Companhia Antarctica Paulista

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Companhia Antarctica Paulista
Tipo Privada
Indústria bebidas
Fundação 1891
Encerramento 1 de julho de 1999
Sede São Paulo,  Brasil
Produtos Cerveja
Refrigerante
Faturamento Aumento R$ 3.3 bilhões (1998)[1]
Sucessora(s) Ambev
Página oficial [1]
O primeiro símbolo da Antarctica era a Estrela de Davi com a letra "A" inscrita, como símbolo da Maçonaria e a fachada da sede na Mooca

A Companhia Antarctica[2] Paulista foi um grupo que originalmente produzia cerveja, e que posteriormente estendeu sua participação no ramo de bebidas, passando a industrializar, também, refrigerantes. Durante anos disputou a liderança do mercado cervejeiro com a Brahma, até que finalmente as companhias se fundiram dando origem a Ambev.

História – Da fundação à fusão com a Brahma[editar | editar código-fonte]

A Antarctica foi fundada em 1885 e inicialmente era um abatedouro de suínos, de propriedade de Joaquim Salles junto com outros sócios, localizada no bairro de Água Branca, na cidade de São Paulo.

A empresa possuía uma fábrica de gelo com capacidade ociosa e isso despertou o interesse do cervejeiro alemão Louis Bücher, que desde 1868 possuía uma pequena cervejaria.

Os dois empresários se associaram, e em 1888 criou-se a primeira fábrica de cerveja do país com tecnologia de baixa fermentação, com uma capacidade de produção de 6 mil litros diários. A Antarctica teve seu primeiro anúncio publicado no então jornal "A Província de São Paulo", atual "O Estado de São Paulo", em março de 1889: "Cerveja Antarctica em garrafa e em barril - encontra-se à venda no depósito da fábrica à Rua Boa Vista, 50".

Sob a perspectiva do contexto histórico, o Brasil passou da fase colonial para a República, em 1889. Nesta época o Brasil efetivamente iniciava seu processo de industrialização. O decreto n. 164 de 17 de janeiro de 1890 regulamentou e deu novas liberdades à existência das Sociedades Anônimas.

Em 9 de fevereiro de 1891 foi oficialmente fundada a "Companhia Antarctica Paulista" como sociedade anônima, com 61 acionistas. O decreto n.217 de 15 de maio de 1891 firmado pelo presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca autorizou a Companhia Antarctica Paulista a funcionar com os estatutos apresentados dentro da legislação vigente na época.

Inicialmente a empresa não tinha um foco muito claro de negócios, atuando na fabricação de cerveja e refrigerantes, assim como na fabricação de banhas e presuntos, fábrica de gelo e manutenção de câmaras frias para estocagem de alimento.

Entre os acionistas estavam João Carlos Antônio Zerrenner, alemão e Adam Ditrik von Bülow, dinamarquês, ambos naturalizados brasileiros e proprietários da empresa Zerrenner, Bülow e Cia., exportadora e corretora de café. Eles importaram equipamentos da Alemanha para modernizar a produção de cerveja e os financiaram para a Antarctica.

Em 1893 houve uma desvalorização da moeda e a Antarctica esteve por decretar a falência, quando Zerrenner e Bülow decidiram trocar seu crédito por um aumento de participação na empresa, sendo que a Zerrener Bülow & Cia. tornou-se desta forma acionista majoritária, assumindo o controle da Antarctica com 51,15% do capital social, em 27 de julho de 1893, data que pode ser considerado como o marco inicial das atividades industriais da Antarctica.

Desta forma sob a direção da Zerrenner, Bülow & Cia. a empresa foi reorganizada e concentrou-se apenas na fabricação de cerveja e refrigerantes. A partir de então recuperou-se e passou a ter um rápido e ordenado crescimento,[3] sendo que em 1904 adquire o controle acionário da Cervejaria Bavária, na Moóca, que pertencia à Henrique Stupakoff & Cia. Neste local em 1920 passou a se situar a sede do Grupo Antarctica.

