Fraternidade Sacerdotal de São Pio X

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Fraternidade Sacerdotal São Pio X FSSPX
Brasão
Lema "Christus vincit,
Christus regnat,
Christus imperat

(Cristo vence, Cristo reina, Cristo impera)"

Fundação 01 de novembro de 1970 (44 anos)
Tipo Organização de padres católicos
Sede Menzingen
Suiça
Superior Geral Dom Bernard Fellay
Sítio oficial http://www.fsspx.org/en/
http://www.fsspx.com.br/
http://fsspxportugal.wordpress.com/

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (Fraternitas Sacerdotalis Sancti Pii X em latim - FSSPX) é uma organização internacional católica tradicionalista, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O atual superior geral da sociedade é o bispo suíço Bernard Fellay.

A sociedade é conhecida como um defensora da Missa Tridentina, juntamente com práticas de piedade, crenças, costumes e a disciplina religiosa associadas com o período anterior ao do Concílio Vaticano II, que a sociedade acredita ter promovido ensinamentos errôneos e heréticos, sobre questões como a revisão litúrgica, o ecumenismo, a liberdade religiosa, a supremacia da Igreja Católica sobre as outras religiões e as relações com os judeus e não-cristãos.[1]

O Papa Bento XVI declarou que, por motivos doutrinais e não disciplinares, a FSSPX não tem status canônico na Igreja Católica e, por causa dessa falta de status canônico, os ministérios exercidos por seus sacerdotes não são legítimos na Igreja.[2] No entanto, o superior geral da sociedade, Dom Bernard Fellay, sustenta que o ministério eclesial dos sacerdotes da Sociedade é legítimo, sendo justificado como estado de necessidade[3] assim como as sagrações feitas por Mons. Lefebvre na crise atual do catolicismo.[4]

As tensões entre a sociedade e a Santa Sé atingiram o seu auge em 1988, quando o arcebispo Lefebvre consagrou quatro bispos contra as ordens do Papa João Paulo II, resultando em uma declaração de excomunhão latae sententiae contra os bispos consagrantes e consagrados, uma excomunhão retirada para aqueles que ainda estavam vivos em janeiro de 2009[5] com a esperança expressa de que todos os membros da sociedade rapidamente voltassem à plena comunhão de acordo com Roma.[6] [7]

Discussões formais entre a Santa Sé e a sociedade começou em 2009 e chegaram a um estágio crítico em 2012, quando o bispo Bernard Fellay rejeitou em 13 de junho o documento doutrinário apresentado a ele em 15 de abril.[8] Fellay perguntou ao Papa Bento XVI se esse documento teve aprovação pessoal do Papa e este lhe enviou uma carta manuscrita assegurando-lhe que tinha.[9] Em 27 de junho de 2013, três bispos restantes da sociedade (que expulsaram Richard Williamson) rejeitaram formalmente as propostas da Santa Sé[10] .

Apologética[editar | editar código-fonte]

A Fraternidade opõe-se, de modo expresso, às reformas feitas na Igreja Católica após o Concílio Vaticano II, criticando especialmente o ecumenismo, a liberdade religiosa e a colegialidade dos bispos.

A FSSPX argumenta que os princípios do pós-Concílio representam um desvio em direção ao protestantismo, ao liberalismo e aos ideais da Maçonaria, adversários históricos do catolicismo e, sobretudo o embarque na heresia modernista.

Para isso, a Fraternidade se utiliza de documentos do Magistério Ordinário de modo a justificar suas posições doutrinárias, escolhendo alguns documentos produzidos ao longo história da Igreja, como a «Quod aliquantulum» do Papa Pio VI, a «Post tam diuturnitas» de Pio VIII, a «Mirari vos» de Gregório XVI, a «Quanta cura» e o «Syllabus» de Pio IX, a «Rerum Novarum», a «Humanum Genus» e a «Immortale Dei» de Leão XIII.[11]

História[editar | editar código-fonte]

A Fraternidade reconhece a validez, porém não a licitude do Novus Ordo Missae do Papa Paulo VI, mas afirma que, tendo sido arranjado artificialmente com a assistência de seis pastores protestantes, e tendo ela partido de um Concílio falível ao mesmo tempo que há um corte com a Tradição católica, ele rompe com o processo de desenvolvimento orgânico da liturgia católica através dos séculos e está imbuído de uma mentalidade contrária à Doutrina tradicional sobre o Santo Sacrifício da Missa.

