Blur

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Blur
Blur ao vivo em Roma em 2013
Informação geral
Origem Londres, Inglaterra
País  Reino Unido
Gênero(s) Britpop
Rock alternativo
Indie rock
Período em atividade 1988 - 2003
2009 - presente
Gravadora(s) Food Records
Parlophone
Virgin Records
Afiliação(ões) Gorillaz
The Good, the Bad and the Queen
Página oficial Site Oficial
Integrantes Damon Albarn
Graham Coxon
Alex James
Dave Rowntree

Blur é uma banda inglesa de rock alternativo. Formada em 1989, em Londres, o grupo é formado pelo vocalista Damon Albarn, o guitarrista Graham Coxon, o baixista Alex James e o baterista Dave Rowntree.

Liderou uma verdadeira renovação do rock no Reino Unido, o chamado britpop, se firmando como uma das mais importantes bandas década de 90, que abriu caminho para o sucesso de muitas outras bandas como Elastica, Pulp, Supergrass e até Oasis.

Influências[editar | editar código-fonte]

No início da carreira, começou com uma sonoridade não muito distante dos grupos que dominavam a cena britânica da época, misturando o rock psicódelico e dançante do Stone Roses e outros da era Madchester, com as guitarras e a introspecção de bandas como o My Bloody Valentine, que fazia o estilo "shoegazer".

Com o andamento de sua carreira, o Blur desenvolveu o seu próprio estilo, resgatando elementos da música britânica, inspirado por, entre outros[1] , The Kinks, Beatles e The Specials. Bandas como Pavement e Pixies também apresentam traços na música do Blur.

Principais referências[editar | editar código-fonte]

Lançou alguns hits famosos até hoje, como "Song 2", "Girls & Boys", "Coffee & TV" e álbuns consagrados como, Modern Life is Rubbish (1993) Parklife (1994) e Blur (1997). Estes três álbuns são listados na publicação 1001 Albums You Must Hear Before You Die[2] . Blur lançou ao todo 7 álbuns de estúdio.

Leisure (1991)[editar | editar código-fonte]

O primeiro álbum da banda estilisticamente não se diferenciava muito do que se fazia na época na Inglaterra, explorava letras curtas, simples e diretas, por vezes sem refrões, com os vocais de Damon Albarn se fundindo com a guitarra de Graham Coxon, estes sim já se destacando, junto com a combinação do baixo de Alex James e a bateria de Rowntree. As músicas exploravam uma sonoridade inclinada ao psicodelismo advindo dos Stone Roses e outros representantes da cena musical “Madchester”, que já mostrava declínio naquele ano de 1991. A primeira faixa, e também o primeiro single da banda, She’s So High abria o álbum de forma musicalmente fantástica, com sua letra curta e vaga, o que era uma regra poucas vezes desobedecida no álbum. Aqui é explorado um dos lados mais sombrios de Blur, com a canção Sing, que pode ser considerada um dos grandes clássicos da banda e já apresentava um lado diferenciado de Blur, e talvez o seu potencial, que seria melhor explorado a partir do álbum “Blur”. Sing seria incluída, bem posteriormente, na trilha sonora do filme Trainspotting.

Modern Life is Rubbish (1993)[editar | editar código-fonte]

O segundo álbum da banda abandonou boa parte da psicodelia e as letras curtas de Leisure e mostrou letras que indicam uma localização e uma época. For Tomorrow abre o disco, onde são citados vários pontos de Londres. Em Blue Jeans mais um passeio por Londres, supostamente retratando o relacionamento de Damon Albarn com Justine (Elastica). Neste álbum começam a aparecer as músicas centradas em personagens, retratados de forma irônica, sendo Colin Zeal o mais famoso. Destaque neste álbum também para Chemical World e Sunday Sunday. Chemical World merece destaque por si só, é um retrato da vida moderna nas grandes cidades, trabalhos ingratos, dificuldades para pagar o aluguel, falta de perspectivas e a solidão, ironicamente em um lugar superpopuloso.

