Penha (bairro do Rio de Janeiro)

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Penha
—  Bairro do Brasil  —
Igreja de Nossa Senhora da Penha de França
Igreja de Nossa Senhora da Penha de França
Penha.svg
Criado em 22 de julho de 1919
Área
 - Total 581,13 ha (em 2003)
População
 - Total 78 678 (em 2 010)[1]
 - IDH 0,804[2] (em 2000)
Domicílios 26 403 (em 2010)
Limites Penha Circular, Engenho da Rainha e Olaria[3]
Fonte: Não disponível

Penha é um bairro de classe média e média alta da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.

Seu IDH, no ano 2000, era de 0,804, o 87º melhor da cidade do Rio de Janeiro.[2] Desde então, a região evoluiu e não houve nenhum outro estudo, o que tornam os dados obsoletos.

Aspecto geral:[editar | editar código-fonte]

Faz limite com Penha Circular, Vila Kosmos e Olaria.[4]

O bairro tem quase 80.000 habitantes e com referência central a Igreja da Penha no alto de uma pedra.

Crescido em volta ao Cortume Carioca, indústria têxtil instalada na região, é um bairro predominantemente residencial, com seu centro comercial localizado na Rua dos Romeiros e Plínio de Oliveira, região onde se encontram grandes redes comerciais, como Casas Bahia, Ricardo Eletro, etc.,várias barracas de comércio informal, estabelecimentos gastronômicos, vários estabelecimentos de vestuário,...

Próximo também se encontram 2 shoppings, o Penha Shopping, construído onde antes era um estacionamento, e o Leopoldina Shopping, que se situam em frente aos Supermercados Guanabara e Intercontinental. Os shoppings também apresentam diversas lojas de grandes redes, áreas de alimentação com shows ao vivo, eventos e cinemas (estes atualmente desativados). Também devemos citar como regiões comerciais as ruas Montevidéu, atual pólo gastronômico, Rua Quito, parte da Rua Conde de Agrolongo, Avenida Lobo Jr., Av. Brás de Pina, etc.

Possui uma das melhores vias de transporte do Rio de Janeiro: no bairro se localiza a Avenida Brasil, que segue por praticamente toda costa do município, indo da Zona Oeste até o Centro, via de acesso a praticamente todo município. Também apresenta diversas linhas de transporte coletivo, dentre os quais apresenta estações finais para Tijuca, Zona Oeste, Zona Sul e outros municípios, como Duque de Caxias e Nova Iguaçu.

No bairro também passa a BRT Transcarioca, facilitando o acesso ao Aeroporto Santos Dumont, na Ilha do Governador, e à barra da Tijuca, passando pela estação de Vicente de Carvalho, onde faz integração com o Metrô Rio. Atualmente, é a única estação da região com todas as estações funcionando, já que a falta de segurança nos outros bairros torna perigoso seu funcionamento.

No transporte ferroviário, conta com a SuperVia, que corta o bairro no meio e divide o bairro em 2 regiões: a "Zona nobre", onde tem a região residencial, o pólo gastronômico, as igrejas e templos religiosos, o IAPI da Penha, a Avenida Brasil e onde se situava o Cortume Carioca; e a região da Igreja da Penha, onde se situam as igrejas Bom Jesus e Igreja da Penha, os Supermercados Guanabara e Intercontinental, o Hospital Getúlio Vargas, o centro comercial, os Shoppings e, mais afastado, atrás do morro da Igreja da Penha, o Complexo de Favelas da Penha.

Do bairro surgiram os jogadores de futebol Gonçalves, o goleiro Julio Cesar, Athirson e Adriano.

Nos meses de Outubro e Novembro ocorre a Festa da Penha (no início do século XX, o primeiro samba gravado "Pelo Telefone" de Donga foi lançado nesta festa) no caminho de subida para a Igreja da Penha (ao lado do Parque Shangai), uma festa colorida, com suas barraquinhas, músicas, venda de lembranças religiosas e alimentação típica, lembrando uma mistura de cultura nordestina com folclore caipira (Festa Junina), mas mantendo sempre um ar religioso.

