Fraternidade Sacerdotal de São Pio X

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Fraternidade Sacerdotal São Pio X FSSPX
Brasão
Lema "Christus vincit,
Christus regnat,
Christus imperat

(Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera)"

Fundação 01 de novembro de 1970 (43 anos)
Tipo Organização de padres católicos
Sede Menzingen
Suiça
Superior Geral Dom Bernard Fellay
Sítio oficial http://www.fsspx.org/en/
http://www.fsspx.com.br/
http://fsspxportugal.wordpress.com/

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Fraternitas Sacerdotalis Sancti Pii X em latim - FSSPX) é uma organização internacional católica tradicionalista, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O atual superior geral da sociedade é o bispo Bernard Fellay.

A sociedade é conhecida como um defensora com esforço incansável da Missa Tridentina, juntamente com práticas de piedade, crenças, costumes e a disciplina religiosa, muitas vezes associada com o período anterior ao do Concílio Vaticano II, que a sociedade acredita ter promovido ensinamentos errôneos e heréticos, sobre questões como a revisão litúrgica, o ecumenismo, a liberdade religiosa, a supremacia da Igreja Católica sobre as outras religiões e as relações com os judeus e não-cristãos.[1]

O Papa Bento XVI declarou que, por motivos doutrinais e não disciplinares, a FSSPX não tem status canônico na Igreja Católica e, por causa dessa falta de status canônico, os ministérios exercidos por seus sacerdotes não são legítimos na Igreja.[2] No entanto, o superior geral da sociedade sustenta que o ministério eclesial dos sacerdotes da Sociedade é justificado como um "ato de emergência" na crise atual do catolicismo.[3]

As tensões entre a sociedade e a Santa Sé atingiram o seu auge em 1988, quando o arcebispo Lefebvre consagrou quatro bispos contra as ordens do Papa João Paulo II, resultando em uma declaração de excomunhão contra os bispos consagrantes e consagrados, uma excomunhão retirada para aqueles que ainda estavam vivos em janeiro de 2009[4] com a esperança expressa de que todos os membros da sociedade rapidamente voltassem à plena comunhão.[5] [6]

Discussões formais entre a Santa Sé e a sociedade começou em 2009 e chegaram a um estágio crítico em 2012, quando o bispo Bernard Fellay rejeitou em 13 de junho o documento doutrinário apresentado a ele em 15 de abril.[7] Fellay perguntou ao Papa Bento XVI se esse documento teve aprovação pessoal do Papa e este lhe enviou uma carta manuscrita assegurando-lhe que tinha.[8] Em 27 de junho de 2013, três bispos restantes da sociedade (que expulsaram Richard Williamson) rejeitaram formalmente as propostas da Santa Sé[9] e em 12 de outubro de 2013, Dom Fellay falou do Papa Francisco como um modernista.[10]

Apologética[editar | editar código-fonte]

A Fraternidade opõe-se, de modo expresso, às reformas feitas na Igreja Católica após o Concílio Vaticano II, criticando especialmente o ecumenismo, a liberdade religiosa e a colegialidade dos bispos.

A FSSPX argumenta que os princípios do post-Concílio representam um desvio em direção ao protestantismo, ao liberalismo e aos ideais da Maçonaria, adversários históricos do catolicismo e, sobretudo o embarque na heresia modernista.

Para isso, a Fraternidade se utiliza de documentos do Magistério Ordinário - os quais estão sujeitos aos tempos e locais, ou seja, não integram o Magistério dogmático e infalível - de modo a justificar suas posições doutrinárias, escolhendo a seu próprio alvitre alguns documentos produzidos ao longo história da Igreja, como a «Quod aliquantulum» do Papa Pio VI, a «Post tam diuturnitas» de Pio VIII, a «Mirari vos» de Gregório XVI, a «Quanta cura» e o «Syllabus» de Pio IX, a «Rerum Novarum», a «Humanum Genus» e a «Immortale Dei» de Leão XIII.[11]

História[editar | editar código-fonte]

A Fraternidade não reconhece a licitude do Novus Ordo Missae do Papa Paulo VI, mas afirma que, tendo sido arranjado artificialmente com a assistência de seis pastores protestantes, e tendo ela partido de um Concílio falível ao mesmo tempo que há um corte com a Tradição católica, ele rompe com o processo de desenvolvimento orgânico da liturgia católica através dos séculos e está imbuído de uma mentalidade contrária à Doutrina tradicional sobre o Santo Sacrifício da Missa.

