Rogério Paulo

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Rogério Paulo
Nascimento 17 de Novembro de 1927
Angola colonial
Morte 25 de fevereiro de 1993 (65 anos)
Carnaxide
Nacionalidade Portugal português
Ocupação Actor, encenador

Rogério Paulo (17 de Novembro de 1927, Angola – 25 de Fevereiro de 1993, Carnaxide) foi um encenador e actor português com presença marcante em Portugal desde a década de cinquenta, no teatro, no cinema e na política.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ainda aluno do Conservatório Nacional, junta-se em 1950 à Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro. Trabalha com Amélia Rey Colaço, Palmira Bastos, Nascimento Fernandes e Maria Matos. Estréia-se no cinema em A Garça e a Serpente (1952). Adquire estatuto de galã na comédia O Costa de África (1954) e contracena com Vasco Santana, Laura Alves, Anna Paula e Ribeirinho.

É cidadão politicamente activo desde a juventude, acérrimo opositor do regime fascista de Oliveira Salazar, que sempre combateu. Em 1957 integra as listas da oposição democrática ao regime, Durante a ditadura nunca assume a sua ligação ao Partido Comunista Português, do qual é militante desde 1953. Participa da "fuga de Peniche", com Álvaro Cunhal e outros comunistas, a 3 de Janeiro de 1960. Quando Marcelo Caetano ascende ao poder, redige um documento, assinado por cento e setenta actores, que protesta contra o estado do teatro em Portugal e contra a censura, que há muito impedia a liberdade de expressão, espartilhando a criação artística no país.

Depois da Revolução dos Cravos, durante o PREC, numa célebre reunião com gente de teatro na Fundação Calouste Gulbenkian, Rogério Paulo quer ganhar a aposta: os signatários «iam salvar o teatro», «agora, é que os grupos (o Teatro da Comuna, A Barraca, a Cornucópia e outros) «iriam ver o que era teatro a sério». Entre 1975 e 1976 é deputado na Assembleia da República, a primeira eleita em liberdade depois da revolução.

Sonha com a Revolução socialista, com a igualdade social. A Revolução dos Cravos dá-lhe asas ao sonho. Torna-se presidente da Associação Portugal-Cuba. Tenta realizar ideais que dignifiquem os desfavorecidos, como o do cooperativismo. No seu reino, o do teatro, passa à acção e estabelece solidárias relações com actores de intervenção, como o cubano Alfonso Sastre. Os ventos sopram a favor: imaginam um «organismo de vocación federal que habrá de considerar en su horizonte la incorporación de Portugal bajo la insignia de lo Ibérico». (ver artigo, 14 de abril de 2007). A História do tempo em que vive explica o sonho.

Destaca-se em filmes como O Crime da Aldeia Velha (1964), de Manuel Guimarães, A Recompensa (1979), de Arthur Duarte, Verde por Fora, Vermelho por Dentro (1980), de Ricardo Costa e Sem Sombra de Pecado (1983), de José Fonseca e Costa. Na televisão fica marcada a sua passagem com o personagem ‘’Mimoso das Sardinhas’’ na telenovela Chuva na Areia (1985).

Em 1963 é-lhe atribuído, tal como a Laura Alves, o Prémio da Imprensa (Teatro Moderno de Lisboa, em peça de Bernardo Santareno). Em 1990, ao fazer quarenta anos de vida teatral, recebe a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Governo.

Eunice Muñoz considera-o como «uma criatura muito honesta e um grande companheiro, para além de ser um grande actor» (Cit José de Matos-Cruz em Imaginário (Memória).

Teatro[editar | editar código-fonte]

O Teatro do Salitre, em Lisboa, companhia amadora dirigida pelo italiano Gino Savioti, emigrado em Portugal após a queda do fascismo em Itália, pretendia impor-se com um reportório actual para a época. Dele sairão António Manuel Couto Viana, Artur Ramos, Luís Francisco Rebelo, Ricardo Alberty (autor de teatro infantil), Rogério Paulo.

