Evangelho de Maria
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O Evangelho de Maria Madalena é um texto gnóstico encontrado no Codex Akhmin, que foi adquirido pelo Dr. Carl Rheinhardt na cidade do Cairo em 1896.
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[editar] História do Evangelho
O evangelho somente foi publicado em 1955, após o aparecimento da Biblioteca de Nag Hammadi. Os outros textos do Codex Akhmim também constavam entre os de Nag Hammadi, mas não este Evangelho. Nesta cópia única conhecida do texto, faltam as páginas 1 a 6 e 11 a 14. Tem sido sugerido por especialistas tratar-se de um evangelho de Maria de Magdala e, assim, passou a ser conhecido por esse nome, pelo fato de seu último nome ser mencionado no texto. A favor dessa interpretação teríamos o fato de, nos evangelhos sinóticos, ela constar como a discípula que mais de perto seguiu a Jesus e aquela a quem Jesus teria aparecido primeiro após sua ressurreição.
O texto sobrevive em dois fragmentos gregos do século III e numa tradução mais longa para o copta datada do século V, nos quais o testemunho de uma "mulher" precisou pela primeira vez ser defendido.
Todos esses manuscritos foram, primeiro descobertos e depois publicados entre 1938 e 1983, mas existem referências patrísticas ao Evangelho de Maria tão antigas como do século III.
[editar] Conteúdo do Evangelho
No texto fragmentado, os discípulos fazem perguntas sobre o Salvador elevado e recebem respostas.
Depois eles se lamentam, dizendo: "Como poderemos ir aos gentios e pregar o Evangelho do Reino do Filho do Homem? Se nem ele foi poupado, como o seremos nós?" E Maria os incita a ter coragem: "Vamos antes louvar sua grandeza, pois ele nos preparou e tornou-nos homens." Depois ela traz uma visão do Salvador que ela tinha tido e relata a sua conversa com ele, o que mostra influências Gnósticas.
A visão dela não encontra aprovação universal:
- "Mas André respondeu e disse aos irmãos, 'Digam o que vocês pensam com respeito ao que ela disse. Pois eu não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois certamente tais ensinamentos são de outras idéias.' "
- "Pedro também se opôs a ela com relação a esses assuntos e perguntou-lhes sobre o Salvador. 'Teria ele, então, falado secretamente a uma mulher de preferência a nós e não abertamente? Devemos nós voltar e escutá-la? Terá ele preferido ela a nós?' "
[editar] Implicações do Evangelho
Uma grande parte do fundamento é expresso como um diálogo entre Maria e os discípulos onde Maria é a pessoa que responde às perguntas. Após a partida de Jesus, conforme o texto, a autoridade da igreja foi dada a Maria, indicando que o texto se tenha originado em uma corrente que tinha em Maria sua fundadora e a considerava mais importante que os outros apóstolos. Parte desse favorecimento da única discípula conhecida pode ter sido devido à sua habilidade como mulher de representar a importante figura de companhia feminina de Cristo, conforme o evangelho gnóstico mostra .
[editar] A mulher de Jesus
A defesa do livro O codigo da vinci de que Maria seria esposa de Cristo, deve-se ao fato de que, naquela epoca, a palavra companheira, do hebraico arcaico, significaria, literalmente, esposa. Assim como no livro de genesis que diz: "... uma companheira que esteja como diante dele.", referindo-se a Eva, companheira de Adão.
[editar] Sophia
Quem se debruça sobre esse "Evangelho", há de ter em conta a natureza gnóstica da obra (a exemplo dos Evangelhos de Felipe e Tomé) e que ela muito provavelmente reflete conflitos de seu tempo. É também provável (como o admitem vários pesquisadores) que a obra seja uma colágem de dois textos. O segundo texto exibe o confronto entre Pedro e Maria (supostamente Madalena), refletindo a tensão entre os gnósticos e um certo cristianismo "masculinizado", em fase de consolidação. Nesse cristianismo que se fará "católico", a figura emblemática de Pedro já se ergue para respaldar a primazia do Bispo de Roma (que há de se chamar Papa).
Há dois detalhes no exame desse "Evangelho" que cumpre destacar: 1. Madalena é mostrada como uma discípula do Mestre (na verdade, o nome Jesus também não é explicitado), em condição até superior a dos demais discípulos, porque logra entender certos ensinamentos que Pedro e seus companheiros, não conseguem captar. Mas ao contrário do que se lê nos Canônicos, onde a condição de Apóstolo decorre de conviver com Jesus, Maria a conquista por uma "via paulina": é através de uma visão que ela é distinguida pelo Mestre. 2. Os ensinamentos secretos que ela recebe do Mestre constituem uma autêntica "aula de Gnosticismo" , atestando que longe de pretender ser um relato de fatos, a obra é essencialmente proselitista.
Sendo a Gnose uma doutrina que se expressa, amiúde, por símbolos, haveria razões para se admitir que a figura feminina desse Evangelho, que guarda traços da Madalena dos Canônicos, encarna o conceito de Sophia (que, em Felipe é chamada de "a estéril"), mais precisamente a centelha anímica existente em cada ser humano, e única capaz de se comunicar com os planos espirituais, para receber a verdadeira Gnose libertadora. (Pistis Sophia)
[editar] Referências
- KING, Karen. The Gospel of Mary of Magdala: Jesus and the First Woman Apostle. Polaridge Press. Santa Rosa, Ca: 2003 (O Evangelho de Maria de Magdala: Jesus e a Primeira Apóstola).
- RIJCKENBORGH, J. VAN. MISTERIOS GNOSTICOS DA PISTIS SOPHIA. Ed. Rosacruz, 2007
[editar] Ligações externas
- Early Christian Writings: Gospel of Mary (O Evangelho de Maria)
- Gospel of Mary Magdalene (em Persa)
- Gospel of Mary: (Inglês), texto sincrético, incorporando versões coptas e versões gregas mais antigas; outras ligações externas
- The Gospel of Mary (O Evangelho de Maria)
- Gospel of Mary (em Russo)
- Secrets of Mary Magdalene Website (Website dos Segredos de Maria de Magdala)