Parklife (1994)[editar | editar código-fonte]

Parklife, praticamente uma continuação de Modern Life is Rubbish, abria com Girls & Boys, um dos maiores "hits" da banda. Os personagens que retratam a sociedade continuam, um Inglês que sonha em se mudar para os USA em Magic America e Tracy Jacks, um funcionário público. As críticas ou ironias com a sociedada inglesa também aparecem em London Loves. Porém, há também a melancolia de This is a Low, Badhead, To the End eEnd of Century. Parklife é um álbum consistente em termos musicais, embora seja uma coletânea de histórias que nem sempre se interligam.

The Great Escape (1995)[editar | editar código-fonte]

The Great Escape continua com os personagens, estereótipos satirizados em diversas faixas, não é a toa que o álbum abre com Stereotypes. O álbum, embora tenha tido relativo sucesso, já demonstrava uma queda na fórmula e indicava novos rumos em canções como He Thought of Cars e The Universal, uma das canções mais significativas da banda. The Great Escape recebeu boas avaliações, recebendo a nota 9 em 10 por parte da NME[3] . Este álbum o último do que ficou conhecido como The Life Trilogy[4] , complementando Modern Life is Rubbish e Parklife.

Blur (1997)[editar | editar código-fonte]

Blur rompeu com a linha que a banda vinha seguindo nos três últimos álbuns, centrados em personagens da vida britânica pós-thatcherismo[5] . Na sonoridade a banda buscou se aproximar do cenário independente dos Estados Unidos como o Pavement e Sonic Youth [6] , essa diferença fica clara em músicas como M.O.R., On Your Own e You're So Great. O álbum conta com Song 2, o maior êxito radiofônico da banda, inclusive no Brasil. Pelo lado melancólico o álbum conta com Beetlebum, Death of a Party e a imensuravelmente triste Strange News From Another Star.

13 (1998)[editar | editar código-fonte]

Em 13 a banda continua sua mudança de sonoridade, o produtor de longa data Stephen Street foi substituído por Willian Orbit neste álbum. O resultado foi adição de mais elementos experimentais e eletrônicos, se distanciando do rótulo Britpop. 13 abre com Tender, canção que virou hino em praticamente todas as apresentações da banda e, supostamente, mais uma canção dedicada a amada ex-companheira de Damon Albarn, Justine Frischmann. No entanto, 13 é um álbum com temática diversa, com canções novamente baseadas em personagens como Bugman e canções mais leves sobre a infância na cidade natal da banda, como Coffee & TV, que deu luz a um dos vídeo clipes mais famosos da banda, em que uma caixa de leite se aventura pela cidade. Neste álbum também se encontram dois grandes B-Sides do lado mais sombrios da banda Caramel e Battle. Blur teve boa receptividade por parte da crítica especializada[7] .

Think Tank (2003)[editar | editar código-fonte]

Graham Coxon se afasta da banda para se dedicar a seus trabalhos solos. "Think Tank" é lançado em 2003. Para o lugar de Coxon, foi recrutado Simon Tong, ex-guitarrista do Verve. A única faixa que Coxon participa deste álbum é a última, chamada Battery in your Leg. "Think Tank" foi aclamado pela crítica, sendo citado em vigésimo lugar nos melhores álbuns da década, pela revista NME. Out of Time, Crazy Beat e Battery in Your Leg são os destaques desse trabalho.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

O início, álbum Leisure[editar | editar código-fonte]

A trajetória do grupo começou com o nome Seymour em 1989. Após alguns shows e a primeira demo tape, a banda assina com a gravadora Food Records, uma subsidiária da EMI. A única exigência da gravadora foi a mudança do nome da banda: eles ofereceram uma lista de onde foi escolhido o nome Blur.

Já como Blur, a banda parte para uma pequena turnê pela Inglaterra, terminando em julho de 1990 em Londres. Assim que a turnê acabou, o Blur entra em estúdio, de onde saíram três músicas para o single "She's So High", lançado em outubro. "She's So High" faz um relativo sucesso nas paradas, chegando ao número 48 na Inglaterra, fazendo com que a banda entrasse novamente em turnê.

A segunda sessão de gravações ocorre somente em dezembro de 1990. As gravações foram bastante problemáticas no início, as duas possíveis escolhidas para segundo single, "Close" e "Bad Day" simplesmente não funcionavam. A salvação veio com o nome de Stephen Street, produtor bastante conhecido pelo seu trabalho com o The Smiths, e mais tarde, pelo próprio Blur e o Cranberries. Stephen havia assistido ao vídeo de She's So High na TV e demonstrou interesse em trabalhar com o Blur. Com Stephen Street são gravadas mais duas músicas, "Come Together" e "There's no Other Way", que acabou sendo o segundo single, lançado em abril de 1991.

