Sebastián Piñera

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Sebastián Piñera
63.º e 65.º Presidente do Chile
Período 11 de março de 2018
até a atualidade
Antecessor Michelle Bachelet
Período 11 de março de 2010
até 11 de março de 2014
Antecessor Michelle Bachelet
Sucessor Michelle Bachelet
Senador do Chile
pela Circunscrição 8 de Santiago
Período 11 de março de 1990
até 11 de março de 1998
Antecessor Posição criada
Sucessor Carlos Bombal Otaegui
Dados pessoais
Nome completo Miguel Juan Sebastián Piñera Echenique
Nascimento 1 de dezembro de 1949 (70 anos)
Santiago, Chile
Nacionalidade chileno
Alma mater Pontifícia Universidade Católica do Chile
Universidade Harvard
Cônjuge Cecilia Morel (c. 1973)
Filhos 4
Profissão Empresário
Assinatura Assinatura de Sebastián Piñera

Miguel Juan Sebastián Piñera Echenique (Santiago, 1 de dezembro de 1949)[1][2] é um empresário e político chileno. Desde 2018 é presidente da República do Chile,[3] cargo que também ocupou entre 2010 e 2014. Também foi, entre 2011 e 2013, o primeiro presidente pro tempore da CELAC, e desde 2019 é o primeiro presidente pro tempore da Prosul.

Foi senador entre 1990 e 1998, e candidato à Presidência da República nas eleições de 2005, quando foi derrotado no segundo turno pela socialista Michelle Bachelet.

Piñera graduou-se em economia em 1971, pela Universidade Católica do Chile. Seguiu carreira como professor de economia política até 1988. Em 1989 chefiou a campanha presidencial de Hernán Büchi, ex-ministro das finanças de Pinochet. Em 1990, Sebastián Piñera foi eleito senador, atuando na área de finanças do Senado até 1998.

Em 2010 venceu as eleições presidenciais chilenas, derrotando o ex-presidente Eduardo Frei no segundo turno, em 17 de janeiro de 2010, quando obteve 51,8% dos votos contra 48,1% obtidos por Frei.[4] No seu primeiro mandato, o PIB cresceu em média 5,3% ao ano, o desemprego caiu de 11% para 6%, foi aprovado o voto facultativo e a desigualdade caiu, com o Coeficiente de Gini indo de 0,49 para 0,473. [5]

Em 17 de dezembro de 2017 foi eleito no 2º turno das eleições presidenciais chilenas, derrotando o senador Alejandro Guillier[6]

Ele foi dono do Chilevisión , canal de televisão transmitido nacionalmente (o segundo em audiência) entre os anos 2005 e 2010, e teve 26% do Grupo Lan Airlines, que, dentre outras participações, é um grande acionista da ABSA, empresa de logística aérea brasileira, sediada em Campinas, estado de São Paulo. Além disso, ele teve 13,77% da sociedade Blanco Y Negro, que é a controladora do Colo-Colo, uma das principais equipas de futebol chileno.[7] Todas suas participações nas empresas, foram vendidas, ao assumir o cargo de presidente, não tendo participação em nenhuma delas atualmente.

Conflito de interesses[editar | editar código-fonte]

Em 20 de janeiro, os títulos da Axxion, holding que controla os ativos do presidente eleito do Chile, fecharam em alta de 52,73%. Houve críticas a Piñera por ele não ter se desfeito das ações antes de vencer as eleições. "Era a medida mais saudável ter liquidado antes [das eleições] as ações", comentou o economista da Universidade Central, Rafael Garay, que atribuiu a alta a "movimentos especulativos". "Sua prioridade deveria ter sido desvincular-se o quanto antes de seus conflitos de interesse", destacou Pedro Martins, do banco de investimentos Merrill Lynch. As negociações de títulos da Axxion na Bolsa chegaram a ser suspensas durante 33 minutos. Mesmo depois disso, os papéis continuaram a subir, chegando a se valorizar 62%. Em abril, através de um fideicomisso voluntário, Piñera havia passado a administração de grande parte de sua fortuna, avaliada em 1,2 bilhão de dólares a um fiduciário. Porém, manteve sua participação na Lan, assim como a propriedade do canal de televisão Chilevisión e sua participação no Colo-Colo,até 2010.[8]

O terremoto no Chile em 2010 e as críticas aos acordos nucleares com a França e os Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Em 27 de fevereiro de 2010 o Chile sofreu um grande desastre devido a ocorrência de um terremoto de 8,8 graus seguido de uma tsunami, no que ficou conhecido como o Grande Sismo de 2010, destruiu 1,5 milhão de casas e milhares de prédios de grande porte, cerca de 800 mortos e dezenas de desaparecidos. O terremoto ocorreu poucos dias antes da posse de Sebastián Piñera (11 de março de 2010), que assumiu com o desafio de reconstruir o país. Apesar do plano de construção de mais de 30 mil casas com apoio do governo, Piñera foi criticado pela oposição e pelos apoiadores da ex-Presidente Bachelet, pois mais de 1 milhão de casas haviam sido destruídas no terremoto. Outro motivo de criticas foi a convocação dos militares para atuar por tempo indeterminado na manutenção da ordem pública nos locais atingidos pelo terremoto, ao invés do uso da defesa civil, o que foi criticado pela oposição chilena que defende que qualquer desvio das funções normais das forças armadas deve ser por tempo determinado, algo especialmente polêmico em um país ainda muito marcado pela longa ditadura militar de Pinochet [9].