Encontra-se também o conjunto IAPI da Penha, com 1.248 unidades em 44 blocos, foi construído na era Getúlio Vargas nos anos 40 pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, a fim de dar moradia barata e financiada a longo prazo aos seus segurados, numa época que a previdência era descentralizada, com inúmeros institutos de pensões, que aparentemente tinham muito mais “poder de fogo” em termos financeiros que o gigantesco INPS criado após do golpe de 1964. A Praça Santa Emiliana conta com uma pista perimetral de 442m de extensão sinalizada. Nos horários de maior movimento de pessoas caminhando, de 6 as 8 da manhã e de 17 as 19 da noite.

No campo Ordem e Progresso, na Vila Cruzeiro, funcionava o espaço Criança Esperança, que foi posteriormente substituído pelo projeto IBISS.

História[editar | editar código-fonte]

Avenida Brás de Pina vista a partir da Igreja da Penha.

Inicialmente, a Penha possuía uma região praieira, próxima ao mangue do Saco do Viegas (na altura dos viadutos Lobo Júnior e Luzitânia). A região era chamada de "MARIANGU", nome indígena de uma ave abundante no recôncavo da Baía de Guanabara. Nela surgiu o Porto de “Maria Angu” (em Olaria, no final da rua Pirangi), do qual partiam embarcações para o centro do Rio de Janeiro colonial. Boa parte do litoral da Penha era composto por um grande manguezal (principalmente na altura da Lobo Júnior até o mercado São Sebastião), até que ocorreram os grandes e sucessivos aterros, intensificados no final da década de 1950 e começo dos anos 60. Hoje, a região praieira da Penha pertence à Marinha do Brasil, e a região da Praia da Moreninha e comunidade de pescadores (hoje este mesmo local é conhecido como favela da Kelson's ou favela da moreninha) pertencem à Penha Circular.

O povoamento do Bairro da Penha se deu em virtude da construção da Igreja da Penha, santuário situado no cima de um outeiro de pedra, na estação do subúrbio da Estrada de Ferro Leopoldina ao qual empresta o nome, próxima da estrada que, partindo da Capital, vai dar em Petrópolis.

A construção do templo data de 1635, pelo capitão Baltasar de Abreu Cardoso, senhor abastado (homem influente da cidade), proprietário de uma grande quinta dentro da qual se achava o penhasco. Suas terras, segundo indica Vivaldo Coaracy em sua obra "O Rio de Janeiro no século 17" (p. 84), lhe foram concedidas por sesmaria em 1613. Para Coaracy, "a devoção dos primitivos moradores do Rio de Janeiro multiplicava capelas e ermidas consagradas à Virgem Maria sob várias invocações, e aos santos de culto mais popular". Baltasar Cardoso decidiu erguer uma capela no alto do morro situado em suas terras e, em 1635, levou a efeito o seu propósito construindo ali um pequeno templo que foi a origem da Igreja de Nossa Senhora da Penha, que veio posteriormente a dar nome ao bairro.

Não muito longe, outra capela foi erguida mais ou menos pela mesma época: a de Santo António de Lisboa no Engenho da Pedra; não é conhecida a data exata da sua fundação mas existe nos livros da freguesia da Candelária o registro de um batismo ali celebrado em 1638.

A ocupação do bairro da Penha se deu em 1670, quando a Igreja da Penha foi ampliada e, cinco anos mais tarde, com a inauguração de sua longa escadaria - que dizem ter 365 degraus -, facilitou o acesso dos romeiros, que com devoção subiam, escalavrando joelhos, pagando promessas, resgatando pecados, salvando almas.

No final do Século XIX, a Estrada de Ferro do Norte chegou à Penha e, no início do Século XX, foi a vez do bonde elétrico. A oferta de transporte só fez aumentar ainda mais o número de romeiros na região.

No dia 22 de julho de 1919, o bairro da Penha foi emancipado da Freguesia de Irajá, a partir do Decreto nº 1376.