Desta vez, a crítica caiu de joelhos pelo Blur, a música ganha as rádios, a banda se apresenta no famosíssimo programa Top of the Pops da BBC pela primeira vez, e There's no Other Way acaba atingindo o número 8 na parada. Em julho começam as gravações do primeiro álbum, também com Stephen Street. O disco foi intitulado "Leisure" e que contava também com as músicas dos dois primeiros singles.

Leisure foi lançado em agosto de 1991 na Inglaterra, tendo lançamento também nos Estados Unidos, algumas semanas mais tarde pela gravadora SBK. Na carona do sucesso de "There's no Other Way", o disco chegou a sétima posição da parada inglesa, mas a reação da crítica já não foi a mesma. "Leisure" foi muito comparado às outras bandas da época, como Soup Dragons, Jesus Jones, Inspiral Carpets, entre outras, enquanto que alguns críticos afirmavam que o som da banda era "fabricado". A New Music Express definiu assim a banda na época: "Blur are really pretty good. But it ain't the future. Blur are merely the present of rock and roll."

Período de afirmação, crise, Modern Life is Rubbish e Parklife[editar | editar código-fonte]

Entre os integrantes da banda, o descontentamento com a sonoridade de "Leisure" foi ainda maior e o Blur passaria a se concentrar na re-invenção da sua música. Em setembro, eles já estavam em estúdio e durante um show em outubro de 1991 eles apresentam pela primeira vez a inovadora "Popscene", claramente um passo a frente do material gravado em "Leisure".

Mas pouco a pouco, o interesse da volúvel mídia britânica já não era mais do Blur. No início de de 1992 só se falava em Suede na Inglaterra. O som do Suede inspirado no glam-rock de David Bowie na década de 1970 impressionou a todos, enquanto o Blur ainda era ligado ao rock psicodélico pós-Stone Roses, um movimento que morria pouco a pouco. Em março, é lançado o single de "Popscene", um marco na carreira do grupo, com sua pegada quase punk levada com trumpetes. Em retrospectiva, os críticos consideram "Popscene" um clássico, o início do brit-pop, mas na época ninguém deu atenção. O prestígio do Blur era próximo a zero na época, devido a alguns shows ruins com alguns integrantes completamente embriagados no palco. O single não passou do número 32 nas paradas.

Em janeiro de 1992 a banda descobre que o seu gerente os deixou em uma péssima situação financeira, dando conta da falta de nada menos que 40 mil libras em sua conta e débitos de cerca de 60 mil. Todo o dinheiro de Leisure foi pelo ralo. Para piorar, em junho de 1992 a banda parte para uma humilhante turnê de 44 shows nos Estados Unidos. Na época, o Blur estava com um som muito distante do Nirvana que estava no auge nos EUA e, por isso foi ostensivamente vaiado em vários shows. Esta turnê foi marcante para a banda que a partir daí começou a compor letras sobre o cotidiano britânico. De volta a Inglaterra em agosto, a Food Records ameaça dispensar a banda, que depois de um tempo parada, retorna em outubro para iniciar as gravações de seu segundo álbum.

Inicialmente a banda trabalha com o produtor Andy Patridge (ex-integrante da banda XTC), mas o resultado foi desastroso. Por acaso, o guitarrista Graham Coxon reencontra Stephen Street durante um show do Cranberries. Stephen mostra interesse em trabalhar de novo com o Blur e em novembro as gravações recomeçavam a todo gás. No mês seguinte, a banda apresenta o disco novo para sua gravadora, que rejeita o material, alegando que não havia nenhum hit. No natal, Damon Albarn compõe "For Tomorrow" e a Food estava pronta para lançar o álbum. Porém, a SBK, gravadora da banda nos Estados Unidos, insistia que não havia nenhum hit em potencial para o mercado americano. Então o Blur voltou ao estúdio e gravou "Chemical World". O disco estava pronto para ser lançado em abril quando a SBK pediu a banda que regravasse todo disco com o produtor Butch Vig (Kiss, Nirvana, Smashing Pumpkins, Sonic Youth). Desta vez, a banda se negou e "Modern Life Is Rubbish" foi lançado na Inglaterra em maio.

