Denis (povo)

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Os deni são um grupo indígena que habita o sudoeste do estado brasileiro do Amazonas, mais precisamente na "Terra Indígena Deni", situada nos municípios de Itamarati e Tapauá.

Os primeiros contatos dos Deni com o homem branco provavelmente se deram no final do século XIX ou primeiros anos do século XX.

Os Deni estão entre os grupos indígenas da região dos rios Juruá e Purus que, na década de 1940, sofreram os impactos do segundo ciclo da borracha, que atraiu milhares de migrantes. Com estes, vieram doenças, violentas disputas territoriais e exploração da mão de obra indígena. Desde então, os Deni tiveram que esperar décadas até terem seus direitos territoriais assegurados, sendo preciso iniciar uma campanha de autodemarcação das terras, com apoio de algumas Ongs, para então conseguir a demarcação oficial, que só foi concluída em agosto de 2003.

Embora na região onde habitam tenha sido feita uma demarcação ainda enfrentam os problemas advindos de invasões recorrentes para atividades clandestinas como pesca e extração de madeira.

História e realidade[editar | editar código-fonte]

Um censo populacional feito pelas equipes da pastoral indigenista de Tefé e Lábrea em 1993 constatou a presença de 255 índios em cinco aldeias do Rio Xeruã e 243 em quatro aldeias do Rio Cuniuá. O habitat tradicional dos índios Deni está situado nas planícies dos Rio Purus e Juruá, entre os rios Cuniuá e rio Xeruã. É uma região de floresta densa, com vegetação de grande porte e espécies de valor para a indústria madeireira como muratinga, copaíba, jacarandá, pau-rosa, cedro, itaúba, louro, samauma e virola. As margens dos rios são dominadas por florestas de palmeiras, como o açaí. A exploração da borracha, desde o final do século XIX até 1940, foi a grande responsável pela rápida ocupação ocidental dos vales dos rios Purus e do Juruá e pelo conseqüente extermínio indígena. A economia extrativista dependia dos índios como guias, remeiros, caçadores, pescadores, produtores de látex e até como prevenção contra índios hostis. Depois de reconhecida a navegabilidade dos rios de acesso, nada mais impedia o avanço da civilização branca. Navios de grandes porte atravessaram quilômetros de rios, trazendo nordestinos desterrados pela seca em busca de terra e trabalho. Eram os soldados da borracha. Surgem os primeiros núcleos urbanos como Lábrea e Canutama, no Purus, e Tefé, no Juruá. Na época áurea da borracha, estima-se a população indígena da região em 40,000 indivíduos. Ocorrem inevitáveis correrias – confrontos violentos entre índios e colonizadores, principalmente nas cabeceiras dos igarapés, onde se concentravam os focos de resistência indígena e as fronteiras do extrativismo. Os índios Deni, considerados pacíficos e agricultores, ocupavam a margem esquerda do rio Purus entre a foz do rio Ituxi até acima do rio Pauiní. Com as malocas instaladas no meio da mata, o contato com a frente de civilização foi parcialmente evitado. Mesmo recrutados como mão-de- obra nos seringais, as famílias permaneciam isoladas na floresta. Epidemias e chacinas atingiram a tribo, mas seus valores étnicos e culturais foram preservados. Porém, desajustes na estrutura econômica de subsistência dos Deni foram inevitáveis. O sistema de aviamento, baseado em trocas desiguais e injustas de borracha por bens de consumo, gerou o círculo vicioso de dependência e dívidas, que persiste nos dias de hoje entre ribeirinhos e patrões envolvidos na retirada de madeira da região. Com a falência da borracha amazônica no mercado internacional, os Deni passaram a trocar farinha de mandioca, óleo de copaíba, pescado e caça por produtos, além de se empregarem na atividade madeireira para sobreviver. Em 1992, uma epidemia de sarampo acometeu um grupo Deni que trabalhava com madeira. O resultado: 67 índios mortos. O poder político da área Deni tem estado, historicamente, nas mãos de patrões e políticos envolvidos com a exploração de madeira. Os patrões influenciam em decisões básicas nas comunidades Deni, inclusive em relação à mudanças de localidades ou aldeias, sempre pensando em benefício próprio. Desde os tempos coloniais, a política integracionista resume-se, em suas diversas fases, à redução da exploração da mão-de-obra indígena e à catequese e civilização executadas por entidades civis e religiosas. Em nenhum dos casos, a integração foi realizada como processo social. No decurso da história desta área, muitas sociedades foram extintas; outras, porém, sobreviveram e continuam mantendo sua identidade étnica que as diferencia da sociedade exterior. Ainda hoje, os métodos e objetivos da política integracionista não mudaram. Essa política é colocada sob o interesse econômico a fim de transformar os índios em produtores da economia regional. Todos os elementos que possam favorecer os mecanismos internos necessários à sobrevivência do grupo como sociedade autônoma e à manutenção de sua identidade cultural são considerados empecilhos nessa postura. Em 1995, com o extrativismo falido, o Rio Cuniuá começou a ficar desabitado. O fim da extração de sorva consumou a madeira como a “única” saída econômica para a região. Espécies de terra firme, como o cedro, são consideradas reservas potenciais para futuros negócios via exploração mecanizada e mega projetos florestais. As árvores com capacidade de flutuação são amarradas umas às outras nas margens dos rios, formando jangadas de troncos, que serão rebocadas aos pólos madeireiros de Manaus e Itacoatiara. A exploração madeireira na região envolve machadeiros, seus patrões, pequenos regatões e aviadores de mercadorias, e grandes compradores de Manaus que revendem a madeira para empresas brasileiras e multinacionais. Na área Deni, as madeiras mais procuradas são de terra firme, como o jacarandá e o pau- rosa. Em algumas ocasiões, os patrões fornecem moto- serras aos índios para que a madeira seja entregue em pranchas. Os patrões dos Deni dependem de compradores do município de Itamarati (aldeias do rio Xeruã) e de Foz do Tapauá (aldeias do Cuniuá). Às vezes, esses pequenos patrões vivem miseravelmente em barcos ou pequenas colocações provisórias. Um retrato do problema social da região, já que o explorador é também explorado pelo sistema que ele próprio ajuda a sustentar. E, na extremidade dessa cadeia, os Deni, embora reclamando dos maus tratos recebidos dos patrões, os cercam como se eles fossem a única saída dessa situação contraditória. Além da destruição dos recursos naturais, a atividade madeireira tornou-se uma porta de entrada de doenças epidêmicas como sarampo e gripe e gerou sérios conflitos entre madeireiros e índios. Os Deni são ainda vítimas do sistema monetário, já que não compreendem o papel do dinheiro na definição de valor das mercadorias. Uma das necessidades básicas para o desenvolvimento comunitário dos Deni é o treinamento matemático simples, como noções sobre o uso do dinheiro. Sem estes conhecimentos, a produção de farinha ou a venda de outros produtos não resultarão em uma maior autonomia para esse povo. Atualmente, com o potencial econômico de sua área praticamente esgotado, o povo Deni terá que encontrar outras alternativas para sobreviver.