A competência como importadora da Zerrener, Bülow & Cia foi fundamental para aquisição de equipamentos industriais e também pela relação com grandes bancos ingleses, em especial o Banco Behremberg Grossler. Desta forma os negócios da empresa expandiram rapidamente, sendo que em 15 de agosto de 1911 foi fundada a primeira filial, em Ribeirão Preto.

Em 1923 morre Adam Von Bülow deixando 5 filhos como herdeiros, dos quais dois vendem ações da companhia ao sócio Zerrenner, que se torna majoritário. O filho primogênito Carl Adolph passa a representar a família von Bülow na direção da empresa.

Anos após, o Comendador Antônio Zerrenner e sua esposa se viram forçados a permanecer fora do Brasil por prescrição médica e deixaram a administração de seus bens aos cuidados de procuradores, que também eram gerentes da Zerrenner, Bülow & Cia., sendo esta firma distribuidora exclusiva dos produtos Antarctica. Desta forma, surgiram conflitos de interesse entre os dois grandes grupos de acionistas, visto que a direção considerava que a distribuição indireta dos produtos deixava a Antarctica em posição desvantajosa, dando início a uma crise de governança corporativa na empresa.

A crise do café que culminou em 1929 teve grande impacto na situação financeira do Brasil, em particular no estado de São Paulo, e também afetou diretamente os negócios cafeeiros da Zerrenner, Bülow & Cia. Entretanto, a empresa recuperou-se e a partir de 1930, Antarctica e Brahma passaram a eliminar quase todas concorrentes e dividiam a liderança da produção de cerveja no Brasil.

Em 1933 morre o Comendador Antônio Zerrenner sem deixar herdeiros e inicia-se um complexo e longo processo de inventário, sendo que Helena Zerrenner faleceu em 1936 despojada de seus direitos hereditários. O testamento que pedia que seus bens fossem enviados à Alemanha foi posteriormente anulado e os bens passaram para a já falecida esposa Helene, entretanto, como não haviam herdeiros no Brasil e de acordo com o testamento de Helena, os bens de passaram para a Fundação Brasileira (atual Fundação Antônio e Helena Zerrenner), após uma longa disputa que se encerrou em 27 de março de 1939 com um "Pacto de Honra" celebrado entre os dois grupos de acionistas - A Fundação e a família von Bülow.[4]

O testamenteiro Walter Belian se torna administrador da Antarctica mantendo um gentlement agreement na administração da empresa junto com a família Bülow, que foi rompido em 1942 após a morte de Carl Adolph Von Bülow. Seguiu-se então uma longa disputa pelo controle da companhia, a filha de Adam Ditrik Von Bülow Andrea de Morgan Snell que tinha guardado suas ações nomeou seu marido Luis de Morgan Snell como presidente do grupo até 1952.[5]

Walter Belian passou a presidir a Antarctica até a sua morte, em 1975. Sua irmã, Erna Belian Wernsdorf Rappa que já o assessorava havia anos, passa a presidir a Antarctica e a Fundação até a sua morte em 1984, com 89 anos.[6]

Note-se que, devido a disputas com a Fazenda do Estado de São Paulo que pretendia cobrar injustamente um desconto de 20% de imposto de transmissão "causa mortis" sobre o patrimônio da Fundação Brasileira, esta somente conseguiu incorporar ao seu patrimônio os bens deixados pela viúva do casal Zerrenner, que contavam 58,74% do capital social em 1944. A partir desta data, a empresa voltou-se à expansão da produção, importando maquinários da empresa americana Geo J. Meyer Mfg.

Entretanto, o assim chamado "caso Zerrenner" somente foi encerrado definitivamente em 1961 com decisão do plenário do STF.

Na década de 60 a Antarctica inicia um processo de "democratização do capital", atendendo a determinações do governo federal. Apesar de já ser uma Sociedade Anônima com ações negociadas nas bolsas de valores de São Paulo e Rio de Janeiro, estas estavam concentradas nos dois grupos de acionistas.