"For Tomorrow", o primeiro single, chega ao número 28 e o álbum não passa do número 15, embora a crítica tenha sido razoavelmente positiva. O Blur apresentava um som completamente renovado e distante de qualquer comparação com outras bandas da época. O novo Blur relembrava influências de bandas dos anos 1960, principalmente The Kinks, se voltando ao resgate de elementos essencialmente ingleses. Como compositor, Damon Albarn se distanciava completamente do "shoegazing" dos primeiros tempos, em letras e temáticas bem diretas com várias referências e comentários sobre a sociedade britânica.

O segundo single, "Chemical World" é lançado e também atinge o número 15. A banda volta às turnês e faz uma excelente apresentação durante o Reading Festival de 1993, considerado um momento de redenção da banda. O interesse pelo Blur voltava a crescer e em Agosto, apenas três meses depois do lançamento de "Modern Life Is Rubbish", a banda começa a compor músicas para seu terceiro disco.

Em outubro é lançado o último single de "Modern Life is Rubbish", "Sunday Sunday" e em dezembro a banda entra em estúdio novamente. No mês seguinte, o disco já estava pronto. Foi uma época especialmente criativa e fértil da banda, todas as ideias se encaixavam fácil. Todas as músicas foram cuidadosas pensadas em cada detalhe, preenchidas por efeitos, teclados, arranjos de cordas e instrumentos de sopro, coros. As letras contavam histórias irônicas sobre o cotidiano, recheados de personagens e caricaturas da sociedade britânica. A criatividade do Blur não tinha limite e resultou num álbum muito mais pop do que o anterior, recebido como um clássico pela crítica britânica.

Em fevereiro de 1994 é lançado o single de "Girls & Boys", como uma prévia do novo álbum "Parklife". O single faz um enorme sucesso (quinta posição na parada) e abre o caminho para o lançamento do álbum em abril, o primeiro do Blur a chegar no número 1 na Inglaterra com mais de 1 milhão de copias na Inglaterra. "Parklife" ficou mais de um ano entre os 20 mais vendidos no Reino Unido e teve ainda mais três hits, "To the End", "Parklife" (que contava com participação de Phil Daniels, o ator da ópera-rock do The Who "Quadrophenia") e "End of a Century".

No fim do ano de 1994, "Parklife" era escolhido como o melhor disco do ano por várias revistas, incluindo a NME[8] . Em janeiro de 1995 a banda recebe os prêmios de melhor banda, melhor disco, melhor single e melhor vídeo no Brit Awards (absolutamente todos os prêmios principais da premiação que é o equivalente ao Grammy inglês). O Blur definitivamente era a banda número 1 da Inglaterra e seus integrantes, principalmente Damon, se tornavam celebridades.

O sucesso do Blur abriu o caminho para o sucesso de uma série de bandas como Pulp, Supergrass, Elastica e principalmente do Oasis. O Oasis teve um excelente ano em 1994 quando lançou seu disco de estreia "Definitely Maybe" e se tornou uma das mais promissoras bandas da Inglaterra. O suficiente para a mídia lançar uma verdadeira guerra entre Blur x Oasis, com direito a várias trocas de farpas entres os integrantes das duas bandas pela imprensa. As gravadoras das duas bandas adoraram a idéia e passaram a explorar a rixa na imprensa.

O esgotamento, The Great Escape[editar | editar código-fonte]

O Blur passou metade de 1995 trabalhando em seu novo disco, "The Great Escape", e tocando alguns shows esporádicos, inclusive o lendário show "Mile End" no estádio de Wembley lotado.

Em agosto surge o primeiro single de "The Great Escape", da música "Country House". Por iniciativa da gravadora, o lançamento de "Country House" foi atrasado em uma semana para coincidir com o lançamento de "Roll With It", o novo single do Oasis. O Blur saiu vencedor da batalha, "Country House" ficou no primeiro lugar na parada. A Flood e a EMI fizeram uma festa para comemorar o fato mas a "guerra" com o Oasis não agradava a banda, principalmente a Graham Coxon, o que levou a alguns desentendimentos internos no Blur.