Após conflitos com a Santa Sé e tentativas de acordo, o arcebispo Marcel Lefebvre finalmente redige uma carta ao Vaticano na qual diz que pela urgência da sua velhice, depois de um ano da data de envio daquela mesma carta de pedido, ordenará bispos caso o Vaticano não dê sinal de autorizar ou não autorizar as ordenações de sucessão na Fraternidade. Procede então em 30 de Junho de 1988, à sagração de quatro bispos sem a aprovação papal. Dois dias depois, o Papa João Paulo II, no motu próprio «Ecclesia Dei Adflicta», adverte que o arcebispo e os quatro bispos incorreram em excomunhão automática, segundo o Código de Direito Canónico (can. 1364.1 e 1382). Entretanto, a Fraternidade rebate a acusação, afirmando que o arcebispo não conferiu aos quatro bispos qualquer jurisdição, limitando-se a transmitir-lhes o poder de ministrar os sacramentos do Crisma e da Ordem segundo o rito romano tradicional. Afirma, ainda, que o "estado de necessidade" (can. 1323.4), ou mesmo a simples crença inculpável de encontrar-se nele (can. 1323.7), é suficiente para invalidar a aplicação de excomunhão neste caso.[12]

Atualmente a FSSPX possui 161 priorados distribuídos por trinta e um países, e além disso visita regularmente outros 32 países, constituindo núcleos de resistência ao Concílio Vaticano II e aos restantes feitos contrários à Doutrina da Igreja Católica. Apesar disto, são ainda pouco entendidos pelos saudosistas do Concílio que ficam confusos porque aqueles dão mostras de fidelidade a Roma, como a peregrinação à cidade eterna no Jubileu do ano 2000 e as orações diárias pelo Papa.

A Fraternidade também acusa as paróquias não tradicionais, às quais a Fraternidade acusa de partidárias de um cisma velado e de uma resistência mais ou menos explícita a muitas das orientações do Papa Bento XVI e do Papa Francisco. O superior-geral da FSSPX é, desde 1994, o bispo Bernard Fellay (um dos quatro bispos ordenados ilicitamente em 1988 e posteriormente excomungados), que no Verão de 2006 foi reconduzido no cargo por mais um mandato de doze anos.

Situação Canônica[editar | editar código-fonte]

Em decisão da Congregação para a Doutrina da Fé, datada de 28 de junho de 1993, o então Cardeal Ratzinger declarou que os fiéis da FSSPX não estão excomungados.

Em setembro de 2005 a Santa Sé, declarou através do Cardeal Dario Castrillón Hoyos, o qual foi presidente da Comissão Ecclesia Dei, que a FSPPX não está em plena comunhão com a Igreja[13]

Por causa de questões de direito canónico, nomeadamente a necessidade de julgarem causas de nulidade de matrimónio, a FSSPX instituiu tribunais matrimoniais de suplência. Os Bispos da Fraternidade afirmam que a necessidade destes tribunais deve-se aos princípios personalistas adoptados pela Rota Romana no post-concilio, que resultaram em um dramático aumento do número de decretos de nulidade matrimonial: de 338 para 59.030 por ano apenas nos Estados Unidos, onde o processo ganhou a alcunha de "divórcio católico". A FSSPX alega que, dado o enorme risco de adultério decorrente de anulações indevidas, a Igreja supriria ("Ecclesia supplet") a jurisdição requerida para a instauração de tribunais provisórios, visto que a lei suprema é a salvação das almas ("Lex suprema salus animarum est").

No sábado, dia 24 de janeiro de 2009, Dia Internacional da Memória, o Papa Bento XVI, como ato de “paz e misericórdia”, segundo divulgado, deu seu perdão e revogou a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos excomungados pelo então Papa João Paulo II em 1 de julho de 1988. Entretanto a FSSPX permanece fora da comunhão eclesiástica, pois seus padres e bispos continuam suspensos a divinis, sendo portanto considerados oficialmente um grupo à margem da Igreja Católica Romana.

Em novembro de 2012 em comunicado oficial, a FSSPX rejeita formalmente o acordo proposto pelo Papa Bento XVI cujas tentativas de negociação culminaram com a expulsão do Bispo Richard Williamson[14] .

Em dezembro de 2013 em uma entrevista concedida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Müller, ao diário italiano Corriere della Sera , Dom Müller afirmou que os lefebvristas são cismáticos, e não estão em comunhão sacramental com a Igreja. Assim sendo, todas as ordenações e missas oferecidas pela FSSPX são ilícitas. Já os sacramentos da penitência (confissão), matrimônio e crisma (confirmação) são completamente nulos por dependerem da jurisdição e autoridade do bispo local.

