Elias Maluco

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Elias Maluco
Elias Maluco (sem camisa, ao centro) sendo apresentado pela polícia após sua prisão em 2002
Nome Elias Pereira da Silva
Nacionalidade  brasileiro
Pseudônimo(s) Elias Maluco
Crime(s) Tráfico e associação para o tráfico de drogas (i)
Tráfico e associação para o tráfico de drogas (ii)
Homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver (iii)
Pena 13 anos de prisão (i)
18 anos de prisão (ii)
28,5 anos de prisão (iii)
Situação Preso

Elias Pereira da Silva, mais conhecido como Elias Maluco, é um dos maiores traficantes de drogas do Rio de Janeiro, hoje encarcerado. Foi preso em 19 de setembro de 2002, após uma caçada humana de três meses, na sequência do assassinato do jornalista Tim Lopes.[1] Integrante da facção criminosa Comando Vermelho, comandava o tráfico de drogas em trinta favelas das imediações do Complexo do Alemão e da Penha, sendo acusado pela morte de mais de sessenta pessoas.[1]

Elias Maluco é ainda considerado como um dos responsáveis pelas ondas de violência que abalaram o Rio de Janeiro em dezembro de 2006 e novembro de 2010.[2] [3]

Assassinato de Tim Lopes[editar | editar código-fonte]

Em 2 de junho de 2002, o jornalista Tim Lopes, que na ocasião fazia uma reportagem sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em bailes funk na favela Vila Cruzeiro, bairro da Penha, foi sequestrado e levado por um grupo de traficantes liderado por Elias Maluco para a Favela da Grota no Complexo do Alemão, onde foi torturado e morto,[4] após ter sido descoberto com uma microcâmera tentando filmar a venda de drogas no local.[5] De acordo com depoimentos de traficantes ligados a Elias Maluco, presos poucos dias depois pela polícia, este executou pessoalmente o jornalista com uma espada de samurai,[4] [5] tendo em seguida o corpo do jornalista sido esquartejado com facas e incinerado com pneus e gasolina[5] numa gruta conhecida entre os locais como o "microondas".[6] Após intensas buscas, os restos carbonizados do corpo de Tim Lopes foram encontrados no dia 12 de junho, num cemitério clandestino da Favela da Grota.[4]

O crime teve repercussão internacional[7] e motivou manifestações contra a violência no Rio de Janeiro e em defesa da liberdade de imprensa, tendo sido um dos casos que levou a que o Brasil fosse apontado pela Comissão de Impunidade da Sociedade Interamericana da Imprensa (SIP) como o terceiro país mais perigoso para os profissionais desta área nas Américas.[5]

Captura[editar | editar código-fonte]

Após uma caçada humana de três meses liderada pela cúpula da segurança do Rio de Janeiro,[4] a polícia lançou no dia 16 de setembro de 2002 a chamada "Operação Sufoco", cercando o Complexo do Alemão com o objetivo de capturar Elias Maluco. Após 50 horas de cerco policial, foi capturado no dia 19 de setembro na Favela da Grota, não tendo resistido à prisão. É dele a frase, no momento da prisão, "Perdi, chefe. Só não esculacha, não.", em referência à ânsia da polícia em prendê-lo.[1]

Elias Maluco foi condenado em dezembro de 2002 a 13 anos de prisão pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico de drogas, num processo que envolvia o cantor Belo.[8] Em 10 de novembro de 2003, foi condenado a 18 anos de prisão pela 23ª Vara Criminal do Rio de Janeiro pelos mesmos crimes no âmbito de outro processo,[8] e em 25 de maio de 2005 foi condenado a 28,5 anos de prisão pelo 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver no caso do assassinato de Tim Lopes.[9]

Elias Maluco ficou preso no complexo prisional Bangu I desde a sua detenção[9] até 4 de janeiro de 2007, quando foi transferido para o Presídio Federal de Cantanduvas, Paraná, juntamente com outros onze chefes das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando (TC) acusados de planejar a queima de ônibus e os atentados contra delegacias e postos da Polícia Militar ocorridos no Rio de Janeiro em 28 de dezembro de 2006, que resultaram na morte de dezenove pessoas.[2] Após o início de uma nova onda de violência no Rio de Janeiro em 21 de novembro de 2010, Elias Maluco e Marcinho VP, que segundo o setor de inteligência da polícia teriam ordenado os ataques, foram transferidos em 25 de novembro de 2010 para o Presídio Federal de Porto Velho, Rondônia.[3] Em 18 de agosto de 2011, Elias Maluco foi novamente transferido, desta feita para o Presídio Federal de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.[10]

Referências

  1. a b c Elias Maluco é preso na Favela da Grota Terra.com.br (2003-09-19). Visitado em 16 de maio de 2013.
  2. a b Chefões vão para cadeia no Sul do País Terra.com.br (2007-01-05). Visitado em 16 de maio de 2013.
  3. a b Justiça autoriza transferência de mais 10 presos do RJ para o PR Terra.com.br (2010-11-26). Visitado em 16 de maio de 2013.
  4. a b c d 2002 - Elias Maluco choca ao executar Tim Lopes Terra.com.br. Visitado em 16 de maio de 2013.
  5. a b c d Há um ano Tim Lopes era executado por traficantes Terra.com.br (2003-06-02). Visitado em 16 de maio de 2013.
  6. Governo decide concretar gruta em favela no Rio Terra.com.br (2003-06-02). Visitado em 16 de maio de 2013.
  7. Desaparecimento de jornalista da Globo gera preocupação internacional Folha de São Paulo (2002-06-04). Visitado em 16 de maio de 2013.
  8. a b Elias Maluco é condenado a 18 anos de prisão Terra.com.br (2003-11-11). Visitado em 16 de maio de 2013.
  9. a b Elias Maluco pega 28 anos pela morte de Tim Lopes Terra.com.br (2005-05-25). Visitado em 16 de maio de 2013.
  10. Elias Maluco é transferido para presídio federal no MS Terra.com.br (2011-08-18). Visitado em 16 de maio de 2013.