Posteriormente, Piñera voltou a ser criticado pela assinatura de acordos nucleares com a França[10] e com os Estados Unidos[11], que prevêm a instalação de usinas nucleares no Chile. Como o país está em uma região de convergência de placas tectônicas, sujeito a terremotos de mais de 8 graus ao menos uma vez por década, o que gerou inúmeros protestos no país e críticas da oposição [12][13] e da população chilena. Isto porque cerca de 86% da população é contra a instalação de usinas nucleares no Chile [14].

Segunda presidência[editar | editar código-fonte]

A "Agenda da Mulher", um pacote legislativo lançado pelo Presidente Piñera em maio de 2018 em resposta a manifestações feministas, combina uma visão conservadora (as mulheres são mais frequentemente reduzidas ao papel de mães) e liberalismo económico. Pretende promover a paridade nos conselhos de administração das empresas ou um direito "universal" a um lugar numa creche para os trabalhadores com um contrato de trabalho estável, o que limita consideravelmente o alcance da medida num país onde a precariedade é frequentemente a norma, em especial para as mulheres. Embora menos de metade delas tenham acesso a uma atividade remunerada, 31% trabalham sem contrato ou proteção social ou de saúde.[15]

As ONGs ambientais acusam o governo de ceder à pressão do lobby mineiro numa tentativa de impedir qualquer projeto de legislação. Em 2018, Sebastián Piñera enterrou uma iniciativa para proibir as atividades industriais próximas às geleiras. Em 2019, um projeto de lei das fileiras da oposição causou tensões. É suposto converter os glaciares e o seu ambiente circundante "em áreas protegidas, proibindo qualquer intervenção que não seja científica e que possa beneficiar o turismo sustentável". É provável que pelo menos 44 projetos de mineração sejam concluídos entre 2019 e 2028.[16]

Em novembro de 2019, apenas 13% dos chilenos disseram que o apoiavam.[17]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Archivo:CLSRCeI AP1194912010(1).pdf - Wikisource» (PDF). es.wikisource.org. Consultado em 9 de novembro de 2020 
  2. «Biografía de Sebastián Piñera (Su vida, historia, bio resumida)». www.buscabiografias.com. Consultado em 9 de novembro de 2020 
  3. S.A.P, El Mercurio (9 de janeiro de 2018). «Piñera es proclamado como Presidente electo de la República por el Tricel | Emol.com». Emol (em Spanish). Consultado em 9 de novembro de 2020 
  4. Um dos homens mais ricos do Chile chega ao poder depois de várias tentativas. Acesso em 18 de janeiro 2010.
  5. «Quatro anos depois, Sebastián Piñera reassume Presidência do Chile». Folha. Consultado em 10 de março de 2018 
  6. «Sebastián Piñera é eleito novo presidente do Chile». G1 
  7. Piñera aumenta participación en Colo Colo, La Nación, 21 de agosto de 2007
  8. Chile: ações do presidente eleito sobem 52,73% na Bolsa, AFP, 20 de janeiro de 2010.
  9. Líder eleito do Chile quer manter militares em áreas do tremor, BBC Brasil, 08 de março de 2011
  10. Chile e França firmam pacto de cooperação em energia nuclear, America Economia, 24 de fevereiro de 2011
  11. Diálogo nuclear deve marcar visita de Obama ao Chile, Último Segundo, 21 de março de 2011
  12. Chilenos condenam a assinatura de cooperação com os EUA sobre energia nuclear, Adital
  13. Deputados questionam acordo nuclear entre Chile e EUA, ANSA América Latina, 14 de março de 2011
  14. 86% dos chilenos rejeitam Usinas Nucleares no país, ANSA América Latina, 19 de março de 2011
  15. Gaudichaud, Franck (1 de maio de 2019). «Chile's day of women». Le Monde diplomatique (em inglês). Consultado em 21 de novembro de 2019 
  16. https://reporterre.net/L-industrie-miniere-ou-les-glaciers-le-Chili-va-devoir-choisir
  17. «Cadem: Aprobación de Piñera baja a 13% y desaprobación alcanza un 79%». La Tercera (em espanhol). 3 de novembro de 2019. Consultado em 21 de novembro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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