Membros[editar | editar código-fonte]

A FSSPX está organizada em:

A FSSPX contava com 900 sacerdotes mundialmente (2013), 117 Irmãos, 166 Irmãs, 82 Oblatas, 215 seminaristas e 41 pré-seminaristas (2008). São de assinalar ainda casas religiosas e mosteiros a eles ligados (5 conventos carmelitas, por exemplo). Numerosas ordens religiosas latinas[15] e orientais [16] são aliados da Fraternidade São Pio X. Possuem ainda 725 centros de missa, 88 escolas, dois institutos universitários e dez casas de exercícios espirituais. Estima-se que estejam ligados à Fraternidade entre aproximadamente 200 mil fiéis.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em 1996 os lefebvristas conferiram exéquias ao colaborador nazista Paul Touvier.

A FSSPX mantém ligações com os radicais da extrema direita francesa cujo líder é Jean-Marie Le Pen e com grupos que desejam restaurar a monarquia absoluta na França.

Em 2009 em uma declaração pública, o Bispo lefebvrista Richard Williamson que posteriormente foi expulso da FSSPX, nega parte da história oficial do Holocausto promovido pelos nazistas.

No início de 2013 o Bispo Bernard Fellay superior da FSSPX declarou que os judeus e o judaísmo são inimigos da Igreja. Essa declaração foi desmentida pelo Vaticano.

Contrariando as decisões da Igreja, em outubro de 2013 os lefebvristas conferem exéquias ao general nazista Erich Priebke gerando inúmeros protestos ao redor do mundo.

Em novembro do mesmo ano, um grupo ligado à FSSPX invade a Catedral de Buenos Aires na Argentina durante uma celebração inter-religiosa judaico-cristã, provocando confusão e protestos.

Dissidências[editar | editar código-fonte]

Devido a sua irregularidade canônica e suas posições controversas muitos grupos separaram-se da FSSPX originando novas ordens religiosas, em sua maioria em plena comunhão com a Igreja:

Referências

  1. [James Martin, "The Anti-Semitism of the Society of St. Pius X" in America review, 31 January 2009]; cf. John Vennari, "Judaism & the Church: before & after Vatican II"
  2. "The fact that the Society of Saint Pius X does not possess a canonical status in the Church is not, in the end, based on disciplinary but on doctrinal reasons. As long as the Society (of St Pius X) does not have a canonical status in the Church, its ministers do not exercise legitimate ministries in the Church" (Pope Benedict XVI, Letter of 10 March 2009 to the Bishops of the Catholic Church concerning the remission of the excommunication of the four bishops consecrated by Archbishop Lefebvre).
  3. According to an article on The Remnant (newspaper), Bishop Fellay cited as evidence replies of the Holy See to SSPX priests regarding absolution from reserved sins, which in fact, since 1983, no longer exist, and the fact that SSPX priests are allowed, after reconciliation, to function as priests, as are, for instance, eastern Christian priests received into the full communion of the Catholic Church.
  4. Decree of Excommunication
  5. Pope lifts excommunications of Lefebvrite bishops
  6. Pope Benedict lifts excommunication of bishops ordained by Lefebvre
  7. National Catholic Reporter, "Traditionalist SSPX calls Vatican offer 'clearly unacceptable'"
  8. Vatican Insider, "Rome needs to change its demands if it wants to reach an agreement with SSPX"
  9. Traditionalists indicate definitive break with Catholic Church
  10. http://www.catholicculture.org/news/headlines/index.cfm?storyid=20046
  11. http://www.nossasenhoradasalegrias.com.br/2013/02/catecismo-da-crise-na-fraternidade.html
  12. http://www.zenit.org/pt/articles/a-fraternidade-sacerdotal-de-sao-pio-x-pede-mais-tempo-para-reflexao
  13. 30GIORNI, nº9, setembro de 2005 e ao Canal 5, no domingo 13-XI-2005, às 09 da manhã.
  14. http://fratresinunum.com/2013/02/11/comunicado-de-imprensa-da-casa-geral-da-fraternidade-sao-pio-x/
  15. http://www.laportelatine.org/international/ordres/ordlatin/ordlatin.php
  16. http://www.laportelatine.org/international/ordres/ordorien/ordorien.php

Ver também[editar | editar código-fonte]