Traços culturais[editar | editar código-fonte]

A provisão dos meios de subsistência dos Deni vem da floresta em forma de caça, pesca, coleta extrativista e agricultura. Devido ao baixo potencial agrícola do solo da floresta tropical, os Deni equilibram sua dieta com alimentos silvestres encontrados em abundância nas áreas extensivas, daí sua característica de povo semi-nômade. A não-conclusão do processo de sedentarização é resultante de um equilíbrio sócio-econômico, que garante a sobrevivência das comunidades e evita a interferência predatória no meio ambiente. O lugar dos Deni na biosfera é um constante perambular entre as diversas áreas onde se concentram seus recursos renováveis. Nas caçadas individuais e coletivas, os Deni utilizam espingardas e arco e flecha para caçar animais de grande porte, e sarabatana e setinhas para caçar pássaros e animais menores. Os frutos silvestres são colhidos principalmente na época chuvosa (inverno amazonense), entre dezembro e maio. A coleta de matérias-primas é individual, embora empreitadas cooperativas sejam feitas para apressar, por exemplo, a confecção de uma rede. O cultivo da terra é a parte mais importante dos meios de subsistência. Mandioca, macaxeira, milho, cará, banana, abacaxi, urucu, timbó e pupunha são produzidos em processos agrícolas que envolvem a roçada, derrubada, queimada e plantio propriamente dito. A derrubada é feita com a participação de todos em uma área comum. Depois da queima, são distribuídos lotes à famílias, que então são responsáveis pelo plantio e colheita. Dificuldades geográficas como a adaptação à baixa produtividade do solo, às altas temperaturas e às chuvas pesadas e contínuas, levaram à ocupação nômade do território, que permite a recomposição das roças em um ciclo econômico de plantio, colheita e replante. A exploração dos recursos naturais acontece de maneira controlada e equilibrada com o meio ambiente, favorecendo a recuperação da flora e fauna. A divisão de trabalho entre homens e mulheres – os homens se realizam na floresta, caçando e pescando, enquanto a mulher trabalha na aldeia - e o aprendizado prático, baseado em resultados do dia a dia, são traços importantes da sociedade Deni. “O conceito de propriedade comunitária não é típico dos Deni. Eles entendem que o produto do trabalho ao qual se dedicou uma pessoa pertence à essa pessoa”, esclarece o antropólogo alemão Gunter Kroemer, que trabalha há vários anos com a comunidade. Os Deni confeccionam ainda cerâmicas e trançados. Também retiram da floresta venenos para serem usados em pescarias, como o Kumu e o Vekema. O casamento acontece da seguinte forma: os homens inventam uma caçada ou vão atrás de patauá (fruta que produz vinho semelhante ao açaí); apenas as mulheres e dois velhos permanecem na aldeia. Os anciãos desatam a rede da moça, atando-a novamente ao lado da rede do futuro marido. Quando os homens voltam do mato, anuncia- se que estão casados. A mãe da moça traz brasa para ela fazer fogo. Casamento realizado, é hora de festa e comilança, e os dois podem dormir juntos. O homem traído pode trair o outro, combinando com a esposa dele. Assim, acreditam eles, a raiva passa. Os trabalhadores, pajés, caçadores e cantores têm direito à duas mulheres. Não há restrições quanto ao homem manter relações sexuais com suas cunhadas. Durante a gravidez, o casal deve se abster de comer ovos e ingerir apenas peixes miúdos, mas devem manter as relações sexuais até o descanso para a criança nascer forte. A mulher Deni dá a luz