Após conflitos com a Santa Sé e tentativas de acordo, o arcebispo Marcel Lefebvre finalmente redige uma carta ao Vaticano na qual diz que pela urgência da sua velhice, depois de um ano da data de envio daquela mesma carta de pedido, ordenará bispos caso o Vaticano não dê sinal de autorizar ou não autorizar as ordenações de sucessão na Fraternidade. Procede então em 30 de Junho de 1988, à sagração de quatro bispos sem a aprovação papal. Dois dias depois, o Papa João Paulo II, no motu proprio «Ecclesia Dei Adflicta», adverte que o arcebispo e os quatro bispos incorreram em excomunhão automática, segundo o Código de Direito Canónico (can. 1364.1 e 1382). Entretanto, a Fraternidade rebate a acusação, afirmando que o arcebispo não conferiu aos quatro bispos qualquer jurisdição, limitando-se a transmitir-lhes o poder de ministrar os sacramentos do Crisma e da Ordem segundo o rito romano tradicional. Afirma, ainda, que o "estado de necessidade" (can. 1323.4), ou mesmo a simples crença inculpável de encontrar-se nele (can. 1323.7), é suficiente para invalidar a aplicação de excomunhão neste caso.[12]

Atualmente a FSSPX possui 161 priorados distribuídos por trinta e um países, e além disso visita regularmente outros 32 países, constituindo núcleos de resistência ao Concílio Vaticano II e aos restantes feitos contrários à Doutrina da Igreja Católica. Apesar disto, são ainda pouco entendidos pelos saudosistas do Concílio que ficam confusos porque aqueles dão mostras de fidelidade a Roma, como a peregrinação à cidade eterna no Jubileu do ano 2000 e as orações diárias pelo Papa.

A Fraternidade também acusa as paróquias não tradicionais, às quais a Fraternidade acusa de partidárias de um cisma velado e de uma resistência mais ou menos explícita a muitas das orientações do Papa Bento XVI e do Papa Francisco. O superior-geral da FSSPX é, desde 1994, o bispo Bernard Fellay (um dos quatro bispos ordenados em 1988 por Lefebvre), que no Verão de 2006 foi reconduzido no cargo por mais um mandato de doze anos.

Situação Canônica[editar | editar código-fonte]

Em decisão da Congregação para a Doutrina da Fé, datada de 28 de junho de 1993, o então Cardeal Ratzinger declarou que os fiéis da FSSPX não estão excomungados.

Em setembro de 2005 a Santa Sé, declarou através do Cardeal Dario Castrillón Hoyos, o qual foi presidente da Comissão Ecclesia Dei, que a FSPPX não está em plena comunhão com a Igreja[13]

Por causa de questões de direito canónico, nomeadamente a necessidade de julgarem causas de nulidade de matrimónio, a FSSPX instituiu tribunais matrimoniais de suplência. Os Bispos da Fraternidade afirmam que a necessidade destes tribunais deve-se aos princípios personalistas adoptados pela Rota Romana no post-concilio, que resultaram em um dramático aumento do número de decretos de nulidade matrimonial: de 338 para 59.030 por ano apenas nos Estados Unidos, onde o processo ganhou a alcunha de "divórcio católico". A FSSPX alega que, dado o enorme risco de adultério decorrente de anulações indevidas, a Igreja supriria ("Ecclesia supplet") a jurisdição requerida para a instauração de tribunais provisórios, visto que a lei suprema é a salvação das almas ("Lex suprema salus animarum est").

No sábado, dia 24 de janeiro de 2009, Dia Internacional da Memória, o Papa Bento XVI, como ato de “paz e misericórdia”, segundo divulgado, deu seu perdão e revogou a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos excomungados pelo então Papa João Paulo II em 1 de julho de 1988. Entretanto a FSSPX permanece fora da comunhão eclesiástica, pois seus padres e bispos continuam suspensos a divinis, sendo portanto considerados oficialmente um grupo à margem da Igreja Católica Romana.

Em novembro de 2012 em comunicado oficial, a FSSPX rejeita formalmente o acordo proposto pelo Papa Bento XVI cujas tentativas de negociação culminaram com a expulsão do Bispo Richard Williamson[14] .

Em dezembro de 2013 em uma entrevista concedida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Müller, ao diário italiano Corriere della Sera , Dom Müller afirmou que os lefebvristas são cismáticos, e não estão em comunhão sacramental com a Igreja. Assim sendo, todas as ordenações e missas oferecidas pela FSSPX são ilícitas. Já os sacramentos da penitência (confissão), matrimônio e crisma (confirmação) são completamente nulos por dependerem da jurisdição e autoridade do bispo local.

