruebo Dignidad em uma revolta contra o prefeito da Recoleta, Daniel Jadue, recebendo aproximadamente 60% dos votos. Antes das eleições primárias, Jadue havia sido favorecido a Boric em algumas pesquisas de opinião nacionais.[24] Após sua vitória nas primárias, Boric anunciou no Twitter que trabalharia junto com Jadue durante as eleições gerais para apresentar uma frente unida.[25]

Embora os seus colaboradores mais próximos provenham frequentemente dos movimentos sociais, ele permanece distante das posições da esquerda radical e é desconfiado tanto pela margem mais contenciosa da esquerda chilena como pelo mercado financeiro.[carece de fontes?]

Defende um programa centrado no reforço dos direitos dos trabalhadores e das reformas sociais. Crítico do sistema económico neoliberal do Chile, quer substituir o sistema de pensões privadas por um sistema público, introduzir impostos progressivos para empresas e cidadãos ricos, aumentar o salário mínimo e reduzir a semana de trabalho para 40 horas. O seu programa inclui o aumento das despesas sociais, incluindo a criação de um seguro de saúde universal e o lançamento de um plano nacional de saúde mental, bem como a reforma da força policial, cuja conduta foi controversa durante a repressão dos protestos de 2019, e o investimento na luta contra o aquecimento global.[26][27]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em Novembro de 2018, uma reportagem do jornal La Tercera revelou que em companhia da deputada Maite Orsini, foram à França, após uma viagem oficial a Israel, para visitar Ricardo Palma Salamanca, integrante da Frente Patriótica Manuel Rodríguez, condenado pelo crime de assassinato do senador Jaime Guzmán, e que permanece em condição de asilo político no país europeu. A notícia gerou polêmica e críticas a Boric, principalmente dos parlamentares da UDI (União Democrática Independente) e da RN (Renovação Nacional), que, por meio da Comissão de Ética, anunciaram sanções contra os deputados, correndo o risco de multa de 1,3 milhão de Pesos.[28] Entre os críticos a Boric estavam políticos como o senador Juan Antonio Coloma Correa, que o acusou de "padrão duplo" e de desprezar a defesa dos direitos humanos; Boric respondeu a Coloma, acusando-o de hipocrisia, tendo em vista que ele e outros políticos da UDI foram visitar o ditador Augusto Pinochet em Londres em 1998, quando este foi ali detido por crimes contra a humanidade, argumentando assim que Coloma não tinha o direito de criticar sua visita a Salamanca.[29] Mesmo assim, a RN (um dos principais partidos da Frente Ampla), divulgou uma declaração de que Boric e Orsini fizeram a visita a Palma Salamanca por critérios pessoais e não em nome da coalizão nem de seus respectivos partidos, acrescentando que a decisão foi imprudente, pois a visita não foi notificada ao partido ou aos aliados, observando também que condenaram o assassinato de Jaime Guzmán e que não havia justificativa para sua morte.[30]

Um mês depois, ele foi citado pelo ex-deputado José Antonio Kast depois de tirar uma foto em 2017 com uma camisa que mostrava a imagem de Jaime Guzmán fotografada, depois pedindo desculpas.[31] Em março de 2019, foi multado com um desconto de 5% em seu salário pela Comissão de Ética e Transparência da Câmara dos Deputados.[32]

Durante sua candidatura presidencial em 2021, ressurgiu uma denúncia de assédio sexual de 2012, quando era presidente da Federação Estudantil da Universidade do Chile.[33] [34] A vítima afirmou que o então candidato pediu desculpas por suas "atitudes machistas" e acusou José Antonio Kast campanha de "exploração inescrupulosa e violenta" pelo uso do caso.[35]

