Castelo de Trancoso

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Castelo de Trancoso
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Castelo de Trancoso, Portugal.
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Construção ()
Estilo
Conservação
Homologação
(IGESPAR)
MN
(DL 7.586 de 8 de Julho de 1921.)
Aberto ao público

O Castelo de Trancoso localiza-se na Beira Interior, na freguesia de Santa Maria, cidade e concelho de Trancoso, distrito da Guarda, em Portugal.

Ergue-se sobre um planalto na região Nordeste da Beira, vizinho à nascente do rio Távora, afluente do rio Douro, e ao Castelo de Penedono, distante cerca de cinco léguas, com o qual compartilha caraterísticas comuns. Desde o século XII, época da constituição da nacionalidade portuguesa, a povoação e seu castelo adquiriram importância estratégica na raia com o Reino de Leão, a par de outras localizades como a Guarda e a Covilhã. Posteriormente constituir-se-ia em domínio da família dos Coutinho. Atualmente constitui-se em ex-libris da cidade, atraindo milhares de turistas anualmente.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Não existem informações acerca da primitiva ocupação humana do sítio de Trancoso, que se acredita remonte à pré-história. Outros autores consideram raízes romanas, identificando paralelos com a evolução arquitetônica do vizinho Castelo de Penedono.

O castelo medieval[editar | editar código-fonte]

A primitiva edificação que originou o castelo – uma torre defensiva - remonta à época da Reconquista cristã da Península Ibérica quando, no início do século X, a região foi ocupada e seu repovoamento promovido por Rodrigo Tedoniz. Tendo passado por herança a sua filha, Chamôa Rodrigues (ou Flâmula Rodrigues), sobrinha de Mumadona Dias, a primeira referência documental a um castelo em Trancoso remonta à doação testamentária desta, juntamente com outros castelos e penelas na região, como o Castelo de Moreira de Rei e o Castelo de Terrenho, ao Mosteiro de Guimarães, em 960.

Suportou, juntamente com os seus vizinhos, por cerca de um século, as vissicitudes da oscilação das fronteiras entre cristãos e muçulmanos, até à reconquista definitiva das terras de Entre-Douro-e-Mondego por Fernando Magno, que compreendeu as terras de Trancoso em 1057 ou 1058.

Quando da constituição do Condado Portucalense, a povoação e seu castelo fizeram parte do dote da condessa D. Teresa.

Posteriormente, à época da Independência de Portugal, no contexto da ofensiva muçulmana que cercou e conquistou Leiria, ao final de 1139, uma outra coluna muçulmana adentrou a Beira, alcançando Trancoso que foi saqueada e seu castelo assediado (1140). Graças à pronta ação das forças de D. Afonso Henriques, a ameaça foi repelida. Acredita-se que foram procedidos, à época, reforços nas defesas, uma vez que a região foi assolada pelos muçulmanos até 1155, quando lhe foi passado foral pelo soberano. O castelo seria comprovadamente fundado em 1159, sendo referido um novo foral em 1173, quando os domínios da povoação e seu castelo foram doados à Ordem do Templo. Esta etapa construtiva românica transformou a primitiva torre moçárabe em torre de menagem, dotando-a de uma muralha defensiva.

Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211), este soberano confirmou-lhe o foral (1207), sendo atribuído ao de seu filho e sucessor, D. Afonso II (1211-1223]] a construção da cerca da vila, que se expandia.

Quando da questão da sucessão de Sancho II de Portugal, a povoação e seu castelo sofreram dificuldades até passarem para as mãos do regente indicado pelo Papa Inocêncio IV, o infante D. Afonso, futuro rei Afonso III de Portugal (1248-1279). Deste momento a tradição local refere que, em 1248, estando D. Sancho II em retirada para o exílio em Castela, escoltado por forças de Afonso X de Castela que haviam vindo a Portugal apoiá-lo, havendo sido derrotadas nas imediações de Leiria, ao passarem por Trancoso, saiu-lhes do castelo ao encontro Fernando Garcia de Sousa. Este cavaleiro desafiou para um duelo singular a Martins Gil de Soverosa, cavaleiro de D. Sancho II, declarando que a sorte do duelo decidiria a do castelo. O soberano deposto, entretanto, opôs-se ao combate, recolocando-se em marcha, passando o Castelo de Trancoso ao domínio de D. Afonso III.

D. Dinis (1279-1325) aqui recebeu por esposa D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa (24 de Junho de 1282), vindo a integrar os castelos que o soberano lhe outorgou como dote. Dentro do contexto da assinatura do Tratado de Alcanices (1297), foi também o responsável pela ampliação da cerca da vila, amparada por diversos torreões de planta retangular. Nesta etapa construtiva destaca-se a construção das monumentais Porta de El-Rei e Porta do Prado, e a reformulação da malha urbana, considerada como um dos melhores exemplos do urbanismo gótico no país.

