Rua da Praia
| Rua da Praia | ||
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| Trecho leste da Rua da Praia, entre a Praça Dom Feliciano e a Praça da Alfândega, a antiga Rua da Graça | ||
| Tipo | Rua | |
| Início | Avenida Independência | |
| Final | Avenida Presidente João Goulart | |
A Rua da Praia, cujo nome oficial é Rua dos Andradas, é uma das ruas mais tradicionais da cidade de Porto Alegre, bem como a mais antiga da cidade. A despeito de a denominação oficial ter sido estabelecida em 1865, o nome antigo ainda persiste na voz popular, e com ele esta rua tem sido celebrada por muitos cronistas e poetas locais.
Índice |
[editar] História
A Rua da Praia existe desde a fundação da cidade, sendo aquela que corria exatamente à margem do Guaíba defronte ao antigo porto de Viamão, onde primeiro se estabeleceu uma colônia de povoamento na área da futura Porto Alegre. Na Rua da Praia se fundou a primeira igreja da cidade, a hoje desaparecida Capela de São Francisco das Chagas. Em sua extremidade oeste foram desde cedo erguidos os arsenais da Marinha e os Armazéns Reais, numa época em que as casas da rua ainda eram cobertas de palha. Seu trecho central, onde hoje é a Praça da Alfândega, era a área onde se concentravam os comerciantes, já que ali existia o cais de desembarque, e recebeu seu primeiro calçamento em 1799, por ordem do ouvidor Lourenço José Vieira Souto.
Nestes primeiros tempos a Rua da Praia terminava no cruzamento com a antiga Rua da Ladeira, atual General Câmara, e o trecho que sobe até a Praça Dom Feliciano era chamado de Rua da Graça. Mas a denominação deste trecho, ainda que presente em todos os documentos oficiais, não se fixou, e popularmente o apelido Rua da Praia se estendeu a todo o seu curso. Depois de c. 1843, quando a rua recebeu suas primeiras placas indicativas, o nome Rua da Graça não aparece mais.
Todos os viajantes estrangeiros que visitaram Porto Alegre no século XIX se referiram à Rua da Praia em termos elogiosos. Auguste de Saint-Hilaire a descreveu em 1820 como "extremamente movimentada (...) com lojas muito bem instaladas, de vendas bem sortidas e de oficinas de diversas profissões". Em 1858 o alemão Avé-Lallement fala dela como possuindo "casas muito majestosas de até três andares", o que atesta seu rápido desenvolvimento.
O nome Rua dos Andradas foi adotado oficialmente em 17 de agosto de 1865, a fim de preparar a comemoração do dia da Independência daquele ano, e em seguida a rua passaria a ter seu primitivo calçamento substituído na parte central. Sua extensão completa só terminou de ser calçada em 1874. Nova substituição das antigas pedras irregulares por paralelepípedos ocorreu a partir de 1885, prolongando-se por vários anos, e em 1923 outra mudança, agora para paralelepípedos de granito em mosaico, que perduram ainda em alguns trechos intocados na derradeira modificação, na gestão do prefeito Guilherme Socias Villela.
Com os sucessivos aterros da margem do Guaíba a Rua da Praia afastou-se do litoral, e em meados do século XX sua ocupação passara de ponto dos atacadistas para o comércio elegante e local de reunião popular em eventos cívicos, atraindo também inúmeros cafés, confeitarias, cinemas e restaurantes. Por ser o local preferencial para reuniões populares a Rua da Praia testemunhou eventos violentos, como em 1890, 1915, 1923 e 1954, quando manifestações de cunho político resultaram em diversas mortes. Sua vocação agregadora se mantém até hoje, e o cruzamento da Rua da Praia com a Avenida Borges de Medeiros é conhecido como a Esquina Democrática, ponto consagrado de concentração de comícios e manifestações populares de variada natureza. Na atualidade toda a extensão da rua está densamente edificada.
[editar] Calçamento tombado
O calçamento da Rua dos Andradas, mais especificamente o trecho entre as Ruas Dr. Flores e Marechal Floriano, foi tombado pelo decreto municipal n.° 9.442 de 1989. Tal trecho possui em seu leito viário 7 metros de extensão, com calçadas de cerca de 2,5 m.
[editar] Na literatura
A Rua da Praia ensejou a criação de um folclore urbano onde ela é o cenário e o protagonista de anedotas e casos pitorescos, tendo servido de inspiração para vários escritores locais. Já em 1852 José Cândido Gomes, nas páginas de O Mercantil, discorria sobre suas peculiaridades. Zeferino Brasil e Aquiles Porto Alegre também o fizeram, e Erico Veríssimo a tomou como cenário para várias cenas em seus romances.
[editar] Atrações
Na Rua da Praia se localizam alguns dos principais pontos turísticos de Porto Alegre, como a Casa de Cultura Mario Quintana e a Igreja das Dores, e nela também estão situados outros pontos de interesse, como a Galeria Chaves, a Livraria do Globo, o Museu Hipólito José da Costa, o Museu do Comando Militar do Sul, Rua da Praia Shopping, o Correio do Povo, o Museu do Trabalho, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, a antiga Previdência do Sul, e em seu término ocidental faz frente à Usina do Gasômetro.
[editar] Ver também
[editar] Referências
- FRANCO, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: UFRGS, 2006. pp. 29–31.