Referências

  1. «Gabriel Boric: El magallánico que quiere desbancar a Camila Vallejo». El Magallanews.cl, Noticias de Punta Arenas y Magallanes (em espanhol). Consultado em 23 de outubro de 2021 
  2. France Press (19 de dezembro de 2021). G1, ed. «Gabriel Boric: veja quem é o novo presidente do Chile». Consultado em 19 de dezembro de 2021 
  3. Reuters (19 de julho de 2021). «Two political upstarts notch upset wins in Chile's presidential primaries». Reuters (em inglês). Consultado em 23 de outubro de 2021 
  4. S.A.P, El Mercurio. «La Segunda.com». LaSegunda.com (em espanhol). Consultado em 23 de outubro de 2021 
  5. «QUIÉNES SOMOS | Fundación Nodo XXI». web.archive.org. 17 de novembro de 2013. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  6. Redação UOL (19 de dezembro de 2021). UOL, ed. «Chile: José António Kast, candidato da extrema direita, reconhece derrota». Consultado em 20 de dezembro de 2021 
  7. «Gabriel Boric é eleito presidente do Chile». G1.com. Consultado em 19 de Dezembro de 2021 
  8. Malar, João Pedro. «Gabriel Boric derrota José Antonio Kast e é eleito presidente do Chile». CNN Brasil. Consultado em 19 de Dezembro de 2021 
  9. «Presidentes parabenizam Gabriel Boric pela vitória no Chile». G1. Consultado em 21 de dezembro de 2021 
  10. «Wayback Machine» (PDF). web.archive.org. 2 de dezembro de 2013. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  11. «Mi manifiesto: Gabriel Boric, presidente de la Fech | La Tercera El Semanal | La Tercera Edición Impresa». web.archive.org. 9 de maio de 2012. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  12. a b c Colombo, Sylvia (19 de dezembro de 2021). «Boric, presidente eleito do Chile, foi roqueiro frustrado e logo despontou no ativismo estudantil». Folha de S. Paulo. Consultado em 20 de dezembro de 2021 
  13. «Gabriel Boric, el "magallánico fundamentalista" de la FECh - Terra Chile». web.archive.org. 11 de janeiro de 2012. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  14. «La historia del rival de Camila Vallejo | Reportajes | La Tercera Edición Impresa». web.archive.org. 13 de dezembro de 2012. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  15. Chile, BCN Biblioteca del Congreso Nacional de (2020). «Gabriel Boric Font. Reseñas biográficas parlamentarias». bcn.cl. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  16. «Los verdugos de Nahum | NACIONAL | latercera.com». web.archive.org. 4 de março de 2016. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  17. «Elecciones Fech 2012». web.archive.org. 14 de fevereiro de 2012. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  18. «5 exigencias fundamentales para un nuevo sistema educacional | Fech». web.archive.org. 29 de outubro de 2012. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  19. «Red de Líderes. - Gabriel Boric Font (26)». web.archive.org. 24 de setembro de 2015. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  20. Urrejola, José (19 de dezembro de 2021). «Quem é Gabriel Boric, o novo presidente do Chile». Deustche Welle. Consultado em 20 de dezembro de 2021 
  21. «Vallejo, Jackson, Boric, Cariola y Fuentes: Las caras del movimiento social y estudiantil que llegan al Congreso | Educación | LA TERCERA». web.archive.org. 18 de novembro de 2013. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  22. «Gabriel Boric, el diputado que derrotó al binominal: "Nuestro voto no está en venta al mejor postor" « Diario y Radio Universidad Chile» (em espanhol). Consultado em 23 de outubro de 2021 
  23. González, Por Patricio Ojeda. «El nuevo mapa electoral y las claves que dejó la elección parlamentaria». Diario Financiero (em espanhol). Consultado em 23 de outubro de 2021 
  24. T13. «Pulso Ciudadano: Jadue lidera preferencia presidencial con un 19,2% tras elecciones». https://www.facebook.com/teletrece. Consultado em 23 de outubro de 2021 
  25. «Gracias a quienes hoy...». Twitter. Consultado em 19 de Dezembro de 2021 
  26. «Programa de Gabriel Boric: El fin de las AFP y reformas sociales, laborales y tributarias». La Tercera. 19 de julho de 2021 
  27. «Meet the Candidates: Chile». Americas Quarterly (em inglês) 
  28. Carlos Reyes y Lorena Ferraro (14 de novembro de 2018). «Los diputados clave que verán las acusaciones contra Boric y Orsini». La Tercera (em castelhano). Consultado em 14 de maio de 2022 
  29. «Boric responde a la UDI: "El partido entero fue a visitar a Pinochet en Londres"». Web Archive (em castelhano). 5 de dezembro de 2018. Consultado em 14 de maio de 2022 
  30. «RD por reunión entre Orsini y Palma Salamanca: "No haberle notificado al partido fue una imprudencia"». 24Horas.cl. (em castelhano). 12 de novembro de 2018. Consultado em 14 de maio de 2022 
  31. «J.A. Kast emplazó a Boric por polera de Jaime Guzmán baleado y el diputado se disculpó». CNN Chile. 21 de dezembro de 2018. Consultado em 14 de maio de 2022 
  32. «Sancionan a Gabriel Boric con descuento del 5% de su dieta por episodio de la polera de Jaime Guzmán». El Mostrador (em castelhano). 6 de março de 2019. Consultado em 14 de maio de 2022 
  33. Cristián Torres (12 de novembro de 2021). «Una denuncia por acoso sexual complica al candidato chileno Gabriel Boric a 10 días de las elecciones». Infobae (em castelhano). Consultado em 14 de maio de 2022 
  34. Carlos Saldivia (10 de novembro de 2021). «Emplazan a Gabriel Boric a aclarar denuncia de acoso sexual». El Dínamo (em castelhano) 
  35. «Macarena Castañeda rompe el silencio: afirma que Boric le pidió disculpas por sus "actitudes machistas" y denuncia a comando de Kast de "aprovechamiento inescrupuloso y violento"». El Mostrador (em castelhano). 12 de dezembro de 2021. Consultado em 14 de maio de 2022