Gatekeeping

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Gatekeeping é um conceito jornalístico para edição. Gate keeper é aquele que define o que será noticiado de acordo como valor-notícia, linha editorial e outros critérios.

Gatekeeper também pode ser entendido como o "porteiro" da redação. É aquela pessoa que é responsável pelo filtragem da notícia, ou seja, ela vai definir, de acordo com critérios editoriais, o que vai ser veiculado. Com a efervescência e até um certo modismo da prática do jornalismo colaborativo, a função do gatekeeper tem sofrido alterações. A audiência cada vez menos passiva e mais participativa deixa a figura do mesmo menos centralizada, mas sem perder a importância na estrutura da construção da notícia.

A metáfora do gatekeeping[editar | editar código-fonte]

A metáfora do gatekeeping surgiu a partir de uma comparação feita por Kurt Lewin acerca da escolha entre o que vai ou não para a mesa, sendo selecionado como alimento, e o que deve ser ou não considerado como notícia, vindo a ser incluído no mercado da comunicação[1] .


O processo de gatekeeping na atualidade[editar | editar código-fonte]

A expressão gatekeeping apareceu pela primeira vez relacionada ao contexto da comunicação nos anos 1950[2] , mas ainda no século XXI é aplicável à realidade da seleção de notícias. A diferença básica entre este e aquele tempo é, entretanto, a dimensão que essas escolhas tomaram[3] . Com a popularização do uso da internet, em âmbito mundial, muito tem se discutido sobre o trâmite de informações nas novas redes de relacionamento, sites de pesquisa e empresas que veiculam conteúdo online. Para o jornalismo, essa popularização da tecnologia pode ter até redefinido as regras do ofício, mas, segundo Bill Kovach e Rosenstiel [4] , os princípios e a finalidade do jornalismo ainda têm sido designados por algo mais elementar: “a função exercida pelas notícias na vida das pessoas”.

A seleção e a construção das informações[editar | editar código-fonte]

Em entrevista para à Nieman Foundation [5] o analista de notícias Ken Doctor disse acreditar que o papel dos gatekeepers sofreu grandes transformações com a era digital. "Ele mudou do "nós" para "eles", mas "eles" inclui uma versão em letras minúsculas de "nós", inclusive". Para Ken Doctor, gatekeeping é agora uma busca coletiva, e na "Era darwiniana do conteúdo" ele acredita que um editor não é editor apenas de seu próprio conteúdo, mas também do conteúdo dos outros. E desse modo seria importante repensar as atitudes da mídia, como veículo informacional, já que, segundo Walter Lippmann, o povo só conhece o mundo de forma indireta, através de "imagens que forma em sua cabeça". Para ele os cidadãos são como espectadores de teatro que "chegam depois do terceiro ato e vão embora antes da última cortina, ficando no local apenas o tempo suficiente para decidir quem é o herói e quem é o vilão"[6] .


As narrativas na Web[editar | editar código-fonte]

Bill Kovach e Tom Rosentiel dizem ainda que "cada geração cria seu próprio jornalismo", mas que sua finalidade não muda [7] . Com as novas ferramentas disponibilizadas na internet não se pode ignorar, por exemplo, a capacidade de inclusão de informações em um blog, a rapidez com que se pode atualizar o conteúdo nas mídias digitais ou a possibilidade de linkar diversos assuntos em um mesmo texto. Transformações que possibilitaram que o jornalismo ganhasse novas facetas, podendo trabalhar diferentemente com os elementos da narrativa que o constituem.

Com um maior espaço para a difusão de informações hoje é possível promover a enunciação (forma de organização e apresentação do objeto narrado) de modo mais dinâmico e interativo, se utilizando de links associados a textos, de imagens e até vídeos. Sobre a questão do sujeito (posicionamento quanto ao tema), na internet, os blogs aparecem como um mecanismo que dá vazão à expressão multifacetada de quem os escreve, sendo muito comum encontrar blogs de um mesmo interlocutor que fala em nome de outras vozes. Já no campo do enunciado (o que é falado), o redimensionamento espacial trazido pelas novas tecnologias da comunicação permitiu que a escolha das notícias pudesse ser muito mais ampla, embora os grandes sites de busca ainda sejam criticados nesse sentido.

E já que, segundo Gans, as estruturas narrativas desempenham um papel na seleção e construção das notícias, “toda história deve ter estrutura e conflito, problema e desfecho, ação crescente e ação decrescente, um começo, um meio e um fim” [8] , o que é levado em consideração para a seleção de notícias na Web e nos mais antigos meios de comunicação.

Referências

  1. LEWIN, K (1943). “Forces behind food habits and methods of change”. Bulletin of the National Research Council n. 108, p.35-65.
  2. WHITE, D M (1950). “The ‘Gatekeeper’: A Case Study in the Selection of News”. Journalism Quaterly, vol. 27, n. 4, p.382-394.
  3. NY Times
  4. Kovach e Rosenstiel, Os elementos do jornalismo, 2003, p. 30
  5. Nieman Lab
  6. Walter Lippman, The Essential Lippman, editores Clinton Rossiter e James Lare (Nova York: Random House, 1963) p.108
  7. Kovach e Rosenstiel, Os elementos do jornalismo, 2003, p. 33
  8. Epstein, 1973, p.153

Ligações externas[editar | editar código-fonte]