Inguchétia

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República da Inguchétia
russo: Республика Ингушетия
inguche: ГӀалгӀай Мохк
Flag of Ingushetia.svg Coat of Arms of Ingushetia.svg
Bandeira brasão
Lema nacional: Nenhum
RussiaIngushetia2007-07.png
Línguas oficiais russo, inguche
Capital Magas
Presidente Yunus-bek Yevkurov
Primeiro-ministro Aleksey Olegovich Vorobyo
Área
 - Total
81.° maior
4.000 km²
População
 - Total (2002)
 - Densidade

467.294
116,8 h/km²
Moeda Rublo
Fuso horário UTC +3
Código telefônico 7 (Rússia)
Ingush03.png

A República da Inguchétia[1] (em russo: Респу́блика Ингуше́тия, Respublika Ingushetiya; em inguche: ГӀалгӀай Мохк, Ğalğaj Moxk) ou Ingúchia é uma divisão federal da Federação Russa (uma república), localizada na região do Cáucaso Norte. Seus idiomas oficiais são o inguche e o russo, e sua capital é Magas, pequena cidade situada nos arredores sudeste de Nazran, até recentemente capital da república.

É a menor divisão federal da Rússia, com a exceção das duas cidades federais, Moscovo e São Petersburgo, e foi fundada em 4 de junho de 1992, após a República Socialista Soviética Autônoma Checheno-Inguche se dividir em duas outras repúblicas.[2] . A Inguchétia é lar dos inguches, um povo de ascendência vainaque.

O nome "Inguchétia" deriva do nome da antiga aldeia de Ongusht (renomeada em 1859 como Tarskaya, e transferida em 1944 para a Ossétia do Norte) e do sufixo georgiano -eti, que significa "(terra) onde vivem os inguches".

A Inguchétia continua a ser uma das mais pobres e conturbadas regiões russas. O atual conflito militar na vizinha Chechênia chega ocasionalmente à Inguchétia, e a república tem sido desestabilizada pela corrupção, por vários crimes de extrema gravidade (como o sequestro e assassínio de civis por forças de segurança governamentais[3] ), protestos contra o governo, ataques a funcionários e soldados, excessos militares das tropas russas e uma situação dos direitos humanos que se deteriora.[4]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Geografia física[editar | editar código-fonte]

A Inguchétia fica situada na Ciscaucásia, na vertente norte da cadeia do Cáucaso.

Geografia humana[editar | editar código-fonte]

De acordo com o recenseamento de 2002, os inguches constituem o grupo mais numeroso, com cerca de 77% da população total, seguidos dos chechenos com 20,4%, russos com 1,2% e turcos 0,2%.

Tanto inguches como chechenos são de tradição muçulmana sunita.

História[editar | editar código-fonte]

Os inguches viveram nas montanhas entre os séculos XVI-XVII, quando alguns deles começaram a descer para a planície. Na época do Reino Dzurdzukêtia (correspondente aos territórios atuais da Chechênia e Inguchétia), a região foi invadida pelo Império Mongol. A resistência aos mongois tornou-se tema de contos folclóricos para inguches e chechenos. Em 1770 foi selado um acordo entre a Inguchétia e o Império Russo para que a Inguchétia fizesse parte do império, protegendo-se de invasores. Em 1810, o Império Russo anexa a Inguchétia. Os russos construíram fortificações na região e mudaram-se um grande número de inguches para a base militar em Nazran. O mandato russo foi repressivo, devido à resistência desenvolvida entre os inguches, culminando com a revolta de Nazran em 1858. Os inguches foram, no entanto, menos bélicos em enfrentar os russos que o povo checheno, pelo que a sua presença na rebelião Shamil em meados do século XIX, na qual vários povos do Cáucaso levantaram-se contra o domínio russo, era inferior aos dos últimos.

Durante a Revolução Russa de 1917 e a subsequente guerra civil, ocorreram combates no território da Inguchétia entre tropas comunistas do Exército Vermelho e as anti-soviéticas do Exército Branco. Em 1920, o poder soviético foi estabelecido no território da Inguchétia, e em 1924 criou-se o oblast (então visto como distrito), dentro do Inguchétia Autónoma na Rússia Soviética, com a cidade de Vladikavkaz (atualmente Alania) como seu centro administrativo. Em 1934, a Chechênia e a Inguchétia foram unidas para formar o Oblast Autónomo checheno-ínguche, tornando-se república autónoma em 1936. Em 1944, durante a II Guerra Mundial, Stalin acusou os inguches de colaborar com os nazistas, por isso foram deportados para a Ásia Central naquilo que posteriormente foi chamado de Operação Lentilha em referência às numerosas plantações de lentinha existentes no Cazaquistão, para onde foram deportados. A deportação tornou-se uma ponto crítico na História da região, que até hoje causa danos e repercute no desenvolvimento dos eventos. Durante a Segunda Guerra, Hitler tentou tomar o petróleo em Baku, Azerbaijão; mas suas tropas foram detidas exatamente na Inguchétia durante a Operação Defensiva Mozdok-Malgobek[5] .