De fato, quando "The Great Escape" foi lançado, a crítica recebeu o disco com elogios rasgados e entusiasmados e as vendagens foram excelentes. O disco trazia a sonoridade de "Parklife" levada às últimas consequências, com produção grandiosa e a mesma temática, centrada em personagens irônicos como o "Ernold Same", "Dan Abnormal" e o "Charmless Man", das músicas de mesmo nome. O disco também teve grandes hits, como "Country House", "The Universal" e a própria "Charmless Man" e até então foi o disco mais bem sucedido do Blur nos Estados Unidos, vendendo 120 mil cópias apenas. A estratégia de rivalidade com o Oasis se mostrou prejudicial ao Blur.

O Oasis lançou seu segundo disco, "What's the Story (Morning Glory)?" que teve um sucesso ainda mais avassalador que o de "Great Escape". Quando o Oasis conquistou a América, vendendo cerca de 5 milhões de cópias, as comparações foram inevitáveis. A partir daí, o som do Blur passou a ser tratado como superado e ninguém via muito futuro para eles. A postura da crítica com relação ao álbum "The Great Escape" mudou radicalmente, a ponto do disco ser considerado de fracasso (embora tenha vendido muito bem), argumentando que no disco a banda mais parecia uma paródia de si mesma na preocupação de repetir o fenômeno de "Parklife".

A era pós Parklife, "Blur"[editar | editar código-fonte]

The Great Escape parece ter significado o esgotamento da sonoridade que o Blur vinha aprimorando após o disco Leisure e que resultou nos mitos Modern Life is Rubbish e Parklife e, de fato, a banda quase acabou no início de 1996. Em março, após o final de uma turnê nos Estados Unidos, Damon Albarn viaja para a Islândia para descansar e volta completamente reanimado. Em junho eles tocam o último show daquele ano em Dublin, na Irlanda, onde tocam pela primeira vez as músicas "Song 2" e "Chinese Bombs".

Era um claro sinal de que o Blur re-inventando a si mesmo novamente. As músicas foram compostas após um encontro entre Damon e Stephen Malkmus do Pavement. Após o show a banda retornou para Islândia, onde iniciaram as gravações de seu quinto disco. Durante o tempo em que estavam na Islândia, a relação entre os integrantes da banda melhora sensivelmente. Em dezembro de 1996, o Blur retorna à Inglaterra, onde grava a última faixa do novo disco, que foi lançado em fevereiro de 1997. Nessa época, Damon dava declarações a imprensa dizendo não estar mais interessado no rock inglês e que estava fascinado pelo rock alternativo americano, um gênero que Graham Coxon cultuava há anos.

Tanto o álbum, simplesmente intitulado "Blur" quanto o primeiro single "Beetlebum" entram na parada como número 1 em fevereiro de 1997 ,foi uma grande recuperação da banda, o que era representada na capa do álbum: uma foto embaçada de um paciente sobre uma maca, entrando no que seria a emergência. Em geral as críticas ao novo som do grupo foram um tanto divididas, com alguns críticos considerando que o Blur havia perdido o rumo enquanto que outros publicavam que a banda reconquistava sua posição como uma das mais inovadoras e originais da Inglaterra. Mas o público ainda mostrava uma certa resistência pela mudança no estilo, logo após o seu lançamento o disco rapidamente despencou nas paradas.

Em março, "Blur" é lançado nos Estados Unidos, onde a banda contava com uma nova gravadora, a Virgin, que se mostrou bem mais comprometida na promoção do Blur do que era a SBK. "Song 2" é escolhido pela Virgin e pela banda como o primeiro single americano e a escolha se mostrou um acerto, fazendo da música um hit e finalmente tornando o Blur conhecido nos Estados Unidos e inclusive no Brasil. Depois de uma turnê bem sucedida pelos Estados Unidos, a banda parte para outros países como Japão e Austrália, onde se tornam grandes também.

A boa repercussão do disco em outros países ironicamente se refletiu na Inglaterra, onde a banda voltou a subir nas paradas e definitivamente reconquistou seu espaço. "Blur" teve ainda os singles de "M.O.R." e "On Your Own" e realmente refletia uma mudança de direção. Dessa vez, a banda parecia mais solta, mais espontânea, as guitarras voltavam a ganhar destaque, trazendo à banda uma levada mais rock e experimental e menos pop.