A Companhia Amélia Rey Colaço - Robles Monteiro dirigia o Teatro Nacional. Caracterizava-se por uma escolha apurada de belos textos, alguns revolucionários. com encenações ousadas. Francisco Ribeiro (o Ribeirinho) e seu irmão António Lopes Ribeiro, apoiados pelo regime, e os Comediantes de Lisboa, exploravam autores mais clássicos como Bernard Shaw. Os Companheiros do Pátio das Comédias, o Teatro do Povo (Ribeirinho) e depois o Teatro Nacional Popular tinham por alvo um público menos exigente.

Rogério Paulo inicia a sua carreira profissional em 1950 na Companhia Alves da Cunha. O seu aspecto de galã leva-o pouco depois a lançar-se como actor de cinema. Com Glicínia Quartin e Artur Ramos, funda em 1958 O Teatro do Jovem Espectador, que estréia a peça Emílio e os detectives. Três anos mais tarde, em finais de 1961, com esses dois actores e outros (Fernando Gusmão, Armando Cortez, Paulo Renato) funda um novo grupo: o Teatro Moderno de Lisboa que, nas palavras de Glicínia Quartin, foi «uma pedrada no charco naquela época». O grupo esteve quatro temporadas em cena, no Cinema Império. (Ref. Homenagem a Armando Caldas em Jornal de Notícias). Carmen Dolores refere que «o que de facto se passou nas idas e (infelizmente) curtas temporadas de 1961/62, 1962/63 e 1964/65 foi o despertar de uma geração».

O Teatro Moderno de Lisboa, criado sem subsídios, é uma iniciativa revolucionária para a época. É uma sociedade artística com divisão de lucros pelos associados e a primeira companhia a representar em Portugal autores como Arthur Miller, August Strindberg e John Steinbeck. Tem grandes sucessos como O Tinteiro, de Carlos Muñiz, onde o desempenho de Armando Cortez se destaca. Torna-se, como se lê na revista Vértice de Fevereiro de 1962, «um dos casos mais sérios de companhias portuguesas, tanto pelos intuitos que se propõe, como pelos elementos de que dispõe». Refere ainda a mesma revista que a companhia, fazendo convergir três agentes (o autor, o encenador e o actor) constitui «um verdadeiro “triângulo de juventude” que é interessante fixar para que se desenhe com verdade um característico aspecto de renovação do teatro em Portugal». O Teatro Moderno de Lisboa fecha as portas ao fim de três épocas: «A PIDE perseguia-nos dia e noite», assim se explica Glicínia Quartin.

Pouco a pouco, Rogério Paulo torna-se um dos mais conceituados encenadores do teatro português. No Teatro Nacional Dona Maria II encena peças como Esfera Facetada (1969), de Nuno Moniz Pereira, e O Pecado de João Agonia (1969), de Bernardo Santareno.

Com a Revolução dos Cravos assume as suas convicções políticas. Publica Um Actor em Viagem (1976) e Introdução ao Teatro Cubano (1978). Um dos seus últimos trabalhos no palco é Mãe Coragem e Seus Filhos (Mutter Courage und ihre Kinder), de Bertolt Brecht, contracenando com Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Catarina Avelar, Irene Cruz e Carlos Daniel (1986). Estreada a 5 de Junho de 1986 e encenada por João Lourenço, a peça é «um sucesso sem precedentes com grande afluência de público» e obtem o Prémio Garrett, como melhor produção de 1986, atribuído pela Secretaria de Estado da Cultura.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

cinema[editar | editar código-fonte]

televisão[editar | editar código-fonte]

filmes:

séries:

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dictionnaire du théâtre, Encyclopaedia Universalis. Paris: Albin Michel, 1998.
  • José Oliveira Barata, em Estética Teatral (antologia de textos), col. Temas e Problemas, série teatro, Lisboa: Moraes Editores, 1980
  • História do Teatro Europeu (Desde a Idade Média e até aos nossos dias), de G. N. Boiadzhiev et al., 2 vols.: tradução, prefácio, notas e resenha sobre o teatro em Portugal por Rogério Paulo. Apêndice de Carlos Villiers. Lisboa: Prelo, 1960/62.

Artigos relacionados[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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