Membros[editar | editar código-fonte]

A FSSPX está organizada em:

Desconsiderando as ordens latinas e orientais aliadas à Fraternidade, ela conta atualmente com 586 sacerdotes, 112 Irmãos, 186 Irmãs em 25 casas (164 professoras, 14 noviças e 8 postulantes), 79 Oblatas, 203 Seminaristas e 40 pré-seminaristas. Está presente em 37 países e visita regularmente outros 33. Tem 1 Casa Geral, 14 Distritos e 2 Casas Autônomas, 6 Seminários, 163 priorados, 750 centros de missa, mais de cem escolas (do Ensino Básico ao Médio), 2 universidades e 7 casas de exercícios espirituais, 4 conventos de freiras carmelitas (Dados de 19 de Março de 2015.[15] )

Os aliados latinos à Fraternidade são mosteiros e conventos tradicionalistas Beneditinos, Capuchinos, Os Cooperadores de Cristo-Rei, Dominicanos, Marianosses, Fraternidade da Transfiguração, O Trabalho da Estrela, Béthaniennes, Clarissas, Discípulos do Cenáculo, Instituto Nossa Senhora do Rosário, Instituto Rainha da Paz, As Filhas de Maria do Preciosíssimo Sangue, Franciscanos, As Pequenas Irmãs de São João Batista, Os Servos de Jesus, O sacerdote e do Coração de Maria, As irmãs consoladoras do Sagrado Coração de Jesus, Irmãs correctores do Espírito Santo.[16]

Os aliados orientais à Fraternidade são tradicionalistas da Fraternidade Sacerdotal de São Josafat, Sociedade de São João Batista, As irmãs do mosteiro católico grego da Ordem Studite e as Irmãs Basilianos da Ucrânia.[17]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

No início de 2013 o Bispo Bernard Fellay superior da FSSPX declarou que os judeus e o judaísmo são inimigos da Igreja. Essa declaração foi desmentida pelo Vaticano.[18]

Em novembro do mesmo ano, um grupo ligado à FSSPX invade a Catedral de Buenos Aires na Argentina durante uma celebração inter-religiosa judaico-cristã, provocando confusão e protestos.[19]

Dissidências[editar | editar código-fonte]

Devido a sua irregularidade canônica, muitos grupos separaram-se da FSSPX originando novas ordens religiosas, em sua maioria em plena comunhão com a Igreja:

Referências

  1. [James Martin, "The Anti-Semitism of the Society of St. Pius X" in America review, 31 January 2009]; cf. John Vennari, "Judaism & the Church: before & after Vatican II"
  2. "The fact that the Society of Saint Pius X does not possess a canonical status in the Church is not, in the end, based on disciplinary but on doctrinal reasons. As long as the Society (of St Pius X) does not have a canonical status in the Church, its ministers do not exercise legitimate ministries in the Church" (Pope Benedict XVI, Letter of 10 March 2009 to the Bishops of the Catholic Church concerning the remission of the excommunication of the four bishops consecrated by Archbishop Lefebvre).
  3. Estado de necessidade
  4. According to an article on The Remnant (newspaper), Bishop Fellay cited as evidence replies of the Holy See to SSPX priests regarding absolution from reserved sins, which in fact, since 1983, no longer exist, and the fact that SSPX priests are allowed, after reconciliation, to function as priests, as are, for instance, eastern Christian priests received into the full communion of the Catholic Church.
  5. Decree of Excommunication
  6. Pope lifts excommunications of Lefebvrite bishops
  7. Pope Benedict lifts excommunication of bishops ordained by Lefebvre
  8. National Catholic Reporter, "Traditionalist SSPX calls Vatican offer 'clearly unacceptable'"
  9. Vatican Insider, "Rome needs to change its demands if it wants to reach an agreement with SSPX"
  10. Traditionalists indicate definitive break with Catholic Church
  11. http://www.nossasenhoradasalegrias.com.br/2013/02/catecismo-da-crise-na-fraternidade.html
  12. http://www.zenit.org/pt/articles/a-fraternidade-sacerdotal-de-sao-pio-x-pede-mais-tempo-para-reflexao
  13. 30GIORNI, nº9, setembro de 2005 e ao Canal 5, no domingo 13-XI-2005, às 09 da manhã.
  14. http://fratresinunum.com/2013/02/11/comunicado-de-imprensa-da-casa-geral-da-fraternidade-sao-pio-x/
  15. http://laportelatine.org/quisommesnous/statistiques/stat.php
  16. http://laportelatine.org/ordres/ordlatin/ordlatin.php
  17. http://laportelatine.org/ordres/ordorien/ordorien.php
  18. http://www.ncregister.com/daily-news/bishop-fellay-jews-masons-and-modernists-are-enemies-of-the-church
  19. http://fratresinunum.com/2013/11/20/jovens-rezam-o-terco-e-interrompem-cerimonia-inter-religiosa-na-catedral-de-buenos-aires-papa-francisco-lamenta-fanatismo/

Ver também[editar | editar código-fonte]