Os inguches voltariam para sua terra natal em 1957 e passariam a exigir a devolução de Prigorodni Oriental, um distrito que se estende ao longo do rio Terek, que havia sido transferido para a Ossétia durante a deportação. O conflito iniciou-se em 1992 de acordo com o Helsinki Human Rights Watch[6] . Grupos militares ossetianos orquestraram uma limpeza étnica durante outubro e novembro de 1992, resultando na morte de mais de 600 inguches e expulsão de 60.000 inguches, habitantes do distrito. Centenas foram feitos reféns por uma combinação de forças armadas russas e ossetianas na escola Beslan, privados de água e comida; no mínimo um bebê recém nascido e quase 100 homens foram mortos[7] [8] . Este evento levou à vingança no mesmo local, o Massacre Beslan, cometido por um grupo armado composto de chechenos e inguches. Em setembro de 2004, Alexander Litvinenko especulou que a FSB estava ciente do atentado, de antemão; e que eles próprios devem ter organizado o ataque para incriminar os povos dominados do Cáucaso. Os responsáveis pelo incidente estariam sob custódia da FSB e foram liberados muito pouco antes dos ataques[9] .

Quando a Chechênia declarou a sua independência da Rússia em Novembro de 1991, pouco antes da dissolução da União Soviética, os inguches se separaram da Chechênia para formar a sua própria república. Em Dezembro de 1992, o Congresso dos Deputados do Povo da Rússia reconheceram a Inguchétia como uma república soberana na Rússia. A nova entidade continuou a exigir a devolução do distrito nas mãos da Ossétia do Norte, o que começou em 1992, hostilidades entre as regiões vizinhas. Os líderes russos e inguches apressaram-se para mediar o conflito. Desde essa altura, quase todos os mais de 50.000 mil inguches que viviam na Ossétia foram forçados a fugir. A maioria dos refugiados vive hoje na Inguchétia, mas existem populações significativas na Bélgica, Cazaquistão, Ucrânia, Turquia, Síria, Noruega, Finlândia, Jordânia e Iraque.

Atualmente, inguches são sequestrados pela FSB. Desde 2002, mais de 180 homens desapareceram para nunca mais ser vistos[10] . Inguches vivendo no exterior também não estão seguros, e podem ser perseguidos por agentes russos. O desemprego na Inguchétia é extremamente elevado, atingindo metade da população[11] .

Muitos inguches morrem em incidentes envolvendo grupos terroristas em embates com as autoridades. De acordo com o presidente Yevkurov, mais de 700 policiais foram mortos na Inguchétia desde 2007.

Território ínguche e bandeira.
Ingushetia - Erzi.jpeg
Animated-Flag-Ingushetia.gif

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Inguchétia

Mapa físico no WikiMapia

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Correia, Paulo. (Outono de 2008). "Geografia do Cáucaso". A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (n.º 28): 11, 13. Sítio web da Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. ISSN 1830-780-9. Visitado em 7 de outubro de 2012.
  2. Supremo Soviete da RFSSR (Lei). Об образовании Республики Ингушетия в составе РСФСР ("Sobre a fundação da República da Inguchética dentro da RFSSR") (em russo). [S.l.: s.n.].
  3. Ingushetia's cycle of violence, BBC Radio 4, 3 de outubro de 2009
  4. Urgent Need for Vigorous Monitoring in the North Caucasus. Human Rights Watch/Reuters, 15 de abril de 2008.
  5. http://ww2db.com/battle_spec.php?battle_id=284
  6. http://www.hrw.org/reports/1996/Russia.htm
  7. http://old.ingushetiyaru.org/news/6214.html
  8. https://groups.yahoo.com/neo/groups/chechnya-sl/conversations/topics/41030
  9. http://www.novayagazeta.ru/politics/37948.html
  10. http://eng.mashr.org/?page_id=7
  11. http://unemploymentinrussia.com/republic_of_ingushetia.aspx
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