Selma Lagerlöf

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Retrato de Lagerlöf tirada em 1909
Selma Lagerlöf, pintada por Carl Larsson

Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf, (Mårbacka, Östra Ämtervik, 20 de Novembro de 1858Mårbacka, 16 de Março de 1940) foi uma escritora sueca.

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[editar] Biografia

Selma Lagerlöf nasceu na paróquia de Östra Ämtervik, província de Värmland, oeste da Suécia, numa propriedade chamada Mårbacka, que seus pais administravam. A região em que estava situada a fazenda era repleta de mitos, lendas e histórias de fantasmas. Seu pai, o tenente Erik Gustaf Lagerlöf, era um homem alegre, original e divertido, e sua mãe, Luísa Wallroth, era filha de um rico industrial da região.

Selma nasceu com um defeito articular na perna esquerda e, aos três anos de idade, viu-se subitamente impedida de andar, com as pernas inertes, passando a infância sem brincar muito, a ouvir as histórias e lendas contadas por sua babá, Kaysa. Em determinado verão, viajou com a família para uma estação de águas, em Strömstad, onde conheceu a esposa do capitão do navio Jacob. Ao ser convidada a conhecer o navio, Selma viu uma ave-do-paraíso e, em sua inocência infantil, achou-a capaz de fazer milagres, fato que a fez, repentinamente, voltar a andar, apesar de continuar claudicando, por causa das dores que sentia na perna esquerda.

Aos 15 anos, depois de ter dedicado toda a infância à leitura, Selma decidiu que seria escritora e passou a escrever milhares de versos. Por volta de 1880, a situação financeira da família entrou em declínio, e começou a fazer pequenos trabalhos para se manter. Em 1882, com a ajuda financeira de um empréstimo feito por seu irmão Johan, Selma entrou para a Kungliga höga lärarinneseminariet, escola que formava professoras e que se preocupava com a causa feminista, incentivando a independência e o progresso social da mulher.

Aos 27 anos, concluídos os estudos, foi nomeada professora de História em Landskrona, cidade à margem do Öresund. Em certa ocasião cortou os cabelos que sempre usara em tranças, num gesto que na época era escandaloso e visto como sinal de emancipação feminina.

Em 1885, sua família, mediante a doença do pai e as dívidas do irmão Johan, perdeu Mårbacka. Secretamente, Selma desejava trabalhar o suficiente para recuperar a propriedade da família. Foi auxiliada pela baronesa Sophie Lejonhufvud Adlersparre (Esselde), que a incentivou a publicar seus versos em Dagny, a revista literária feminista fundada por ela. Em 1890, participou de um concurso de contos com alguns capítulos de um romance que estava escrevendo, e ganhou seu primeiro prêmio em dinheiro. Em 1891, publicava o romance completo, A Saga de Gösta Berling.

Após o sucesso, vieram Os Laços Invisíveis, em 1894, uma coleção de contos. Desses, o mais popular foi A Penugem. Nessa ocasião, em Estocolmo, Selma conhece Sofia Elkan, escritora de romances históricos, com a qual manterá correspondência e amizade pelo resto da vida. A partir dessa época escreveu Os Milagres do Anticristo, em 1897, , na Itália, considerado uma crítica ao socialismo siciliano, e Lenda de uma Quinta Senhorial, em 1898, concebido sobre o tema de A Bela e a Fera. Entre 1900 e 1902, publicou os dois volumes de Jerusalém, após uma viagem ao Egito e à Palestina, e posteriormente Escudos do Senhor Arne, As Lendas de Jesus Cristo e O Livro das Lendas. Já então era considerada uma das maiores escritoras suecas.

Alfred Dalin, diretor da escola de Husqvarna, fez-lhe a proposta de um livro para crianças das escolas primárias, que ensinasse a história e a geografia de seu país. Selma aceitou, elaborando extensa pesquisa e viagens de estudo, concluindo entre 1906 e 1907 a obra A maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia, alcançando tamanho sucesso que pôde realizar seu sonho: comprar novamente Mårbacka, em 1910. Em 1904, recebera a medalha de ouro da Academia Sueca; em 1907, fora nomeada doutora honoris causa da Universidade de Uppsala; em 1909, recebera o Prêmio Nobel de literatura.

Mårbacka

Em 1914, entrou para a Academia Sueca, mas conservou sua vida de fazendeira, criando gado e beneficiando farinha de aveia, e continuou escrevendo: A Casa de Liljekrona, em 1911, O Carroceiro da Morte, em 1912, e um compêndio de lendas escritas de 1915 a 1921, reunidas em Gnomos e Homens. Depois publicou O Imperador de Portugal, em 1914, O Exilado, em 1918, a trilogia dos Löwensköld, de 1925 a 1928, entre eles seu último romance, Anna Svärd. Na velhice, publicou apenas volumes de lembranças, e morreu na Mårbacka que tanto amava, sendo enterrada no cemitério de Östra Ämtervik.

[editar] Características literárias

No fim do século XIX, a literatura sueca era dominada pelo realismo naturalista. Selma Lagerlöf, com sua obra mesclada de gnomos, duendes e fantasmas, ao recriar a atmosfera ficcional das lendas e relatos populares, significou uma volta ao romantismo. Era vista, popularmente, como uma narradora que encarnava a arte dos contos populares.

Claes Annerstedt, que fez o discurso de recepção para Selma por ocasião da entrega do Prêmio Nobel de Literatura, em dezembro de 1909, diria: "Para ela a natureza, mesmo inanimada, possui vida própria, invisível e contudo real".[1]

[editar] Obras principais

[editar] Referências bibliográficas

  • LAGERLÖF, Selma (1962), De Saga em Saga, Rio de Janeiro: Editora Delta. Vida e Obra de Selma Lagerlöf (Elie Poulenard, trad. de Clarisse Filiatre F. da Silva)
  • VÁRIOS (2000), Nova Enciclopédia Barsa, São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil. Macropédia, volume 08, p.435

Notas

  1. Discurso de recepção pronunciado por Claes Annerstedt, por ocasião da entrega do Prêmio Nobel de Literatura, em 10 de dezembro de 1909 - Coleção dos Prêmios Nobel de Literatura (1962). Rio de Janeiro: Editora Delta.
Precedido por
Rudolf Eucken
Nobel de Literatura
1909
Sucedido por
Paul Heyse
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