Em 1963, o capital da companhia estava distribuido da seguinte forma:

  • Fundação Zerrener: 59%;
  • Família von Bülow: 38%;
  • Outros acionistas: 3%

A funcação Zerrener, tendo finalidade devotar-se a obras assistenciais e, especialmente, dedicadas aos próprios empregados, não poderia dispor para venda de suas ações pois necessitava delas para garantir o afluxo de rendas indispensáveis para atender às suas atividades. Nestas condições, a família Von Bülow prontificou-se a vender parte de suas ações, declarando, entretanto, o desejo de continuar a participar do capital com o mínimo de 26 a 27%.

A venda de ações foi feita de forma gradativa nas bolsas através de negociações à vista e sem afetar o capital da empresa, uma vez que que se tratavam de ações pertencentes à família von Bülow. Os papéis tiveram grande liquidez e adquiriram rapidamente um elevado grau de negociação, sendo que o capital total, que em 1963 era de Cr$8.000.000.000, passou para Cr$51.000.000.000 em 1966, o que representou uma valorização de cerca de 35% desncontada a inflação do período.

Em 30 de março de 2000 o CADE aprova a fusão da Antarctica e Brahma. Para que a fusão fosse aprovada, foi necessário vender a marca da cerveja Bavária, além das fábricas de Ribeirão Preto/SP, Getúlio Vargas (RS), Camaçari/BA, Cuiabá/MT e Manaus/AM que foram vendidas para a cervejaria canadense Molson.

Cronologia da Antarctica:

  • 1891: Fundação da Companhia Antarctica Paulista, em 9 de fevereiro.
  • 1912: Lançada a Soda Limonada Antarctica.
  • 1920: A Antarctica vendeu a baixo preço o terreno de 150 mil metros quadrados onde hoje está o Palmeiras, em troca de um contrato perpétuo de venda dos produtos da companhia.
  • 1921: Lançado o Guaraná Antarctica.
  • 1930: Antarctica e Brahma passaram a eliminar quase todas concorrentes e dividiam a liderança da produção de cerveja no Brasil.
  • 1935: Os famosos pingüins de Antarctica passaram a integrar o seu rótulo, acompanhados de uma estrela dourada.
  • 1939: Houve um fato curioso, quando Ademar de Barros, interventor federal do Estado Novo de Getúlio Vargas ocupou militarmente a Antarctica e prendeu seus diretores, por considerar que a empresa era "uma propriedade de alemães". Posteriormente, o próprio Getúlio interveio, desculpando-se junto à empresa pelo mal entendido.
  • 1961: A Antarctica adquiriu a cervejaria Bohemia, a mais antiga do Brasil.
  • 1972: Adquiriu a Polar e a Cervejaria de Manaus.
  • 1979: Passou a ser exportada para os Estados Unidos, Europa e Ásia.
  • 1994: Adquire a Cervecera Nacional, na Venezuela.
  • 2000: A Antarctica fundiu-se com a Brahma, formando a AmBev, que se torna a quinta maior cervejaria do mundo.
  • 2001: Novas alterações nos seus rótulos: o rótulo retangular atravessado por uma faixa azul - que lhe rendeu este apelido - mudou com a introdução da logomarca que se conhece hoje, mas sempre mantendo seu símbolo maior, os pingüins.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi02079905.htm
  2. Pelas regras ortográficas do Formulário Ortográfico de 1943 e do Acordo Ortográfico de 1990 o correto seria grafar Companhia Antártica Paulista. Entretanto, os dois regulamentos ortográficos garantem a manutenção das grafias originais de firmas, sociedades, títulos e marcas. FO-1943, Base XI, 40 / AO-1990, Base XXI.
  3. FREYRE, Gilberto e Americano, Jorge. Atarctica, Ontem, Hoje e Sempre. 75 anos. São Paulo: Litobras, 1966. 78p.
  4. SANTOS, Sergio de Paula. Os Primórdios da Cerveja no Brasil. Santos: Ateliê Editorial, 2004. 56p. ISBN 8574801836
  5. Diário Oficial do Estado de São Paulo - Poder Judiciário http://www.imprensaoficial.com.br/+(10 de Março de 1960). Visitado em Páginas 43 a 49.
  6. Fundação Zerrenner 75 anos - Relatório anual de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]