Fraternidade Sacerdotal de São Pio X

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A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) é uma sociedade sacerdotal de vida comum sem votos. Foi fundada na Suíça, em 1970, pelo arcebispo Marcel Lefebvre,1 outrora Delegado Apostólico de Pio XII na África e Superior Geral dos Padres do Espírito Santo. A sede principal é em Menzingen, Suiça.

Apologética[editar | editar código-fonte]

A Fraternidade opõe-se, de modo expresso, às reformas feitas na Igreja Católica após o Concílio Vaticano II, criticando especialmente o ecumenismo, a liberdade religiosa e a colegialidade dos bispos.

A FSSPX argumenta que os princípios do post-Concílio representam um desvio em direção ao protestantismo, ao liberalismo e aos ideais da Maçonaria, adversários históricos do catolicismo e, sobretudo o embarque na heresia modernista.

Para isso, a Fraternidade se utiliza de documentos do Magistério Ordinário - os quais estão sujeitos aos tempos e locais, ou seja, não integram o Magistério dogmático e infalível - de modo a justificar suas posições doutrinárias, escolhendo a seu próprio alvitre alguns documentos produzidos ao longo história da Igreja, como a «Quod aliquantulum» do Papa Pio VI, a «Post tam diuturnitas» de Pio VIII, a «Mirari vos» de Gregório XVI, a «Quanta cura» e o «Syllabus» de Pio IX, a «Rerum Novarum», a «Humanum Genus» e a «Immortale Dei» de Leão XIII.2

História[editar | editar código-fonte]

A Fraternidade não reconhece a licitude do Novus Ordo Missae do Papa Paulo VI, mas afirma que, tendo sido arranjado artificialmente com a assistência de seis pastores protestantes, e tendo ela partido de um Concílio falível ao mesmo tempo que há um corte com a Tradição católica, ele rompe com o processo de desenvolvimento orgânico da liturgia católica através dos séculos e está imbuído de uma mentalidade contrária à Doutrina tradicional sobre o Santo Sacrifício da Missa.

Após conflitos com a Santa Sé e tentativas de acordo, o arcebispo Marcel Lefebvre finalmente redige uma carta ao Vaticano na qual diz que pela urgência da sua velhice, depois de um ano da data de envio daquela mesma carta de pedido, ordenará bispos caso o Vaticano não dê sinal de autorizar ou não autorizar as ordenações de sucessão na Fraternidade. Procede então em 30 de Junho de 1988, à sagração de quatro bispos sem a aprovação papal. Dois dias depois, o Papa João Paulo II, no motu próprio «Ecclesia Dei Adflicta», adverte que o arcebispo e os quatro bispos incorreram em excomunhão automática, segundo o Código de Direito Canónico (can. 1364.1 e 1382). Entretanto, a Fraternidade rebate a acusação, afirmando que o arcebispo não conferiu aos quatro bispos qualquer jurisdição, limitando-se a transmitir-lhes o poder de ministrar os sacramentos do Crisma e da Ordem segundo o rito romano tradicional. Afirma, ainda, que o "estado de necessidade" (can. 1323.4), ou mesmo a simples crença inculpável de encontrar-se nele (can. 1323.7), é suficiente para invalidar a aplicação de excomunhão neste caso.3

Atualmente a FSSPX possui 161 priorados distribuídos por trinta e um países, e além disso visita regularmente outros 32 países, constituindo núcleos de resistência ao Concílio Vaticano II e aos restantes feitos contrários à Doutrina da Igreja. Apesar disto, são ainda pouco entendidos pelos saudosistas do Concílio que ficam confusos porque aqueles dão mostras de fidelidade a Roma, como a peregrinação à cidade eterna no Jubileu do ano 2000 e as orações diárias pelo Papa.

A Fraternidade também acusa as paróquias não tradicionais, às quais a Fraternidade acusa de partidárias de um cisma velado e de uma resistência mais ou menos explícita a muitas das orientações do Papa Bento XVI e do Papa Francisco. O superior-geral da FSSPX é, desde 1994, o bispo Bernard Fellay (um dos quatro bispos ordenados ilicitamente em 1988 e posteriormente excomungados), que no Verão de 2006 foi reconduzido no cargo por mais um mandato de doze anos.

Situação Canônica[editar | editar código-fonte]

Em decisão da Congregação para a Doutrina da Fé, datada de 28 de junho de 1993, o então Cardeal Ratzinger declarou que os fiéis da FSSPX não estão excomungados.