No contexto da crise de 1383-1385, ao final da Primavera de 1385, os arrabaldes de Trancoso foram saqueados por tropas Castelhanas a caminho de Viseu. Ao retornarem com o esbulho, saiu-lhes ao encontro o Alcaide de Trancoso, Gonçalo Vasques Coutinho, com as forças do Alcaide do Castelo de Linhares, Martim Vasques da Cunha e as do Castelo de Celorico, João Fernandes Pacheco, ferindo-se a batalha de Trancoso, no alto da Capela de São Marcos (Junho de 1385). No mês seguinte, uma nova invasão de tropas castelhanas, sob o comando de D. João I de Castela em pessoa, volta a cruzar a fronteira por Almeida e, de passagem pelo alto de São Marcos, incediou-lhe a Capela em represália.

D. João I (1385-1433) reforçou a sua defesa durante as guerras com Castela, diante das invasões da Beira em 1396 e 1398.

Da Guerra Peninsular aos nossos dias[editar | editar código-fonte]

Embora existam informações sobre obras realizadas nas suas defesas ao longo dos séculos XIV e XV, o que atesta a sua importância regional, as fortificações de Trancoso só voltam a conhecer movimentação bélica durante a Guerra Peninsular, quando aquartelam diversos contingentes de tropas, entre os quais os britânicos do general William Carr Beresford, em 1809.

Em meados do século XIX, a Capela de Santa Bárbara, então em ruínas no interior do recinto, foi adaptada a paiol de pólvora, embora jamais tenha vindo a exercer essa função. À época, a Câmara Municipal autorizava a demolição de troços da cerca da vila, visando reaproveitar a pedra assim obtida em obras públicas, tais como a pavimentação das vias. Dentro dessa lógica, na passagem para o século XX foram demolidas algumas das antigas portas e as torres que as guarneciam.

O conjunto do castelo e das muralhas de Trancoso está classificado como Monumento Nacional por Decreto de 8 de Julho de 1921. Na década de 1930 fez-se sentir a intervenção do poder público, através da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que levou à recriação de diversos trechos destruídos, como troços de muralhas e ameias.

A antiga Vila de Trancoso foi elevada à categoria de Cidade em Dezembro de 2004. Recentemente, visando melhorar a oferta de serviços turísticos aos visitantes, a Câmara Municipal planeja disponibilizar um miradouro virtual no castelo, a entrar em obras com a colaboração de fundos oriundos do IPPAR, no âmbito do Programa de Aldeias Históricas de Portugal.

Características[editar | editar código-fonte]

O castelo com traços dos estilos Românico e Gótico, coroa, a Nordeste, o conjunto das muralhas da antiga vila medieval. Os seus muros são reforçados por cinco torres de planta quadrangular, encimados por ameias quasdrangulares, com terminação piramidal, e percorridos por adarve. No lado Sul do amplo pátio de armas, ergue-se a Torre de Menagem, de silhueta tronco-piramidal, com planta quadrada, apresenta porta em arco de ferradura, em estilo pré-românico.

A primitiva povoação contava com uma cerca de muralhas com aproximadamente um quilômetro de circunferência, reforçada por quinze torres. Nessa muralha rasgavam-se quatro portas, defendidas por torres e três postigos:

  • a Porta d’El-Rei
  • a Porta de São João
  • a Porta do Prado e
  • a Porta do Carvalho
  • o Postigo do Olhinho do Sol
  • o Postigo do Boeirinho e
  • a Porta da Traição.

Alcaides de Trancoso[editar | editar código-fonte]

  1. Gonçalo Vasques Coutinho, 2º marechal de Portugal, senhor do Couto de Leomil (1360 -?),
  2. Álvaro Vaz Cardoso, alcaide-mór de Trancoso (1370 -?),
  3. Vasco Pais Cardoso, alcaide-mór de Trancoso (1400 -?)
  4. Aires Ferreira, 5º senhor da Casa de Cavaleiros (1420 -?),
  5. Vasco Pais Cardoso (1430 -?),
  6. D. Pedro Mascarenhas, 6º vice-rei da Índia (1470 -?),
  7. Álvaro Mendes de Cáceres,
  8. Álvaro Vasques Cardoso, alcaide-mór de Trancoso,
  9. D. Francisco Mascarenhas, alcaide-mór de Trancoso (1630 -?),
  10. António Verissímo Pereira de Lacerda, alcaide-mor de Trancoso (1714 -?),
  11. José Maria Francisco Pereira de Lacerda, alcaide-mor de Trancoso (1750 -?),

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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