Ruscus aculeatus

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Como ler uma caixa taxonómicaRuscus aculeatus,
gilbardeira
Illustration Ruscus aculeatus0.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Subreino: Tracheobionta
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Subclasse: Liliidae
Ordem: Asparagales
Família: Asparagaceae
Subfamília: Nolinoideae
Género: Ruscus
Espécie: R. aculeatus
Nome binomial
Ruscus aculeatus
L.
Flores de Ruscus aculeatus.
Ruscus aculeatus com frutos.
Folhagem de Ruscus aculeatus.

Ruscus aculeatus L. é uma espécie de fanerógama arbustiva, perenifólia, pertencente à família das asparagáceas[1] , conhecida pelo nome comum de gilbardeira. A presença de cladódios rígidos terminados num acúleo dão às ramagens da planta um carácter rígido e áspero, o que levou a que tradicionalmente fosse utilizada na confecção de vassouras para limpezas exteriores. A espécie é considerada como sendo uma planta medicinal.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Ruscus aculeatus é uma planta perenifólia arbustiva, com 30–80 cm de altura, de cor verde-escuro, com rizomas subterrâneos, caracterizada pela presença de caules florais achatados, formando cladódios com a aparência de folhas endurecidas e terminadas num espinho. Os caules florais são masculinos ou femininos, em ambos os casos apresentando dois tipos de caules: (1) os normais, lisos e arredondados; e (2) os modificados, com cladódios em forma de falsas folhas, de forma ovo-lanceolada de 2 a 3 cm de comprimento e terminando numa ponta rígida e perfurante.

As verdadeiras folhas estão ausentes nas plantas adultas, reduzidas ao espinho no ápice do cladódio. As estruturas rígidas com forma de folhas lanceoladas são na realidade caules modificados (os cladódios), já que as folhas são muito pequenas, em forma de escama, e normalmente passam despercebidas, aparecendo nas axilas e tendo apenas entre 3 e 4 mm de comprimento. Toda a superfície da planta faz fotossíntese, com excepção das folhas verdadeiras que se desprendem rapidamente.

As flores são pequenas, monóicas, com o sexo do ramo em que se instalam, de cor amarelo-esverdeada ou violácea, surgindo isoladas na parte central dos cladódios. Cada flor tem seis tépalas em dois verticilos, sendo que as flores femininas são tricarpelares, com ovário súpero, enquanto as masculinas têm três estames soldados pelos filamentos. A polinização é feita por insectos (entomogamia). Floresce no inverno e na primavera.

No outono e inverno, as plantas femininas produzem bagas vermelhas, com 10 a 12 mm de diâmetro, com duas sementes, as quais se destacam sobre o verde escuro da planta. As sementes são dispersas pelos dejectos das aves que comem os frutos (endozoocoria).

A planta também se reproduz pela via vegetativa através dos rizomas.

Ruscus aculeatus ocorre nas margens de florestas, em sebes e em margens de terrenos, sendo tolerante em relação ao ensombramento.

Utilização em medicina tradicional[editar | editar código-fonte]

Ruscus aculeatus é utilizada em várias formas em medicina tradicional e ervanária, sendo utilizada para melhorar a circulação sanguínea para o cérebro, pernas e mãos. É igualmente utilizada para aliviar a obstipação, reduzir a retenção de água e melhorar a circulação, nomeadamente no tratamento de veias varicosas e no redução de hemorróidas[2] [3] . Foi aprovada pela Kommission E da Alemanha e incluída nas instruções para o tratamento de hemorróides[3] .

Um estudo publicado em 1999 sugere que R. aculeatus pode ser utilizada para reduzir os sintomas da hipotensão postural sem aumentar a tensão arterial na posição supina[4] . A explicação para esse efeito parece incluir a estimulação dos adrenoreceptores venosos alfa-1 e alfa-2 e o decréscimo da permeabilidade capilar.

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A espécie Ruscus aculeatus foi descrita por Lineu e publicada na Species Plantarum 2: 1041, no ano de 1753[5] .

Número de cromossomas de Ruscus aculeatus (Asparagaceae) e seus taxa infraespecíficos é 2n=40[6] ou n=18; 2n=36[7] .

Sinonímia

Notas

  1. Anteriormente considerada como parte das ruscáceas.
  2. MacKay D. (April 2001). "Hemorrhoids and varicose veins: a review of treatment options". Altern Med Rev 6 (2): 126–40 pp.. PMID 11302778.
  3. a b Abascal K, Yarnell E. (2005). Botanical Treatments for Hemorrhoids. Alternative & Complementary Therapies.
  4. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11152059
  5. Ruscus aculeatus en Trópicos
  6. Contribution à la connaissance cytotaxonomique des spermatophyta du Portugal. VIII. Liliaceae Barros Neves, J. (1973) Bol. Soc. Brot. ser. 2 47: 157-212
  7. Etudes sur les chromosomes. III. Sur le nombre et la forme des chromosomes chez Amaryllis ... Fernandes, A. (1930) Bol. Soc. Brot. ser. 2 6: 299-300
  8. Sinónimos em Tela Botánica
  9. Sinónimos en Kew
  10. Ruscus aculeatus en PlantList

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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