No intervalo entre o fim da turnê e o reinício dos trabalhos no próximo disco, os integrantes do Blur trabalham em projetos próprios. Damon Albarn fez algumas trilhas para filmes e Graham Coxon lançou um álbum solo, "The Sky's Too High".

Em 1998 a banda entra em estúdio com o produtor William Orbit para gravar seu novo álbum, "13" com estilos bem diferentes entre as músicas, desde o estilo gospel de "Tender" ate as guitarras barulhentas e pesadas de "Bugman", "Swamp Song" e "B.L.U.R.E.M.I" foi mais uma vez número 1 nas paradas da Inglaterra. O disco, lançado em 1999, segue o mesmo rumo do trabalho anterior, incorporando alguns elementos da música eletrônica e desta vez ainda mais experimental (embora o primeiro single, "Tender", tenha sido o mais pop do Blur nos últimos anos) e mais uma vez reafirma o Blur como uma das mais influentes bandas da atualidade. Depois de mais dois singles "Coffee & TV" e "No Distance Left to Run", a banda comemora seus 10 anos de carreira em mais um show na Wembley Arena.

O Blur ainda recebeu prêmios pelo videoclip inovador de "Coffee & TV" que conta a impagável saga de uma caixinha de leite, personagem que virou um dos principais símbolos da banda até hoje, e ganhou o singelo nome de "Milky".

Com o fim das atividades de promoção de "13" a banda dá mais uma parada, quando seus integrantes se voltam aos seus próprios projetos. Sai o segundo disco de Graham Coxon, "The Golden D" e Damon se envolve na banda Gorillaz, que acaba fazendo um enorme sucesso, talvez até maior do que o próprio Blur, se levarmos em conta um âmbito mundial. Em 2000 foi lançado um "Best Of", ainda como parte das comemorações pelos 10 anos da banda, contendo uma faixa inédita, "Music is my Radar". Em 2001, mais um disco solo de Coxon, chamado "Crow Sit on Blood Tree". O Blur só volta efetivamente em 2002, quando descobre-se que a banda está gravando um novo disco (Think Thank), tendo Fatboy Slim como produtor.

A saída de Graham Coxon, Think Tank e o hiato[editar | editar código-fonte]

Coxon no Leeds Festival em 2005.

Nesta época começaram a circular boatos sobre uma eventual saída de Graham Coxon, o que acaba se confirmando logo. 2002 marca ainda o lançamento do quarto disco de Coxon, chamado "The Kiss of the Morning". Aparentemente a razão de sua saída da banda foi insatisfação com os rumos que o som do Blur estaria tomando nas gravações do novo disco. "Think Tank" é lançado em 2003. Para o lugar de Coxon, foi recrutado Simon Tong, ex-guitarrista do Verve. A única faixa que Coxon participa deste álbum é a última, chamada Battery in your Leg. "Think Tank" foi aclamado pela crítica, sendo citado em vigésimo lugar nos melhores álbuns da década, pela revista NME.[9]

A volta dos Blur (2009 - 2012)[editar | editar código-fonte]

Já em 2008 se falavam no retorno dos Blur. No ano de 2009, o Blur anuncia oficialmente a sua volta com a formação original. Coxon volta à banda e eles voltam a fazer shows, o que resulta no DVD "No Distance Left to Run". No mesmo ano, a banda também lança um álbum duplo ao vivo, *All the People: Blur Live at Hyde Park. Neste ano aconteceu um dos principais shows da banda, no festival de Glastonbury[10] , fato que colocou a banda novamente em evidência no Reino Unido.

Em 2010, a banda lança a sua primeira música inédita de estúdio e single desde 2003, Fool's Day. E este foi o início de mais um longo intervalo na carreira dos Blur, ao menos como banda.

Em 2012 para completar os mais de 21 anos de carreira, Blur lança uma caixa comemorativa contendo todos os seus discos já gravados remasterizados em CD, além de outros discos com diversas músicas inéditas no box, Blur 21. A coletânea incluia versões remasterizadas dos álbuns e versões demo e/ou em fase embrionária, estas demos incluíam músicas inéditas que não foram incluídas nos albuns de estúdio.