Em setembro de 2005 a Santa Sé, declarou através do Cardeal Dario Castrillón Hoyos, o qual foi presidente da Comissão Ecclesia Dei, que a FSPPX não está em plena comunhão com a Igreja4

Por causa de questões de direito canónico, nomeadamente a necessidade de julgarem causas de nulidade de matrimónio, a FSSPX instituiu tribunais matrimoniais de suplência. Os Bispos da Fraternidade afirmam que a necessidade destes tribunais deve-se aos princípios personalistas adoptados pela Rota Romana no post-concilio, que resultaram em um dramático aumento do número de decretos de nulidade matrimonial: de 338 para 59.030 por ano apenas nos Estados Unidos, onde o processo ganhou a alcunha de "divórcio católico". A FSSPX alega que, dado o enorme risco de adultério decorrente de anulações indevidas, a Igreja supriria ("Ecclesia supplet") a jurisdição requerida para a instauração de tribunais provisórios, visto que a lei suprema é a salvação das almas ("Lex suprema salus animarum est").

No sábado, dia 24 de janeiro de 2009, Dia Internacional da Memória, o Papa Bento XVI, como ato de “paz e misericórdia”, segundo divulgado, deu seu perdão e revogou a excomunhão que pesava sobre os quatro bispos excomungados pelo então Papa João Paulo II em 1 de julho de 1988. Entretanto a FSSPX permanece fora da comunhão eclesiástica, pois seus padres e bispos continuam suspensos a divinis, sendo portanto considerados oficialmente um grupo à margem da Igreja Católica Romana.

Em novembro de 2012 em comunicado oficial, a FSSPX rejeita formalmente o acordo proposto pelo Papa Bento XVI cujas tentativas de negociação culminaram com a expulsão do Bispo Richard Williamson5 .

Em dezembro de 2013 em uma entrevista concedida pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Arcebispo Gerhard Müller, ao diário italiano Corriere della Sera , Dom Müller afirmou que os lefebvristas são cismáticos, e não estão em comunhão sacramental com a Igreja. Assim sendo, todas as ordenações e missas oferecidas pela FSSPX são ilícitas. Já os sacramentos da penitência (confissão), matrimônio e crisma (confirmação) são completamente nulos por dependerem da jurisdição e autoridade do bispo local.

Membros[editar | editar código-fonte]

A FSSPX está organizada em:

A FSSPX contava com 900 sacerdotes mundialmente (2013), 117 Irmãos, 166 Irmãs, 82 Oblatas, 215 seminaristas e 41 pré-seminaristas (2008). São de assinalar ainda casas religiosas e mosteiros a eles ligados (5 conventos carmelitas, por exemplo). Numerosas ordens religiosas latinas6 e orientais 7 são aliados da Fraternidade São Pio X. Possuem ainda 725 centros de missa, 88 escolas, dois institutos universitários e dez casas de exercícios espirituais. Estima-se que estejam ligados à Fraternidade entre aproximadamente 200 mil fiéis.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Em 1996 os lefebvristas conferiram exéquias ao colaborador nazista Paul Touvier.

A FSSPX mantém ligações com os radicais da extrema direita francesa cujo líder é Jean-Marie Le Pen e com grupos que desejam restaurar a monarquia absoluta na França.

Em 2009 em uma declaração pública, o Bispo lefebvrista Richard Williamson que posteriormente foi expulso da FSSPX, nega parte da história oficial do Holocausto promovido pelos nazistas.

No início de 2013 o Bispo Bernard Fellay superior da FSSPX declarou que os judeus e o judaísmo são inimigos da Igreja. Essa declaração foi desmentida pelo Vaticano.

Contrariando as decisões da Igreja, em outubro de 2013 os lefebvristas conferem exéquias ao general nazista Erich Priebke gerando inúmeros protestos ao redor do mundo.

Em novembro do mesmo ano, um grupo ligado à FSSPX invade a Catedral de Buenos Aires na Argentina durante uma celebração inter-religiosa judaico-cristã, provocando confusão e protestos.

Dissidências[editar | editar código-fonte]

Devido a sua irregularidade canônica e suas posições controversas muitos grupos separaram-se da FSSPX originando novas ordens religiosas, em sua maioria em plena comunhão com a Igreja:

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]