Em 1920, do lado oposto à Igreja, foi implantado o Curtume Carioca, que com seu apito característico, chamava à obrigação do trabalho, uma indústria de curtumes, peles e comércio de couros e similares, com construção em estilo Art nouveau. Marcando o caminho da Estação Ferroviária até a sua porta, foram plantadas Palmeiras Imperiais.

O Hospital Estadual Getúlio Vargas, fundado em 3 de dezembro de 1938, e o Parque Ary Barroso se encontram em um terreno doado pela família do pioneiro Lobo Júnior, conhecido como Chácara das Palmeiras.

Reconhecido seu valor histórico e cultural para a Cidade, no mês de junho de 1990, a Igreja da Penha foi tombada mediante o Decreto Municipal nº 9413 de 1990.

Já enfrentando retração do mercado, pelo surgimento do produto sintético e em função da crise econômica vivida pelas indústrias nacionais, as atividades do Cortume foram encerradas em 1990. O epílogo da história do Cortume Carioca ocorreu em 1998, quando foi decretada a falência. Hoje as edificações foram distribuídas: o terreno na Rua Montevidéu, que antes fora o mini shopping Trapiche Carioca, se tornou templo da ADVEC; o terreno entre as ruas Motevidéu e Panamá foi dividido ao meio, e parte é templo da Igreja Universal; o prédio da Rua Quito é estacionamento e templo de uma outra igreja evangélica; a edificação da Rua do Couto, onde era antes o Doutor Fritz, se encontra parte abandonado, parte como depósito; e a edificação central, que abrange as 4 ruas, foi demolido e está em processo de conclusão da construção do Viva Penha, condomínio de 8 blocos.

A região onde hoje se encontra o Complexo de Favelas da Penha é, em parte, terreno da igreja da Penha. Escravos foragidos eram abrigados e protegidos pela igreja no terreno, ficando conhecido, na época, como "Vila do Cruzeiro", originando a Favela Vila Cruzeiro, principal favela do complexo. Porém, na década de 60, a igreja resolveu doar definitivamente aos moradores do local, sofrendo, desde então, uma ocupação desordenada. Com o passar do tempo, diversas favelas menores foram surgindo e se fusionando, inclusive favelas de bairros vizinhos, gerando o complexo. Vale lembrar que o nome "Complexo da Penha" surgiu equivocadamente em 2010, quando ocorreu a ocupação pelos militares da Vila Cruzeiro. A mídia, na época, chamou erroneamente a região de "Complexo da Penha", pois na época não tinha denominação específica, ou então era chamada de "conjunto da Vila Cruzeiro".

Vista do bairro da Penha e de Igreja de Nossa Senhora da Penha de França.

Lugares relevantes[editar | editar código-fonte]

  • Shoppings: Leopoldina Shopping e Shopping da Penha.
  • Parques: Shanghai e Ari Barroso
  • Colégios: Colégio Nossa Senhora da Penha, Colégio Estadual Heitor Lira, Colégio São Fabiano, GAU Sistema de Ensino, E. M. Eurico Dutra, E. M. Conde de Agrolongo, Esil Educacional, Colégio Filadelfo Azevedo, Lumar, C. E. Gomes Freire de Andrade, E. M. Leonor Coelho Perreira, E. M. Monsenhor Rocha, Gama e Souza, entre outros.
  • Igrejas: Igreja N. S. da Penha, Igreja Bom Jesus, Igreja N. S. da Cabeça, ADVEC (Pr. Silas Malafaia) entre outras.
  • Clubes: Centro Cívico Leopoldinense, 30 de Maio, Coimbra, Greip da Penha.
  • Feiras Livres: da Belisário Penha, da Macapuri.
  • Mercados: Prezunic, Guanabara, Intercontinental (em três localidades), Supermarket e o Super Prix.
  • Praças: Pan-americana, Santa Emiliana (do IAPI da Penha), Caí, Portugal, São Lucas,etc.
  • Comércio: Rua dos Romeiros, Montevidéu, Av. Brás de Pina, Rua Nicarágua, Rua Honório Bicalho, Rua Conde de Agrolongo (parte), Av. Lobo Jr.

Referências