Ainda em 2012 a banda toca no British Awards 2012, onde receberia um prêmio pelo conjunto de sua obra, o Outstanding Contribution to Music. Nesta apresentação Damon Albarn se apresentou de forma totalmente desafinada e displicente, levantando suspeitas sobre a boa forma da banda [11] , que se apresentaria em um show no dia do encerramento das Olimpíadas de Londres em 2012, sendo atração principal entre coadjuvantes de peso como New Order e The Specials.

Em julho de 2012 a banda anunciou o lançamento de duas novas músicas, Under the Westway e The Puritan, ambas alegadamente compostas para o show que comemoraria o fim das Olimpíadas de 2012. As duas foram gravadas também ao vivo em um telhado nos arredores de Londres, com transmissão na Internet e aplausos de um pequeno público que acompanhava a gravação da rua em um dia chuvoso e lúgubre.

Devido ao show parte das festividades das Olimpíadas a banda anunciou "shows de aquecimento" em pequenas cidades do interior da Inglaterra, da mesma forma que acontecera no ano de 2009. Os shows aconteceram nas cidades de Margate, Wolverhampton e Plymouth, todos com lotação esgotada, além de um pequeno show em uma casa noturna de Londres.

Em 12 de agosto de 2012 a banda se apresentou para um público de 80 mil pagantes no Hyde Park em grande forma[12] , repetindo o feito de 2009 de esgotar um dos maiores espaços para shows da Inglaterra. Este era supostamente o fim da banda, embora nunca oficialmente confirmado ou desconfirmado pelos membros.

Logo após a banda lançou um novo álbum ao vivo intitulado Parklive, em CD e um DVD, com a gravação dos shows realizados nas festividades de encerramento das Olimpíadas de Londres em 2012 e gravações feitas nos shows "de aquecimento", além de lançamentos em vinil dos singles Under the Westway e The Puritan.

A volta novamente em turnês mundiais (2013)[editar | editar código-fonte]

2012 foi um grande ano para o Blur, embora as duas canções lançadas Under the Westway e The Puritan tenham tido pouca atenção das rádios e paradas, mesmo que primeira tenha sido considerada a terceira melhor canção do ano pela NME[13] . Foram duas canções que agradaram Damon Albarn e Graham Coxon, além do aparente contentamento interno, os shows tiveram sucesso e vendas instantâneas.

Com dois dos membros afastados do mundo musical, sendo eles Alex James e Dave Rowntree. O primeiro se tornou fazendeiro e produtor de queijos[14] , o segundo realizoou o sonho de se tornar advogado e ensaia uma carreira política[15] .

No entanto, em 2013, surpreendentemente, o Blur anunciou seu retorno aos shows. Inicialmente foram anunciados somente festivais, incluindo o famoso Coachela nos Estados Unidos e outros diversos festivais na Europa e um no México. Logo após, foram marcados shows próprios na Ásia e no também no México, Argentina e Brasil. A extensa lista de shows deu margem a especulações de um novo álbum, porém esta hipótese ainda não é confirmada. Apesar de, em março de 2014, seu vocalista Damon Albarn ter afirmado que o Blur gravou 14 novas músicas inéditas em estúdio.

Premiações[editar | editar código-fonte]

  • 1994: Q Awards – Melhor Álbum (Parklife)
  • 1994: Smash Hits Awards – Melhor banda alternativa, Melhor Álbum (Parklife)
  • 1995: Brit Awards – Melhor Banda, Melhor Álbum (Parklife), Melhor Single (Parklife), Melhor Vídeo (Parklife)
  • 1995: NME Awards – Melhor Banda, Melhor apresentação ao vivo, Melhor Album (Parklife)
  • 1995: Q Awards – Melhor Álbum (The Great Escape)
  • 1999: Q Awards – Melhor Ato para o mundo hoje em dia
  • 2000: NME Awards – Melhor Banda, Melhor Single("Tender"), Melhor vídeo ("Coffee and TV")
  • 2003: Q Awards – Best Album (Think Tank)
  • 2003: South Bank Show Awards – Melhor Álbum (Think Tank)
  • 2009: MOJO Awards – Inspiration Award [83]
  • 2012: British Awards – Outstanding Contribution to Music

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio
Ao Vivo
Coletâneas
DVDs

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Britpop - Movimento musical britânico da década de 1990 liderado por Blur e Oasis.
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Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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