sozinha, no mato. Ela corta o umbigo, limpa a criança e leva-a de volta à casa. O marido enterra a placenta. Depois do parto, a mãe come sozinha por dois meses. A verdadeira criação do bebê acontece quando o pajé (zupinehe) sopra a alma à criança, dando-lhe vida. O choro ritual é a característica marcante do luto entre os Deni. O morto é enterrado numa maca, feita com uma rede nova. A maca não encosta no chão da sepultura e são colocadas ripas de paxiúba (tipo de palmeira) por cima do corpo, que recebe uma camada final de terra. Um tipo de mausoléu é construído sobre a sepultura, que poderá ser coletiva algum dia. Os homens mais poderosos da tribo são os zupinehe, os pajés. Na religiosidade Deni, eles são responsáveis pela harmonia entre corpo e alma. O pajé comunica-se com as almas e seu espírito pode deixar o corpo e viajar. Para curar doenças, o pajé retira “pedras” de seu corpo, consideradas espíritos, e as coloca em outra pessoa, para mais tarde retirá- las através de sucção. Conhecer os espíritos é dominá-los, e conhecer seu próprio espírito é dominar a si mesmo, acreditam. Em algumas aldeias Deni, principalmente as do Rio Xeruã, já não existem pajés. Desgraças como epidemias de sarampo são atribuídas à falta desses líderes religiosos.

Mitos[editar | editar código-fonte]

- Criação do mundo: Os Deni acreditam que as pessoas foram criadas a partir de um lagarto que falava. O espírito feminino mahaniru criou as plantas que nascem em pé, como o abacaxi, a macaxeira, a banana. O ancestral nadiha trouxe os vegetais que nascem na horizontal, como a batata e o cará. Mahaniru plantou, mas o homem queria tirar sem plantar e iniciaram uma briga com o espírito, ameaçando-a de morte. Ela subiu ao céu, levando toda a espécie de plantação consigo e os humanos ficaram sem alimento. Os homens tiveram a idéia de queimar a área e, depois da queima, nasceu um pé de macaxeira. Assim originou-se a tradição agrícola. - Chegada do fogo: Nos tempos antigos, um homem foi caçar uma onça, o único animal considerado “mau”, quando um passarinho gritou “tem fogo aí”. Diante de seus olhos, uma grande árvore estava em chamas. O Deni pegou uma vara de madeira e levou uma brasa de volta à aldeia. Ele então repartiu o fogo, que ninguém deixa apagar até hoje.

Festas[editar | editar código-fonte]

Os índios Deni trabalham para fazer festa, pela diversão, para convidar malocas vizinhas e brincar. O Deni é um dos povos mais criativos e espirituosos, mais ensinados na arte de improvisar. O pajé é o responsável pela organização das festividades e pelos convites. A festa mais importante é chamada Ima Amusinahá, traduzida como “a continuação de uma boa conversa”. O líder da aldeia distribui as tarefas dos rituais em forma de idéias, não ordens. Alguns índios devem ir caçar queixadas (porcos do mato), outros devem realizar a colheita, pescar e as mulheres se dedicam à feitura do beijú de farinha de mandioca. O uso do rapé, um alucinógeno feito de folhas de tabaco e casca da árvore pupuí torradas e moídas, pode explicar essa alegria. O rapé é aspirado diariamente por homens, mulheres e crianças. O centro principal da vida dos Deni são as festas. Para isso eles plantam, caçam, pescam e coletam frutos silvestres. Portanto, qualquer projeto de desenvolvimento comunitário deve incluir a realidade das festas em sua proposta.E em tempos de festas os Deni pintam os rostos de branco, que significa a cor da paz, para expulsar os espíritos do mal (malignos)

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