Asbesto

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Fibras de tremolite
Fibras de tremolite

O asbesto (da palavra grega asbestos, significando indestrutível, imortal, inextinguível), também conhecido como amianto(do grego amíantos, puro, sem sujidade sem mácula[1]), é uma designação comercial genérica para a variedade fibrosa de seis minerais metamórficos de ocorrência natural e utilizados em vários produtos comerciais. Trata-se de um material com grande flexibilidade e resistências tênsil, química, térmica e eléctrica muito elevadas e que além disso pode ser tecido.

O asbesto, conhecido no Brasil como amianto ou fibro-cimento, é constituído por feixes de fibras. Estes feixes, por seu lado, são constituídos por fibras extremamente finas e longas facilmente separáveis umas das outras com tendência a produzir um pó de partículas muito pequenas que flutuam no ar e aderem às roupas. As fibras podem ser facilmente inaladas ou engolidas podendo causar graves problemas de saúde.

Índice

[editar] Minerais asbestiformes

Crisótilo (verde)
Crisótilo (verde)
Tremolite asbestiforme sobre moscovita
Tremolite asbestiforme sobre moscovita

Os seis minerais asbestiformes pertencem a dois grupos principais:

As fibras de crisótilo são enroladas enquanto que as fibras de asbesto de anfíbolas são cilíndricas.

Os vários minerais do grupo das anfíbolas diferem uns dos outros nos teores de cálcio, magnésio, sódio e ferro neles contidos. Tanto os minerais do grupo da serpentina como os do grupo das anfíbolas ocorrem em variedades fibrosas e não fibrosas, sendo as variedades fibrosas designadas asbesto. Têm sido identificadas variedades asbestiformes de várias outras anfíbolas.

[editar] Produção mundial de asbesto

Em 2005 a produção mundial de asbesto rondou as 2500 toneladas, sobretudo de crisótilo, sendo os maiores produtores, em ordem decrescente: Rússia, China, Cazaquistão, Canadá e Brasil.

[editar] Propriedades

O asbesto é resistente ao calor até 1000 graus e contra ácidos moderados e tem uma resistência à tracção ainda maior que fios de aço com igual perfil. Em temperaturas acima dos 1200 graus ºC, o asbesto transforma-se em Olivina e suas variedades.

[editar] Usos e aplicações

[editar] Usos na antiguidade

Usado na antiguidade em mechas de lanternas, a resistência do asbesto ao fogo é desde há muito aproveitada para uma variedade de propósitos. Foi utilizado em tecidos mortuários no antigo Egipto bem como para fazer uma toalha de mesa para Carlos Magno, que de acordo com a lenda este atirou ao fogo para a limpar.

[editar] Usos modernos

O asbesto foi utilizado em mais de 3000 produtos, havendo aplicações específicas para os diferentes tipos.

[editar] Grupo da serpentina

O crisótilo é o mineral mais utilizado na produção de asbesto. As suas aplicações são inúmeras incluindo:

  • revestimentos de travões e embraiagens de automóveis
  • revestimentos e coberturas de edifícios
  • gessos e estuques
  • revestimentos à prova de fogo
  • vestimentas de protecção à prova de fogo

[editar] Grupo das anfíbolas

  • tubagens e coberturas de edifícios (misturado com cimento)
  • isolamentos térmicos e acústicos
  • revestimentos de tecto

[editar] Patologias causadas por asbesto

Foto microscópica de fibras de antofilite
Foto microscópica de fibras de antofilite

Já em 1898 o inspector-chefe de fábricas no Reino Unido relatava ao parlamento no seu relatório anual os efeitos malignos do pó de asbesto. Nele afirmava que a natureza aguçada como vidro das partículas quando presentes no ar em qualquer quantidade é nociva, como se deveria esperar. Em 1906 uma comissão do parlamento britânico confirmou os primeiros casos de morte causada por asbesto e recomendou que fosse melhorada a ventilação nos locais de trabalho, entre outras medidas. Em 1918 uma companhia de seguros dos Estados Unidos efectuou um estudo que demonstrava a ocorrência de mortes prematuras na indústria do asbesto e em 1926 a comissão de acidentes industriais de Massachusetts concedeu pela primeira vez a um trabalhador doente da indústria o direito à primeira compensação por doença causada por asbesto. Muitos dos afectados pela exposição ao asbesto nos Estados Unidos trabalhavam na construção naval durante a Segunda Guerra Mundial.

Os problemas com o asbesto surgem quando as fibras se dispersam no ar e são inaladas. Devido ao tamanho das fibras, os pulmões não conseguem expeli-las [Casarrett & Doull's Toxicology (2001), pp 520-522].

Entre as doenças causadas pelo asbesto incluem-se [1][2]:

Detalhe de um pulmão com asbestose
Detalhe de um pulmão com asbestose
  • Asbestose - Inicialmente diagnosticada entre trabalhadores da indústria naval dos Estados Unidos, a asbestose consiste de lesões do tecido pulmonar causadas por um ácido produzido pelo organismo na tentaiva de dissolver as fibras. As lesões podem tornar-se extensas ao ponto de não permitirem o funcionamento dos pulmões. O tempo de latência (período que a doença leva a manifestar-se) é geralmente 10 a 20 anos.
  • Mesotelioma - Um cancro do revestimento mesotelial (pleura) do pulmão. A única causa conhecida é a exposição ao asbesto. O período de latência do mesotelioma pode ser de 20 a 50 anos. A maior parte dos doentes morre em menos de 12 meses após o diagnóstico.
  • Cancro - Cancros do pulmão, do tracto gastrointestinal do rim e laringe foram associados ao asbesto. O período de latência é muitas vezes 15 a 30 anos.
  • verrugas de asbesto - produzidas quando fibras aguçadas se alojam na pele sendo recobertas por esta causando crescimentos benignos semelhantes a calos.
  • placas pleurais - espessamento de parte da pleura visível por meio de radiografias em indivíduos expostos ao asbesto.
  • espessamento pleural difuso - semelhante à anterior. Geralmente assimptomática, pode causar perda de capacidade respiratória se a sua extensão for grande.

[editar] Riscos da exposição ao asbesto

Quase todas as pessoas são expostas ao asbesto em algum momento das suas vidas. No entanto, a maioria das pessoas não adoece em consequência dessa exposição. As pessoas que adoecem devido à exposição ao asbesto são geralmente aquelas expostas de forma regular, a maior parte das vezes no seu posto de trabalho em que contactam directamente com o material ou através de contacto ambiental substancial.

[editar] Proibição

Devido a asbestose, algumas localidades no Brasil e no mundo já baniram o amianto. A sua comercialização e, em alguns casos, a produção já foi proibida permanentemente.

  • Brasil
    • Somente dois estados baniram a comercialização e uso do amianto: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
    • Somente 21 municípios no estado São Paulo. O último foi Ribeirão Preto
  • A União Europeia proíbe toda e qualquer utilização do amianto no seu território desde 1 de Janeiro de 2005, estando a sua extracção igualmente proibida[2]. Os trabalhadores que tenham que lidar com o amianto nas suas actividades de remoção do mesmo estão sujeitos a especiais condições de trabalho.[3]
  • O Canada, proíbe o uso do amianto no próprio país; mas, é o maior exportador mundial do produto; seus maiores clientes são países pobres da Africa e da Ásia.
  • Resto do mundo
    • outros países como a Suíça e o Chile proibem igualmente o uso do amianto.

[editar] Substitutos do asbesto

Como consequência da proibição quase generalizada de utilização de asbesto têm surgido numerosos materiais como seus possíveis substitutos. No entanto, nenhum deles se mostrou tão versátil como o asbesto. Alguns dos materiais substitutos são: silicato de cálcio, fibra de carbono, fibra de celulose, fibra cerâmica, fibra de vidro, fibra de aço, wollastonite, aramida, polietileno, polipropileno, politetrafluoretileno. Em aplicações que não requerem as propriedades de reforço das fibras perlite, serpentina, sílica e talco.

[editar] Ver também

  • Minaçu: Maior mina de amianto do Brasil

[editar] Referências

  1. Houaiss, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Lisboa: Circulo dos Leitores, 2002. Tomo I ISBN 972-42-2809-6
  2. Directivas europeias sobre o amianto
  3. União Europeia-protecção dos trabalhadores face aos edifícios com amianto

[editar] Ligações externas

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